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Frases de Paulo Sérgio Rosseto

20 frases

A BOCA E AS MÃOS De repente minha boca anseia Conversar com tua pele
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A BOCA E AS MÃOS De repente minha boca anseia Conversar com tua pele Surfar pelo labirinto de poros Entreabertos pelo desejo inerente Desse preconizado diálogo E tudo é tão raro belo e recíproco Que todo o universo se cala Enquanto nossos sonhos se buscam E os úmidos lábios passeiam e se falam Partícipes desse colosso mistério Tão puro que é bom esse advinho Sem limites de gemidos e sons Insignes sedentos e prontos Feitos do morango maduro entre os dentes E uma taça cúmplice nas mãos lambidas Lambuzadas do amor pelo vinho

UM POUCO MAIS DE HOJE Ainda tem um pouco mais de hoje Antes que a manhã volte e amanheça
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UM POUCO MAIS DE HOJE Ainda tem um pouco mais de hoje Antes que a manhã volte e amanheça São as artes das horas ocultas Que se mostram em partes Assim se torna mais precioso o que se aprecia Intenso e evidente seu claro Mansa e macia essa espera arredia E ainda que soubesse que partisse Passaria a vida nessa plataforma imensa Seguindo essa roda sem freio e sem guia Contemplando-a por nada e não quisesse Minha teimosa tolice insana e insistente A esperaria

LENTAMENTE ME AMAS Das certezas mais plenas e puras Escolhemos a que nos torna onipresentes
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LENTAMENTE ME AMAS Das certezas mais plenas e puras Escolhemos a que nos torna onipresentes Onde eu sou amor amando-me estás Porque onde estás amando Achas-me amante sem procuras Ouço-te nos prováveis silêncios Me encontras nas plausíveis loucuras Estamos no cerne de todas as células Nas gramáticas absurdas Em todas as grafias De todos os idiomas Se perdida e cegamente a venero Doce e lentamente me amas

IMPUBLICÁVEL Quisera que teus dedos procurassem por mim Como escrevessem poemas na face dos lábios
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IMPUBLICÁVEL Quisera que teus dedos procurassem por mim Como escrevessem poemas na face dos lábios Enquanto passeassem desapercebidos Por entre os pelos encaracolados Fazendo carinhos ritmados Encravando as unhas riscando as coxas Entremeando as mãos alisando os seios Extasiando sozinha como quem conquistasse A síntese do prazer encimado de estrelas Contento-me em pensar que me sonhas

HUMANO AMOR Do amor que te falo Não é o infinito e sim
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HUMANO AMOR Do amor que te falo Não é o infinito e sim Esse que descuidado Desmancha-se num grito Desmesurado de dor Não é o divino por não ser absoluto Mas sim humano pois caso desvela Gera desengano onde não caiba estar Nem abstrato nem concreto Por não ser secreto entre a gente E estar ocluso por fina camada de cera Esse feito de retalhos de pano Que o tempo acostuma com a costura E se não se atenta nem ciúma Termina quando maltrata incontido ao passar Do amor que te acho incomoda Exige que provemos do amargo e o azedo faça acordar Por não haver medo no amor Mas que intimide e renasce e reacende Pela simples cisma de se vir deixar de amar

IMPETUOSO Ensina-me a não estar afoito Diante da tua beleza
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IMPETUOSO Ensina-me a não estar afoito Diante da tua beleza Pois quando te percebo me sinto trêmulo Como a bandeira que tremula ao vento Presa ao próprio pêndulo De um único fio do teu cabelo Eu sou teu artífice e vértice Tu a hélice que impulsa além da bússola Que me prende e norteia ao curso Íntimo que em mim navega Carrega-me e me refaça Doma meu ímpeto a conter-se Ou desnuda se embriaga comigo Do mesmo beijo voraz do vinho Vertido da mesma taça

