VÓ Onde estão as pitangas, As bananeiras e as secas e verdes folhas?
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VÓ Onde estão as pitangas, As bananeiras e as secas e verdes folhas? Onde estão as taiobas e os efós? Os livros cheios de encantos por onde me revelava sonhos... Onde, os olhos azuis e verdes (acinzentados)? Onde, as mãos nas minhas ao atravessar a rua? Mamoeiros, araçazeiros e velas emergenciais... Frente ao nicho dos santos, dos prantos do menino, eu Dos sorrisos alucinadamente felizes, meus O agasalho e a gemada frente à TV sem cor e colorida Fazíamos tapeçaria, eu e meu irmão (o segundo) O beijo, o afago, o abrigo, o agasalho... Onde, onde, onde? Onde a “casinha feliz” e os contos do Lobato? Onde o som da flauta, do violino e o sabor do pão delícia? A leitura, no início da manhã, e a voz doce que lia, onde? A calça da mulher além das muralhas do tempo, onde? O batom vermelho, o ruge, os óculos, os brincos, onde? Os sapatos altos, os atos fortes, a telha velha, o pão torrado, onde? As bolsas, as pulseiras, os anéis, o anel de professora, onde? As estantes, o cristo na cabeceira da cama, o meu deleite... Tanta felicidade, tanta segurança, tanta fantasia, tanto amor... Esperei da vida uma máquina fotográfica e nada se apagou... Nada se desbota nada se resume nada estanca, mas, onde? Parece que o quintal acabou. Apenas parece... Simplicidade e sofisticação da mestra Os versos em francês da vó Li o acróstico que um pássaro escreveu pra flor Parece que o quintal acabou. Apenas parece... Onde, a postura encantadora da candura que me acalentava? Onde, a canção que fiz sendo cantada pela cansada voz? Lá no quintal da minha casa, pois assim me fazia ver, tinha o céu Parece que o céu morreu no quintal. Apenas parece...