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Frases de Nonato Peixoto Nogueira

13 frases

AURA Ouço o farfalhar De folhas secas ao vento,
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AURA Ouço o farfalhar De folhas secas ao vento, Apresso os passos; Sinto num sussurro O arrepio que submerge Até minha alma; Ausculto o velho favônio Proseando com as folhas verdes; Sua voz é como melodia divinal. Encantamento; Consome a alma dos viventes, É sobrenatural; As lâminas parecem experimentar Uma turgescência aural; A essência de tudo é a vida. É inconteste, passional; Uma efervescência assume O cômputo do tempo; Nada mais se pode fazer, Há um êxtase, Um frenesi agudo, Que toma conta e submerge As almas das inseres Numa aura angelical. Outros ventos cantam e dançam, As folhas no alto balançam. É o arrebatamento, O ápice da magia natural da existência.

MEU AMOR Meu amor... ...Ainda que eu lograsse a lua
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MEU AMOR Meu amor... ...Ainda que eu lograsse a lua Para dar-te como um presente; Mesmo que eu excedesse As argileiras abissais E trouxesse das profundezas O mais raro dos seres marítimos; Até mesmo se escavasse As montanhas africanas E de lá te apresentasse O mais precioso dos diamantes; Conquanto eu viajasse Afora do infinito universo, E muito além de Andrômeda e Júpiter, Trouxesse o mais belo dos cometas, Ou uma estrela cintilante; Mesmo que pisasse O reino dos zukkonianos E bebesse das águas do rio Amarelo, E eles me oferecessem Como oferenda a ti, A mais bela flor dos jardins Do palácio real do rei Gormath; Mesmo que o Pequeno Príncipe Cedesse a mim o seu planeta Com sua única rosa escarlate; Se Willian Shakespeare doasse A mim todos os seus poemas Para presentear-te; Ainda que Dante me brindasse Com sua Divina Comédia, Ou que Dom Quixote de La Mancha, Abandonasse suas desventuras Por Dulcinéia em homenagem a ti; Coisa nula seria tudo isso. Jamais seria satisfatório, Grandioso ou majestoso o suficiente Para significar o agradecimento, A veneração e a admiração Que sinto por ti, meu eterno amor.

A CASA Era uma casa alegre e ditosa. Suas paredes irradiavam júbilo.
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A CASA Era uma casa alegre e ditosa. Suas paredes irradiavam júbilo. Suas janelas sorriam E suas passagens viviam as gargalhadas. Cada cômodo era um aparelho Intenso e pulsante. O grande astro a submergia. Mesmo sem consentimento Adentrava pelo interstício De uma abertura mal fechada Ou por uma vidraça cristalina e sem véu. Todos que ali se embrenhavam Ficavam embebidos por uma áurea De euforia e contentamento. Os mortais vivos que ali embarcavam, Caíam, depois partiam. Até sem conhecimento, revigoravam De histórias aquela casa. As luzes se acendiam e se extinguiam Cronometricamente no alvorecer E no anoitecer. Seu jardim era enflorado, Suas ervas verdes E suas árvores frondosas. Quem a contemplou a viu viva. De repente, mas, não tão de repente, Tudo isso acabou. Os mortais vivos dissiparam-se. O brilho apagou-se E não mais se acendeu. O grande astro se foi, Não mais submergiu E tudo escureceu. A vidraça se despedaçou, E o véu então surgiu. As flores no jardim mirraram E a grama, ora verde, secou. A passagem se fechou por fora E nunca mais se abriu. O fúnebre tomou conta, Ninguém nunca mais embarcou. A casa então morreu.

FILHA DE IACI Quem és tu, hein menina? Menina mulher?
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FILHA DE IACI Quem és tu, hein menina? Menina mulher? Menina moça? Cunhantã? Sim. És tu índia cabocla, Guerreira do Norte. És a Filha de Iaci! Um encanto de alma Em harmonia com os céus. De onde vem esse jeito de viver Jovem mulher? Tua feição trigueira É apaixonante Sua tez, diz quem és, e não negas. Sua face, responde a indagações Sua força, ah, essa vem dos sertões. Mãos calejadas, pés cansados. Feições cálidas e tropicais Coração a pulsar dentro do peito, Afoito, intrépido. Não recua, não denota medo O vento suspira em sua aura. Por onde andaste Que ainda não te tinha visto? De onde vens? Que trazes para mim? Incertezas? Verdades? Amores? Ah! Iaci, sua mãe, Falou-me de ti. Mas não me disse que eras tão lua, Tão majestosa e tão bela. És bem vinda, achegue-se.

