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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Amargura - Ai de mim que estou cansado de viver além da vida
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⁠Amargura - Ai de mim que estou cansado de viver além da vida eu nasci p'ra dar ao fado tanta amargura perdida. Eu vivi sem ter nascido porque o mundo não me quis vou morrer sem ter vivido e que mal à vida fiz?! Os teus olhos não são mais que uma faca de dois gumes dois silêncios, dois punhais ao sabor dos teus ciúmes. Os meus versos são herança p'ra deixar a quem se esquece que afinal até a esperança já não resta a quem padece.

⁠A Vida é mentira - Tenho o corpo cansado tenho os olhos despidos
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⁠A Vida é mentira - Tenho o corpo cansado tenho os olhos despidos trago o rosto molhado tantos sonhos perdidos. Trago o peito vazio trago sangue e solidão trago sede, trago frio por sentir esta paixão. E trago nada na mão por nada ter junto a mim já nem sinto o coração talvez seja o meu fim. E porque a vida é vazia, tudo dá e tudo tira, num impulso despi-a, porque a vida é mentira.

⁠Sou Cadáver - Sou cadáver de um Poeta a quem parou o coração,
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⁠Sou Cadáver - Sou cadáver de um Poeta a quem parou o coração, sem ter nada, sem ter meta, a caminho da solidão. Sou cadáver de mim mesmo sem vontade nem opção e as palavras que escrevemos nunca hão-de ter razão. Porque os mortos já não dormem os mortos já não sonham aos cadáveres já não doem aqueles que os não amam. E aqui estou sem querer estar só já vivo p'ro que der e a quem me quer consolar digo sempre, sou cadáver.

⁠Pesares - São tantos os pesares que a vida dá que, não há quem, sobre a terra permaneça
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⁠Pesares - São tantos os pesares que a vida dá que, não há quem, sobre a terra permaneça agarrado à saudade! Também ela passará quando a memória de nós se desvaneça! Porque a saudade come à mesa da memória e a memória alimenta-se da vida e a vida dá lugar à nossa história e a nossa história, um dia, será tolhida! E só a morte nos salvará deste mundo injusto e infiel onde nada, além do escuro, nos tocará! A vida é amante do vazio, mãe da solidão, neta do cansaço com um toque de cruel, gerada por quem, nunca teve um coração!

⁠Cama de Linho - O teu corpo é um grito que está longe do meu leito;
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⁠Cama de Linho - O teu corpo é um grito que está longe do meu leito; e a minha cama calada com barras feitas de nada procura em mim o teu jeito. O meu corpo é noite escura sem o toque da tua mão; e a minha boca fechada e a minh'Alma cansada de solidão em solidão. E o que trago ou não trago ponha Deus no meu caminho; peço ao destino outra vida e peço à Morte guarida na minha cama de linho.

⁠Velhos Sinos de Santo Antão - Évora - Há lamentos à deriva pelos montes como nuvens que passam pelo Céu
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⁠Velhos Sinos de Santo Antão - Évora - Há lamentos à deriva pelos montes como nuvens que passam pelo Céu solidão como água pelas fontes e alegrias que o destino não me deu! Não há regaço onde me chegue nem acoite nem capa que me possa agasalhar visto roupa carregada pela noite e dores carregadas de luar! Ó velhos sinos de Santo Antão, por quem dobram, quem morreu?! Foi a dor da solidão que no meu peito apodreceu! Morreu, morreu, morreu! Não partiu! 'Inda vive, triste, nos meus olhos ... Todos choram, ninguém viu, que de mim pende como folhos! Nos olhos do meu rosto sede rápidos a beber e levai a ombros o meu corpo quando eu da vida me perder! Ó velhos sinos de Santo Antão, por quem dobram, quem morreu?! Quem vai no pinho desse caixão, quem vai nele para o Céu?! Alguém que um dia já viveu, alguém que um dia foi alguém que estava vivo e que morreu e que agora é ninguém! Pela Praça vai passando, no ataúde, um coração, por quem dobram sem descanso os Velhos Sinos de Santo Antão!

⁠Coração Cansado - Meu coração está cansado tão cansado de te amar ...
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⁠Coração Cansado - Meu coração está cansado tão cansado de te amar ... Só quer estar a teu lado até a vida terminar! Mas há um grito abandonado na solidão do meu olhar, o meu coração, coitado, está cansado de te amar! E era tarde, noite morta, eu ainda não dormia, alguém bateu à minha porta ... Era um rosto de esperança ... O teu corpo de Poesia, o teu jeito de criança ...

