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Frases de Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

46 frases

Esperança A razão debocha, o olho não vê,
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Esperança A razão debocha, o olho não vê, o ouvido não escuta, a mão não alcança A lógica afrouxa, parâmetro é o quê? A realidade luta e a imaginação dança O tempo encosta sua cabeça nos ombros do impossível e chora apor ser infinito e infiel a todos aqueles que dele esperam, sem saber a diferença entre um relógio e um refúgio O sonho aposta e paga pra ver, ao querer imputa o poder da mudança Mas quem não gosta de conseguir prever o que tudo refuta? Esperança é espera de criança

Então você encontra alguém e se encanta. Aquela imagem desperta o seu desejo e você fica bem por isso, desfruta o momento mais feliz do seu dia, ou talvez o único momento de felicidade. Você quer que essa sensação se repita, e acredita que tudo acontecerá da mesma forma, ou será…
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Então você encontra alguém e se encanta. Aquela imagem desperta o seu desejo e você fica bem por isso, desfruta o momento mais feliz do seu dia, ou talvez o único momento de felicidade. Você quer que essa sensação se repita, e acredita que tudo acontecerá da mesma forma, ou será ainda melhor. Acredita que o acaso te apresentou há pouco um ser que tem o dom de melhorar a rotina dos seres humanos porque é alguém especial. Vocês trocam olhares, e num instante estão se beijando. Esse beijo parece ser o melhor que alguém já conseguiu te dar (e olha que não foi por falta de tentativas). Vocês trocam telefones, e você já imagina como o papo será agradável, em um dia de insônia, às três da manhã. E você espera ansiosamente por essa ligação, quando o telefone toca você quase nem consegue entender o que vem do outro lado da linha. Só sabe que é muito bom escutar aquela voz. À medida que os dias vão passando, a pessoa ocupa um espaço cada vez maior nos seus pensamentos, e você tem certeza de que ela será tudo o que você sonhou. E continua sonhando. Você sente que, mesmo que algumas coisas não estejam indo bem, o tempo vai consertar tudo, porque aquela é a criatura feita sob medida para você. E pode dar certo. Ou não. Você tira o peso do mundo dos seus ombros e coloca nos ombros do outro. Apaixonar-se é ser preconceituoso.

Crônica 02 Ontem eu encontrei as cartas que você me escreveu. Em poucos minutos vi acontecer nosso pequeno romance. Vi a minha pressa para escrever uma meia dúzia de termos carinhosos, porque eu sabia que ia você ia gostar. Nada que possa ser chamado de literatura. Eu já não sei…
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Crônica 02 Ontem eu encontrei as cartas que você me escreveu. Em poucos minutos vi acontecer nosso pequeno romance. Vi a minha pressa para escrever uma meia dúzia de termos carinhosos, porque eu sabia que ia você ia gostar. Nada que possa ser chamado de literatura. Eu já não sei o amor é paciente ou a solidão que é exigente. Relembrei por que gosto de cartas. As imperfeições da letra de cada pessoa ficam marcadas pela tinta, e você não tem a ânsia de mandar o que acabou de escrever para alguém, como em um email. Você pode parar para pensar antes de entregar, mudar as palavras, apagar algumas frases. Quem sabe até nem entregar. Deve ser por isso que os amantes não mais mandam cartas. O silêncio perdeu seu lugar e o amor já virou notícia. Após terminar a leitura, percebi que nosso romance era mais crônica que poesia. Percebi que algumas coisas mudaram. Agora eu me importo um pouco mais com a minha saúde, comecei a fazer exercícios físicos. Compreendi o real valor da liberdade, descobri que era eu mesmo que criava as minhas prisões, e já consegui sair da maioria. Não é tão fácil demolir uma obra que você levou tanto tempo para construir, e mesmo que você perceba que é algo que te faz mal, o orgulho se separa da razão no momento em que ela destrói suas convicções. Mas isso passa quando você descobre que existe sempre o outro lado. Apesar das mudanças, algumas coisas continuam iguais. Ainda sou o mesmo bobo de sempre, quase um personagem de uma comédia romântica. As alças da minha mochila permanecem desajustadas, e de vez em quando caem, e eu tenho de arrumar. Continuo acreditando que vale a pena se arriscar por uma ideia, e acredito que se empenhar já é mudar. A escrita e a fala têm a mesma pretensão tola de sintetizar as emoções, o calor e a frieza de um momento, o modo como você se sente quando o mundo te enxerga. Na escrita você tem a possibilidade de trabalhar as figuras linguagem, como um filtro ou uma lupa para os sentimentos, na inocente certeza de que está alcançando seu objetivo. O que é uma hipérbole comparada ao momento em que você está olhando dentro dos olhos da pessoa amada logo antes do primeiro beijo? Se alguém ironiza a vida, o que é mais irônico que escrever sobre algo que não vale a pena? Guardei as cartas no fundo da gaveta, enquanto um pequeno sorriso me tomava o rosto pela lembrança do ponto final após o “infinito”.

