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Frases de Raniere Gonçalves

506 frases

A vida é um tronco rumo ao sorvedouro.
Parolando com Lola. ... Eu continuo a esperar pela chuva.
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Parolando com Lola. ... Eu continuo a esperar pela chuva. Fico triste na demora. Vem um calorão besta, de arder, de suar as tampas. Na planície é assim. Dia desses vou morar na montanha. Respirar mais alegrias.. Faz um friozinho ruço.. Não. Jeito não tem não. Só vontade. A vida não é a gente que governa. Andei muito por aí. Quis fazer morada noutros cantos.. As minhas raízes me firmaram e eu voltei pras minhas vacas. Agora calço botinas de chumbo. Qualquer distância ficou muita. A vontade é um quase poder tudo. Só que por dentro, no imaginável.

... a respeito de John.. Continue correndo atrás dos seus sonhos. Crie raízes senão o sacrifício não terá valido a pena.
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... a respeito de John.. Continue correndo atrás dos seus sonhos. Crie raízes senão o sacrifício não terá valido a pena. E lembre-se: nada, nada mesmo é definitivo. Precipite-se, oras! Erre.. Depois você corrige tudo. Assim você terá alguma coisa pra contar para os seus netos... Lembre-se que você está escrevendo a sua história. Isso se faz com atitudes. Imaginação e pensamentos são efêmeros e mudam com o tempo. Ninguém se lembra de coisas que nunca existiram...

Me desculpe! Foi apenas um intervalo. Um intervalo entre o real
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Me desculpe! Foi apenas um intervalo. Um intervalo entre o real e a minha vontade de dizer coisas. Um arroubo de coragem no meio dos meus medos declarados. Passou. Não sei mais. Não mais sou eu. Voltei o outro. O outro que dorme. Me desculpe o susto! Já deixei o desejo me adormecer os meus olhos. Noutra noite desperto os seus risos, noutra noite te chamo, meu espelho vermelho.

ELA Escorrem as gotas da chuva nas janelas dos seus olhos.
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ELA Escorrem as gotas da chuva nas janelas dos seus olhos. Sua ausência nos meus braços se multiplica em lembranças. Vislumbres amarelados das nossas bocas matraqueando sorrisos. Agora a tablatura ficou cheia de pausas com o seu olhar naufragado na imensidão das palavras imaginadas. Sua lágrima escorre na minha face. Nela sinto o sal da desesperança tocando meu lábio. Seguimos assim respirando o tempo que resta nesse mar de melancolia. Na terra onde habitam os deuses e os sonhos haveremos de aportar. Então poderei ainda uma vez escutar os seus sussurros. E saberei das coisas que os seus olhos me dizem a todo momento. Rereading Lola.

Eclipse. Fiquei ali sentado, debaixo do pé de baru. O sol havia sumido na anágua negra da noite. Ficavam para trás, esquecidas, algumas flamas avivadas dos seus cabelos de fogo. Firmei que ela vinha de lá do alto do guarirobal do compadre Amâncio. Nada. Noite feita avistei uma e…
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Eclipse. Fiquei ali sentado, debaixo do pé de baru. O sol havia sumido na anágua negra da noite. Ficavam para trás, esquecidas, algumas flamas avivadas dos seus cabelos de fogo. Firmei que ela vinha de lá do alto do guarirobal do compadre Amâncio. Nada. Noite feita avistei uma estrela rutilante. Atinei: lá'em vem ela amarrada na linha do imaginado. E nada. Virei as costas e fui guarnir os cochos. O tuivú dum curiango me fez torcer de volta os meus olhos. Estrela não: era a dita. Mirei com ciência e entendi um cutelo fino. Retardei o meu olhar já concluindo: a coisa demora, dá tempo de tudo. Quando atravessei o mata-burros ela era uma goiaba mordida. A volta pra cidade não teve outro pensar. O granulado da poeira foi avermelhando mais e mais a tal lua-de-sangue, refletindo nostalgias no para-brisas da D-20.

Eles nem sabem que têm um nome tão pomposo.
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Eles nem sabem que têm um nome tão pomposo. Acham que são apenas ratos, ou delinquentes, ou pulhas, ou gatunos... Abigeatários é o que eles são na verdade. E eles voltaram de novo. Agora furtaram a minha novilha mais bonita. Triste viver nessa terra sem lei. Triste trabalhar duro para sustentar essa corja abjeta. Viraram donos do meu suor, esses ladravões. Dia desses, nalgum abacto costumário, toparão com besouros zumbizantes de estanho quente. Dia desses aprenderão que pra ser amigo do alheio é preciso gostar de comer capim pela raiz.

Potentosa a lua cheia vigiando minha volta. Um luzeiro na cor amarelada das lamparinas projetava contornos nas árvores e na beirada da pedreira. Meu pensar naufragava nos desesperos passados.
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Potentosa a lua cheia vigiando minha volta. Um luzeiro na cor amarelada das lamparinas projetava contornos nas árvores e na beirada da pedreira. Meu pensar naufragava nos desesperos passados. A vacaria magra parindo um fim de seca amargo e difícil. Atinei no capim de palmo brotado no sereno e falei pra dentro: há de chover, novembro já vem colorir de esperança essas bandas dos gerais. Firmei meus olhos: a D20 mastigava vagarosamente os poucos quilômetros faltantes. Já era quase em casa.

Quando fica impossível reinventar o inesperado, o amor se amorna
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Quando fica impossível reinventar o inesperado, o amor se amorna em amizade. O lado bom passado continua dentro de você, do jeito mesmo que aconteceu. Os dissabores amarelam com o tempo e acabam esquecidos. Sempre que encontramos um amor do passado, hoje amizade, é uma volta pra dentro do coração, uma lembrança terna e sem possibilidades. Olhos não veem o 'é', eles enxergam apenas o 'foi'..