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Frases de Nanevs

144 frases

DESAFIANDO A PREGUIÇA Da janela do meu quarto observo O dia que passa marrento
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DESAFIANDO A PREGUIÇA Da janela do meu quarto observo O dia que passa marrento E vejo o sol com preguiça Por ser sol de outono Lá fora, correm galinhas e patos No terreiro mesclado pelo cimento Onde descansam os cachorros e os gatos Também preguiçosos Me chamam as tarefas diárias Mas a preguiça é contagiante Nesse dia de sol indolente Que parece estagnar a gente Da janela do meu quarto observo O quintal sem menino correndo Ta tudo tão silencioso Que parece natureza morta na tela Vejo mato, cimento e ribeirão E casas de vizinhos fechadas Só a minha está aberta Por preguiça minha de fechar Deixa passar esse dia Enquanto eu aceito o desafio E vou fazendo poesia Com preguiça e um assobio (Nane-15/05/2015)

JOGADA AO VENTO E na minha loucura me perdi Dos meus próprios devaneios
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JOGADA AO VENTO E na minha loucura me perdi Dos meus próprios devaneios Transformando-os em esperanças vazias De quem já não pensa em nada Foram-se as quimeras E os sonhos da imaginação Sobrou o vazio de uma mente oca Sem mais nenhuma expectativa Num solo estéril Semeei a podridão De grãos infecundos Jogados ao léu A frieza do nada me envolve E nada mais faz sentido Homens e mulheres Crianças e velhos Só o vazio me preenche De um nada sem importância O que será ou o que virá Não faz mais diferença De bom, dentro de mim Resta pouco ou quase nada Os sonhos fundiram-se aos pesadelos E as noites aos dias O bem e o mal são tão efêmeros Como a vida e a morte E essa maldita dualidade Me faz ser quem não sou Talvez amanhã eu esteja eufórica E escreva palavras bonitas Talvez amanhã eu nem acorde E durma o meu sono derradeiro Na minha loucura me perdi E por que cargas d'águas não consigo Preencher esse vazio que restou E fez de mim...nada (Nane-14/05/2015)

MULHER DE CARGA Mulher culpada Da culpa de ter
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MULHER DE CARGA Mulher culpada Da culpa de ter A marca na alma De ser mulher Carrega seu fardo No corpo nu Em plenas avenidas Do país que te oprime Mulher de cargas Pesadas e à mostras Para quem tem olhos De ver e entender Mulher coragem De expor seu corpo Aos olhares curiosos Que quase sempre não veem Mulher bonita Em todas as suas formas De alma livre No corpo atada Mulher de carga Altamente explícita Na força explosiva Da sua ARTE (Nane- 11/05/2015)

PORQUÊS Há tantos porquês E tão cheios de regras
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PORQUÊS Há tantos porquês E tão cheios de regras Com e sem acentos Em começos e fins Que já nem sei do certo Nem tão pouco do errado Será você o certo No acento circunflexo Ou errado no junto Que julguei separado E por isso tirei o chapéu No final da linha Entre tantos porquês Perguntei a mim mesma Por que será O porquê de não mais ter O porquê da minha vida Perdido em meus porquês... (Nane-09/05/2015)

O PALHACINHO FREDERICO Era uma vez um menino Que adorava os palhaços
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O PALHACINHO FREDERICO Era uma vez um menino Que adorava os palhaços Lá da televisão Tinha tanto medo o menino Dos palhaços de verdade Que preferia observá-los De longe...bem de longe Pensava mesmo que eles tinham Aquelas caras pintadas Dia e noite, noite e dia Mas ainda assim gostava deles... Veio o dia então Que o menino percebeu Que o palhaço era homem E medo não precisava ter Palhaço agora, ele queria ser... A vó, que palhaça também era Pintou sua carinha E o menino no espelho Se viu como um lindo palhacinho! Tão feliz ele ficou Que não quis tirar a máscara Os flashs pipocaram E para todos ele posou Com um sorriso de felicidade Do palhaço Frederico... Adormeceu o palhacinho E sonhou com as palhaçadas Acordou de cara limpa Contando pra todo mundo Que fora palhaço por um dia E que isso, por certo virou poesia. (Nane/11/05/2015)