Quero criar raízes em tua liberdade Errar o alvo para acertar a tentativa Esperar pelo desfecho da narrativa
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Quero criar raízes em tua liberdade Errar o alvo para acertar a tentativa Esperar pelo desfecho da narrativa E recomeçar o conto pela saudade Esquartejar essa beleza que me invade Em pedaços de uma alegria intempestiva Viver a sorte dessa vida assim furtiva Ser feliz enquanto busco a felicidade Pois se brinca o inevitável com a razão Carrega o tempo a loucura para o infinito Daqueles que já encontraram o perdão Em si por recomeçarem o velho rito De acreditar no que não tem explicação Buscar a paz pela certeza do conflito

Você me assusta... Mas não quando briga ou grita, explode
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Você me assusta... Mas não quando briga ou grita, explode os sentimentos que a gente evita Nem quando me olha de lado querendo evitar fogo cruzado Tampouco quando ampara o muro que separa o meu e o teu chão e leve faz a ponte à linha do horizonte até que eu te encontre feliz na contramão Você me assusta, mas não quando desvia o olhar àquilo que eu não consigo enxergar ou quando fala que me esquece e depois aparece como quem não consegue esperar Tampouco quando finge que o mal que nos oprime é maior que o teu coração e sai sem dizer nada fica assim então calada até ver que à cruzada não se nega a doação Você me assusta por não ter nada de mais nada além do que me faz perdoar minha loucura quando deixo o meu lugar e te peço pra ficar, contestar minha censura Por deixar na tua ausência um vazio sem consequências que antes era o meu recanto por fazer com que a vitória represente a minha glória se durante a trajetória findar-se o teu pranto Por ignorar o roteiro que um dia tão certeiro protegeu o meu caminho e fazer com que pareça que a história às avessas é sempre o melhor destino. Você me assusta porque eu volto a ser menino.

Informou-me a bela rosa com muita sinceridade que era doce o seu perfume
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Informou-me a bela rosa com muita sinceridade que era doce o seu perfume e discreta a sua vontade disse ainda que era mito que eram só pra proteger sua frágil estrutura os espinhos em seu ser pois gostava do poder que surgia na derrota do gigante que caía por sonhar além da conta mas ainda que eu soubesse as regras todas do jogo e não quisesse arriscar colocando a mão no fogo cometi um grande erro ao olhar todo o cenário: conhecer as consequências não te livra do calvário quando pude reparar o meu sangue já descia pela inerte flor do campo que eu achava que sorria tinha um tom bastante intenso de vermelho em sua cor o que sempre teve antes quando era incolor tinha a mesma densidade, sua aparência se mantinha, nada estava ali mudado nem ao menos parecia mas enquanto perfurava o meu dedo a flor apática eu só pude me calar e sentir de forma estática que era minha a natureza porque dela eu sempre fui relembrou-me a flor imóvel que por mim a vida flui

Você vai olhar pra trás e ver que sempre é muito pouco vai querer se antecipar
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Você vai olhar pra trás e ver que sempre é muito pouco vai querer se antecipar dizer que sabe brincar com fogo mas vai acordar ao lado da chance de poder viver tudo de novo e vai entregar à sorte o mapa com as regras do jogo e então vai descobrir que não dá mais pra construir sua prisão de pouco em pouco vai sentir o que sentiu mesmo que já conheça o novo e vai entender que saber aonde ir não muda o caminho e vai encontrar um mundo que não conheceu sozinho e então vai descobrir Você vai olhar pra trás e ver que sempre é muito pouco

