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Frases de Rayme Soares

135 frases

Quando olhava pro meu pedaço E para o seu você olhava O que poderia ser um laço
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Quando olhava pro meu pedaço E para o seu você olhava O que poderia ser um laço Era um nó que nos calava Cada cego tateava Uma parte de um todo Cada cego alegava O meu tanto não é pouco Quando só via a minha parte E você o seu limite Me julgava onipotente Não aceitava palpite Mas deixei a ignorância E você me entendeu E nunca ficou tão claro O todo era você e eu Sistêmica visão, enfim Sistêmica visão, enfim E a entropia gigantesca Logo então se dissipou Por ter a visão sistêmica O fluxo se efetivou Energia sinergia Frutos da percepção Fim da aparência anêmica Tanta realização

NATUREZA (Rayme Soares) Não me espanta
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NATUREZA (Rayme Soares) Não me espanta Sabiá que canta Natureza sabiá Camaleão que engana Em meio à cor de onde está Cascavel chocalhando Pra picar e envenenar Borboleta sobre flores Pousa: vida, néctar... Não me engano, não me espanto Natureza livre, sem justificar... Não perdoa, fere, crava, voa... Tem que voar...

AOS MEUS AMIGOS (Rayme Soares) Tenho grandes amigos
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AOS MEUS AMIGOS (Rayme Soares) Tenho grandes amigos Amigos que tornam o caminhar leve Entornam suas alegrias, suas verdades Amigos que fazem, eternos, momentos breves Tenho vívidos amigos Que me desancoram com gestos sãos Ensinam e alertam, mas não subjugam E momentos outros são apenas vãos Tenho nítidos amigos Por mais efêmera que pareça a vida Infinitos laços que abraçam Tenho humanos amigos Para os quais não me recolho Mas apresento-me inteiro pra lida, na lida

NA ESTRADA (Para Mana) Daqui de dentro, busco sobre a cidade Teu olhar que era tão amigo e tão presente
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NA ESTRADA (Para Mana) Daqui de dentro, busco sobre a cidade Teu olhar que era tão amigo e tão presente Daqui de dentro, nem percebo a velocidade O tempo passa e eu me sinto mais carente Nada encontro, além das lembranças Sei do infinito desse amor Das nossas risadas, das nossas alianças Daqui de dentro, eu ouço o que calou Impossível, não sentir as lágrimas no rosto Inevitável, lembrar da tua amizade Inaceitável, dor que deságua em mim Irremediável, travo da saudade Daqui de dentro, olho Mariana Aqui por dentro, tremo e choro Daqui de dentro, vejo Mariana Mas eu não vejo, peço a Deus, imploro!

PEDRA (Rayme Soares) Os olhos não arregalam
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PEDRA (Rayme Soares) Os olhos não arregalam A boca não seca Não acelera o coração E nada desperta A mente se cala A fala se quieta Nem fede, nem cheira Nem serve de alerta Sem sal, sem saliva Uma pálida face Sem ida, sem vinda Nem morre, nem nasce A flor da indiferença A cor do desinteresse É triste omitir-se E deste modo não ver-se!

PARA ENCONTRAR COMIGO (Rayme Soares) Deixo que falem as dores
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PARA ENCONTRAR COMIGO (Rayme Soares) Deixo que falem as dores Estanco no crepúsculo e vagueio Acordo os acordes nas canções Não me perco no que anseio Saio de perto do fel Esqueço quem me despreza Fico atento àquele ou àquela Convirjo com o que reza Busco marés e mares Expurgo qualquer rancor Busco a pureza dos ares Aceito das mãos o tremor Penso nas minhas filhas Visito a minha mãe Afasto-me das ilhas Não deixo que me aranhe Choro sob o chuveiro Libero o meu sorriso Não preciso ser o primeiro Nem preciso do meu aviso

IPÊS (Rayme Soares) A natureza canta
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IPÊS (Rayme Soares) A natureza canta A luz do sol ou da lua determina a clave Da harmonia se incumbe, o acaso Melodias brotam das escalas cromáticas São notas musicais e zilhões de cores Diante disso tudo... Cabe a cada um de nós definir o ritmo ...e tocar!

JAYMINHO (Rayme Soares) Passo a passo, tu tens construído um sonho, uma história, uma vida.
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JAYMINHO (Rayme Soares) Passo a passo, tu tens construído um sonho, uma história, uma vida. Traço a traço, tens desenhado, sob os olhos do maior de todos os arquitetos, o que te edifica. A arte de viver com alegria é para os que sonham, mas a felicidade é para os que sonham e realizam – fazem acontecer!

CANÇÃO SERENA (Rayme Soares) Teu olhar paralizou o tempo
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CANÇÃO SERENA (Rayme Soares) Teu olhar paralizou o tempo Estancou na minha lembrança E a paz do teu movimento É, agora, o que me alcança Sabendo dos teus anseios Não sou o mesmo agora Além dos meus receios Parece estar chegando a hora Só as iniciais da canção serena...

PROCURO O NECESSÁRIO (Rayme Soares) Andar ao lado de quem se julga melhor do que os outros: tolice.
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PROCURO O NECESSÁRIO (Rayme Soares) Andar ao lado de quem se julga melhor do que os outros: tolice. Andar ao lado de quem pensa que sabe: cegueira. Andar ao lado de quem nada sabe: oligofrenia. Andar ao lado de quem não está do seu lado: masoquismo. Andar ao lado de quem está do seu lado, pro que der e vier: necessário.

