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Frase de Nonato Peixoto Nogueira

A CASA Era uma casa alegre e ditosa. Suas paredes irradiavam júbilo. Suas janelas sorriam E suas passagens viviam as gargalhadas. Cada cômodo era um aparelho Intenso e pulsante. O grande astro a submergia. Mesmo sem consentimento Adentrava pelo interstício De uma abertura mal fechada Ou por uma vidraça cristalina e sem véu. Todos que ali se embrenhavam Ficavam embebidos por uma áurea De euforia e contentamento. Os mortais vivos que ali embarcavam, Caíam, depois partiam. Até sem conhecimento, revigoravam De histórias aquela casa. As luzes se acendiam e se extinguiam Cronometricamente no alvorecer E no anoitecer. Seu jardim era enflorado, Suas ervas verdes E suas árvores frondosas. Quem a contemplou a viu viva. De repente, mas, não tão de repente, Tudo isso acabou. Os mortais vivos dissiparam-se. O brilho apagou-se E não mais se acendeu. O grande astro se foi, Não mais submergiu E tudo escureceu. A vidraça se despedaçou, E o véu então surgiu. As flores no jardim mirraram E a grama, ora verde, secou. A passagem se fechou por fora E nunca mais se abriu. O fúnebre tomou conta, Ninguém nunca mais embarcou. A casa então morreu.

Nonato Peixoto Nogueira

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Pensador.com

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ENCONTRO DE ALMAS Foi assim num sopro, Como num piscar de olhos
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ENCONTRO DE ALMAS Foi assim num sopro, Como num piscar de olhos Foi numa estação inesperada, Que tudo aconteceu. De repente uma espécie de audição Tomou conta de mim. E lá estava ela, em plena aura, Numa forma anômala. Apreendi que era um ser de luz. Havia brilho e calor, Havia vida e amor. Algo me seduziu Inebriante como o absinto E ao mesmo tempo Fugaz como o vento. Uma paralisia Me entorpeceu o corpo Algo mais profundo Me invadiu o ser. Queria correr, não para fugir, Mas para senti-la. Queria existir, não para morrer, Mas para vivê-la. Então, eu a senti. Aproximou-se, E qual um lobo faminto, Se alimentou de mim. Envolveu minha alma em sua alma E tudo se fez claro e perfeito. Senti uma espécie de diapasão divino Uma sonoridade que perpetrou as sendas. Uma linguagem que jamais ouvira. Uma voz que jamais falara. Tudo se fez calmaria, E tudo se empreendeu. Era algo inenarrável, Inexplicável, inexistente. Um paradoxo de sentimentos. Eu apenas senti, vivi. Eu a encontrei. Eu a amei.

ESCREVER É PINTAR E BORDAR Escrever é algo Realmente fantástico.
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ESCREVER É PINTAR E BORDAR Escrever é algo Realmente fantástico. Requer um pouco de tudo, Das inquietações que é típico De quem escreve, À prática da paciência; Escrever é antes de tudo, Estar em sintonia, Não com uma onda ou faixa restrita, Mas sim com o universo; Escrever é um desassossego sossegado, É ora, um marasmo De pensamentos e utopias, Ora, uma avalanche De sofreguidão inconteste E até inconsciente. Escrever é, num mesmo andamento, Encontrar-se dentro do tempo E fora do tempo. É esquecer-se de tudo Para lembra-se de quase nada. É ver a vida passar e deixá-la ir, Mas não tão depressa, Para que não a perca de vista. É viver dia após dia, Em frente à máquina Ou sobre a mesa, a olhar para o ócio, Sim porque escrever requer Muito de ociosidade criativa. Escrever é compartilhar, Compactuar é celebrar. Escrever é dividir o precioso, Afinal, ninguém escreve pra si mesmo. Quem escreve corre sério risco, É uma ocupação perigosa. Há os que gostam e falam bem, Já os que não gostam, Veem defeitos em tudo. Pode se escrever sobre tudo, Mas é bom estar preparado. Escrever é sublime e majestoso, É belo, é ao mesmo tempo frugal. O que escreve não se abstém, Nem fica a distância, mas aproxima-se. Às vezes cria seu próprio enredo, Outrora dança a valsa dos outros. Num momento seduz e encanta Através das palavras, Noutro, afasta, machuca. Aquele que escreve dita o som Escolhe a música, é o mago, É mágico, esplêndido. Entende de alquimia, É compositor e feiticeiro, É um duende. Quem escreve Pode ser mocinho ou vilão Pode ser protagonista ou antagônico Pode estar na retaguarda Ou na vanguarda, não importa, Pois quem escreve, antes de tudo É o senhor das palavras. Ele constrói, destrói, Cria, recria, faz e refaz Pinta e borda. Tem o poder de acender E apagar a luz da escrita.

SERÁ? A dor é pra ser sentida A fala é pra ser falada
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SERÁ? A dor é pra ser sentida A fala é pra ser falada Palavras pra serem ditas Choro pra ser chorado. Calor tem que ser aquecido Vida é pra ser vivida Romance pra ser eterno Amor pra ser amado. Lágrimas pra ser sereno Vingança pra ser deixada A existência pra valer à pena Tem que ter alguém ao lado.

IACI Ó grande lua, Majestade suprema das noites
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IACI Ó grande lua, Majestade suprema das noites Inseres teus raios a iluminar a órbita És a rainha dos espectros noturnos E dos transeuntes das noites. Para os íntimos é Iaci, Para os loucos a grande dama das noites. Para os incultos apenas um astro. Para mim, és a magia, O encanto em forma de luar. És Iaci, a senhora da noite, Da viração arrepiante. Oh doce senhora, és viva de luz, De alma, de seres. Tem em ti o silêncio e o segredo. Tudo vês e nada diz, Tudo sabes e nada falas. És uma caixa que se aberta, Exala fluidos de dores, De cores, de amores amados, Sofrido e chorados; De encantos e desencantos. És tudo. És nada. És encontro e desencontro, És o mistério e assombro. És a Lua, Iaci, Ou apenas um astro. És a aurora noturna Tomando a terra num abraço.