VÍSCERAS MISTURADAS Exponho as vísceras No meu desespero
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VÍSCERAS MISTURADAS Exponho as vísceras No meu desespero Que grita teu nome No meu silêncio Dentro de mim Se fez tsunami Sacolejando meus órgãos Misturados e sem lugar Esvaindo o sangue Jorrado em lágrimas Salgadas e adocicadas Com cheiro nauseabundo O pulmão enegrecido Comprimindo o coração Perdidos no fog da fumaça Do cigarro companheiro Bate nas costas e cabeça Não sei se cérebro ou coração Só sinto o pulsar insano Da saudade do teu corpo Rasgo com minhas unhas a minha pele Na esperança de ver aliviar A pressão dessa dor que me consome E fugir da tua opressão O peito já não sangra mais Na cirurgia da triste poesia Só não sei o que deve ser extirpado Pra tirar você de mim Onde está meu coração Nessa arritmia dos meus órgãos Atrás da penumbra dos pulmões Ou no cérebro ensandecido Pouco importa isso agora Sou retalho do que fui Exposta e a venda na xepa Dos mortos vivos por amor (Nane-11/05/2015)

O PEQUENO CONTADOR DE ESTÓRIAS Hoje me dispus a observar A esperteza e a malemolência
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O PEQUENO CONTADOR DE ESTÓRIAS Hoje me dispus a observar A esperteza e a malemolência Do pequeno "grande" Fred No seu mundo de imaginação Deu-me de presente algumas pedras E me disse para guardá-las Pois as trouxera de muito longe Apenas para me ofertar Sorrindo, as guardei nas mãos Mas ele não se contentou Disse que eu as pusesse na gaveta Que era mais seguro Assim fingi que fiz E ele se foi para novas estrepolias Mais tarde, veio me dizer Que viu um helicóptero vermelho Sobrevoando nossa horta Jogando nela sementes E que agora vai nascer Muitas verduras fresquinhas Vindas do céu para a gente plantar E comer no jantar Surpreendi-o falando sozinho Sentado num cantinho do quintal Ele então me apresentou Seu amigo invisível Nome não tinha Era apenas o "amigo" Que quando se cansou Despediu-se e saiu A noite "acordou" E a gente precisa ir dormir Um banho quentinho ele tomou E começou a cochilar Antes de adormecer Me disse bem baixinho "Vovó, guarda bem o seu presente Que são pedrinhas de estorinhas" Ajeitei-o na caminha E corri lá no quintal Juntei algumas pedras E guardei-as na gaveta. (Nane- 03/05/2015)

MENINO TRAVESSO Com sentimentos não se brinca Nem tão pouco se manipula
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MENINO TRAVESSO Com sentimentos não se brinca Nem tão pouco se manipula O destino é o senhor E Cupido só um menino Brincalhão e sem escrúpulos Flecha corações à revelia De um que ama o outro E do outro que ama algum Faz salada de sentimentos E se diverte com a confusão Causa dores aos corações Deixando marcas nos espíritos Em seu caminho um rastro de desilusão Costuma adoecer de tristeza Quem antes sabia sorrir Sem mágoas e nem paixões Cupido é narcótico Viciante e fatal Faz vibrar e delirar Para depois, sem dó, matar Não adianta aconselhar A vítima fascinada Mas se você puder Não se deixe acertar Com sentimentos não se brinca Nem tão pouco se manipula O destino é o senhor E Cupido só um menino (Nane-05/05/2015)

ACERTO DERRAMADO O que fazer com a incerteza Do certo e do errado
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ACERTO DERRAMADO O que fazer com a incerteza Do certo e do errado Quando o seu certo se derrama E se mostra todo errado Cavar na areia um buraco E enfiar lá a cabeça Deixando a respiração sufocada Morrendo enterrada Ou adormecer por longo tempo E despertar no esquecimento De um novo tempo Sem ares ou ventos de lembranças Deixar a cabeça na guilhotina E decepar todas as decepções Sem carrasco ou extrema-unção Talvez seja a solução Correr por uma longa estrada Até cair exaurido De cara no pó do chão Destruído ou de tudo destituído Enquanto não vem a resolução A incerteza permanece E o errado prevalece Sobre o certo derramado (Nane-05/05/2015)