LAPSO Se fosse para enxergar o belo te emprestaria meus olhos Se desejasses carinhar uma flor daria as minhas mãos
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LAPSO Se fosse para enxergar o belo te emprestaria meus olhos Se desejasses carinhar uma flor daria as minhas mãos Se pretendesses reverberar os bons sons doaria meus tímpanos Se quiseres difundir a paz entregaria a ti a minha língua Se fores pelo reto caminho ofertaria os meus pés Se intentas celebrar o gozo toma meu sexo Se buscasses o amor desmesurado tornaria minha alma E para festejar os bons pecados Poria ao teu dispor toda emoção e sorriso Mas se em nada disso houver razão e propósito Seria eu em ti o mesmo mistério e forma É engraçada a vida de quem se engraça Nessa bagunça da raça humana chamada paixão A gente se arrisca e rabisca e enovela nos lapsos Muito além do que possa parecer preciso Por ser a soma do amor a busca de todos os riscos Enquanto e quando se ama

LAMENTO Lamento pelos que ainda a aplaudem Não renegam teus atos e acolhem as sandices que decretas
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LAMENTO Lamento pelos que ainda a aplaudem Não renegam teus atos e acolhem as sandices que decretas Que se debruçam e pactuam contigo sobre o visgo que amordaça Que obrigam que se desfile em fila e marchem cegos Que se siga sob o perverso e o descalabro Desalinhados sob as intempéries e o desalento Não é este o vento nem o cantar da aurora que almejo Porque não se questiona nem protesta, apenas vão Acolchoados às divisas que fingem entrever Ainda que sentem que usurpas, contaminas com escarnio Mas o que é a troça senão O fato de tripudiar sobre os sonhos E a sede de quem apenas pede Tenho vergonha pelo respeito que perderas Como feiras desertas ou salas às traças Sem ideias, lógica, de planos partidos, sem regra Desapropriada de quaisquer sentidos caprichosos No passar dos dias, no perder da massa Onde tudo se esvai, dilui, entorna, desagrega Quando a ordem entretanto serpentear teu andor E deparar tua pobre face podre sobre o espelho praticável Espero que sintas desconfortável, ridícula O quanto estás nua, sem ética, desumana, solitária Porque verás as joias que costumavam brilhar, opacas As insígnias que a reverenciavam, decompostas E os aventais dobrados ao meio Desafiando o teu nefasto despudor

PROCURA Passo por tantas portas durante o dia Entro e saio vou e venho nada me segura
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PROCURA Passo por tantas portas durante o dia Entro e saio vou e venho nada me segura De um cômodo a outro buscando o futuro Penso que nada me surpreende Porem insatisfeito com a estrutura Desse indescritível labirinto Reclamo tua ausência A essa troça que arde o peito e angustia Necessito-te ávido Acima de todo escrúpulo Desprendido de alicerces Longe dos parâmetros Apesar do acúmulo dissimulado Dessa tosca aventura Andarei a eternidade Indecifrável à tua procura

A DOÇURA DA TUA VOZ A doçura da tua voz É feitiço colado em mim
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A DOÇURA DA TUA VOZ A doçura da tua voz É feitiço colado em mim Canção que tanto desejo Tempestade em minha veia Suor denso da libido Vendaval de vermelha areia Remoinho no deserto Do coração em devaneio Eu sou destemido andarilho Incerto andejo sem eira Sertanejo inseparável Da seara do teu encanto Matuto das velhas minas Lavrador desse rochedo Tangido na insistência De colher esse teu beijo A ternura fez de mim Poliglota destas letras Intérprete dos teus sonhos Cancioneiro dos teus versos Aprendi teu idioma Falando em teus ouvidos Decifrando teus anseios E beijando a tua língua Assim me tornei poeta

