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Frases de Raniere Gonçalves

506 frases

. Lembre-se que numa garrafa
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. Lembre-se que numa garrafa de um bom vinho naufragam todas as tristezas... E, depois, quando você estiver nos braços de Morfeu, o moldador de sonhos, o peso da noite de chumbo finalmente pousará nos seus cílios dourados. .

. Foi mesmo um risco n'água. Apartei mais quatro para desmama.
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. Foi mesmo um risco n'água. Apartei mais quatro para desmama. E acertei a devolução do Pacato. Foi a conta de voltar e refestelar-me na rede que começou a cair uma garoa fininha. Daquelas que molham nossa alma de felicidade, daquelas que tingem a pastaria de verde. Agora é esperar pelo cafezinho passado no coador para acompanhar a broa de milho. Amanhã ainda será assim. Coisas rurais, recorrências. .

Atarantadas as minhas meninas. Carrapatos miúdos e mosquinhas do chifre
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Atarantadas as minhas meninas. Carrapatos miúdos e mosquinhas do chifre lhes sugando sangue dia-e-noite. Fui lá socorrê-las: apliquei do injetável e, também, um mosquicida 'pour-on'. É bom vê-las sem abanações de cabeças e rabos. Sem inquietudes: pacíficas, dengosas, lá na vargem da Vertentinha. Me demorei um tanto. Mas é da lida, é a vida... Voltei pra casa respirando o hálito perfumado da boca da noite.

O vento me alçava pelas ruas da cidade. Lentas as rodas do carrinho giravam e viravam ao bel prazer do meu olhar.
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O vento me alçava pelas ruas da cidade. Lentas as rodas do carrinho giravam e viravam ao bel prazer do meu olhar. Aqui-e-ali algumas ilhas de música, bebida, carnes, gentes... Carteados nas calçadas... Dentro um jazz baixinho roendo meus tímpanos. Fora: os meus olhos perscrutando novidades. O natal é dia morto. Cada um com os seus. Botecos fechados, círculos fechados. Fui-e-voltei-num-risco. Um pequeno giro pra digerir a leitoa. O que me resta agora é preencher a boca-da-noite voltando ao ritual de abrir freezers e cervejas e sorrisos. Amanhã será outra coisa.

A Fortuna havia me escapado. Passou dois ou três dias pastando lá na vargem do meu vizinho.
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A Fortuna havia me escapado. Passou dois ou três dias pastando lá na vargem do meu vizinho. Foi um custo trazê-la de volta. Tive de fechar todo o gado no curral para depois ir no encalço da danada. Eu chamando e ela negaceando, desconfiada, astuciosa. O jeito foi esperar o tempo dela. Ao se ver sozinha foi beirando cercas até emparelhar com o gado fechado. Abri a cancela e ela entrou. Agora estou mais tranquilo. Passarei meu dia mais confortado. Embora um pouco mais magra a Fortuna está de volta aos meus domínios. Poderei por fim tomar minha Pirassununga sossegado. Foi um presente dos Santos Reis protetores das minhas mimosas. E da barra do Piancó.

M? Não sei. Você é que mudou um tanto, amigo. Se distanciou mais e mais do seu passado. Ela continua lá
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M? Não sei. Você é que mudou um tanto, amigo. Se distanciou mais e mais do seu passado. Ela continua lá junto daquele cara que conheceu mas que agora já não é mais o mesmo. E assim é: estradas e encruzilhadas e novamente estradas. Pessoas se encontram, partilham coisas, caminham juntas algum tempo e, depois, cada qual segue seu rumo na ampulheta descendente dos minutos, dos dias, dos anos... Destino: sinuoso sendeiro onde deambulamos todos na direção dos braços da inelutável morte.