Verônica Ela havia chegado há pouco, e não trazia consigo nada além de empenho e curiosidade. A nova estagiária da redação, assim como a antiga aprendiz, passeava pelo escritório sem que a sua presença fosse notada. De fato, nada entre as atividades que desempenhava poderia ser…
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Verônica Ela havia chegado há pouco, e não trazia consigo nada além de empenho e curiosidade. A nova estagiária da redação, assim como a antiga aprendiz, passeava pelo escritório sem que a sua presença fosse notada. De fato, nada entre as atividades que desempenhava poderia ser classificado como essencial ou imprescindível, e somente quando faltava alguém se atrevia a confundir o seu nome. Mas Olindo não caiu na armadilha que a rotina preparara, e logo percebeu que a nova aquisição da empresa tinha algo que lhe perturbava. Talvez a tranquilidade e a discrição com que ela transitava por um local revestido de exposição lhe desafiassem a veia jornalística, ou quem sabe não se tratasse de alguma qualidade da garota, mas de algo que lhe faltava. Poderia ser a pouca experiência de vida que lhe impunha a falta de idade, o silêncio de cada palavra que não saía da sua boca ou a ausência de um traço característico, uma identidade. O mistério crescia na cabeça do jovem redator, e apesar de não conseguir lhe tirar o sono, a busca por respostas sempre foi um prazer ingrato que nunca encontra fim. Dois meses após a entrada dela no jornal, Olindo reparou que, pela primeira vez, a moça usava uma blusa de mangas curtas. Não deu grande importância, afinal, não entendia conceitos de moda e muito menos sabia a forma como as pessoas se expressavam através do vestuário. Entretanto, a diferença de estilos lhe chamou a atenção, pois era, até então, a única mudança perceptível. Dias depois, durante o horário do lanche, ele foi até a cozinha da redação pegar um café para mandar embora o sono. Enquanto apertava o botão da garrafa para encher o copo plástico que tinha nas mãos, perdeu-se por um minuto olhando pela janela e descuidou-se a ponto de queimar o dedo indicador. Quando virou-se para olhar a queimadura e sussurrar um palavrão, notou a presença da estagiária na copa, conversando com Roberta, que não era conhecida pelo bom humor, mas olhava de forma esperançosa para a amiga. - Agora você pode ter uma vida normal, finalmente vai conseguir enxergar a beleza das pequenas coisas! Aproveite que ele saiu do caminho de vocês, e tenha só pensamentos e ações positivas! Olindo ia para sua sala tentando juntar a nova peça à trama que tinha construído, quando Verônica lhe deu um sorriso. Foi o sorriso mais tímido que alguém poderia dar. Aquele em que as bochechas se inflam de vermelho, e o corpo se retrai ao mesmo tempo em que a alma aparece. O quebra-cabeças estava incompleto, mas nada mais faltava.

A paixão e o amor A paixão se anuncia em voz alta pois se surpreende consigo, como um deboche do que ainda está por vir. Não coloca pé após pé, mas se descobre na corda bamba e o seu maior medo é não cair, equilibrar a insegurança e com ela ficar, dando para a plateia a impressã…
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A paixão e o amor A paixão se anuncia em voz alta pois se surpreende consigo, como um deboche do que ainda está por vir. Não coloca pé após pé, mas se descobre na corda bamba e o seu maior medo é não cair, equilibrar a insegurança e com ela ficar, dando para a plateia a impressão de que está tudo sob controle. Aliás, a paixão, quando nova, recrimina-se por ser quem é, porque entrega a alguém que se esconde o produto do acúmulo de afetos e desafetos que, outrora, outras, como ela, já se dedicaram a recolher. Mas que não se enganem os desavisados, porque, ainda que esta doação ocorras por livre e espontânea vontade do ser, do universo, de Deus, ou da carne, ela encerra em si um mundo de expectativas: o cheiro, o gosto, o toque, a roupa, a música, a beleza, o português, o bom dia... Ou seja, a paixão é preconceituosa! Atribui qualidades pelo simples fato de existir, ou pelos olhos, pela estampa do Chico, pelo sopro de sonho que sai da sua sorte. De vez em quando ela acerta e não tem do que reclamar. Porém, quando erra, fica procurando uma maneira de chegar ao seu destino por um caminho que nunca existiu. Só que nesse meio tempo tem muita pupila dilatada, muito arrepio, muita surpresa, muita febre. Já o amor não grita a sua essência porque sabe que se construiu muito mais sobre o silêncio do que sobre o ruído. Não tem mais fôlego para deslizar na corda, mas está lá embaixo segurando a haste que lhe dá sustentação. O amor também entrega a alguém o acúmulo dos seus afetos e desafetos, mas não mais o desconhece, pelo contrário, já não se assusta quando toca a campainha. E é por isso que o amor já não espera, ele doa, dá, entrega, sem pedir que o outro seja aquilo que ele já sabe que não é. A loteria já não tem mais relevância porque ele sabe que não ganhou o maior prêmio, mas se contenta com o que tem no bolso. O amor não erra ou acerta, ele é. Entretanto, apesar de ser o irmão mais velho e experiente, ele coloca todos os dias a paixão para ninar, momento em que escuta as histórias que ela tem para contar, pois sabe que nesse meio tempo da vida tem que ter muita pupila dilatada, muito arrepio, muita surpresa, muita febre.

