Frase de Negreiros
PROFESSOR DE POETA No sertão nasceu um mestre Que ensinava sem cartilha, Com a viola e a palavra Fez da rima uma família; E mostrou que a poesia Também nasce na partilha. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Patativa do Assaré, Ave sábia do sertão, Transformou sua poesia Em denúncia e oração; Fez do verso uma ferramenta De cultura e reflexão. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Seu cantar veio da roça, Da enxada e do terreiro, Da pobreza, da esperança, Do vaqueiro e do roceiro; E ensinou que o pensamento Não precisa de dinheiro. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Em “Cante Lá, Que Eu Canto Cá”, fez do canto profissão, mostrando que cada terra tem seu modo e tradição; E que a voz de quem trabalha também merece atenção. Quando falou do “Caboclo Roceiro”, deu ao campo dignidade, fez da vida do agricultor um retrato da verdade; E levou para a poesia a voz da comunidade. Em “Triste Partida”, fez a dor se levantar, retratando o nordestino obrigado a migrar; E fez muita gente longe do sertão se emocionar. Não é apenas um poeta que o tempo pode guardar; Patativa é professor que continua a ensinar: quem conhece sua obra tem mais força pra pensar. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Os poetas o admiram pela força do seu dizer, pela forma tão simples de fazer o povo entender; pois sabia transformar o sofrer em aprender. Negreiros Neto assim diz, com respeito e clareza: “O poeta é um título da mais alta nobreza, dado ao matuto analfabeto e aos doutores da letra.” Patativa nos mostrou que a escola pode ensinar, mas também existe a vida com seus modos de educar; e o poeta que a observa tem lições pra revelar. Foi professor de poetas, sem cobrar mensalidade; sua sala era o mundo, seu diploma, a humildade; seu quadro era o sertão, sua matéria, a verdade. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Hoje, quando um poeta pega a pena para escrever, leva um pouco de Patativa sem sequer perceber; pois quem bebe dessa fonte aprende também a viver. Patativa, velho mestre, teu legado é imortal; tua poesia permanece feito estrela no quintal; Nordeste que vira verso, sertão que vira jornal. E aos doutores da palavra, aos poetas do sertão, fica viva a grande lição do mestre da inspiração: a maior sabedoria é ter voz e coração. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Se Patativa foi mestre, nós seguimos a lição: fazer da poesia ponte, da palavra, comunhão; e colocar nosso verso a serviço da nação.
No pensador.ai desde