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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

COMPOSTO DE AMOR (soneto) No eu também, o que em mim vistes Avultando o encanto, dando portento
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COMPOSTO DE AMOR (soneto) No eu também, o que em mim vistes Avultando o encanto, dando portento Ao próprio feitiço, elogios e fomento Deveras díspar das que outrora ouvistes És amor, sem dúvida, paixão. Portanto Pense nos desencontros que sentistes Tão secos, ásperos e de causas tristes Que por mim, eu me derramo em pranto Amador, me aflige, e é tão medo tanto Que a dor inventa, tenta, o que não existe Em tempo algum, pesar sem algum canto Aí, em lugar de acalmar, a aflição insiste Não desiste, é dos loucos, sem espanto Dos amantes, assim, o tal amor consiste © Luciano Spagnol poeta do cerrado 15 de agosto de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

Carrilhão Na casa calma o carrilhão toca O carrilhão na casa então canta
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Carrilhão Na casa calma o carrilhão toca O carrilhão na casa então canta Teu sussurro que no ar carpanta Alto, em altas horas dorminhoca O carrilhão toca. Na casa espanta O silêncio, assim, faz uma troca Em reza tal a uma velha coroca Prum ritmo numa batida santa Toca, santa, canta, uma maçaroca Chora afiado o carrilhão, encanta. E na casa calma e vazia e ampla O carrilhão chora e ali agiganta Carrilhão, a que horas você levanta? O coração triste e vazio aqui potoca Em cada batida pulsa tal badalhoca O que espera mais... Carrilhão canta! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2018 Cerrado goiano

ALGUNS VERSOS (soneto) Alguns versos vazios, diáfano, me espiam Atrás da luz natural do cerrado afogueado
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ALGUNS VERSOS (soneto) Alguns versos vazios, diáfano, me espiam Atrás da luz natural do cerrado afogueado Inquietos no quase nada do olhar fustigado Em pé ao fundo da vastidão que os afaziam Vejo o sol avermelhado, ali tão angustiado Entre as quaresmeiras que no clarão, cerziam Criando ilusões que nas saudades doeriam Em silêncio, que um dia no peito foi tatuado São letras ocas de um entardecer perverso Que tenta brotar de um devaneio imerso À tona em trova de lágrima da recordação De fora do presente, tão vário é o universo E eu pareço apenas durar no meu reverso De cujo alguns versos escorrem da solidão © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, abril. 05'40" Cerrado goiano

SONETO AGONIADO Agonio de ti, ó silêncio, do cerrado Diz coisas que a sorte não vai entender
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SONETO AGONIADO Agonio de ti, ó silêncio, do cerrado Diz coisas que a sorte não vai entender Da tua brisa saudades tu pões a trazer Nas brumas, com suspiro empoeirado Do teu torto cenário bruto, fustigado Ascende lembranças no entardecer Tão pálidas na tua secura, vão haver Solidão, que o meu sonho fica calado E nos teus murmúrios do alvorecer O meu ao teu então fica encarnado Largando lágrimas na face a perecer Talvez um dia eu entenda o teu agrado Por agora, o que faz é meu entristecer Porém, todavia, és âmbito do meu fado © Luciano Spagnol poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

Poema num sábado de aleluia No apagar da quaresma Qual cinza restou
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Poema num sábado de aleluia No apagar da quaresma Qual cinza restou Ou será a mesma Se fica ou se vou Os sinos tocam, sábado de Aleluia Anuncia a reflexão da traição Retire suas culpas da cuia Da omissão. Seja oração... Perdão Vamos nos aconchegar Na misericórdia E ter braços para ofertar De que vale negar, ter discórdia Se somos filhos, iguais, no altar Da criação Divina. Livres na história Livres para sonhar Na fé vitória Sábios para perdoar Ao nosso "Judas", executória A solidariedade atar A paz e bem, gloria! É vigília pascal Trajetória No amor, o amor incondicional © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 26/03/2016, 06'10" – Cerrado goiano Sábado de Aleluia

De amor Eu não tinha nada, ao vir para este mundo Busquei em cada olhar um abrigo, um amigo
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De amor Eu não tinha nada, ao vir para este mundo Busquei em cada olhar um abrigo, um amigo E nesta leitura me fiz mais profundo No meu eu. Me vi rico, me vi mendigo Cada tempo, cada minuto, cada segundo Caminhei junto ou separado, calei e pude falar Assim o corpo se tornou fecundo E aprendi como é bom amar Que na alma só ele vai fundo E ao partir, nada terei, só o amor pra levar... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado fevereiro de 2016 – Cerrado goiano

Amanhece o cerrado goiano Ah! Aurora no cerrado em sonata Põe-se a sonorizar o amanhecer
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Amanhece o cerrado goiano Ah! Aurora no cerrado em sonata Põe-se a sonorizar o amanhecer Em doce tilintar em ouro e prata Num delíquio de ventura e prazer Bendito és este despertar de cores Vai-se os devaneios nesta explosão Mil "bravos “ressoam nos arredores Em trínula volata pela pasma visão Amanhece o cerrado goiano. Esplêndida canção! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Março de 2016, 05'42" - Cerrado goiano

Poesia parida Pare dor e aflição os meus versos Da inspiração do poeta por vir
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Poesia parida Pare dor e aflição os meus versos Da inspiração do poeta por vir São teus açoites em reverso Com rimas que vão se despir Gota a gota, gelha a gelha Coando a quimera que põe a fingir Tal veras, que ao banal se assemelha Doando ao poeta sensação no existir A poesia vida, odor, e a intuição centelha Sussurrando suspiros do poema a parir © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20/02/2016 – Cerrado goiano