Caminho (Rayme Soares) Na passagem por esse jardim e por esse deserto, só desejo mão na mão
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Caminho (Rayme Soares) Na passagem por esse jardim e por esse deserto, só desejo mão na mão Na visita à sua casa, só desejo um gesto brando Na passagem, apenas o respeito, a compreensão Estamos passando, aprendendo e ensinando No passar, dissipemos nossas agruras No passar, desnudemos nossas "faces" Ao passar, deixemos algo que denote nossa grandeza Ao passar, se for pra ser feliz, venha!

Lua em si (Rayme Soares) Luz nos olhos meus
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Lua em si (Rayme Soares) Luz nos olhos meus Aguda luz do amor Tua face clara, a tez da lua Agonia: meu canto é, apenas, o que posso agora Mais que lua em si, tu és toda a imensidão Apossa-se dos meus dedos, do meu pensamento Das letras que escrevo. Dos favos do mel que desejo Da minha canção E eu me rendo ao violão Pra ver se disfarço a tensão

O Cansaço e a Insônia (Rayme Soares) Jogo as malas no chão
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O Cansaço e a Insônia (Rayme Soares) Jogo as malas no chão Deixo os livros sobre a mesa Por um triz um palavrão Livrai-me Deus de aspereza Esqueço dos cones, dos fones, das sandálias... Até mesmo do que eu fiz e faço De tudo que demanda mais de mim Na cegueira do meu cansaço Não posso testar os meus limites Não deveria, ao menos Mesmo exausto procuro a fresta da janela Preciso quietar meus olhos pequenos Quem mais não dorme? Penso! O cansaço e a insônia: tons da tela!

INVENTO O CAIS (Rayme Soares) Eu venho de um lugar, de uma barriga, de um quintal, de um abrigo...
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INVENTO O CAIS (Rayme Soares) Eu venho de um lugar, de uma barriga, de um quintal, de um abrigo... Eu venho de um lugar, de um colo pai, de doces mães... Eu venho de um mundo indescritivelmente maravilhoso, venho de uma “boa vista”... Venho de um “ninho”, sou passarinho... Venho de irmãos passarinhos... Eu venho de uma casa, sob um par de asas mães, sob tantos mantos bons... Onde sonhávamos, nós passarinhos... Eu venho de um cheiro de pitanga, de uma riqueza e uma carência sem medidas... Eu venho de tantas parcerias, venho por tantas estações... Eu venho de uma banda da lua, de uma onda, de tantas... Eu venho de um sonho realizado, materializado... Venho dos meus rebentos... Filhas, tudo... Eu venho das minhas paixões... Venho do rio e do mar, de muito amar... Venho de tudo que me impele a buscar saber mais... Eu venho e sou esse que vos fala e se apresenta... Quero ir além dos cinquenta... E vou...

CINQUENTA (Rayme Soares) Cinquenta passos até o início
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CINQUENTA (Rayme Soares) Cinquenta passos até o início Cinquenta braças até saber Do que é passado, do que é vício Do que passou, do que há de ser Cinquenta tempos, suor e sangue Cinquenta ondas, até o chão Dentre essas, minhas filhas Não cessarão no coração Cinquenta: amores dentro e fora Olores, dores, cantares, flores Pelos quatro cantos, no mundo afora Em mim, no centro, no vão das cores Cinquenta: o novo e o velho O bom que sorvo dessas andanças Redescobrindo o evangelho Vou acolhendo minhas mudanças Renasce vida, a cada ano A cada engano, renovo a vida Aprendizado nesse plano A nova entrada é a saída Por esta porta, nem sei se estou saindo ou entrando. Estou feliz!

Menino de Rua - Escrito há mais de 30 anos. (Rayme Soares) De amor eu sou carente
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Menino de Rua - Escrito há mais de 30 anos. (Rayme Soares) De amor eu sou carente Ando descalço e sem camisa O meu futuro dizem ser delinquente O meu dever amar a vida O meu sorriso é momentâneo O meu desprezo já lhe avisa Que não sou nenhum simples estranho Mas um moleque da avenida Meu sonho mesmo é ser alguém Que seja visto como gente Não tenho nada e tenho o mundo Pra aprender a me virar Minha escola é a rua Os "professores", quem não quer me ver Pois sou um menino de rua Mas posso até vir a crescer

TEMPO (Rayme Soares) Permito, mas não abro mão de agir no momento propício.
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TEMPO (Rayme Soares) Permito, mas não abro mão de agir no momento propício. Calo-me, quando meu objetivo é tão nítido que abafa minha impulsividade. Aguardo, até que o tempo possibilite uma atitude eficaz. Recolho-me, para que minha exposição não ocorra em vão. Submerso na água da reflexão, para pegar fôlego. O grito é mais intenso e extenso, quando as cordas vocais estão descansadas!

IARA - Abraço (Rayme Soares) A expressão na tela - teu traço
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IARA - Abraço (Rayme Soares) A expressão na tela - teu traço Donde se mostram as cores reais Na tela da vida, um abraço Por toda leveza, me refaz Um gesto assim não se cala Foram tão necessários, os abraços E pra mais outro tanto prepara A mente, o espírito e os passos Falei-te do que agora nasce Um abraço pra ti doce Iara! Aqui ou no meio da sala Ali foram tantas palavras Normalmente o mundo não avisa Nem sempre a estrada prepara Pra incontrolável força da vida Então sigamos, abrace que sara! Firmeza no tom, no timbre, na fala E sendo assim atitude O teu sorriso não turva Revela-se inteira Iara.