Pular para o conteúdo

Frase de Negreiros

MACALÃ — A AGUARDENTE DOS CORRUPTOS Lá pras bandas de Brasília Tem reunião todo dia, Homem de terno alinhado, Cheio de pompa e regalia, Coleirinho bem branquinho, Com discurso de carinho, Mas por trás, quem saberia? Sentados numa grande mesa, Com fartura e gentileza, Político e empresário, Autoridade e alteza, Fazem brinde, apertam mão, Trocam papel e comissão, Tudo em nome da riqueza. No centro daquela mesa Tem uma garrafa acesa, Com um nome bem sugestivo, Que causa muita surpresa: MACALÃ, a aguardente, Que deixa o corrupto contente E embriaga a esperteza. Um diz: “Vamos conversar, Tem contrato pra assinar.” Outro responde sorrindo: “Tem licitação pra ganhar.” Um terceiro, muito ligeiro: “Se sobrar algum dinheiro, A gente pode repartir.” E a garrafa vai passando, E o acordo vai fechando, Um gole pra cada amigo, Todo mundo comemorando. Quem pergunta fica de fora, Quem se cala ganha a hora, E o povo fica pagando. Tem gravata e tem colarinho, Tem discurso bem mansinho, Tem promessa de progresso, Tem aperto de carinho. Mas quando a conta aparece, O pobre é quem paga a prece E fica sozinho no caminho. Falam muito em democracia, Em justiça e cidadania, Em combate à corrupção, Em moral e economia. Mas se a porta se fechar, Tem segredo pra guardar Debaixo da mesa fria. Macalã corre ligeira Pela mesa traiçoeira; Quem bebe perde a vergonha, Quem vende ganha a carreira. E aquele que diz “não quero” É chamado de exagero Por não entrar na brincadeira. Tem obra, tem emenda, Tem contrato que se estenda, Tem privilégio escondido, Tem promessa que se venda. Enquanto o povo trabalha, Tem quem faça sua farra Com a riqueza desviada. Mas cuidado, meu cidadão, Não aceite essa ilusão: Corrupção não é destino, Nem faz parte da nação. Se o poder perde a medida, Quem sofre na própria vida É quem paga a corrupção. Brasília pode ser bela, Mas não deve ser janela Pra quem olha o povo de longe E só protege a sua cela. O poder que vem da gente Deve servir honestamente, Não alimentar mamela. E se a Macalã surgir Com alguém querendo servir, Pergunte antes do brinde: “Quem vai depois ressarcir?” Porque enquanto eles bebem E seus acordos concebem, É o povo que vai pagar. MACALÃ, pode guardar, Não venha nos embriagar! O Brasil precisa é de justiça, De coragem pra fiscalizar. Pois quando a esperteza impera, A corrupção prospera E o povo começa a acordar. No fim deixo este refrão, Como alerta à população: “Macalã embriaga o corrupto, Mas não embriaga o cidadão; Enquanto uns brindam ao lucro, O povo paga a conta na mão!”

Negreiros

Publicada em

Fonte e informações de autoria

Outras frases de Negreiros