Mulher Mulheres mistério da criação Mulheres de sexto sentido
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Mulher Mulheres mistério da criação Mulheres de sexto sentido Mães, esposas, amor garantido Meretriz, coração sofrido Repartido, nem sempre aceitas Sedutoras, perfeitas, imperfeitas Vaidosa, cheirosa, provocante Ocultas, feiticeiras, alucinantes... Mulheres que encantam, provocam Com seu olhar falam, tocam Parideiras, santas, no cio Briguentas, humor por um fio Beatas, rezadeiras, absintas De almas serenas Brancas, loiras, morenas Pé no chão, terrenas... Mulheres de luz, de juízo Agitadoras, de guizo Sedutoras no paraíso Dominadoras com seu largo sorriso Mãos calejadas de rendeiras Preguiçosas, trabalhadeiras Outras com sua ginga faceira De pulso forte como aroeira... Mulheres que o olhar disfarça Perseverante, perpetua a raça Envolventes com toda a sua graça Conselheira de eterna ilusão Movidas pela feminina emoção Fascinantes nos perigos do coração Fera na defesa de sua convicção, dos seus Mulheres uma bela criação de Deus! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 02/03/2009 - Rio de Janeiro, RJ

Outra Vez Outra vez, eu tive que me ausentar Os sonhos foram levados ao vento
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Outra Vez Outra vez, eu tive que me ausentar Os sonhos foram levados ao vento E agora não adianta mais chorar Os pensamentos estão ao relento Se buscar bem no fundo do meu olhar Verás gotas de desalento e sofrimento São estações que continuam a passar E eu um passageiro neste seguimento Outra vez, eu tive que me calar Neste silêncio de isolamento Ali pode minha alma poetar E a poesia me trazer total alento Mas talvez ninguém possa entender O que para muitos é pouco fundamento Quando se ama para valer, faz viver E só vive quem tem amor no sentimento © Luciano Spagnol - poeta do cerrado fevereiro de 2016 – Cerrado goiano

oposição agora, que a distância virou saudade
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oposição agora, que a distância virou saudade os amigos viraram outrora e o cerrado extremidade das bandas do meu poetar a solidão tornou-se traição na enzima na inspiração da trova, sem estima de uma rima menor... Em opor, pude encontrar na poesia iguaria, suor, rubor e companhia... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado maio, 2016 – Cerrado goiano

na moral não é da rua ou de quem governa
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na moral não é da rua ou de quem governa a tua alma nua vem da sua baderna crua interna o caos e o fortuito da fraca terra que cerna sua moral, seu intuito o óbvio ético é gratuito nunca cético é generoso correto, linear está no olhar lustroso no ceio familiar... coração cravado em sua casa, cidadão, glorioso com decoro, fecundo pro mundo! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 29/03/2016, 10'10" – Cerrado goiano

Abjurar Desejo não mais desejar Como se fosse corredio
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Abjurar Desejo não mais desejar Como se fosse corredio De fácil sentença, aceitar Só de imaginar dá arrepio Faz a alma regurgitar Assombro, melancolia Na especiaria do amar Desejar independe do desejo É cobiça, sede, é frescor Nunca abjurar o almejo Pois no desejo se tem amor © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 23'08", 10 de agosto, 2012 – cerrado goiano

Incertezas no cerrado Primavera, verão, outono, inverno Qual estação no cerrado é decisão
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Incertezas no cerrado Primavera, verão, outono, inverno Qual estação no cerrado é decisão Ficar ou partir neste desejo interno Em ebulição no meu mesmo coração Saudade? Tristeza? Encanto? Dorido? Aqui debruçado na vida, em suma Como sabê-lo? Se o incerto está partido E os trilhos da razão dão em parte alguma. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 07/03/2016, 05'55" - Cerrado goiano

Tempo de mulher O tempo no seu tempo é sempre tempo Em qualquer tempo é caminho, alento
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Tempo de mulher O tempo no seu tempo é sempre tempo Em qualquer tempo é caminho, alento No sonho ou contratempo é sentimento Seu sofrimento contém nascimento Tem tempo no tempo para o pensamento Afeto, amor a qualquer momento Soberana no advento, brisa ao vento No sorriso traz contento, talento Na infância paixão, proteção, alimento Fêmea, pilar no casamento Guerreira no tempo, fiel instrumento Mãe, mulher, menina, encantamento Todo tempo é seu tempo Eterno fundamento! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Março de 2011 - Rio de Janeiro, RJ

Eu, a poesia e o cerrado Com os cascalhos do cerrado e as saudades em entrelinhas
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Eu, a poesia e o cerrado Com os cascalhos do cerrado e as saudades em entrelinhas eu alicercei o meu versado em sulcadas poesias minhas e no horizonte além deixei os meus sonhos junto ao entardecer, porém, não foram olhares tristonhos nem sei bem se eram fados ou lamentos do árido viver só sei que eram suspiros calados mas nas trovas tinha o querer tinha poemas alados tinha eu, tinha zelo, tinha o crer... (também, tinha o poeta mineiro do cerrado em versos apaixonados.) © Luciano Spagnol – poeta do cerrado maio, 2016 – Cerrado goiano

Poço poético No pocinho da inspiração Ali se pesca e fisga poesia
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Poço poético No pocinho da inspiração Ali se pesca e fisga poesia As traz pro perau do coração As põe nas águas da ortografia Cada fisgo da rima, um tesouro Puxado das profundezas à revelia Onde vem compor o poema calouro Para querer ser ao autor estrela guia © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Março de 2016, 4'34" - Cerrado goiano