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Frase de Nonato Peixoto Nogueira

NO BARCO DA VIDA Sentado às margens deste negro rio. Observo a negritude da noite A cair fleumaticamente. Ouço o farfalhar das folhas Se enamorando com o vento. Sinto o frio gélido e sereno Da noite sombria que se aproxima. Tento soerguer-me não consigo. Sair de onde estou, não posso. Um espectro se aproxima Me assusta e aterroriza. Não, não é a morte. É apenas uma brisa. Um arrepiante e gélido zéfiro. Desses que te sobem Pela espinha dorsal E adentra as entranhas da alma. O rio segue lentamente Em seu curso silencioso e monótono, O seu eterno caminhar. Leva consigo para além-mar Os sonhos, as quimeras E todos os tipos de visagens, Utopias e ilusões. As alucinações e devaneios, Não são da alma humana, Mas, da vida dos mortais vivos. Traz em si as vicissitudes da existência. Por ele os nautas peregrinos, Singram com suas naus. Não há, para o rio, Entre eles distinção. São todos iguais. Não há pretos novos, Nem brancos velhos. Não há mestiços, nem crioulos. Não há bons, nem maus. São todos iguais. Estão todos no mesmo barco. Estrangeiros não há Forasteiros também não. No barco da vida, Onde vive a ilusão, São todos iguais, Somos todos irmãos.

Nonato Peixoto Nogueira

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Pensador.com

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ENCONTRO DE ALMAS Foi assim num sopro, Como num piscar de olhos
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ENCONTRO DE ALMAS Foi assim num sopro, Como num piscar de olhos Foi numa estação inesperada, Que tudo aconteceu. De repente uma espécie de audição Tomou conta de mim. E lá estava ela, em plena aura, Numa forma anômala. Apreendi que era um ser de luz. Havia brilho e calor, Havia vida e amor. Algo me seduziu Inebriante como o absinto E ao mesmo tempo Fugaz como o vento. Uma paralisia Me entorpeceu o corpo Algo mais profundo Me invadiu o ser. Queria correr, não para fugir, Mas para senti-la. Queria existir, não para morrer, Mas para vivê-la. Então, eu a senti. Aproximou-se, E qual um lobo faminto, Se alimentou de mim. Envolveu minha alma em sua alma E tudo se fez claro e perfeito. Senti uma espécie de diapasão divino Uma sonoridade que perpetrou as sendas. Uma linguagem que jamais ouvira. Uma voz que jamais falara. Tudo se fez calmaria, E tudo se empreendeu. Era algo inenarrável, Inexplicável, inexistente. Um paradoxo de sentimentos. Eu apenas senti, vivi. Eu a encontrei. Eu a amei.

ESCREVER É PINTAR E BORDAR Escrever é algo Realmente fantástico.
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ESCREVER É PINTAR E BORDAR Escrever é algo Realmente fantástico. Requer um pouco de tudo, Das inquietações que é típico De quem escreve, À prática da paciência; Escrever é antes de tudo, Estar em sintonia, Não com uma onda ou faixa restrita, Mas sim com o universo; Escrever é um desassossego sossegado, É ora, um marasmo De pensamentos e utopias, Ora, uma avalanche De sofreguidão inconteste E até inconsciente. Escrever é, num mesmo andamento, Encontrar-se dentro do tempo E fora do tempo. É esquecer-se de tudo Para lembra-se de quase nada. É ver a vida passar e deixá-la ir, Mas não tão depressa, Para que não a perca de vista. É viver dia após dia, Em frente à máquina Ou sobre a mesa, a olhar para o ócio, Sim porque escrever requer Muito de ociosidade criativa. Escrever é compartilhar, Compactuar é celebrar. Escrever é dividir o precioso, Afinal, ninguém escreve pra si mesmo. Quem escreve corre sério risco, É uma ocupação perigosa. Há os que gostam e falam bem, Já os que não gostam, Veem defeitos em tudo. Pode se escrever sobre tudo, Mas é bom estar preparado. Escrever é sublime e majestoso, É belo, é ao mesmo tempo frugal. O que escreve não se abstém, Nem fica a distância, mas aproxima-se. Às vezes cria seu próprio enredo, Outrora dança a valsa dos outros. Num momento seduz e encanta Através das palavras, Noutro, afasta, machuca. Aquele que escreve dita o som Escolhe a música, é o mago, É mágico, esplêndido. Entende de alquimia, É compositor e feiticeiro, É um duende. Quem escreve Pode ser mocinho ou vilão Pode ser protagonista ou antagônico Pode estar na retaguarda Ou na vanguarda, não importa, Pois quem escreve, antes de tudo É o senhor das palavras. Ele constrói, destrói, Cria, recria, faz e refaz Pinta e borda. Tem o poder de acender E apagar a luz da escrita.

SERÁ? A dor é pra ser sentida A fala é pra ser falada
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SERÁ? A dor é pra ser sentida A fala é pra ser falada Palavras pra serem ditas Choro pra ser chorado. Calor tem que ser aquecido Vida é pra ser vivida Romance pra ser eterno Amor pra ser amado. Lágrimas pra ser sereno Vingança pra ser deixada A existência pra valer à pena Tem que ter alguém ao lado.

IACI Ó grande lua, Majestade suprema das noites
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IACI Ó grande lua, Majestade suprema das noites Inseres teus raios a iluminar a órbita És a rainha dos espectros noturnos E dos transeuntes das noites. Para os íntimos é Iaci, Para os loucos a grande dama das noites. Para os incultos apenas um astro. Para mim, és a magia, O encanto em forma de luar. És Iaci, a senhora da noite, Da viração arrepiante. Oh doce senhora, és viva de luz, De alma, de seres. Tem em ti o silêncio e o segredo. Tudo vês e nada diz, Tudo sabes e nada falas. És uma caixa que se aberta, Exala fluidos de dores, De cores, de amores amados, Sofrido e chorados; De encantos e desencantos. És tudo. És nada. És encontro e desencontro, És o mistério e assombro. És a Lua, Iaci, Ou apenas um astro. És a aurora noturna Tomando a terra num abraço.