SENTIMENTOS DISTORCIDOS Vim de tão longe Sem saber o que me esperava
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SENTIMENTOS DISTORCIDOS Vim de tão longe Sem saber o que me esperava Além do amor Ao qual me dediquei Da janela olho Meu olhar vazio Onde anda a prole Que tanta rugas me custou São tantos contratempos Minha mãe se despediu Mas eu não ouvi E agora tento gritar adeus Deus Minha prole não escuta E eu preciso ir Antes do amanhecer Meu olhar turvo não permite Que eu veja essas coisas E a cabeça gira sem rotação Apenas por girar Um leito feito prisão Um pássaro ferido E o longe tão perto E o perto tão distante Quem é quem nessa cidade Mãe e filho, filho e mãe Distorcidas imagens refletidas No espelho da dignidade Lá fora faz frio É o que eu sinto aqui Nem sei se estou dentro Mas calor, só de vergonha Dia e noite misturados E eu nunca acerto a hora certa Lágrimas e soro se misturam É sal, é sol, é sul, sem norte A janela é inalcançável Talvez tenha uma lua lá fora Ou quem sabe o sol brilhe Mas não volto de onde vim Lá longe minha mãe se foi E eu nem a ouvi Vou de encontro a ela Bem mais velha do que era (ela) A prole se cala Talvez me abrace na despedida O soro e a lágrima secaram E sorrio livre (Nane-22/08/2015)

POESIA SENTIDA Adormece em mim A poesia
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POESIA SENTIDA Adormece em mim A poesia Latente e em ebulição Falando somente à mim Palavras não ditas Mas sentidas Só minhas E de mais ninguém Prefácio de vida Num sono entediante De uma vida sem graça A espera da vida além da vida Ah poeta Dê asas ao teu dom E (d)escreva o amor Sem jamais o viver Sois feito Moisés Eleito por Deus Conduzas teus leitores ao amor Mas na terra prometida, não entres Deixa que teus sonhos se refaçam Em cada nova poesia E entenda que o azul da cor do mar Não passa de mera razão para sonhar (Nane-18/08/2015)

POETA DE LATRINA Maldita a hora em que me fiz poeta De esquina
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POETA DE LATRINA Maldita a hora em que me fiz poeta De esquina Nas saídas dos bares Nas madrugadas Agasalhando no peito As dores do mundo Apiedando nas palavras Da própria insignificância Por não conseguir sorrir Das desgraças embriagantes Num copo interminável de cerveja Escrevo aos amantes Palavras adocicadas Zombando da imbecilidade De quem nelas acreditam Sem perceberem que se esvaem Na mais branda das brisas Que sopra ao luar Cúmplice nas enganações Que todo poeta rabisca Mais por ego que por convicção À quem se presta à lê-lo Então equilibro meus escritos Entre dores e amores Sem deixar vazar a verdade Contida nas entrelinhas Lidas e não entendidas Pelos amantes da poesia Induzidos pelo proxeta Que lhes escreve sem pudor Feito um famigerado gigolô Prostituindo sua vítima Em troca de seu ego (Nane-03/07/2015)

TURBILHÃO DE PENSAMENTOS Zumbidos na cabeça Turbilhão de pensamentos
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TURBILHÃO DE PENSAMENTOS Zumbidos na cabeça Turbilhão de pensamentos Olhos marejados Coração pulsando forte Mãos trêmulas e frias... A sensação do vazio O nada preenchido O importante perdido O sentimento petrificado A lágrima derramada pela vida A paz já não faz falta Os sonhos são pesadelos A loucura feito um verme Mantem vivo o corpo Cuja alma já partiu Nada faz sentido Ninguém é importante O amanhecer é suplício O anoitecer traz a certeza De que um dia tudo se acabará Suicidas vozes clamam Mas nem isso importa Azar de quem foi fraco E agora queima no inferno Não sou ave. Não tenho pena A noite está fria Eu também... No corpo e na alma Quando amanhecer Será só mais (ou menos) um dia (Nane-002/07/2015)

CORAÇÃO PENSANTE Dê ao seu coração Para que ele tenha sobrevida
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CORAÇÃO PENSANTE Dê ao seu coração Para que ele tenha sobrevida Um cérebro Deixe que ele pense E não haja por impulso Feito menino mimado Querendo o que não pode Dê ao seu coração A real dimensão Do que lhe é permitido E não o deixe decidir Sem que esteja atrelado À quem de fato sabe O que é o certo e errado Dê ao seu coração A medida exata da sua liberdade De escolher a quem amar Pesando os prós e os contras Das consequências vindouras Por decisões tomadas Sem o equilíbrio necessário Dê ao seu coração Se preciso for A ordem de só amar Quem também te ama Para que ele não pereça E tão pouco refugue Num pulsar arrítmico Dê ao seu coração O diploma de formando Na faculdade da vida Que ensina que o amor Nada mais é do que o costume De ter alguém ao lado seu Dê ao seu coração A verdade, ainda que dolorida De que o amor é uma ilusão Momentos de paixão E só o que conta é a verdade Da paz criada na sinceridade De um amor totalmente programado (Nane-18/06/2015)