Eu sei, você sabe Tinta preta e papel Um terceiro no par
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Eu sei, você sabe Tinta preta e papel Um terceiro no par Mesmo que seja leve Eu nunca soube atuar Melhor deixa como está Eu sei, você sabe Julieta e Romeu Só se for pra casar Mesmo que seja fácil Eu sempre quis complicar Então me diz Que fica aqui Comigo e vai demorar Só se for pra deixar o teu abraço Em volta dos meus braços Quando a sorte não quiser me escutar Só se for pra entender o que eu digo Ser sempre o meu amigo Sem perder aquele jeito de amar Eu sei, você sabe Tinta preta e papel Um terceiro no par Mesmo que seja leve Eu nunca soube atuar Melhor deixa como está Eu sei, você sabe Julieta e Romeu Só se for pra casar Mesmo que seja fácil Eu sempre quis complicar Então me diz Que fica aqui Comigo e vai demorar Só se for pra deixar o teu abraço Caber bem nos meus braços E fazer a sorte desabrochar Só se for pra tornar o seu sorriso Meu mais seguro abrigo Sem perder aquele jeito de amar

aqueles que olhos aqueles que eu não sei explicar eu não vou me perder se eu não quero encontrar
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aqueles que olhos aqueles que eu não sei explicar eu não vou me perder se eu não quero encontrar o meu mundo pequeno, tranquilo e sereno neste exagero que me leva ao me fitar que olhos aqueles que eu não sei evitar eu já não vou correr se eu não quero parar perdido, distante, com um ardor infante neste calmante que me turva ao me salvar são muitos caminhos a se desenvolver e tantos vestígios que se vão esconder na busca daquilo que se quer desvendar mas se ao longo da trajetória eu me entreter já não há mais distância alguma a percorrer é a chance de renascer, dois sóis, um par

agora tua ausência já não se faz notada aos poucos some o que restou de ti
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agora tua ausência já não se faz notada aos poucos some o que restou de ti quando percebo já é madrugada e o meu silêncio deixa-me dormir eu não peço para o destino nada além do tempo que eu não vi partir mas o impossível pavimenta a estrada de quem ainda tem o que eu perdi e na ilusão de que era meu o riso que eu entreguei já antes de entregar eu me esqueci de que era preciso andar na areia para ver o mar e este chão em que, com receio, piso é a cidade em que vou habitar

No caminho da mudança No caminho da mudança há um pouco de esperança
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No caminho da mudança No caminho da mudança há um pouco de esperança no que se vai construir e se busca a liberdade de poder criar a chave para o que se quer sentir e de luta é feita a estrada em silêncio a caminhada desemboca em um lugar em que ninguém sabe ser mais do que se pode crer que se era ao começar há o medo do que vem da semente que contém o futuro a ser criado mas repousa na bravura o dever de achar a cura para o que feriu o passado tem o sonho o seu recanto ao criar com o seu encanto o que vaza o homem são e o limite da coragem é a própria realidade que se serve da ilusão quem anda carrega em si a certeza de que ir é melhor do que ficar leva tudo que não sabe todo o anseio que não cabe no receio de parar mas quem deita dorme e esquece que a resposta da sua prece já está no seu perdão e a sombra que o olho vê não é nada além do que produziu a sua ação no caminho da mudança há um pouco de esperança há um passo e nada mais

A minha amiga a minha amiga eu não sei de onde veio mas de lá trouxe tudo que podia:
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A minha amiga a minha amiga eu não sei de onde veio mas de lá trouxe tudo que podia: o tempo que lhe falta na rotina e se estende pela sua companhia, a vontade de abrir o próprio peito e abarcar esse mundo em um só dia sem perder a leveza de sentir o compasso que une a melodia o que trouxe consigo a minha amiga eu não sei se consigo descrever é um pouco de tudo que eu já vi mais um tanto de coisas pra aprender é o sopro de vida que eu senti quando a sorte me deixou escolher que eu queria que fosse também seu esse sangue que eu não pude eleger à minha amiga ofereço o meu ombro, o meu colo e a vontade de ficar conversando como quem não quer nada e desconhece a hora de parar, o sorriso que de mim toma conta ao dizer qualquer coisa sem pensar pois é isso que ofereço e recebo: a beleza de sentir sem julgar o presente que eu dou à minha amiga não tem fita, não tem laço, nem preço é o que o espelho me mostra agora e aquele jovem que eu já não conheço é a dor que só vai porque demora e aquilo pelo que mais tenho apreço é o que vai sem medo de existir pois não tem a sua morada endereço ali surgiu, sem uma explicação o que não tem nome e nunca vai ter dali fluiu, sem uma só razão o que a gente nunca vai entender eu só queria, com muita afeição não deixar pra depois e já dizer que o tempo só vai dar a direção pois és minha amiga e sempre vai ser