PAULO SÉRGIO ROSSETO nasceu no Município de Guaraçaía/SP, no dia 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina Demori Rosseto, desde a infância adotou a poesia como seu modelo principal de arte para toda a vida. Em 1966 a família mudou-se para Selvíria/MS e em 1970 passaram a r…
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PAULO SÉRGIO ROSSETO nasceu no Município de Guaraçaía/SP, no dia 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina Demori Rosseto, desde a infância adotou a poesia como seu modelo principal de arte para toda a vida. Em 1966 a família mudou-se para Selvíria/MS e em 1970 passaram a residir em Três Lagoas/MS. Aos 12 anos de idade foi para o Colégio Salesiano Dom Luis Lasagna - internato em Araçatuba/SP. Fez o segundo grau escolar na capital Campo Grande/MS e o noviciado salesiano em São Carlos/SP. Retornou para Três Lagoas/MS com 19 anos de idade. Em 1987 mudou com esposa e filho para Porto Seguro/BA, onde reside hoje. Livros publicados: * 1981 - O SOL-DA-DOR DA TERRA * 1982 - ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO * 1984 - AMOROSIDADE * 1985 - MEMORINHA * 2018 - CRÔNICAS ABERTAS - Poesias * 2018 - DOCES DOSES DE POESIA - Aldravias * 2019 - VERSOS DE VIDRO E AREIA * 2019 - POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM * 2019 - LÁ PELAS TANTAS DA VIDA

INCAUTO Minha santa ordem quase sem mãe Que jamais permita com teus poderes
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INCAUTO Minha santa ordem quase sem mãe Que jamais permita com teus poderes Carcomer as pétalas das tuas flores Depois fingir infinitamente apiedado Chorar copioso as tuas dores Deixar borrar os aventais de giz Mofar os rituais dentro do peito Decompor as ferramentas de aprendiz Tornar impuras as brandas mãos Obsoletas inférteis comprometidas As ideias discorridas dos ideais Por negar-me a mim diante do espelho Trincado de ingratidão

SEM NINGUÉM SABER Não gosto de fazer poemas que remetam à morte Porque detesto que os meus amigos lembrem-se
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SEM NINGUÉM SABER Não gosto de fazer poemas que remetam à morte Porque detesto que os meus amigos lembrem-se Que um dia também poderão morrer Prefiro que cantem as melodias alegres E leiam sobre amores e saboreiem as dádivas da vida Instigo para que brindem as alegorias Mergulhem na fantasia de que são todos eternos Infinitamente abençoados pela eternidade Em resposta ao zelo existente que para comigo têm Os meus amigos e a fraterna amizade que nos convêm Não tem tamanho nem cabem dentro de covas Por isso jamais extirpa nem deteriora E na minha hora em que sozinho eu partir Sairei à francesa em silêncio enquanto festejam Para que ninguém note a minha dor por ir sem querer Partirei calado sem ninguém saber

DESLUMBRE Quando duas línguas se tocam O mundo de quem deseja o beijo
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DESLUMBRE Quando duas línguas se tocam O mundo de quem deseja o beijo Torna-se oração perfeita Sabores ardem sedentos Nesse encontro de saliva e espasmos Extraindo dos lábios molhados Aceites inaudíveis das vozes dos hálitos Da ternura única e efervescente Todo perfume tateia o momento Assistindo espargir pela sala do anseio A dissimulada fome engolindo as palavras Dado ser afoito intenso e místico O espírito aguarda que o corpo entreveja Pelos olhos fechados em êxtase O deslumbre da língua quando beija

TEMPORAIS Toda vez que perco o horizonte Creio haver um mar a minha frente
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TEMPORAIS Toda vez que perco o horizonte Creio haver um mar a minha frente Tão longe de mim equidistante Como as rosas de um jardim Ou uma nuvem passante Que se desmancha insana Por entre respingos de lama Ou alvas fronhas de algodão São aguas verdes revoltas Remexidas pelos mesmos ventos Que soltos conduzem minhas barcas Serenas cada uma a seu porto E as nuvens aos seus tantos Destinos e encantos Revestindo travesseiros Sobre as camas da paixão Todos esses travessos romances Atravessam-me intensos Ainda que de mim jamais saibam Porque nunca mais retornam Porque se tornarão propensos A viajar outros céus e mares Esculpindo suas torres imensas Apesar dos temporais