MUMIFICAÇÃO Cerraram-se os olhos Que outrora fascinaram-me
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MUMIFICAÇÃO Cerraram-se os olhos Que outrora fascinaram-me Calou-se a voz Que palavras de amor Um dia me falou Então te olho Sem conseguir ver Nenhuma expressão Frieza total Sentimentos mumificados Setenta eram os dias Que os egípcios levavam Setenta vezes sete Vidas encarnadas Talvez leve eu A amargura tirânica Em doses balanceadas Consumindo e transformando A alegria de viver Numa tsuname do Nilo Mumifiquei meus sentimentos E desenhei seu rosto No sarcófago faraônico Largado e esquecido Numa pirâmide perdida Já não há mais sofrimento Nem mesmo há curiosidade Só a frieza no semblante eternizado E a amargura nas palavras ditadas Pela múmia da desventura (Nane - 17/06/2015) *Arte: Lucia Momia Lucia

AMOR PERFEITO Quero nosso amor assim Exposto e esparramado
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AMOR PERFEITO Quero nosso amor assim Exposto e esparramado Gritado livremente Aos quatro ventos Quero mostrar ao mundo O maior dos meus sentimentos Sem ter que esconder Teu nome de ninguém Ah...e me pedes segredo Não permites fotos Torna-te invisível Quimera minha Foi só brincadeira Da tua parte Amor escondido Desejos incontidos Num mundo só nosso Sem nenhum vestígio Que por causa do meu querer Desmoronou, acabou Inventamos demais Amamos demais Cobrei demais E você brincou demais Não quero mais nada Que não seja concreto Firmado e cimentado Na calmaria segura (Nane - 17/06/20145)

INTERCESSÃO DE MARIA Tão lentamente Devagar...é verdade
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INTERCESSÃO DE MARIA Tão lentamente Devagar...é verdade Mas saindo Indo embora Verdade seja dita Eu nunca estive em ti E você tão forte em mim Agora, lentamente se vai Uma perda E toda perda dói Mas você, enfim se vai Saindo, devagar, de mim Aplacou a ansiedade Só por, enfim eu aceitar Que você está indo embora E isso é preciso Já não te procuro mais E mesmo ainda tendo a primazia Do primeiro e o último dos meus pensamentos Já não o domina o tempo inteiro Nas contas contadas nos dedos Insisto no pedido da reza E ela, cansada de tanto me escutar Parece, resolveu me atender Não é ladainha É teimosia E o melhor pra mim É te deixar sair de mim Bem devagar Mas firme em meu propósito Vou me despedindo de você Transformando em carinho o que ficou (Nane-29/26/2015) *Arte de: Cimara Cláudia

SEGREDO SEPULTADO Quem é você Que arrebata meus sonhos
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SEGREDO SEPULTADO Quem é você Que arrebata meus sonhos Ditando meus desejos Jogando fora a adrenalina Sangrando as glândulas surreais Quem é você Aflorando meu drama Tragicômico e desmedido Num palco sem plateia De uma peça shakespeariana Quem é você Que num silêncio devastador Estoura meus tímpanos sem pudor Com palavras em flechas certeiras No mortal ato do desengano Quem é você Que exerce esse poder maligno Mesmo sem saber Enterrando fantasias e aspirações Sem ao menos sentir culpa Quem é você Que insiste em não perceber O vazio do meu mundo Sem cores nem anseios Pela falta de você Quem é você Que escarna meu cadáver Sob os devidos sete palmos Num sorriso de alívio Pelo segredo sepultado (Nane-16/06/205)

APENAS UM LEGADO Queria te deixar De legado o meu amor
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APENAS UM LEGADO Queria te deixar De legado o meu amor Que se mal me fez Me mostrou o paraíso Tal qual o príncipe hebreu Não me foi dado o direito Da terra que emana mel Por todos os meus defeitos Mas ainda assim Queria te deixar De legado o meu amor Que é eterno e sem fim Só uma coisa, mais que o meu amor Eu queria te deixar A certeza do desejo Da felicidade plena Meus olhos já não veem Mas o coração ainda sente E se eu soubesse rezar Pediria para Deus te abençoar Queria te deixar De legado o meu amor E agradecer o infinito Nos momentos em que tive Um pouquinho do teu amor (Nane-08/06/2015)

