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Frases de Natani Risorim

111 frases

Aqueles olhos indecifráveis mereciam belos versos. Uma pena eu não ser poeta.
Minha escrita não é para mim. Quando escrevo penso em quem deveria ler. Se digo algo, minhas palavras saem tão confusas quanto o pensamento. Mas se uso o lápis que desenho, desenho minhas palavras como quem imagina o momento. E tem quem olhe e diga que com ele acontece exatamente…
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Minha escrita não é para mim. Quando escrevo penso em quem deveria ler. Se digo algo, minhas palavras saem tão confusas quanto o pensamento. Mas se uso o lápis que desenho, desenho minhas palavras como quem imagina o momento. E tem quem olhe e diga que com ele acontece exatamente assim. Por isso repito: minha escrita não é para mim.

O silêncio dele incomodou meus ouvidos como o zumbido que surge por haver silêncio exagerado. O silêncio dele, que outrora já teve assunto inacabável com o meu, agora, não só fez mal aos meus ouvidos como também ao peito. Peito esse que grita os ecos questionando o próprio oco: C…
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O silêncio dele incomodou meus ouvidos como o zumbido que surge por haver silêncio exagerado. O silêncio dele, que outrora já teve assunto inacabável com o meu, agora, não só fez mal aos meus ouvidos como também ao peito. Peito esse que grita os ecos questionando o próprio oco: Cadê você? Você volta? Por que as malas? Você volta?

Estava cansado de perguntas que me rodeavam há mais de um mês. Nada perdura tanto em minha mente, já que me conhecem por meu aparecido esquecimento. Afinal, quem sou eu? Ora alguém que desperta. Menino, poeta, outras vezes, ninguém. Se contar com a mesma mente, sou gente. Momentâ…
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Estava cansado de perguntas que me rodeavam há mais de um mês. Nada perdura tanto em minha mente, já que me conhecem por meu aparecido esquecimento. Afinal, quem sou eu? Ora alguém que desperta. Menino, poeta, outras vezes, ninguém. Se contar com a mesma mente, sou gente. Momentâneo, mas sou. Olho à porta alta, penso ser astronauta, mas findo como o Zé que cansou do codinome. Cansado do farto de escrever como poeta. Miro a janela incerta. Corro e me jogo como um pássaro deve ser. Não me restou tempo nem para gritar. Caí na grama, não fraturei uma perna! Me atirei do primeiro andar.

Prefiro machucar-me emocionalmente que machucar outrem. Não digo com isso que gosto de ferir-me em constância, mas é que a dor em nós é sempre maior quando descobrimos que somos o motivo da dor do outro. Se a dor é minha, sem problemas, eu resolvo, eu me viro, mas se é de outro m…
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Prefiro machucar-me emocionalmente que machucar outrem. Não digo com isso que gosto de ferir-me em constância, mas é que a dor em nós é sempre maior quando descobrimos que somos o motivo da dor do outro. Se a dor é minha, sem problemas, eu resolvo, eu me viro, mas se é de outro me desviro e a sensação de culpa permanece em mim. Me sinto a mais tola de todas.

Saber da sua existência me dá o sentimento de felicidade. Sim, felicidade; e a cidade também fica feliz ao saber do meu amor por ti. Eu conto a eles como quem lê um livro ilustrado por crianças que em tudo vê bonito, em que tudo se alegram. E quando conto, eles perguntam: “Quando…
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Saber da sua existência me dá o sentimento de felicidade. Sim, felicidade; e a cidade também fica feliz ao saber do meu amor por ti. Eu conto a eles como quem lê um livro ilustrado por crianças que em tudo vê bonito, em que tudo se alegram. E quando conto, eles perguntam: “Quando é que ela vem?” “Amanhã… Talvez.” Respondo. “Cedo?” Alguém que está sentado ao fundo quer saber. “Assim espero”, suspiro… Pois o tarde não tem lá sua boa reputação.

