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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Amantes Desejados - O suor dos nossos corpos encheu o quarto d'ilusão,
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⁠Amantes Desejados - O suor dos nossos corpos encheu o quarto d'ilusão, correu meu corpo, a tua mão, parando fixa nos meus olhos! E a tua língua no meu peito e o teu olhar no meu olhar gemi palavras a gritar envolvido no teu jeito! Fomos um naquele instante e eis que o tempo por momentos foi eterno para sempre ... E adormeci no teu regaço e foram tantos sentimentos que fiz dos versos os teus braços!

⁠Nos Braços d'outro - Já não trago nos meus olhos o calor do teu olhar
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⁠Nos Braços d'outro - Já não trago nos meus olhos o calor do teu olhar somos rosas entre escolhos somos noite sem luar. Esperamos sempre o que há-de vir há-de vir mas nunca chega somos nada no por-vir na luz de cada estrela. Já não somos o que fomos! Um do outro não me lembro! Só me lembro de quem somos neste dia de Setembro ... Afinal não somos nada! Não chegou a mais que pouco! Eu tão só na minha estrada tu feliz nos braços d'outro ...

⁠Figueiras Tristes - Figueiras tristes que se arrastam p'los caminhos, por estradas, caladas, só debruços,
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⁠Figueiras Tristes - Figueiras tristes que se arrastam p'los caminhos, por estradas, caladas, só debruços, por pedras, cardos, silvas ou espinhos, falem entre espasmos e soluços! Debruçadas, solitárias, sobre poços, sobre escarpas, no vazio ou por abismos, Figueiras de quem fogem tantos olhos nem pássaros vos querem para os ninhos! Porque nem a vossa lenha se aproveita?! Porque vos odeia toda a gente? Triste dor! E nem a vossa sombra nos dá paz e aconchega?! Mas o fruto da Figueira todos querem! Nasce da ramagem sem dar flor como as lágrimas dos tristes qu'inda gemem!

⁠Há muito ... tanto ... Há muito que me cansei de ser quem sou, ser o que não quero, que nunca desejei,
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⁠Há muito ... tanto ... Há muito que me cansei de ser quem sou, ser o que não quero, que nunca desejei, há muito que me cansei de estar onde não estou, dizer o que não quero ou dar o que não dei! Há muito que o silencio é em mim um grito, um verso inacabado de pedras no caminho, há muito que os meus olhos são o único que agito na revolta contra os lábios do destino! Há muito (tanto) que esqueci o que é amar, há muito (mais) que não sei o que dizer se alguém disser qu'inda me quer beijar! E que graça há em ter ainda ilusão! Quem pode querer beijar este não ser que digo ser tão distante do Coração?!

⁠Sem Carinho - Sem carinho de ninguém desde o berço um solitário
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⁠Sem Carinho - Sem carinho de ninguém desde o berço um solitário sou aquele que nada tem p'ra escrever no seu diário. Sem carinho de ninguém sem sorrisos de bondade fui cansaço, fui desdém, amargura e saudade. Sem carinho de ninguém sonhei tanto que nem sei se vivi ou se sonhei ... Tantas vezes que eu cantei e outras tantas que chorei sem carinho de ninguém ...

⁠Velha Guitarra - Silencio velha guitarra porque o meu amor partiu;
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⁠Velha Guitarra - Silencio velha guitarra porque o meu amor partiu; deixou meu corpo cansado na minha voz este fado e o meu destino vazio! Silencio triste saudade saudade qu'inda me amarra; só ficam os desenganos sofridos por tantos anos na voz desta guitarra! Mas o Passado morreu e com ele o teu olhar; silencio velha guitarra adeus saudade que amarra adeus vontade de amar!

