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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Quero sentir - Quero sentir os teus dedos carregados de luar onde nenhum dos teus gestos é mais que permanência.
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⁠Quero sentir - Quero sentir os teus dedos carregados de luar onde nenhum dos teus gestos é mais que permanência. Quero sentir-te ... amar, correr, voltar ... sentar à mesa dos momentos que não tivemos junto ao mar. E à beira dos instantes de mãos dadas com a vida, olhar p'ra dentro, contemplar a tua imagem contra a minha, numa só, tu esperando por mim eu adormecendo junto a ti. Quero tocar-te, 'inda que não estejas, seguir a voz do vento que galga horizontes, conduzindo a minh'Alma à tua. E quando finalmente te encontrar amar outra vez ... aqui, ali, na rua ... Pudesse o tempo não agir no pensamento e o que há em nós jamais se esgotaria. Nada passaria por passar! E o que seria?! Nada! Apenas nada! Breves instantes suspensos por aceitar!

⁠No Céu da minha Aldeia - Ha no céu da minha aldeia, pesado na noite calma,
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⁠No Céu da minha Aldeia - Ha no céu da minha aldeia, pesado na noite calma, tanta estrela cintilante que ilumina a minha alma. E quando passo, ao passar, em tristeza repetida, tantas vezes que me lembro do passar da minha vida. Na verdade sinto-me perto em cada passo errante da alegria e dos sonhos desse tempo tão distante. E não há ninguem na rua só eu e o céu aberto, trago o corpo cansado, sinto a morte mais perto. Ao Outeiro em Monsaraz

⁠Vinha aqui dizer - Vinha aqui dizer tanto que te amei mas reparei que era Dezembro
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⁠Vinha aqui dizer - Vinha aqui dizer tanto que te amei mas reparei que era Dezembro e aquilo que contigo combinei era dizer-te até Setembro! Lembrei- me da praia das maçãs onde a maresia tinha o teu cheiro corri, busquei-te todas as manhãs mas a vida foi cruel ... era Janeiro. As ondas traziam espuma e paixão tocavam-me na pele, frias, hesitantes na areia só vi Inverno, solidão e não vivi Agosto como dantes. Dos teus gestos senti sede, fome a mesa estava posta para os dois mas já não chamas p'lo meu nome e Setembro diluiu-se no depois. Afinal já não conto estar contigo tudo o que era meu já não é nosso vinha dizer que te amo mas não digo, dizer quanto te quero mas não posso!

⁠Nem por sombras - Nem por sombras se ouvem lobos a uivar em madrugadas noites de Lua- Cheia
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⁠Nem por sombras - Nem por sombras se ouvem lobos a uivar em madrugadas noites de Lua- Cheia mas há silêncio pelas casas a pairar quando as aranhas tecem suas teias. Nem por sombras os mortos querem regressar a vida é por certo mais profunda lá longe deste mundo, em bom lugar, onde a morte nos abraça e nos afunda. Nem por sombras parecemos acordar quando nos entregamos à dor da solidão ninguém à volta nos consegue aliviar e tudo o que nos dizem parece ser em vão. Nada é verdade quando chega a depressão! E a morte branca como as pombas não vem tirar-nos da prisão nem por sombras ... nem por sombras!

⁠Inumeráveis - Inumeráveis são os dias que te esperei calado, vencido, prostrado no meu leito
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⁠Inumeráveis - Inumeráveis são os dias que te esperei calado, vencido, prostrado no meu leito horas de vida que da vida despojei resignado a um peso sobre o peito! Inenarráveis são as horas que te não vi, em silêncio, fixando a luz da tarde, passou o tempo e a vida que não vivi sinto que na pele 'inda me arde ... E d'olhos fixos na cor dessa paisagem nem um adeus me deste à despedida, fui despregado à luz da tua imagem porque sei que fui demais na tua vida.

