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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Ódio Cansado e Liso - Odeio a Vida que Deus me deu ... E odeio a Deus porque ma deu
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⁠Ódio Cansado e Liso - Odeio a Vida que Deus me deu ... E odeio a Deus porque ma deu sem lha pedir! Nem um sonho, nem um AI, eu sem nada, despido, feito de gritos e de espanto, sem mãe nem pai. Odeio a Vida que Deus me deu ... E odeio a Deus porque ma deu sem lha pedir! Nem um beijo, nem um canto, eu sem vida, cansado, feito de espinhos e de pranto, mal-amado, mal-amado! Odeio a Vida que Deus me deu ... E odeio a Deus porque ma deu sem lha pedir! Nem um toque, nem um corpo, eu sem ti, que mendigo?!, pôdre na terra, morto, ódio cansado e liso! Odeio a Vida que Deus me deu ... E odeio a Deus porque ma deu sem lha pedir!

⁠Sombras Aflitas - Trago o meu olhar vazio no vazio da solidão
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⁠Sombras Aflitas - Trago o meu olhar vazio no vazio da solidão trago o destino marcado e o meu corpo cansado sem Alma nem Coração. Peço à Vida coragem peço à Vida mais Vida que a luz do meu olhar tal como as ondas do mar por mim passa de corrida. Na ausência do meu quarto no silêncio desta cama nas palavras que me gritas entre sombras aflitas está a dor de quem te ama. Ponho os olhos no teu corpo é um sonho, não me iludo, tantas horas paradas em palavras esmagadas que me deixam quase mudo.

⁠Não vale a pena amar Ninguém - Não vale a pena amar ninguém porque ninguém nos ama a nós
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⁠Não vale a pena amar Ninguém - Não vale a pena amar ninguém porque ninguém nos ama a nós quando afinal se ama alguém ficamos sempre mais sós. Quando damos o que temos a quem por nós não sente nada até da vida nos perdemos na solidão de qualquer estrada. Que importa morrer de amor quando damos o que temos?! Ficamos presos numa dor e onde vamos não sabemos ... E passa a noite e a madrugada recordando os olhos de alguém esse alguém que não sente nada não vale a pena amar ninguém!

Campo de Batalha - ⁠Sou um campo de batalha onde a contenda é travada
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Campo de Batalha - ⁠Sou um campo de batalha onde a contenda é travada e o meu corpo é a mortalha de uma guerra inacabada! Um sou eu desde que nasci com um peso sem idade outro o Poeta que recebi e me castra a liberdade! Dois que em não se entendiam num confronto imortal dois que em mim não percebiam o quanto o corpo era mortal! E como a lava de um vulcão ou a cinza da lareira resta nada e solidão junto à minha cabeceira!

⁠Saudade que Agito - Foste embora e morri dia a dia não te vi
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⁠Saudade que Agito - Foste embora e morri dia a dia não te vi que triste é a nossa vida; e na saudade que agito a minh'Alma num grito pede à vida outra vida! Mas este canto na voz não me deixa ficar a sós e vai falando de ti; coração do meu coração que me grita em solidão no mais calado de mim! Nos poemas que cantei quantas horas te esperei só eu sei o que sofri; contra ti e contra a vida contra a dor da despedida foste embora e morri!

⁠Cama Vazia - Quando os corpos se penetram mas as Almas não se encontram
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⁠Cama Vazia - Quando os corpos se penetram mas as Almas não se encontram os corações, no peito, choram e os olhos não se enxergam. Quando as Almas não se enleiam nesse instante de paixão só há silencio e solidão e até sentem que se odeiam. Que a paixão é um caminho mas não chega, sem amor, cada um fica sózinho em lençóis de linho e dor. E a cama fica fria mais fria fica a vida fica a Alma em vão despida em cada cama vazia.

⁠No meu Corpo há um lugar - No meu corpo há um lugar onde alegrias se aninharam
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⁠No meu Corpo há um lugar - No meu corpo há um lugar onde alegrias se aninharam onde amores se encontraram onde esperei o teu olhar. E na loucura de te encontrar dei o corpo a tantos cantos chorei dores, chorei prantos na distância o teu olhar. Cortei os pulsos ao Sol-posto não me lembro de o fazer só me lembro de te ver a palidez, rubra, no rosto. Mas um dia quis morrer na minha cama d'ilusão e dei meu corpo à solidão morri cansado de sofrer.

