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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

Madrugada fria, no cerrado, lua no céu Confidente, luzente, criando imaginação Que faz do vazio, menestrel desta solidão
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Madrugada fria, no cerrado, lua no céu Confidente, luzente, criando imaginação Que faz do vazio, menestrel desta solidão Nostálgica, que rascunha pesar no papel Luciano Spagnol Cerrado goiano

SONETO DUM AMOR Na cata dum amor, sincero Nos rogos sempre andei
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SONETO DUM AMOR Na cata dum amor, sincero Nos rogos sempre andei De vários, muitos esbarrei E no acontece, eu espero Se para além do ficar, olhei No tempo eu não desespero Na sinceridade sou austero E de tudo muito encontrei Agora, será assim, mero Um amor convim, eu sei Se não, eu não quero... E assim vou, e assim irei Se eu não tiver amor vero No fado. Pertinaz buscarei. Luciano Spagnol Julho de 2016 Cerrado goiano

Mutação Retratar o cerrado em vão eu cismo Pois dele tento pintar o que se sente
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Mutação Retratar o cerrado em vão eu cismo Pois dele tento pintar o que se sente Nem sempre sobra vestígio contente Hão de surgir outros sem ser egoísmo Porém eu, triste, cá tento ser presente E o mínimo prazer me é eufemismo Tentando me convencer no ceticismo Que sopra desventura a mim somente Sinto um misto de um cruel racionalismo Também, pesares de um pesar diferente E a solidão que sinto, não é radicalismo Se ter saudade do mar não é prudente Me condenam. Aqui tento mecanismo Pra ficar no cerrado com olhar ardente Luciano Spagnol 01/07/2016 Cerrado goiano

SONETO DA SOLIDÃO Eu estou completamente solitário Passa o dia, vem a noite, agonia
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SONETO DA SOLIDÃO Eu estou completamente solitário Passa o dia, vem a noite, agonia A tarde entristece, cinzenta e fria E eu aqui no cerrado, destinatário O por do sol, de belo, virou nostalgia Numa clausura da saudade... Unário Eu, vejo o tempo não mais temporário Tal folha de outono sem a autonomia Nesta sequidão aumenta o itinerário Do místico e algoz retiro em infantaria Avançando firme, sendo um breviário A solidão na vida, tornou-se relicário Onde o tempo ora neste árido sacrário Em cadência nas contas da melancolia Luciano Spagnol 30/06/2016 Cerrado goiano

SONETO EM RETIRO Quem dera, a saudade, que agora sinto Da ausência de um alguém, fosse ilusão
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SONETO EM RETIRO Quem dera, a saudade, que agora sinto Da ausência de um alguém, fosse ilusão E a mim e de mim apenas uma invenção Eu seria no fado felizardo, e não absinto Quem dera, este poema falasse de paixão E fosse correspondido neste amor faminto Pra cochichar doces versos que pressinto E só pensa em você, e só pra ti faz menção Mas a realidade é que estás na distância E a solidão comigo veio num oferecido Me sufocando nesta saudade em questão Mesmo para ti eu não ter mais importância Serei sempre um devoto e comprometido Por ti... Pois este amor vai além da razão. Luciano Spagnol Junho de 2016 Cerrado goiano

Amor eterno No saber, eu quero, és quem eu quero Não é algum engano, nem do coração
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Amor eterno No saber, eu quero, és quem eu quero Não é algum engano, nem do coração Se é preciso terei calma nesta paixão E com paciência, assim, eu te espero Até quando te aguardar? Sem noção! Pois o meu amor por ti é muito sincero E quando se sonha, tudo é próspero E no afeto de verdade, nada é em vão Se o tempo deixar, se não for austero Aqui vou estar, irei além de ser razão Neste ou noutro plano serei só seu Nesta vida, eu, neste amar te venero Se houver eternidade, com permissão Pra poder dizer: amo você! Tudo valeu! Luciano Spagnol 29/06/2016, 10'22" Cerrado goiano