⁠Regresso a Casa - Regressa a casa um homem de coragem, pálido mármore sombreado pelo tempo,
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⁠Regresso a Casa - Regressa a casa um homem de coragem, pálido mármore sombreado pelo tempo, perfil endurecido, severa imagem, fria, cinzelada sem voz nem pensamento! Um mágico silêncio carregado de virtude, constância, altruísmo, um tão alto nivel que por tal destino, por tal vicissitude ficou de tantas memórias insensível ... Homem de grandes causas, um mecenas, uma Alma d'oiro que a Évora se abraça como às aves se abraçam suas penas. E passa o tempo, vai-se a vida, tudo é vão, mas hoje, de regresso, bem vindo a casa, Jose Maria Ramalho Perdigão.

⁠Hora d'alba - Não te esqueças, à hora d'alba, meu amor quando me vires dormindo no silêncio da vida
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⁠Hora d'alba - Não te esqueças, à hora d'alba, meu amor quando me vires dormindo no silêncio da vida que nunca vivi por mim mas por te amar até àquele instante da nossa triste despedida. E aqui, sem ti, não me resta nada mais, mas se assim é, se assim vivi, agora, todos vós que me assistis porque procurais entre os vivos quem morre de hora a hora?! A noite perdeu-se da madrugada o dia reclinou amargamente frente á Lua, ao fundo, já se vê o fim da estrada e o movimento da casa continua ... A hora d'alba vestiu de luto todo o corpo ficou vida nas entrelinhas por viver ergueu-se a solidão nos versos d'um poeta e tudo o que ficou nas nossas bocas por dizer.

⁠Chave Partida - E p'lo infinito silencio que brota aos molhos das tardes soalheiras de quem vive à calma
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⁠Chave Partida - E p'lo infinito silencio que brota aos molhos das tardes soalheiras de quem vive à calma há cansaços que caem dos olhos p'la grandeza da imensidão da alma. E há pessoas que trazem o céu na mão, um vento frio, uma aragem, o âmago da cor, mas por serem essa imensa vastidão vestem-se de cansaço por amor. E Trazem nos dedos gestos de poesia em versos repetidos contra o vento vivem de noite, dormem de dia já não tem mão no próprio pensamento. E o que fica depois de tudo terminar?! ... dor, saudade, noite e solidão ... A promessa de seguir, a vontade de ficar, a chave partida na porta do coração!

⁠Mistica Presença (IN MEMORIAM) Avó ... senti tua mistica presença
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⁠Mistica Presença (IN MEMORIAM) Avó ... senti tua mistica presença nesta noite de vigilia. Noite em que o vazio do teu olhar irrompeu calado nas vozes das gentes ... E a morte, esse negro cortejo de sombras, p'ra sempre se consumiu, surgindo eleita como a outra face da vida. A capela, o altar, a Senhora da Orada e eu formámos em teu redor um elo de amor eterno de onde brotava um poderoso halo de luz. Permanecia a paz ... e no silêncio dessa paz ecoava a Voz de Deus Sagrada, divina, Intemporal ... E assim ficámos, em meditação, calados, p'la penumbra da noite ... Almas gemeas nascidas antes de toda a divisão. Tão fortes, tão doces, tão eternas ... Já nada ali nos podia separar. Jamais veu algum poderia surgir entre as nosssas almas! Ambos nos situamos, avó e neto, num torpor de emoções! Assim nos revelámos em totalidade, além de todas as palavras, além de toda a saudade, além do silêncio da morte na serenidade da vida. E quem sabe, cruzar-nos-emos um dia, por ai, quiçá, na calha de uma "Nova Vida" ... Em memória da queridíssima avó Clarisse Esposa, mãe, amiga e avó extremosa. 1932-2024

Minha avó ... minha mãe - ⁠Quando eu era pequenino e me sentia triste e só
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Minha avó ... minha mãe - ⁠Quando eu era pequenino e me sentia triste e só agradecia ao destino ter-me dado aquela Avó! Nas varzeas do caminho adormecia nos seus braços e os medos de menino desfaziam- se em abraços! Sinto o toque da sua mão de quando era pequenino, oiço o bater do coração, ao colo - na pele - o carinho! Hoje a vida é diferente: já não sou tão pequenino a Avó partiu p'ra sempre quem me dera ser menino! Meu poema, minha mágoa, minha estrela, também, a saudade fica, trago-a, minha Avó ... minha Mãe! Em memória da minha querida Avó Clarisse.