VAI Aquiete o teu coração que a tristeza vai passar
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VAI Aquiete o teu coração que a tristeza vai passar nada além do que convém no teu peito vai durar que se esvai por entre os dedos o que era então tangível para sempre revelar no distante o invisível do silêncio que gritava com carinho o seu pretexto do rompante que calava qualquer sopro de sossego na procura de viver o que era o seu destino descartando sem querer o seu conto genuíno Nada além do que convém no teu peito vai durar deixe quieto o coração que a tristeza vai passar que é teu o mar salgado que esvazia o peito aberto e da nuvem faz chover irrigando o vil deserto fica aquilo que se foi para nunca mais voltar fica o que já era seu para sempre transformar e afinal o que se ganha é aquilo que se tinha com um pouco de relevo com um toque de euforia com um tanto de receio de entregar o seu presente mais a vida que se tem e é toda pela frente pois o quanto de poesia que se esconde no caminho não se pode descrever nem sequer viver sozinho

Breve A noite leve que de mim fugia Roubava insípida a minha exaustão
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Breve A noite leve que de mim fugia Roubava insípida a minha exaustão Não inspirava mais humor que o dia Nem demonstrava por mim compaixão Era tão breve a vida que partia Levava intrépida a minha oração Para que o tempo que de mim corria Não me roubasse a minha solidão E mesmo sóbrio, no temor das horas Eu despertava a minha própria aurora Cavando o óbvio no jardim do sempre E mesmo louco, por querer tão pouco Eu entregava enfim um canto rouco Ao que de mim corria eternamente

Sonhei contigo esta noite mas não quero nem lembrar cada detalhe furtivo
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Sonhei contigo esta noite mas não quero nem lembrar cada detalhe furtivo que roubou meu descansar Quero aos poucos me entregar ao que trouxe o meu desejo sem, contudo, desvendar o que move o que não vejo Quero em mim redescobrir o destino pelo mapa, a coragem em sentir a beleza em ser cascata É você, e mais ninguém o que é meu está guardado no que eu disse sem dizer na janela do meu quarto no que eu mato pra viver na frequência com que calo Sonhei comigo esta noite

sexta deita aqui deixa eu te ouvir
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sexta deita aqui deixa eu te ouvir me deixa descobrir o que te deixa leve o que te faz sentir o peso indo embora o mundo se partir em tudo o que já foi e aquilo que há de vir o ponto em que o tempo deixa de fluir e nada do que foge te faria desistir de ficar mais um minuto de morar pra sempre aqui deita aqui deixa eu te olhar me deixa despertar o que te torna forte o que te faz sonhar sem medo de crescer com sorte pra errar com tanto a aprender e muito a ensinar com frio na barriga por restar diminuída a certeza escondida de que é melhor voar deixe o meu abraço dissipar esse cansaço que há muito te consome deixe que esse laço descortine o espaço em que o nosso descompasso já não mais nos aprisione deixe que o passado seja apenas um recado posto à mesa, com cautela para não retroceder nem tampouco esmorecer ante o medo de viver e abaixar sua defesa deixa lá deita aqui que agora o sol se pôs deixa eu te ouvir deixa eu te olhar deixe só o que for nós dois

Quando ela voltar Quando ela voltar Talvez eu nem
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Quando ela voltar Quando ela voltar Talvez eu nem esteja mais aqui pra escutar Seu silêncio, seu cantar O seu jeito de dizer Que é melhor sonhar Quando ela voltar Talvez eu nem me lembre O quando eu tive que esperar Pra poder lhe entregar O que não vai se perder Nem se ela demorar Já não sei o que fazer Como é que vai ficar Seu sorriso a muitas milhas De distância do meu lar Eu só posso é correr Eu só quero me entregar Eu não tenho que correr É aqui que ela está Seu sorriso é uma ilha Em que eu fiz o meu lar Eu só quero estar pronto Para quando ela voltar Quando ela voltar Eu já nem sei o mundo Como é que vai estar Se de lá ou mais pra cá Só sei que eu vou viver Só sei que eu vou voar