QUEM NÃO ERRA A lida às vezes navega Por barcos sem mastros
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QUEM NÃO ERRA A lida às vezes navega Por barcos sem mastros Desprovidos de velas Navios sem lastros Sem cordas nem âncoras Timões em proas sem rumos Barcos calados na areia Aportados em baías Degredados A sorte às vezes recende de mágoas Tal qual vela sem pavio Cela sem dorso nem doma Chinelo quebrado pisando descalços Ainda assim os mares continuam Acolhendo os seus rios E os rios galopando percalços Nos tomam nos braços Acolhem nossas naus Amenizam nossos passos Restituem-nos pacientemente a vida O cotidiano é a soma de esperas Expectando acertos Mas quem não erra?

BAGUNÇA Houve fina garoa sobre a poça Que até então já aquietada
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BAGUNÇA Houve fina garoa sobre a poça Que até então já aquietada Sossegara brincando após O primeiro chuvisco na praça E assim enchendo-se novamente de chuva Dessa vez na calmaria da rua Transbordou vagarosa pelo declive Ensopando as falhas entre as pedras Cantante e desperta como toda água Mansa, esguia, boa, límpida e fria E lá embaixo depois de alguma andança Espalhando-se feito enxurrada Na lama do paralelo ao pé da calçada De novo em descanso deu de cara com a lua Espelhando-se em si de felicidade Toda melada em risadas descontraída Entra o vento apressado afeito criança Nessa profusão de imagens fazendo bagunça Rodopia e sacode lambendo a paisagem Tremulando áspero entre ondas As surpresas amigas que entredizem - A que ponto chegamos, querida!

SONETO DO AMOR MADURO Esperamos algumas dobras aprendendo mansidão Depois, nos mesmos espaços a fio tivemos por lição
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SONETO DO AMOR MADURO Esperamos algumas dobras aprendendo mansidão Depois, nos mesmos espaços a fio tivemos por lição As certezas do intrépido desafio em vencermos A vastidão dos doídos encantos indomados do mundo. Outro tempo nos fora gasto no cotidiano desbaste Daquilo que se desvendara com o surgir das verdades Tão distintas quanto translúcidas com o passar da idade Tão carismáticas a ponto de tornarem-se cumplicidade. Fomos assim perseguindo ilusões e vencendo vaidades Conquistando a amizade, obedecendo raras vontades Distantes da subserviência, do ócio, das tolas paixões. Tornamo-nos generosos, íntimos, prósperos e próximos Tão comuns como apropriados são os doces sentimentos. Então descobri que a amara desde o primeiro momento

⁠ESSA SUJEIRA NOSSA O mar não suja só expurga A mata não suja somente expele
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⁠ESSA SUJEIRA NOSSA O mar não suja só expurga A mata não suja somente expele O deserto não suja talvez invada O rio não suja às vezes inunda O céu não suja apenas recobre A terra que teimosa se renova Na astuta ação do ímpio sujeira abunda Onde o germe maledicente procria A mente gera o que não deteriora E a mão da gente inconsequente mela A natureza do mau espalha delinquências E nos põe constantemente à prova Todo dia nos acovardamos calados Ante a crueldade que destroça Essa sujeira do mundo é unicamente nossa

⁠NÃO TENHO PRESSA Ninguém se importa sendo a carga leve Quando o fardo flutua ou flana
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⁠NÃO TENHO PRESSA Ninguém se importa sendo a carga leve Quando o fardo flutua ou flana Sobre o ombro de quem o leva Poucos se importam porque a vida é breve E essa brevidade aparente Aparenta imortal e eterna para quem a vive O farto mundo do outro engana quem o observa Ilude o sossego e acende a inveja Contrapõe-se à paz que cada um almeja O peso da carga mede-se pela interna beleza Daquele que a suporta ainda que a meça E se destroça e esforça para que a ela mereça Não sou usurário e a nada me apego Apenas sigo carregando meu ônus E confesso não tenho pressa www.psrosseto.webnode.com