SONETO DA SEGUNDA FEIRA Por seres o primeiro dia útil da semana O dia da tal preguiça a tu entitulada
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SONETO DA SEGUNDA FEIRA Por seres o primeiro dia útil da semana O dia da tal preguiça a tu entitulada Por seres tão lenta a manhã raiada És indesejada, ao despertar tirana Por seres ao mau agrado condenada Num trato pequeno, de simples fulana Por seres mais que um início traquitana És evitada, e tão pouco mais celebrada Como a coirmã, sexta, tão aplaudida Querida, e esperada. És desanimada Como um fim de festa, ali, chicana Por não ter outra ou qualquer saída És encarada como anódina estrada E nesta pendenga és outra semana... Luciano Spagnol Junho de 2016 Cerrado goiano

DOLOROSA VIA O tempo me fez velho e derreado Já não respondo aos vários limites
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DOLOROSA VIA O tempo me fez velho e derreado Já não respondo aos vários limites A vida agastada perdeu os convites Os sonhos de mourejar hão curvado O corpo na ação perdeu o apetite E assim vou num choroso estado De lamúria triste e olhar cansado Enfraquecido na força sem rebite E o insistente querer, ainda espera Da vitalidade, poesia e viva quimera Para velejar nas nuvens da ventura Nestes trilhos deixo o carril da sorte Até que eu baste no portão da morte E vá estar na paz lúgubre da sepultura Luciano Spagnol Junho de 2016 Cerrado goiano Parodiando Pe. Antônio Tomás

O AMOR Fui um dia, mais que um diverso instante Devaneei e nem se quer por ele eu tinha
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O AMOR Fui um dia, mais que um diverso instante Devaneei e nem se quer por ele eu tinha Inspiração ou na estrofe qualquer linha Para mergulhar na poesia emocionante Por ele sem sequer saber, sofrer eu vinha Nas estórias de imensa angústia cruciante E seria envolvido em trama vil e delirante Na inquieta nuance da desventura minha Andei correto e fiel sem ser redundante Me inspirou versos de dia e de noitinha E mesmo assim, a solidão foi triunfante No poetar espalhou como erva daninha Contaminou as rimas, se fez importante Ah! O amor, tê-lo é tal cigana adivinha Luciano Spagnol Junho de 2016 Cerrado goiano

AMBIGUIDADE Uns carregam prata outros trazem ouro Eu? Nem ouro nem prata, tenho rosas
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AMBIGUIDADE Uns carregam prata outros trazem ouro Eu? Nem ouro nem prata, tenho rosas Umas com espinhos, outras formosas No meu farnel são um acaso e tesouro Na oferta é para serem harmoniosas: Nas dores, as brancas são vertedouro Na sorte, as negras portam mal agouro Assim, ornam a vida, tornam prosas É enredo no amor passado e o vindouro Aos corações belas poesias primorosas E nas lágrimas, doce arrimo batedouro Dotam a emoção, alegres e nervosas São cores na morte e no nascedouro Vão em todas as venturas, preciosas Luciano Spagnol Junho de 2016 Cerrado goiano

SAUDADE SEM DESCULPA Tão igual quanto saudosar alguém é sentir-se solitário acompanhado
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SAUDADE SEM DESCULPA Tão igual quanto saudosar alguém é sentir-se solitário acompanhado estar rodeado e na alma isolado ter do lado lembranças sem ir além A saudade só importa se ela provém dum amor contente do ser amado retribuído no mesmo quilate doado aquele que fala a influência do bem Mas se o morno é a têmpera e peso a dor da ausência um simples acaso e os lamentos ruídos sem real culpa Com certeza o coração não está aceso o olhar vai se encontrar no tal descaso e a saudade no sentir falta, é desculpa Luciano Spagnol 24/06/2016, 14'14" Cerrado goiano

ÍNTIMA SOLIDÃO Árida é a solidão que inspira o cerrado Tão nostálgica e árdua no meu contentar
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ÍNTIMA SOLIDÃO Árida é a solidão que inspira o cerrado Tão nostálgica e árdua no meu contentar A que provém da saudade a me chamar Em murmúrios, além, do vivido passado Aquela que se perde no horizonte ao olhar Que chora no entardecer de céu rubrado E traz na brisa, a maresia, no seu ventado A que me faz relembrar, calado à saudosar Ampla, melancólica, é a solidão no cerrado Uiva nas planuras em vagidos dum soluçar Nos pousando vazios no chão cascalhado Mas, a solidão abafada, que faz lacrimejar É a que domicilia comigo, no meu sobrado E que existe íntima e triste no meu trovar Luciano Spagnol 22 de junho, 2016 Cerrado goiano

