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Frase de Paulo Sérgio Rosseto

HUMANO AMOR Do amor que te falo Não é o infinito e sim Esse que descuidado Desmancha-se num grito Desmesurado de dor Não é o divino por não ser absoluto Mas sim humano pois caso desvela Gera desengano onde não caiba estar Nem abstrato nem concreto Por não ser secreto entre a gente E estar ocluso por fina camada de cera Esse feito de retalhos de pano Que o tempo acostuma com a costura E se não se atenta nem ciúma Termina quando maltrata incontido ao passar Do amor que te acho incomoda Exige que provemos do amargo e o azedo faça acordar Por não haver medo no amor Mas que intimide e renasce e reacende Pela simples cisma de se vir deixar de amar

Paulo Sérgio Rosseto

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Pensador.com

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A BOCA E AS MÃOS De repente minha boca anseia Conversar com tua pele
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A BOCA E AS MÃOS De repente minha boca anseia Conversar com tua pele Surfar pelo labirinto de poros Entreabertos pelo desejo inerente Desse preconizado diálogo E tudo é tão raro belo e recíproco Que todo o universo se cala Enquanto nossos sonhos se buscam E os úmidos lábios passeiam e se falam Partícipes desse colosso mistério Tão puro que é bom esse advinho Sem limites de gemidos e sons Insignes sedentos e prontos Feitos do morango maduro entre os dentes E uma taça cúmplice nas mãos lambidas Lambuzadas do amor pelo vinho

UM POUCO MAIS DE HOJE Ainda tem um pouco mais de hoje Antes que a manhã volte e amanheça
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UM POUCO MAIS DE HOJE Ainda tem um pouco mais de hoje Antes que a manhã volte e amanheça São as artes das horas ocultas Que se mostram em partes Assim se torna mais precioso o que se aprecia Intenso e evidente seu claro Mansa e macia essa espera arredia E ainda que soubesse que partisse Passaria a vida nessa plataforma imensa Seguindo essa roda sem freio e sem guia Contemplando-a por nada e não quisesse Minha teimosa tolice insana e insistente A esperaria

LAMENTO Lamento pelos que ainda a aplaudem Não renegam teus atos e acolhem as sandices que decretas
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LAMENTO Lamento pelos que ainda a aplaudem Não renegam teus atos e acolhem as sandices que decretas Que se debruçam e pactuam contigo sobre o visgo que amordaça Que obrigam que se desfile em fila e marchem cegos Que se siga sob o perverso e o descalabro Desalinhados sob as intempéries e o desalento Não é este o vento nem o cantar da aurora que almejo Porque não se questiona nem protesta, apenas vão Acolchoados às divisas que fingem entrever Ainda que sentem que usurpas, contaminas com escarnio Mas o que é a troça senão O fato de tripudiar sobre os sonhos E a sede de quem apenas pede Tenho vergonha pelo respeito que perderas Como feiras desertas ou salas às traças Sem ideias, lógica, de planos partidos, sem regra Desapropriada de quaisquer sentidos caprichosos No passar dos dias, no perder da massa Onde tudo se esvai, dilui, entorna, desagrega Quando a ordem entretanto serpentear teu andor E deparar tua pobre face podre sobre o espelho praticável Espero que sintas desconfortável, ridícula O quanto estás nua, sem ética, desumana, solitária Porque verás as joias que costumavam brilhar, opacas As insígnias que a reverenciavam, decompostas E os aventais dobrados ao meio Desafiando o teu nefasto despudor

LAPSO Se fosse para enxergar o belo te emprestaria meus olhos Se desejasses carinhar uma flor daria as minhas mãos
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LAPSO Se fosse para enxergar o belo te emprestaria meus olhos Se desejasses carinhar uma flor daria as minhas mãos Se pretendesses reverberar os bons sons doaria meus tímpanos Se quiseres difundir a paz entregaria a ti a minha língua Se fores pelo reto caminho ofertaria os meus pés Se intentas celebrar o gozo toma meu sexo Se buscasses o amor desmesurado tornaria minha alma E para festejar os bons pecados Poria ao teu dispor toda emoção e sorriso Mas se em nada disso houver razão e propósito Seria eu em ti o mesmo mistério e forma É engraçada a vida de quem se engraça Nessa bagunça da raça humana chamada paixão A gente se arrisca e rabisca e enovela nos lapsos Muito além do que possa parecer preciso Por ser a soma do amor a busca de todos os riscos Enquanto e quando se ama