TRIBUTO À MORTE Oh! Morte. Sublime morte!
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TRIBUTO À MORTE Oh! Morte. Sublime morte! Indelével e suprema morte Quantos te admiram? Poucos. Quantos temem a ti? Muitos. Incansável e sedenta morte Tua fuga é a paz de muitos Tua presença o cansaço de alguns Tua indiferença é o sofrimento de ambos. Oh! Amarga e adorada morte! Tu és a majestade sobre a vida A imperfeição do perfeito viver A tormenta que traz calmaria. Em ti tudo se aplaca, Se acalma, tem fim. Oh! Doce e temível morte! És tu grandiosa e imensurável Caridosa e malévola. Sem ti existe a vida insólita Sem a vida a tua existência Estamos sempre a esperar-te Mesmo quando não esperamos. De ti ninguém escapa Mas muitos fogem de ti Oh vida amargurada vida! Desgraçada e efêmera vida! Ainda assim, Mais amada e desejada Que a indelével e eterna morte.

NO BARCO DA VIDA Sentado às margens deste negro rio. Observo a negritude da noite
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NO BARCO DA VIDA Sentado às margens deste negro rio. Observo a negritude da noite A cair fleumaticamente. Ouço o farfalhar das folhas Se enamorando com o vento. Sinto o frio gélido e sereno Da noite sombria que se aproxima. Tento soerguer-me não consigo. Sair de onde estou, não posso. Um espectro se aproxima Me assusta e aterroriza. Não, não é a morte. É apenas uma brisa. Um arrepiante e gélido zéfiro. Desses que te sobem Pela espinha dorsal E adentra as entranhas da alma. O rio segue lentamente Em seu curso silencioso e monótono, O seu eterno caminhar. Leva consigo para além-mar Os sonhos, as quimeras E todos os tipos de visagens, Utopias e ilusões. As alucinações e devaneios, Não são da alma humana, Mas, da vida dos mortais vivos. Traz em si as vicissitudes da existência. Por ele os nautas peregrinos, Singram com suas naus. Não há, para o rio, Entre eles distinção. São todos iguais. Não há pretos novos, Nem brancos velhos. Não há mestiços, nem crioulos. Não há bons, nem maus. São todos iguais. Estão todos no mesmo barco. Estrangeiros não há Forasteiros também não. No barco da vida, Onde vive a ilusão, São todos iguais, Somos todos irmãos.

EU SOU O TUDO E O NADA. Sou uma parte indissociável De um todo que é maior que tudo
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EU SOU O TUDO E O NADA. Sou uma parte indissociável De um todo que é maior que tudo Sou uma pequena partícula De vida efervescente que se integra Ao micro e ao macrocosmo Um ser composto de micro partículas Atômicas que interage com o éter. Eu sou a existência. Sou parte indelével da vida, Da natureza, do ar, do mar, Das estrelas, dos astros e do infinito. Quando uma vida morre no universo, Também morrem em mim partículas De vida, de esperança; Esta parte que sou eu É parte de algo universal, Um ser único. O ser humano. Os Seres vivos. Desta forma, cada vez que Um ser humano morre, Eu morro também. Cada vez que uma parte da vida, De qualquer vida sofre, Eu sofro também. Cada vez que algum ser vivo é extinto, Parte de mim também se extingue. Enfim, se eu vivo, o universo vive, E se eu morro, ele também morre.

A EPIDERME HUMANA No ser humano O que mais me fascina
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A EPIDERME HUMANA No ser humano O que mais me fascina É a sua alma. Sua essência imutável. As cores da alma Com todas as suas nuances e matizes, Seus brilhos únicos e inconfundíveis. Atrai-me, extasia-me. Sempre que olho e vejo A imagem da alma de alguém Resplandecida num brilho imortal, Inócuo, de modo passivo a tudo. Deleito-me. Oh! Alma que a tudo sofres, A tudo suporta! Inspira-me. Saboreie as intempéries das críticas E o olhar da percepção alheia. Como é estranho e intrigante O preconceito sofrido por ti. Experimentada na discriminação, Sofrida na dor da própria essência, Alenta-te apenas de saber Que és um ser divinal, Superior e esplêndido! Como é possível que não te entendam? Que tu, ó Alma é multicolor, Tua tez pode ser branca, preta, amarela, Pode até ser “azulada” Ou esbranquiçada, não importa. Tuas nuances se misturam E se transmutam, Ora é negra como a noite sem lua, Ora confusa, sem descrição, Ora possuem a cor do bronze, Ou ainda alva e fulgente Como a branca neve. E teus olhos, ah! Teus olhos, Que a tudo enxergam a tudo veem, Ora são como o oceano, Ora têm a cor do mel, Em dias claros, lilás, colorido, Translúcido, hibrido, Ou simplesmente nada. E tu ó Alma, és viva de vida, Transbordante e reluzente Como o ébano ou branco-amarelada, Célica e mítica como o marfim da morsa. És da vida o cerne, a pureza, A essência, o ar dos viventes, O elo entre bem e o mau. Em ti estamos todos e todos estão em ti. Oh! “Espectro humana” Como pode ser tão bela, Tão única e tão multidão. A cambiante epiderme humana Poderia ser simplesmente Chamada de ALMA.

