Frase de Nonato Peixoto Nogueira
NO BARCO DA VIDA Sentado às margens deste negro rio. Observo a negritude da noite A cair fleumaticamente. Ouço o farfalhar das folhas Se enamorando com o vento. Sinto o frio gélido e sereno Da noite sombria que se aproxima. Tento soerguer-me não consigo. Sair de onde estou, não posso. Um espectro se aproxima Me assusta e aterroriza. Não, não é a morte. É apenas uma brisa. Um arrepiante e gélido zéfiro. Desses que te sobem Pela espinha dorsal E adentra as entranhas da alma. O rio segue lentamente Em seu curso silencioso e monótono, O seu eterno caminhar. Leva consigo para além-mar Os sonhos, as quimeras E todos os tipos de visagens, Utopias e ilusões. As alucinações e devaneios, Não são da alma humana, Mas, da vida dos mortais vivos. Traz em si as vicissitudes da existência. Por ele os nautas peregrinos, Singram com suas naus. Não há, para o rio, Entre eles distinção. São todos iguais. Não há pretos novos, Nem brancos velhos. Não há mestiços, nem crioulos. Não há bons, nem maus. São todos iguais. Estão todos no mesmo barco. Estrangeiros não há Forasteiros também não. No barco da vida, Onde vive a ilusão, São todos iguais, Somos todos irmãos.
No pensador.ai desde