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Frases de Raniere Gonçalves

506 frases

Quando volto para o seu abraço o tempo pára:
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Quando volto para o seu abraço o tempo pára: estou em casa!

Hoje foi o Bargadinho, um bom bezerro de cabeceira. O encontrei lá,
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Hoje foi o Bargadinho, um bom bezerro de cabeceira. O encontrei lá, deitado à beira do malheiro, inturgescido, rodeado dos casacas pretas. Dona cascavel cuidou de lhe dar o derradeiro beijo. Jeito que teve foi arrastá-lo para o canto dos finados. Um cortejo fúnebre me seguiu, num farfalhar aéreo, flap, flap, flap. Pelo carreadouro, um passante que vinha me confirmou o dito dos antigos: 'só perde quem tem', meu amigo!. Me lembrei doutra feita, na mesma vira... O Bargadinho se foi e o meu coração é que ficou embargado. Coisas da lida, da morte e dos percalços lá nas bandas da Vertentinha.

Pelas beiradas do curral a poeira verde levantava, no arrastar da botina.
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Pelas beiradas do curral a poeira verde levantava, no arrastar da botina. Arremate de quatro dias de estio. Antevi no revolto do tempo que ele vaticinava chuva. Aberta a derradeira cancela, minha vista alcançou no longe, um véu esbranquiçado de noiva virgem entremeando os angicos. Já molhava metade do alto. Apurei meu passo sentindo o sorriso que se desenhava nos meus lábios. Lá vem ela colorir a pastaria com a esperança das vacas. Já vem ela molhando de alegrias os meus olhos pagãos. E derramou. Fiquei um tempo dentro da cabina da D20, apreciando o barulho sonoro na lataria. Vida de vaca é felicidade à toa, simpleza d'água, ingenuidade de nuvem...

⁠Pós-pandemia Depois da hecatombe coroada Será a hora de abrir o caderno do futuro.
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⁠Pós-pandemia Depois da hecatombe coroada Será a hora de abrir o caderno do futuro. De expandir pulmões castigados, escandecidos, Para respirar o sonho líquido da esperança. Depois da hecatombe coroada Será tempo de arrimar a rocha na planície E outra vez rolá-la monte acima Apenas para vê-la descambar Ainda antes do cume do desejo. Depois da hecatombe coroada Será vez de obedecer ao vaticínio dos deuses De reconstruir e reconstruir sempre, De morrer e renascer em ciclos, Na busca inatingível do eterno.

⁠Caminhava atrapalhado pela terra arada, na cabeceira do Piancó. As minhas botinas tossiam poeira.
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⁠Caminhava atrapalhado pela terra arada, na cabeceira do Piancó. As minhas botinas tossiam poeira. Mais de vinte dias de veranico desde o plantio. Eu chorava os adubos e sementes adormecidos na terra seca; remoía, triste, os prejuízos iminentes, quando estampidos de arcabuz ecoaram no longe. As nuvens de algodão foram empalidecendo com os ventos atropelados, lá das bandas do Cachoeirão. Num risco eles já penteavam angicos e sucupiras. Enegreceu. Corri de volta, sobre os meus calcanhares, pra juntar a tralha. Deveras que vinha uma borrasca. E veio. Quando entrei na cabina eu já estava empapado. Meu chapéu goteirava alegrias. Fiquei ali, protegido, apreciando aquela beleza líquida. Escorriam sorrisos dos meus lábios. E assim foi um pedaço alongado de hora. Aproveitei pra abrir o caldeirão: almocei como um padre porquanto lá fora tudo era água. Quando amainou fui conferir a felicidade empoçada no desnível das curvas: bastante. Agora é esperar o broto, pensei. Na volta a D20 rabeava, parecia dançar o hit do Gene Kelly. E, ainda essa vez, a esperança voltou pra colorir o horizonte dos meus olhos.