Ah! O meu amor por você. O que posso dizer? É bonito; é! E como é. É brisa, vento mansinho, que chega devagarinho e acaricia a face virgem que dispensa qualquer lágrima que não seja cúmplice do teu sorriso. Pois tudo é leve! Céu azul, alaranjado, tudo encanta. Acha-se criança num…
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Ah! O meu amor por você. O que posso dizer? É bonito; é! E como é. É brisa, vento mansinho, que chega devagarinho e acaricia a face virgem que dispensa qualquer lágrima que não seja cúmplice do teu sorriso. Pois tudo é leve! Céu azul, alaranjado, tudo encanta. Acha-se criança numa cantiga de ninar. Encosta-se no peito, suspira, ri manso, fechando os olhinhos gradualmente pra sonhar. Pra quê? Se a realidade já é doce que desmancha na boca ainda mais doce pelo gloss de melancia. Que tu, somente tu, sejas meu amor, minha flor, meu afago em que me afogo e ainda vivo, respiro, fundo, o mundo de coisas belas, singelas, amadas, queridas por toda estação. Que nós, quase que sós, sussurremos carinhos como que canções em dias de verão precipitado, e fixemos esse amor por tempo indefinido.

Eu estive reparando a lua e pensando nos muitos olhares que já percorreram por ela. A lua é a junção dos separados, dos apaixonados, dos desesperados… Numa noite há tantos que se amam e a convidam ao compartilhamento. E a lua, sempre educada, se doa, e se divide com os demais olh…
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Eu estive reparando a lua e pensando nos muitos olhares que já percorreram por ela. A lua é a junção dos separados, dos apaixonados, dos desesperados… Numa noite há tantos que se amam e a convidam ao compartilhamento. E a lua, sempre educada, se doa, e se divide com os demais olhares de casais de namorados que antes nunca aperceberam-se do quão bonita é! A lua sempre desculpa os dispersos. Às vezes se exibe com confiança, em outras, acanhada. A lua pela manhã se despede com saudade. Há os que não se contentaram em admirá-la apenas de longe; e por isso as pegadas nela. Ontem eu olhei no céu a mesma lua que Cecília, que Machado, que Drummond contemplaram e a que o moço que conserta os meus sapatos ainda observa. Pensei no meu amor por ti e então descobri que certas coisas Deus fez para serem eternas.

A princípio não passou de uma pessoa que havia acabado de conhecer. Confesso que trocamos algumas palavras sem eu ter com você alguma intenção que passasse da primeira, sem nem entender o que exatamente estava fazendo ali. Mesmo assim você quis expor sua beleza a mim. Não essa qu…
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A princípio não passou de uma pessoa que havia acabado de conhecer. Confesso que trocamos algumas palavras sem eu ter com você alguma intenção que passasse da primeira, sem nem entender o que exatamente estava fazendo ali. Mesmo assim você quis expor sua beleza a mim. Não essa que se encontra num olhar de galã da novela das nove ou num cabelo de boneco com cada fio no seu devido lugar. Não. Eu vi você lá no fundo, e acabei me vendo lá também. Eu sorri e você sorriu junto: acho que é você quem estive esperando.

No meio daqueles riscos de pessoas que passam apressadas para lá e para cá, num olhar ao mundo mais rebaixado, com a mão estendida e uma caixa ao lado, estava o homem pedindo algo. O primeiro finge não ver, O idoso resmunga algo, a criança para por alguns segundos, em seguida cor…
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No meio daqueles riscos de pessoas que passam apressadas para lá e para cá, num olhar ao mundo mais rebaixado, com a mão estendida e uma caixa ao lado, estava o homem pedindo algo. O primeiro finge não ver, O idoso resmunga algo, a criança para por alguns segundos, em seguida corre para a mãe que logo diz ser o “homem do saco”. E aquele homem, lá, no meio daqueles riscos de pessoas que passam apressadas para lá e para cá, do outro lado da calçada, agora com as duas mãos estendidas, olha para cima, em seguida aperta os olhos fundos pelo incômodo do sol intenso que fitou-os e queimou-lhe a face. A mulher que passara segurou a bolsa, o jovem saudável deu de ombros, e uma criança estendeu-lhe o sorvete que levava lambendo, mas logo foi puxada pelo braço pelo pai que pareceu não ter notado o ato. O homem então abaixou a cabeça e sussurrou algo. Sussurrou algo que só o cão magricelo que ali estava sentado ao seu lado como sua única companhia, com a boca espichada nos cantos, se coçando, pôde ouvir. Não pediu uma esmola, meu Deus, nem pão. Pediu pra vir a chuva, regar sua pobre solidão.