⁠A minha boca Calou-se - A minha boca calou-se foi loucura, foi desdém
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⁠A minha boca Calou-se - A minha boca calou-se foi loucura, foi desdém o meu olhar fechou-se e o meu destino também! Eu não sei aonde vou ... Como um barco naufragado o meu coração parou e tudo ficou parado! Nem uma lágrima de dor nem um suspiro de paixão tudo ficou parado, amor, ao parar meu coração! E os meus olhos magoados como um grito que se solta são dois noivos separados vestidos de revolta! Sou poema inacabado sou carta sem destino sou Presente sem Passado sou as pedras do caminho! Sou um verso tão profundo que ninguém sabe d'onde vem sou a loucura do mundo que é de todos e de ninguém! E tudo passa sem parar e passamos nós também passa a vida devagar neste eterno vai-e-vem!

⁠Vejo a minha Vida Passar - Vejo a minha vida passar ... Vejo cumprir-se o meu destino ...
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⁠Vejo a minha Vida Passar - Vejo a minha vida passar ... Vejo cumprir-se o meu destino ... Vejo a minh'Alma perdida cheia de penas no caminho! Alta noite,, horas mortas, quando não se vê ninguém, abro livros, fecho portas e o meu coração também! Choro a dor desta lembrança dou à Alma o que não tenho e tiro à Vida confiança! Esse poço de onde venho vivo nele desde criança como um grito que sustenho!

⁠A Força do Cão - Esse cão que era vadio desprezado pelo mundo rejeitado pelas gentes, cresceu, fez silencio,
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⁠A Força do Cão - Esse cão que era vadio desprezado pelo mundo rejeitado pelas gentes, cresceu, fez silencio, triunfou ... Foi além do que é pensável, nada previa esse destino foi além do que é possível trilhou o seu caminho! À margem da matilha que o pariu e rejeitou, foi um cão diferente, sem regras nem tratados! E foi condenado ... abolido ... rejeitado ... Mas o ódio que o cercou foi a força que o levou a ser hoje um cão de raça com aplausos e ancores! Palcos, mentiras, ilusões ... Que falsas soam as palavras que lhe dizem ... Na verdade são os mesmos! Agora que os atenta reconhece-lhes os olhos ... Só que antes não o queriam, agora, invejam o seu corpo! Mas ele é o mesmo cão maricas que não sabia ir à caça nem queria acasalar! Afinal o que mudou?! ... Querem aproveitar-se do carisma que ele tem, do sucesso onde chegou! Mas o ódio, a raiva e a solidão que lhe deram tantas vezes, puseram-lhe nos olhos a Força do Cão!!!!

⁠Amor e Solidão - Na minha voz há um segredo que não conto por ter medo
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⁠Amor e Solidão - Na minha voz há um segredo que não conto por ter medo que não conto por te amar; meu amor não é vaidade meu amor é da saudade que trago em mim do teu olhar. No meu corpo há um cansaço uma dor que quando passo ninguém fica indiferente; uma dor que se desprende que ali mesmo até se prende ao olhar de toda a gente! No meu peito vai o teu rosto na minha boca o teu gosto levo em mim esta paixão; nosso amor que se perdia ao sabor de um triste dia não foi amor, foi solidão.

⁠Renúncia - Num jardim abandonado plantei dores, nasceu fado
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⁠Renúncia - Num jardim abandonado plantei dores, nasceu fado entre espinhos e abrolhos; tu partiste, meu amor reguei teu corpo, na dor com a água dos meus olhos! Não consigo adormecer como é que posso esquecer que a ti me dei por inteiro; mas não me quero lembrar que à noite canto a chorar sinto falta do teu cheiro! Terás dor no teu olhar quando me vires passar pisando o teu coração; que até as pedras da rua sabem que a culpa é só tua p'lo fim da nossa paixão! E quando a morte chegar talvez te possas lembrar dos meus olhos sem destino; já não terás os meus braços e no vazio dos meus passos seguirei outro caminho!

⁠De Noite - Para lá do ponto sem retorno, no último espasmo de silencio,
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⁠De Noite - Para lá do ponto sem retorno, no último espasmo de silencio, - quem podemos encontrar?! Enleado em teias e lamentos há solidão de afectos que trepa sentimentos como hera em pedra fria! E há rosas entre silvas, há perfumes pelo ar! A luz do dia, a luz da vida esbate o corpo, banha o mar! Cai a tarde, vem a morte chega a noite e tudo mói fecha-se-me a Alma ... ... eis quando a solidão mais dói!

