[…]É que a gente tapa a boca, mas não cala o coração, Zé.
Frases de Natani Risorim
111 frases
Eu não sei fazer poema. De antemão lhe digo. Se quiser também repito que eu não sei falar de amor.
Perguntas são como estrelas no céu: a cada vez que olhamos surgem mais meia dúzia.
Arranha-céu, O céu arranha. Quem me dera ser criança, olhar para cima e sorrir. Se ainda rio já não sei. E se sei esqueço. E se esqueço já não lembro como fui ao ser criança. Quem pudera a infância visitasse sequer uma única vez o meu ser: esse pobre calejado, avançado e ainda…
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Arranha-céu, O céu arranha. Quem me dera ser criança, olhar para cima e sorrir. Se ainda rio já não sei. E se sei esqueço. E se esqueço já não lembro como fui ao ser criança. Quem pudera a infância visitasse sequer uma única vez o meu ser: esse pobre calejado, avançado e ainda assim paralisado em primícias das quais não sabia e confesso que ainda não sei o que aconteceu que fui olhar para aquele arranha-céu e não sorri.
Que escrevamos para esquecer uma raiva, mas não espalhemos tais palavras por aí. Seria uma tragédia desencantar os corações que ainda vivem.
Que Deus me dê sabedoria nas palavras. Que eu saiba quando falar, mas também quando calar. Que me dê sabedoria em minhas escolhas, em meus atos… E que esses não machuquem ninguém.
Aquilo era apenas vontade. E vontade, nós sabemos, não é uma coisa que se ache raiz.
No prédio ao lado de onde eu moro há um moço que ao invés de pedir para abrirem o portão ele grita: “Joga a trança Rapunzel!” Eu me rio. E imagino o quão feliz seria se o mundo inteiro risse comigo, pelo menos nesse instante.
Quem me dera ter em mim um pouco de cada poeta. Sairia do clichê de falar em amor, tristeza, tempo, saudade, agonia. E saberia ter olhos aos detalhes do dia. Queria aprender a falar sobre estrelas, flores, pássaros, coisas como essas… Ah, quem me dera… Quem me dera ser poeta.
O amargo é um amar que se foi.
Os infinitos de Carla Carla fotografava o céu com os olhos; vai ver por isso o brilho intenso contido neles. Suas palavras tinham a lisura do tempo que, sem cerimônia, apenas é: ensolarado, nublado, chuvoso, por que não? Se as fases de lua ela também tem… Ah! Pudera eu saber voa…
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Os infinitos de Carla Carla fotografava o céu com os olhos; vai ver por isso o brilho intenso contido neles. Suas palavras tinham a lisura do tempo que, sem cerimônia, apenas é: ensolarado, nublado, chuvoso, por que não? Se as fases de lua ela também tem… Ah! Pudera eu saber voar só para ter lugar na cor dos seus olhos noturnos. Quem me dera se o amanhecer tivesse a delicadeza de não levar embora as estrelas daquele olhar amigo.
Não estou fazendo pouco caso, nem desprezando o que quer me oferecer. Só estou feliz demais para querer ser quebrada ao meio.
Quem muito lê, quer escrever. Quem muito escreve, bons olhos passa a ter. O “bom dia” do porteiro, a criança e seu brinquedo, tudo vira texto! Quem não lê, não vê bonito. Quem vê bonito é porque lê.
Oh Darling! Teus olhos quase que postiços me fazem repensar na ideia que é te amar
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Oh Darling! Teus olhos quase que postiços me fazem repensar na ideia que é te amar Há alguém no mundo que enxergas como me vê? E, se isso acontece, é justo quando você sabe? Pois eu não posso ficar nesse contratempo dizendo a mim e para o vento que prefiro correr ao oposto do que ir ao teu encontro.
As alegrias, espalho. Não por alarde, mas por querer dizer aos desencantados que ainda há felicidade por aí. A tristeza também confesso, mas essa conto a poucos. Só para quem garante que a alegria está escondida bem debaixo do meu nariz.
Ligo a tevê, mas não fixo o canal: O noticiário é puro desânimo! Corro para a banca ansiando algo bom. Volto para casa sem nada sob o braço. A vida seria menos desencantadora se os jornais pertencessem aos poetas.
Girafas são um bom exemplo de como devemos sonhar: pés no chão e cabeça nas nuvens.
Às vezes a pessoa vai embora porque há uma bifurcação na estrada com duas placas: “o que quer fazer” e “o que precisa fazer”. E (inevitavelmente) ela toma o rumo diferente ao seu… Mas quem garante que o desejo de quem foi não era pegar pelo nosso braço e sair levando?
Mesmo tendo uma ideia do que me esperava, fui ver a peça. E logo no começo, na segunda ou terceira troca de cenário, lá estávamos. Uma senhora com a pele marcada pelo tempo, e um senhor de cabelo branco, entregando que também passou por ele. Com toda delicadeza desembaraçava o ca…
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Mesmo tendo uma ideia do que me esperava, fui ver a peça. E logo no começo, na segunda ou terceira troca de cenário, lá estávamos. Uma senhora com a pele marcada pelo tempo, e um senhor de cabelo branco, entregando que também passou por ele. Com toda delicadeza desembaraçava o cabelo daquela senhora enquanto cantarolava uma canção na qual nunca deixou de pôr no repertório da vida. Começava mais ou menos assim: “Que o tempo carregue tudo, menos quem me deu felicidade…” Éramos nós, ou melhor, seríamos… Se soubesse que a porta entreaberta era à sua espera.
Ah, meu bem! Ainda vai chegar o dia que não me restará dúvidas que suas expressões de riso me pertencem.
Se alguém se desligar da gente, e continuar funcionando, de duas, uma: ou tem bateria, ou está ligado em outra tomada.
Engraçado como sentimos aquela necessidade de dizer o que se passa por dentro. A gente olha e pensa: “como a gente se apega tanto assim a um estranho?”. E escapa o pensamento, mas não com palavras ditas, é o olhar que muda. E quando temos a chance de dizer tudo (exatamente quando…
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Engraçado como sentimos aquela necessidade de dizer o que se passa por dentro. A gente olha e pensa: “como a gente se apega tanto assim a um estranho?”. E escapa o pensamento, mas não com palavras ditas, é o olhar que muda. E quando temos a chance de dizer tudo (exatamente quando pergunta em que se está pensando), só sabemos responder: “não é nada.”. E por fim disfarçamos a agonia com um sorriso torto, por não saber se dentro do outro acontece o mesmo.
Ainda sou frágil demais, pequena. Embora já tenha feito alvoroço bastante, cabível em duas décadas.
Não vou dizer que não fui contra; eu fui. Disse “não, não e não!”. Tirei água com o balde que tirava bem menos que a rapidez com que entrava. Escondi a chave, dei as costas, fingi não ver, não sentir. Tentei. Eu nadei feito náufrago em desespero temendo sucumbir-se. Eu subi na ár…
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Não vou dizer que não fui contra; eu fui. Disse “não, não e não!”. Tirei água com o balde que tirava bem menos que a rapidez com que entrava. Escondi a chave, dei as costas, fingi não ver, não sentir. Tentei. Eu nadei feito náufrago em desespero temendo sucumbir-se. Eu subi na árvore, eu me escondi sem nem a brincadeira ser essa. Eu entrei no porão, eu subi para o sótão, pus as mãos ora nos ouvidos, ora no rosto. Cantei mais alto que meus pensamentos, meus sentimentos. Não funcionou. Corri, acredite, e nem sequer olhei para trás. Tentei lembrar de esquecer, fingi esquecer de lembrar. Mas não deu. Nunca dá.