SALSTÍCIO DO INVERNO No solstício do inverno, a luz solar aparentemente, pode mais iluminar,
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SALSTÍCIO DO INVERNO No solstício do inverno, a luz solar aparentemente, pode mais iluminar, que seja, para clarear e ornar, o afeto entre todos... Trazendo sentimento terno, olhar abrasador e aos corações amor eterno... Seja bem vindo solstício do inverno! Luciano Spagnol Cerrado goiano

LUAR DO CERRADO Quando, no cerrado, vem o anoitecer O seu luar prateia as várzeas quedos
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LUAR DO CERRADO Quando, no cerrado, vem o anoitecer O seu luar prateia as várzeas quedos Num silêncio de fúnebres segredos Numa tal beleza por assim merecer É o Criador vazando o belo entre os dedos Enfeitando a noite para não mais esquecer Ladeando a lua com estrelas a resplandecer E pondo a prova os nossos sentidos tredos É tanta intensidade da luz, tátil é o perceber Que nos faz pequeninos, eternos mancebos Pasmado, que quase não se pode descrever A imaginação migra para vários enredos Numa rutilante e bela experiência no viver Numa total plenitude e sentimentos ledos... Luciano Spagnol Junho, 2016 Cerrado goiano

SABER Talvez sonho, que de ti eu soubesse Que no fado no cerrado aqui estaria
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SABER Talvez sonho, que de ti eu soubesse Que no fado no cerrado aqui estaria Pois na vida o escrito tem o seu dia E não adianta querer outro na prece Contudo, o fato é que se envelhece Um logro, pois envelhecer não devia Cria-se ausência, e a casa fica vazia Quando da parceria mais se apetece E se perde o entusiasmo da alegria Sozinho, a saudade não nos aquece A atitude só quer estar na nostalgia No certo, paga-se o preço, e agradece São as prendas de se obter a sabedoria Saber, dá alforria e harmonia nos oferece Luciano Spagnol 21 de junho, 2016 Cerrado goiano

ECOS DA SAUDADE Oh! Ilusões acordadas nas madrugadas Segregadas no meu poetar tão sagrado
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ECOS DA SAUDADE Oh! Ilusões acordadas nas madrugadas Segregadas no meu poetar tão sagrado Que goteja as saudades de um passado Entornando na alma quimeras sonhadas Oh! Lua pujante no tão árido cerrado Dá-me tua companhia nas derrocadas Das demências por mim vergastadas Que redige insônia num tal desagrado Longe está a luz que fulge as enseadas Do mar, tão cotidiano, agora tão calado E nas lembranças a ferro e fogo grifadas Ah! Se meu fado não fosse condenado Em tuas noites voltaria para as baladas Num cometa de um fulgor apaixonado Luciano Spagnol Junho de 2016 Cerrado goiano

VISÃO No cerrado vi um peão a toda brida Pelos cascalhados da árida estrada
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VISÃO No cerrado vi um peão a toda brida Pelos cascalhados da árida estrada Do meu sonho não entendia nada Se eu estava na morte ou na vida Entre folhas ressequidas, adormecida Uma caliandra, sendo colhida por fada Em cachos, no beiral da lua prateada Numa tal tenra pálida beleza já vencida E nesta ilusão a ele fiz uma chamada Vós estás de chegada ou de partida? O tal peão, O Tempo, de sua cruzada Respondeu: não tenho alguma parada Levo comigo o podão de toda a vida A caliandra colhida, é tua infância perdida.

Anos vividos Da vida, eu fui mais que se está vendo Da felicidade eu fiz parada e repouso
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Anos vividos Da vida, eu fui mais que se está vendo Da felicidade eu fiz parada e repouso E nem mais sei se fui tolo ou penoso Nas trilhas de estar feliz ou sofrendo Se estou enganado, ou fico glorioso Não posso medir apenas no sendo Sou fausto, e da paz eu vou vivendo Tentando buscar só o bem precioso Agora que a velhice é um havendo Nada sei, eu persisto, e pouco ouso Pois o fado não é claro no referendo Disso, amei sem ter sido enganoso Fui além, dum olhar, do só querendo Na morte, vou do viver ser saudoso Luciano Spagnol 20/06/2016 Cerrado goiano