⁠Ruínas - Deixo nestas folhas a demencia da minh'Alma
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⁠Ruínas - Deixo nestas folhas a demencia da minh'Alma paisagens adornadas numa fúria que me acalma. Deixo em cada linha angustia, dor e solidão ... Que essa furia de onde vinha não trazia salvação. Que tristeza tão profunda em meus olhos solitários como o choro quando inunda o perfil de tantos lábios. Cada um é um fantasma de uma vida inventada tanta gente que tem asma que não diz que é mal-amada. Ver na vida e na morte a verdade deste mundo é fazer de cada sorte um diálogo profundo. Os versos d'um Poema dão forma ao seu corpo linha a linha nesse tema vai um sonho que está morto. E essa Gente que os lê que anda triste, aos caidos não lhes sente nem lhes vê a demência nos sentidos. Ser Poeta é cansaço é ter tristeza na mão é criança sem regaço um fruto podre no chão. O Poeta não se entende nem entende a solidão solidão que não o vence nem lhe dá qualquer razão. O Poeta é Outono é Inverno e amargura nem a vida nem o sono lhe tiram a loucura. Ele sabe que o caminho não é para os Profetas segue veredas sem destino como todos os ascetas. Em diários de Poesia seguem Rosas -de- Sangue seguem noites sem dia palavras de amante. Coitado do Poeta que chora dor aos molhos até parece que uma seta atravessa os seus olhos. Poesia não é vida Poesia não é Sorte Poesia é dor perdida nos braços frios da morte. São penas d'Avezinhas encadeadas de rimas são pessoas, "coitadinhas" que só vivem de RUÍNAS!

⁠Porque foges meu Amor - Porque foges meu amor aos braços desta paixão
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⁠Porque foges meu Amor - Porque foges meu amor aos braços desta paixão e me deixas ao sabor dos ventos da solidão?! Porque foges meu amor aos braços desta paixão! Porque dizes meu amor o nosso amor está cansado que preferes esta dor sofrer num quarto fechado?! Porque dizes meu amor o nosso amor está cansado! Meu amor se tu soubesses perder-te eu já não suporto porque foges; não aqueces o frio que veste o meu corpo?! Meu amor se tu soubesses o frio que eu levo no corpo! Eu preciso de te ver amor não sejas ruím eu preciso de saber se ainda gostas de mim! Eu preciso de saber amor, amor se é o fim ...

⁠Adeus Mãe - Adeus mãe, quero morrer vou partir p'ra qualquer parte
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⁠Adeus Mãe - Adeus mãe, quero morrer vou partir p'ra qualquer parte vou-me embora p'ra esquecer! Vou aonde?! Ninguém sabe! Vou além do que é possivel adeus mãe, quero morrer este mundo é invisivel quero dele me perder! Nunca soube onde viver nada fui e nada sou adeus mãe, quero morrer não sei bem aonde vou! Já não quero o amanhã o amanhã faz-me sofrer minha vida foi tão estranha adeus mãe, quero morrer!

⁠Na Capela da Casa do Outeiro - Na Capela da Casa do Outeiro há uma coisa que é de véras singular,
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⁠Na Capela da Casa do Outeiro - Na Capela da Casa do Outeiro há uma coisa que é de véras singular, uma Virgem, no altar, emana o cheiro d'uma rosa, que alguém está prestes a cortar! Do outro lado, o Senhor Jesus dos Passos veste o roxo d'um lírio, pelo campo, que à deriva, a cada canto, dá abraços, a quem, como Ele, traz nos olhos dor e espanto! Ao alto, numa tela, está o Senhor dos Martyrios que imponente, na parede, dá a bênção, iluminado no altar, pela graça de dois cyrios! Na mesa, ao centro, está Jesus Crucificado numa profunda e imensa solidão, pendurado numa Cruz, triste, só e abandonado!