IACI Ó grande lua, Majestade suprema das noites
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IACI Ó grande lua, Majestade suprema das noites Inseres teus raios a iluminar a órbita És a rainha dos espectros noturnos E dos transeuntes das noites. Para os íntimos é Iaci, Para os loucos a grande dama das noites. Para os incultos apenas um astro. Para mim, és a magia, O encanto em forma de luar. És Iaci, a senhora da noite, Da viração arrepiante. Oh doce senhora, és viva de luz, De alma, de seres. Tem em ti o silêncio e o segredo. Tudo vês e nada diz, Tudo sabes e nada falas. És uma caixa que se aberta, Exala fluidos de dores, De cores, de amores amados, Sofrido e chorados; De encantos e desencantos. És tudo. És nada. És encontro e desencontro, És o mistério e assombro. És a Lua, Iaci, Ou apenas um astro. És a aurora noturna Tomando a terra num abraço.

SERÁ? A dor é pra ser sentida A fala é pra ser falada
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SERÁ? A dor é pra ser sentida A fala é pra ser falada Palavras pra serem ditas Choro pra ser chorado. Calor tem que ser aquecido Vida é pra ser vivida Romance pra ser eterno Amor pra ser amado. Lágrimas pra ser sereno Vingança pra ser deixada A existência pra valer à pena Tem que ter alguém ao lado.

ESCREVER É PINTAR E BORDAR Escrever é algo Realmente fantástico.
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ESCREVER É PINTAR E BORDAR Escrever é algo Realmente fantástico. Requer um pouco de tudo, Das inquietações que é típico De quem escreve, À prática da paciência; Escrever é antes de tudo, Estar em sintonia, Não com uma onda ou faixa restrita, Mas sim com o universo; Escrever é um desassossego sossegado, É ora, um marasmo De pensamentos e utopias, Ora, uma avalanche De sofreguidão inconteste E até inconsciente. Escrever é, num mesmo andamento, Encontrar-se dentro do tempo E fora do tempo. É esquecer-se de tudo Para lembra-se de quase nada. É ver a vida passar e deixá-la ir, Mas não tão depressa, Para que não a perca de vista. É viver dia após dia, Em frente à máquina Ou sobre a mesa, a olhar para o ócio, Sim porque escrever requer Muito de ociosidade criativa. Escrever é compartilhar, Compactuar é celebrar. Escrever é dividir o precioso, Afinal, ninguém escreve pra si mesmo. Quem escreve corre sério risco, É uma ocupação perigosa. Há os que gostam e falam bem, Já os que não gostam, Veem defeitos em tudo. Pode se escrever sobre tudo, Mas é bom estar preparado. Escrever é sublime e majestoso, É belo, é ao mesmo tempo frugal. O que escreve não se abstém, Nem fica a distância, mas aproxima-se. Às vezes cria seu próprio enredo, Outrora dança a valsa dos outros. Num momento seduz e encanta Através das palavras, Noutro, afasta, machuca. Aquele que escreve dita o som Escolhe a música, é o mago, É mágico, esplêndido. Entende de alquimia, É compositor e feiticeiro, É um duende. Quem escreve Pode ser mocinho ou vilão Pode ser protagonista ou antagônico Pode estar na retaguarda Ou na vanguarda, não importa, Pois quem escreve, antes de tudo É o senhor das palavras. Ele constrói, destrói, Cria, recria, faz e refaz Pinta e borda. Tem o poder de acender E apagar a luz da escrita.

ENCONTRO DE ALMAS Foi assim num sopro, Como num piscar de olhos
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ENCONTRO DE ALMAS Foi assim num sopro, Como num piscar de olhos Foi numa estação inesperada, Que tudo aconteceu. De repente uma espécie de audição Tomou conta de mim. E lá estava ela, em plena aura, Numa forma anômala. Apreendi que era um ser de luz. Havia brilho e calor, Havia vida e amor. Algo me seduziu Inebriante como o absinto E ao mesmo tempo Fugaz como o vento. Uma paralisia Me entorpeceu o corpo Algo mais profundo Me invadiu o ser. Queria correr, não para fugir, Mas para senti-la. Queria existir, não para morrer, Mas para vivê-la. Então, eu a senti. Aproximou-se, E qual um lobo faminto, Se alimentou de mim. Envolveu minha alma em sua alma E tudo se fez claro e perfeito. Senti uma espécie de diapasão divino Uma sonoridade que perpetrou as sendas. Uma linguagem que jamais ouvira. Uma voz que jamais falara. Tudo se fez calmaria, E tudo se empreendeu. Era algo inenarrável, Inexplicável, inexistente. Um paradoxo de sentimentos. Eu apenas senti, vivi. Eu a encontrei. Eu a amei.