⁠Faltas - Porque há dias que não se repetem porque há faltas que não se perdoam
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⁠Faltas - Porque há dias que não se repetem porque há faltas que não se perdoam há erros que não se cometem e palavras que não se entoam! Porque é que nunca mais são horas?! Horas de quê?! De qualquer coisa! Se te atrasas, se te demoras, o silencio da morte já me poisa ... Estar vivo é não saber que se vive! E eu? Perante mim todos tremem! Se tou vivo - vivi!- se tou morto - já estive! Em mim os sonhos não ressoam ... Porque há dias que não se repetem e há faltas que não se perdoam!

⁠Cegamente - Se os meus olhos não te vêem como vêem toda a gente
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⁠Cegamente - Se os meus olhos não te vêem como vêem toda a gente desta vida nada têem hão-de amar-te cegamente! Ao viver não sei por quem fui cegando pouco a pouco fui mais cego que ninguém ao amar-te como um louco! E a minh'Alma fez-se cega como um cego que não vê tanto tempo à tua espera à espera não sei de quê! E em cada madrugada já não dói o teu desdém se eu p'ra ti não fui nada tu p'ra mim não é ninguém!

⁠Inscripção aos Vivos - Dos Mortos: Nós Mortos enterrados
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⁠Inscripção aos Vivos - Dos Mortos: Nós Mortos enterrados neste chão feito de pó já tivemos um passado fomos vivos como vós! Já fizemos da vaidade certo grito moribundo mas talvez a eternidade seja mais que um triste mundo! Aonde vais ó caminhante aonde vais tão apressado não prossigas mais avante também tu estás condenado! Por aí tantos passaram foram muitos, tanta gente só à Morte se aninharam nenhum ficou lá para sempre! Parece longe a vossa Morte tambem a nossa parecia num instante vai-se a sorte e lá morrem qualquer dia! Mas acreditem que morrer não é tão mau como se diz é mais simples que viver à deriva por aí! Nós Mortos que aqui estamos neste pó em solidão, por vós, vivos, esperamos, algum dia neste chão! (No cemitério de Évora)

⁠Busto de Celeste - Ó Celeste que nasceste ao Sol-poente por caminhos, estradas ermas a cantar,
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⁠Busto de Celeste - Ó Celeste que nasceste ao Sol-poente por caminhos, estradas ermas a cantar, quero ouvir um fado na tua voz ardente que me leve pela vida a pairar! Canta um Fado ao Sol-nascente! Tua vida é um poema à beira-mar, teu olhar é uma seara reluzente e teu rosto traz a formosura do luar! Levas no olhar a presença dos Poetas, como o Sol que tomba, sempre, junto ao mar ou as rosas que espalham mil matizes pelo ar! Canta Rosa-Branca esse canto de Profetas que a tua voz dissipa a tristeza mais agreste e dá ao Sol-nascente aquela força que nos deste! (Para Celeste Rodrigues)

⁠Os olhos frios de meu pai - Meus olhos doem ao lembrar alguém em mim que nunca vai
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⁠Os olhos frios de meu pai - Meus olhos doem ao lembrar alguém em mim que nunca vai só lembram a naufragar os olhos frios de meu Pai! Que lembrança maldita que tenaz crueldade a minh'Alma despida sofreu de tenra idade! Passa a Vida, passa o tempo o destino e a saudade só não passa o sentimento dos seus olhos de maldade! Se em meus olhos não há água porque fica e nunca vai a dor daquela mágoa dos olhos frios de meu Pai!

⁠Medo - Por um inferno de medo caminho só e absorto
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⁠Medo - Por um inferno de medo caminho só e absorto e nem o quarto ou o leito já me guardam o corpo! Não há palavras de alento não há carinhos de mãe não há feridas que o tempo não lamente também! Somos dois mundos perdidos duas almas desiguais dois sonhos esquecidos que não se viram nunca mais! Realidades tão distintas verdades tão cruéis não peço que tu as sintas apenas quero que as guardeis! Na minha cama de rendas de brocados e cetins 'inda espero que tu venhas, de noite, ao toque dos clarins! Mas tenho medo de esperar tenho medo que não venhas tenho medo de pensar que de mim já nada tenhas! Esta certeza que tenho cresce-me à noite no peito e eis que parto e não venho desse inferno de medo!