⁠A Morte - A morte é um campo de alfazema e alecrim, um canteiro d'açucenas, rosas brancas,
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⁠A Morte - A morte é um campo de alfazema e alecrim, um canteiro d'açucenas, rosas brancas, traz um cheiro de malvasia e jasmim, pairando triste de amargura, sobre as campas! A morte é um anjo que esvoaça pelos Céus, é um lírio, é um grito de vingança, é a porta que nos leva um dia a Deus, o silencio d'um adulto ou um choro de criança! A morte é o claustro denso d'um convento, a tela d'um pintor, pintada ou em branco, o espaço que viaja, cada átomo do tempo, é a pauta que se lê e dá suporte ao canto! A morte é apenas o silencio da passagem, destino que nos espera, ali, mais adiante, todos a seu tempo, não é miragem, verdade que nos despe, mais perto ou mais distante!

⁠Por Instantes - No meu corpo, por instantes, visto as dores de quem vive
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⁠Por Instantes - No meu corpo, por instantes, visto as dores de quem vive num doer que é constante por um amor que nunca tive. Bailam dores nos meus olhos como as flores pelo vento como espadas e abrolhos baila em mim o pensamento. E bailas tu no meu cansaço baila a vida e a saudade no vazio do meu regaço bailo eu com a cidade. E verás, quando algum dia, tu souberes que eu parti como até na terra fria esperarei, amor, por ti ...

⁠Numa Pátria de Poetas Desterrados - Numa Pátria de Poetas desterrados só se vê deambular gente proscrita
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⁠Numa Pátria de Poetas Desterrados - Numa Pátria de Poetas desterrados só se vê deambular gente proscrita corpos frios em pedra funda, voz dorida, cor do fado, assim vivem tantas vidas ... Eu lamento ser desterrado também eu gente proscrita minha cruz é pedra funda minha voz calou o fado e até minh'Alma está perdida ... Dizem que a vida não acaba! Que é eterna e não tem fim! Mas que mentira tão piedosa! Pois há gente que nos mata com palavras, de uma forma fabulosa... É solene o meu cansaço é pesado o meu lamento dou à vida o que não tenho pois no peso do que faço está a morte de onde venho ...

⁠Triste Fim - Quando um dia a minha dor já não for p'ra ti amor
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⁠Triste Fim - Quando um dia a minha dor já não for p'ra ti amor um motivo p'ra pensar; quero em ti adormecer quero em ti poder morrer digo adeus, parto a chorar! Mas eu não posso partir sem pensar no que há-de vir lá longe dentro de mim; é partir, é não te ver nunca mais por ti sofrer é p'ra nós um triste fim! Numa tarde em que chovia não era noite, era dia alguém te disse que eu morri; um do outro longe enfim vais saber que mesmo assim 'inda espero, amor, por ti!

⁠Quando Passo entre as Gentes - Quando passo entre as gentes essa gente que não sente
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⁠Quando Passo entre as Gentes - Quando passo entre as gentes essa gente que não sente quanto dói meu coração; sinto o peso do Passado como alguém que é exilado no silencio em solidão. Quando passo entre as gentes sinto em mim que novamente me condenam sem ter fim; eu sou eu e hei-de ser nunca me vão entender por ser eu por ser assim. Não é fácil ser quem sou eu nem sei porque me dou a quem tão perto não me sente; visto a cor da solidão como a dor de uma prisão quando passo entre as gentes.

⁠O meu Corpo é um Navio - O meu corpo é um navio que se arrasta nas marés
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⁠O meu Corpo é um Navio - O meu corpo é um navio que se arrasta nas marés pelos mares sem ter frio à deriva sem ter Fé. Os meus olhos dois lamentos dois cansaços que me assaltam dois martirios, dois tormentos duas velas que se apagam. Num caminho sem destino dei-me à vida sem pensar tantas dores no caminho tanto espinho em meu olhar. O meu corpo é um fado que está preso à tua imagem meu destino está marcado teu amor é uma miragem.

⁠Ontem - Ontem a Morte que parecia só miragem é hoje um campo de papoulas carmesim
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⁠Ontem - Ontem a Morte que parecia só miragem é hoje um campo de papoulas carmesim é os passos de um romeiro em viagem nos últimos dias que o encaminham para o fim. Ontem a tristeza que parecia não ser nada é hoje a roupa que carrego sobre o corpo do silêncio que fica nas paredes desta casa ou dos olhos que se fecham no teu rosto. Ontem a vida que parecia tão real é hoje um acto de vazio e contrição é um eco de amargura, um eterno vendaval porque o Ontem, afinal, já não volta à nossa mão.