⁠Disse-te adeus - Nessa noite de Setembro disse-te adeus, bem me lembro
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⁠Disse-te adeus - Nessa noite de Setembro disse-te adeus, bem me lembro noite fria, noite calma, nunca mais nasceu o dia e passou a ventania pela tarde da minha alma. Prendeu-se-te aos ombros por silêncios, entre escombros uma noite tão funda, e porque ficaste tu assim como se fosse o teu fim mar parado que me inunda?! Como se acabasses para sempre o teu corpo já nem sente que tudo é frio e nostalgia, em mim não nasce nada sou todo água parada nunca mais nasceu o dia. Completam-se hoje15 longos dias da sua ausência Avó. Dificil. Saudade. Muita. Tanta.

⁠Reconhecimento e Gratidão ao Hospital S. João de Deus em Montemor - Há espaços Geográficos que vibram como ninhos de águias, fontes de amor, pontos energéticos de Luz, âncoras de vida interior. É assim o Hospital de S. João de Deus em Montemor.
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⁠Reconhecimento e Gratidão ao Hospital S. João de Deus em Montemor - Há espaços Geográficos que vibram como ninhos de águias, fontes de amor, pontos energéticos de Luz, âncoras de vida interior. É assim o Hospital de S. João de Deus em Montemor. O espaço, as gentes, os olhares, as vozes, o imenso coração com que se sente pulsar as paredes daquele edificio. Tudo ali é terno e profundo, tudo ali é vida, a ântecamara do Céu. Lugar onde a Voz de Deus soa e ressoa e o seu eco nos envolve o corpo e a Alma. Afinal há Céu na terra! Posso dizê-lo, posso afirma-lo. Porque vi, porque senti. Foi neste lugar onde a caridade e a fé, a esperança e a virtude habitam e convivem diáriamente e seguem de mãos dadas que a minha queridissima Avó Clarisse viveu e terminou o seu ultimo mês de vida neste mundo. A Paz e a tranquilidade com que partiu é espelho do lugar onde fez o seu término sobre a terra. Muito me doeu a distância entre nós neste final de vida mas sabia que era melhor assim - por ela. Enfermeira Rita obrigado pela generosidade, enfermeira Filipa obrigado pela resiliência, enfermeira Xana obrigado pelo imenso coração, as demais enfermeiras que acompanharam a avó, incluindo na hora da morte, muito obrigado. Obrigado pelo vosso altruismo. Seguranças, auxiliares, utentes, assistentes sociais, direcção administrativa, muito obrigado. Obrigado Dra. Isabel Lucas e a toda a equipa dos Cuidados Paliativas. Ainda tenho na minha cabeça o som da sua voz, de noite, a dizer-me ao telefone que a avó partiu. Voz doce, trémula, compassada, cautelosa. Viva eu mil anos não se apagará da minha memória. Obrigado Dra. Isabel por ter levado a avó pela mão no seu último mês de vida até Nossa Senhora para que Nossa Senhora a pudesse levar a Deus. Padre Alvaro obrigado pela orientação Espiritual. Deus falou-me sempre por si. Acho que nunca na minha vida senti tanto reconhecimento e gratidão por um lugar, por tanta gente. A Avó levou a todos no coração. Partiu a 17 de Setembro, a dez minutos do dia 18, para partir no dia em que completava 63 anos de casamento com o avô Louro. Tinha que ser. Seguiram-se dias dificeis, a saudade é a presença da ausência e diz o Reverendo Cónego Madureira que a Saudade é o amor que fica. E é real. Temos que aprender a gerir o amor que fica em nós depois da partida daqueles com que estabelecemos relações de amor. É dificil. A morte é a outra face da vida para quem parte mas também tem que ser para quem fica. Obrigado avó por tudo, por tanto. Ao Hospital S. João de Deus em Montemor e a todos que o habitam o meu reconhecimento e gratidão. Ricardo Maria Louro Um neto sensibilizado

