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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Manuel de almeida: Poesia, Fados e Destino - Quando algures se presta homenagem a uma ilustre figura que imprimiu no mundo a sua “digital criativa”, é quando, verdadeiramente, se cumpre e se manifesta a alma de um Povo. É quando se expressa, no mais vasto sentir de uma pátria, aquilo que de mais intenso e grandioso a precede e antecede. Isso que faz dela a ramagem que dá vida às folhas que brotam, num verde jucundo, dos ramos de uma árvore altiva e frondosa. A imponente e grandiosa copa de uma árvore que se ergue ao céu pelos tectos do princípio ao fim do mundo. É assim o punho de um poeta ou a voz de um rouxinol… Manuel de Almeida. Um poeta solitário que canta a voz de um povo. E sê-lo, é saber profundo, pesado e leve de um passado distante, rude e austero, feito de idealismo sublime e arte manifestada. Força que emana de cada pensamento no doloroso silêncio de uma vida vivida, de um sonho total. De uma verdade expressa, de uma entrega inteira, real, sincera, altruísta, sensível, e até, quase cruel… Manuel de Almeida, alguém atento, à vida que foi, à vida que é – ainda – sem o ser, porque o já foi, sendo-o. Alguém nas várias dimensões do tempo, projectado na grandeza panorâmica dos seus versos e do seu canto… “Quando chegar a hora da partida ordenada por Deus omnipotente quando os anjos cantarem nova vida o meu fado talvez seja diferente. E quando for a festa do meu dia no mundo imaginário que sonhei quero beber o vinho d’alegria e abraçar os amigos que encontrei. Suspenso no meu fado, nem reparo, no tempo de marcar a minha vez quero morder o pão que me foi raro nesta minha passagem com vocês.” Bravo Manuel de Almeida! Bravo! Este teu “Até Sempre” permanecerá sempre, aqui e ali, em nós, teu Povo, tua Gente, em cada canto, para sempre! Bravo! Bravo! Tão poético! Tão Fadista! Tão português … Plasmando nos olhos e nos sentidos de cada um a imensidão da tua alma. Rubra e intensa, quando ao cair da noite as guitarras ainda se perfilam no horizonte das vielas e a tua voz se ergue de mãos postas pisando as penas de uma vida que nos vive. O que de ti para nós é o Fado! Isso que súbito, e em cada um, acorda e desperta uma memória longínqua e difusa de eternidade. Profunda e intensa. Indefinida nostalgia amarga e doce de algo que se sabe e se esqueceu. Perante o fado que é o teu todos somos poetas… Todos sentimos frente à tua eterna e humilde presença, a dor e a grandeza da humanidade, esse património impresso no sangue lusitano desta pátria singela e amada a que todos pertencemos e erguemos como um facho a arder nas madrugadas transformando a noite escura em dia claro. A fé profunda das palavras que nos falam de ilusão, a sabedoria e o êxtase dos sentidos despertos em horas de fado, bem ou mal fadado, e os abismos nocturnos onde se afundam lamentos que desejamos transcender. A nossa alma! Tudo o que sempre foi e é este país mais do que qualquer outro. O teu, o meu, o nosso país. Este Portugal à beira mar, esta Lisboa de encantar adornada pelo Tejo. E as palavras não se esgotam, dizem os poetas. Perante ti, Manuel de Almeida, não se esgotam, mas não chegam, já não vibram… “As palavras são como um cristal, algumas um incêndio. Outras orvalho, apenas. Secretas, vêm, cheias de memória. Tecidas de luz que paraísos de unidade activam ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe?” Diz Eugénio de Andrade Recolhe-as o poeta, escuta-as o fado… digo eu! Nós somos, por isso, uma gente de mágoas, um Povo solitário, grandioso na partida e maior à chegada… “Óh gente da minha Terra, agora é que eu percebi, esta tristeza que trago foi de vós que a recebi.” Disse Amália. Manuel de Almeida escreveu: “E quando for a noite do meu fado fado que me foi dado de raíz quero cantar até ficar cansado numa canção de amor ao meu país.” Obrigado Manuel de Almeida. Por seres poeta, por seres fado, por tão bem sentires a tua pátria, o teu Povo, a tua raíz, a tua Gente. Por viveres e fazeres acontecer em ti e de ti a alma portuguesa. Manuel de Almeida: Poesia, Fados e Destino … Cascais, 27 de Abril de 2015 Jantar de homenagem a Manuel de Almeida.

Ricardo Maria Louro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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