⁠Fúria Lavrada - Há dias que desejamos estar mortos! Há noites em que choramos em vão!
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⁠Fúria Lavrada - Há dias que desejamos estar mortos! Há noites em que choramos em vão! Dizem que vivemos nos corpos ... Mas da vida só vejo podridão. Há horas que somos vermes sem casa! Há segundos que sufocamos um grito! Dizem que a vida não está gasta ... É mentira! Eu não acredito. Há gente qu'inda pensa em ser feliz! Há outras que só estancam o sangue! Sabem aquilo que a vida não diz ... Vê-se nos olhos, seu rosto, exangue. Há viúvas que choram seus mortos! Há filhos que odeiam seus pais! Há pais que sepultam seus corpos ... Dão à terra, seus filhos, como animais. Há dias em que o pranto seca na face! Há noites que se ouve uma voz impiedosa! Acredita-se em Deus como se isso bastasse... Mas tudo termina em morte vagarosa.

⁠Súplica Vã - Quem me dera dormir e não acordar mais nessas horas em que o sono me trespassa
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⁠Súplica Vã - Quem me dera dormir e não acordar mais nessas horas em que o sono me trespassa quem me dera ser a causa dos teus ais nessas noites, em que só, tu não me abraças. Se tu soubesses meu amor, ai se tu soubesses quanto espero ver ainda o teu olhar não ias pela vida como quem esquece que um dia nos amámos sem esperar. Se eu pudesse meu amor, ai se eu pudesse se eu pudesse ser um pranto em tua voz chorava a noite que me dói e arrefece quando longe o teu olhar me deixa só. Se tu pudesses tocar o meu lamento que se veste de loucura e solidão este luto que me pesa, meu tormento teria a cor das aves, brancas, ao serão.

⁠Quando o Amor Acontece - Quando o Amor nos acontece damos à vida outra vida;
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⁠Quando o Amor Acontece - Quando o Amor nos acontece damos à vida outra vida; o coração o reconhece e a vida até parece não passar tão de fugida. Quem não ama não entende que o amor é coisa rara; e ai de quem nunca pretende numa estrada que se estende dar à vida mais que nada. Mas quem espera sempre alcança vai-se a dor e o quebranto; e ai dos olhos de quem ama quando o nosso nome chama traz um brilho no encanto. Quando a vida até parece ser eterna despedida; eis que alguém nos aparece eis que o amor nos acontece damos à vida outra vida.

⁠Eu tenho um Fado - Eu tenho um fado na mão tua culpa, meu pecado
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⁠Eu tenho um Fado - Eu tenho um fado na mão tua culpa, meu pecado mas não te peço perdão por me dar assim ao fado. Eu tenho um fado na mão tua culpa, meu pecado. Eu tenho um fado na voz que se amarra no teu Seio agora estamos mais sós amor que foi e não veio. Eu tenho um fado na voz que se amarra no teu Seio. Eu tenho um fado no peito que só canto por te amar meu corpo, ferido, no leito 'inda espera o teu olhar. Eu tenho um fado no peito que só canto por te amar. Eu tenho um fado na Alma que é dolencia e solidão um fado que não me acalma e que me rasga o coração. Eu tenho um fado na Alma que é dolencia e solidão.

⁠Pão - Há tantos barcos ancorados no cais de uma paixão
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⁠Pão - Há tantos barcos ancorados no cais de uma paixão tantos olhos rejeitados na raiz de um coração. Há tantos corpos mutilados que procuram salvação tantos Homens aninhados em lençóis de solidão. Há tantos olhos enganados sem porquê nem razão vivem dias parados trazem mágoas na mão. Há tantos gestos de culpados que se culpam sem razão na verdade há muitos lados p'ra quem precisa de pão.

⁠4 Letras - Quatro letras me recordam o amor embaladas no meu corpo de paixão
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⁠4 Letras - Quatro letras me recordam o amor embaladas no meu corpo de paixão quatro pétalas caídas tem a flor esperando ter ainda uma afeição. Quatro dores se me dão à despedida quatro zangas me separam desse amor quatro mastros nos são dados pela vida tantos sonhos numa barca além da dor. Quatro Povos nos deram solidão quando a vida amanheceu e começou quatro vozes nos sangraram o coração mal o fado p'las vielas se espalhou. São quatro esses lamentos qu'inda canto pelas noites que me abraçam ao serão são quatro as minhas culpas que levanto na tristeza dos meus versos d'ilusão.

⁠Um Tempo - E o Tempo pára-me por dentro! E o Tempo pára-me por fora!
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⁠Um Tempo - E o Tempo pára-me por dentro! E o Tempo pára-me por fora! E há em mim um Tempo cadente, há em mim um Tempo Passado, sem vida nem encanto de mim esquecido, perdido, calado! E o Tempo finge não ser Tempo! E o Tempo deseja não ser Tempo! E há por mim alguém que grita, há alguém na minha cama, um lamento que se alinha, que se agita, conforme agita a voz de quem me chama!