⁠O Morgado da Golegã - Lá vai o Senhor Morgado um antigo anfitrião com calça de riscado, com modos de galã
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⁠O Morgado da Golegã - Lá vai o Senhor Morgado um antigo anfitrião com calça de riscado, com modos de galã e segue pelas ruas cumprindo a tradição a trote p'la calçada da velha Golegã. O Povo emocionado num grito em ovação aplaude o Senhor Morgado um homem de virtude e aquela alva figura marcada p'la paixão recorda a tradição do seu tempo de juventude. O dia é de festa, cavalos; cavaleiros por toda a Golegã é feira de S. Martinho e à luz do Sol ardente há flores nos canteiros crianças pela rua brincando no caminho. Nobrezas de carácter, brasões no dedo em riste, famílias d'outros tempos pejadas de saudade desfilam na clareira da praça branca e triste alegres cavaleiros de antiga mocidade. Há fumo pelo ar, castanhas pelo espaço há fado em cada esquina é a voz do passado e a trote ou a galope acenando com o braço num puro Lusitano vai passando o Senhor Morgado.

⁠Numa tarde sem coração nasci pequeno e tão só vestiram-me de solidão
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⁠Numa tarde sem coração nasci pequeno e tão só vestiram-me de solidão caí nos braços de minha Avó... Mas quem ganhou fui eu: a desgraça concebida a Avó entregou ao Céu e salvou a minha vida! Cresci tendo-a por perto não me lembro de a não ter, tendo-a, tive por certo que nunca a iria perder. Quando dissemos adeus naquele istante tão só tive que devolver a Deus o Coração de minha Avó. Hoje, 3 semanas de saudade, silêncio e ausência de uma Senhora insubstituível, uma personalidade Cristã cheia de caridade no coração. Saudade sua Avó Clarisse.

⁠Venho ver-te - Venho ver-te ... assim, calada, fechada num fundo que nao conheço.
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⁠Venho ver-te - Venho ver-te ... assim, calada, fechada num fundo que nao conheço. Por vezes, ao tocar-te, sinto que me reconheces, que me abres a Alma numa maré de profunda emoção. E sinto, por instantes, a saudade de nós brilhar nos teu olhos cor das ventanias. Mas é breve porque breve regressas ao teu mundo. Um mundo onde não há lugar para mim. Onde não nos podemos abraçar. Sei que não consegues. Que queres mas não podes. Sei que tentas com toda a força do teu ser, do teu coração vires até mim. Eu sei Avó... eu sei ... mas o amor não acaba e dizer que te amo é o que temos. É o que podemos ter. Aqui ... agora. A vida revelou-se para nós como um vidro partido. Cruel, injusta, indiferente. Tão longe da minha infância, quando era menino de colo ... no teu colo. Em ti não há voz mas há gestos, olhares, toques. E o amor aumenta, prologa, multiplica-se ... Minha Avó ... minha Avó ... Para a Avó Clarisse do Neto por si tão amado.

⁠Um modo diferente - Quando eu partir não penses que vais viver sem mim;
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⁠Um modo diferente - Quando eu partir não penses que vais viver sem mim; aprende a viver com o meu amor de modo diferente ... Porque se me quiseres ver basta fechares os olhos! Procura-me na tua sombra encostada à parede ou no chão, quando o sol brilha, eu estarei lá... Senta-te comigo no silêncio e sentirás que não me fui embora. Almas que se unem jamais se separam. Quando eu partir, não me queiras esquecer, aprende a encontrar-me nos momentos. Eu estarei lá... "E quando um dia estiveres triste fecha os olhos e sorri lembra-te da tua avó que gosta muito de ti!" Porque afinal tu nunca me perdeste! (Completam-se hoje 3 longos meses sem a presença deste ser humano especial e inesquecível. Que Saudades querida avó)

⁠Fui neto de uma Avó - Fui neto de uma Avó doce e inocente tão branca como a neve pura
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⁠Fui neto de uma Avó - Fui neto de uma Avó doce e inocente tão branca como a neve pura que muito amou a todos, humildemente, e deixou em mim uma saudade que perdura. Fui neto de uma Avó frágil e piedosa cheia de verdade no coração e tanta gente que as suas mãos a cada hora ajudaram, sem pensar, cristãmente ... Fui neto de uma Avó que já não tenho e que alegria quando a tinha, que contente, agora, procuro-a, ando, vou e venho ... Fui neto de uma Avó que choro intensamente e nessas lágrimas ponho todo o meu empenho porque a vida é p'ra mim já indiferente! Para a minha queridissima Avó Clarisse.