⁠Esta Vida de Deus - Deu-me Deus esta vida que não quero! Um coração que se perde em ilusões
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⁠Esta Vida de Deus - Deu-me Deus esta vida que não quero! Um coração que se perde em ilusões enleado numa teia de solidões, que não quero, não desejo, nem tolero. Deu-me a Vida, um Deus, em que já não tenho Fé! E p'ra quê acreditar nos Evangelhos?! ... Passa o Tempo! E porque faz de nós tão velhos?! É a vida tal qual aquilo que ela é! ... Estou perdido, agora tudo é vão, minha dor, este silencio, tudo calado ... Eu sou filho d'um desígnio do pecado! Mas, porém, que pecado foi o meu?! Onde errei? Porque me fere o coração?! Porque me deu Deus esta vida que me deu?!

Cinismo - ⁠Foi na Praça do Geraldo que uma Moça se perdeu
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Cinismo - ⁠Foi na Praça do Geraldo que uma Moça se perdeu encontrou o seu Amado e aos encantos não cedeu! Era pobre o tal Amado, Ela rica, assim se diz, contra aquele pobre coitado, Porcos, Barahonas, Cordovis! Não insistas nesse amor não importa quanto andes esta gente só traz dor Cabras, Noronhas e Fernandes! Até o Padre da Paróquia que mal sabia d'zer o terço vem à Praça fazer troça do rapaz que não tem berço! A Moça que era esperta disse a Todos que era Crente e mal viu a Porta aberta fugiu logo desta Gente! Pretensiosos Sociais levam tanta rabecada mas ficam sempre iguais parece que não foi nada! Há-de a história repetir-se não haver a quem acudam das bocas há-de ouvir-se só os Nomes é que mudam!

⁠Um Grito - Os meus versos são um grito no rumor do sofrimento
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⁠Um Grito - Os meus versos são um grito no rumor do sofrimento como as ondas mar revolto são um grito, um grito solto para lá do pensamento! Os meus versos são o resto o que fica desse grito quando vejo que perdi um amor que não vivi para lá do infinito! Os meus versos são o berço da saudade em que me agito do que fui e já não sou do que dei e já não dou os meus versos são um grito!

⁠Eis-me - Num acesso de loucura vim à vida sem vontade
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⁠Eis-me - Num acesso de loucura vim à vida sem vontade sempre cheio de amargura sempre cheio de saudade. Cansado como a noite cheio de noite e solidão sem um colo onde me acoite levo o silencio na mão. Ai que tristeza contida ai que martírio maior ai é tão longa esta vida cheia de dias sem cor. Ai veneno que me deste ai que silencio de morto ai solidão tão agreste que me corre no corpo. Tanta gente perdida tanta boca fechada tanta gente despida tanta Alma calada. Adeus vida que me foge sem nunca me ter tocado venha a morte que me toque e me possua em pecado. Ai se eu pudesse morrer com a luz do teu olhar eu voltaria a nascer só p'ra voltar a te amar.

⁠Visão Errada - Eu sou a visão errada que há de mim carregada de silencio e de saudade,
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⁠Visão Errada - Eu sou a visão errada que há de mim carregada de silencio e de saudade, solidão que desde o berço não tem fim no quarto da minha fria claridade. Eu ando na vida como nasci - Nu! Nu de sentimentos! Nu de afectos! E alguém me escuta?! Sim, talvez tu, tão longe dos meus sonhos quietos. Tudo muda ... passa a vida tão depressa ... ... passas tu e passo eu ... cansado ... ... se me escutas - meu amor - regressa. Já disse adeus, adeus a tanta gente - tantos corpos que eu amei - Passado - mas meus olhos, vão querer-te para sempre!

⁠Só - Ai esta saudade de mim cautelosa e serena
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⁠Só - Ai esta saudade de mim cautelosa e serena esta loucura sem fim que me enche de pena! Ai solidão desmedida que ninguém pode tocar este estar SÓ na vida que ninguém pode acompanhar! Ai esta noite sem Lua este saber que me perdi este arrastar pela rua esta carência de ti! Ai este silencio vazio este sofrer no caminho estas dores do frio que me deu o destino!

⁠Verdades Cruéis - Em noites triste, caladas, quando a vida parece morta,
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⁠Verdades Cruéis - Em noites triste, caladas, quando a vida parece morta, há silêncios pela estrada e ninguém bate à minha porta! Em dias floridos, com vento, passam flores a cismar, passa a vida, passa o tempo e até me canso de esperar! E eu triste vou também com minha dor a pesar, vai a vida a morte vem à minha porta a chegar ...