⁠Desabafo Profundo - Passam dias que não vejo o horizonte!
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⁠Desabafo Profundo - Passam dias que não vejo o horizonte! Passam horas que não sinto a Luz da vida! Não vejo quem me entenda nem aceite ... Que triste ser eu! Eu por mim. Eu sozinho. De mim a mim ... Do berço até aqui, daqui até à cova! Minha angustia tão velha, tão nova! Tão perto e distante daquela hora fria em que nasci! Levo aos ombros solidão, o peso do Passado ... Visto dor, culpas e cansaços; levo pragas e lamentos no silencio dos meus braços. Meus olhos calados num rosto adormecido ausentes, fechados num destino perdido! Ninguém vê, ninguém sente, ninguém, ninguém ... E como dói este desdém! Quando um dia eu morrer terão pena, é verdade mas nunca irão entender o porquê de eu não saber ser mais forte que a saudade!

⁠Estranho Contraste - DIÁLOGO: Celeste Rodrigues:
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⁠Estranho Contraste - DIÁLOGO: Celeste Rodrigues: " - ( ...) e você sabe como eu tenho medo de morrer não é?! Eu: - Que estranho Celeste! A Celeste tem tanto medo de morrer, e eu, tanto medo de viver ... Celeste Rodrigues: " - Quem me dera ter agora a sua idade!!!" Eu: - E eu a sua Celeste! E eu a sua!!! ...

⁠Não quero mais - Não quero mais do que a minha solidão não quero mais do que é possível conhecer
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⁠Não quero mais - Não quero mais do que a minha solidão não quero mais do que é possível conhecer os versos de que me alimento, como pão, não quero mais do que é possível entender! Não quero mais do que a vida pode dar não quero mais do que tenho dentro em mim só aquilo que o tempo a cada dia vai tirar não quero mais do que fugir de um triste fim! Não quero mais do que passar pela vida indiferente não quero que falem ou digam - "está a mais!" quero que saibam que de todos fui diferente, tal desprezo, já não quero, não quero mais!

⁠Cadáver - Já não tenho lágrimas nos meus olhos excessivamente abertos
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⁠Cadáver - Já não tenho lágrimas nos meus olhos excessivamente abertos para aljofrar o cadáver podre da infância! Esse morto que não morre esse vazio que não enche essa espada, esse abismo essa faca de dois gumes ferida que não sara sangue que não estanca dor, angustia e solidão ... Já não tenho lágrimas nos meus olhos excessivamente abertos para aljofrar o cadáver podre da infância! Esse poço de água suja esse olhar que não desolha essa terra de ninguém esse aborto que apodrece dor que gera dor mentira que me enreda pobre sombra desmaiada ... Já não tenho lágrimas nos meus olhos excessivamente abertos para aljofrar o cadáver podre da infância! Esse rosto sem ternura esse corpo mutilado esse olhar pesado e cego esse filho indiferente órfão de alegria sem mãe nem pai numa tumba sepultado ... Já não tenho lágrimas nos meus olhos excessivamente abertos para aljofrar o cadáver podre da infância!

⁠Os meus olhos bebem Fado - Os meus olhos bebem fado e o meu corpo solidão
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⁠Os meus olhos bebem Fado - Os meus olhos bebem fado e o meu corpo solidão ai de mim preso ao passado; levo a dor na minha mão deste Sol que está cansado de nascer em dia vão! A minha boca bebe fado nunca mais verei o dia só há sombras a meu lado; já não sinto alegria sou um pássaro errado na rota da poesia! E nesse longe onde fiquei num jardim abandonado dei-me tanto que nem sei; se o poeta ao meu lado foi verdade ou se o sonhei ... A minha Alma bebe Fado!

⁠Solidão d'Abutre - Minha voz traz um lamento que hoje afundo em alto mar
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⁠Solidão d'Abutre - Minha voz traz um lamento que hoje afundo em alto mar e uma dor cresce no tempo deixa a morte em seu lugar. Que nem oiço a voz do vento só já resta de mim pena p'ra fugir deste tormento vá a vida a morte venha. No Tarot saiu a Torre com um pássaro apeado um Abutre que não morre comendo outro depenado. E quem fica que lhe ocorre?! Nada vale o qu'inda tenha ... Como a sorte é de quem morre vá a vida a morte venha.