⁠PRAGMATISMO Talvez meu tempo não seja esse Talvez minha vida não seja aqui
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⁠PRAGMATISMO Talvez meu tempo não seja esse Talvez minha vida não seja aqui Talvez, nem mesmo eu saiba de mim Talvez não seja eu, eu mesma E por isso me perco de mim Sem saber onde e como chegar Ou a quem procurar Ou mesmo onde repousar Talvez seja esse o meu destino De andarilho sem estrada Caminhante de uma mente Deturpada e aflita A vida, na verdade pouco importa Posto que é infinita Uma vez concedida Eternamente será mantida A forma é o que conta No peso da sua cruz É o que te fará renunciar Ou ser forte e continuar Deus, esse cara pragmático Cumpre com louvor suas promessas De ser o pai eterno Pronto à ensinar Talvez, só o que valha à pena São as escrituras Que se ditadas por ele Estão tão deturpadas Talvez meus valores sejam natos E Deus, um ser em mim caricato Digno de todas as minhas dúvidas Diluído em meu...talvez (Nane - 14/07/20)

⁠O INFINITO CONFUSO Nada do que escrevo É o bastante para dizer
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⁠O INFINITO CONFUSO Nada do que escrevo É o bastante para dizer O que está em mim Quando se refere à você Até tento me expressar Mas palavra alguma Alcançará a imensidão Do sentimento em mim contido De tão contido e imerso Ele grita e me implode Devastando por inteiro Qualquer outro querer É um infinito confuso Onde me perco e me acho Mas que decididamente Não abro mão É só meu e de mais ninguém Nem mesmo seu Então escrevo No desejo insano de te ter É feito um orgasmo Que explode em delírios Quando essa imensidão Aflora em palavras Vou tentando todo dia Sabendo não conseguir Fazendo de um poema a poesia Que é eternamente te amar... ( 29/05/2020)

⁠SÓ UMA SAUDADE Choram meus olhos Vertendo lágrimas compulsivas
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⁠SÓ UMA SAUDADE Choram meus olhos Vertendo lágrimas compulsivas Disfarçadas pelas lentes Embaçadas... A rotina intensa Me cobra agilidade e decisão Enquanto as lembranças Teimam em voltar O som da sua voz Ecoa dentro de mim Feito uma brisa que sopra Indo embora... Tropeço em meus apetrechos Me dando conta Do foco exigido à total precisão Sossega coração Verbera meu verbo Silenciado e dolorido Por lembranças saudosas De um tempo ido Guardado em estrofes Para mais tarde dançarem Feito bailarinos Ao som de uma sinfonia/poesia Agora não é a hora De lágrimas nem saudades O foco se faz presente Retomando a minha mente (Nane - 26/05/2020)

⁠ESTRANHO SENTIMENTO Estranho sentimento De um vazio tão completo
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⁠ESTRANHO SENTIMENTO Estranho sentimento De um vazio tão completo Invadindo a essência Destilado no ar Uma vontade de saber O que não me é permitido E no entanto instiga Mesmo sem poder, o meu querer Esvazia todas as minhas certezas Entranhadas e evasivas Mutilando o objetivo Ao qual me dispus Salada revirada Sem sal ou sem açúcar Embolorando os neurônios Desconectados das sinapses Me pergunto até quando Vou me deixar levar Nessa pororoca desgovernada Que afoga minhas pretensões Vontade de cuspir todo o ácido Que vocifera na garganta Feito plasta que corrói No deságue do sangue Mas não resolveria O estranho sentimento Nem preencheria o vazio Destilado no ar Nada mais resta Além do aceitar Que a vida à ser vivida Tem que continuar (Nane - 30/05/2020)

⁠QUANTAS SAUDADES E lá se vão três anos Da sua ausência física
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⁠QUANTAS SAUDADES E lá se vão três anos Da sua ausência física As lembranças que ficaram Doem, mas também confortam A sagacidade nas palavras O seu humor requintado A ironia nos comentários A sabedoria no viver Hilária nas suas cantorias Dos hinos da sua igreja Que eu escutava embevecida Por te saber tão lúcida Saudades eu tenho das flores Que sempre enfeitavam os seus jardins Desde os meus tempos de criança Que plantavas, mas não colhias Saudades eu tenho das balas Que fazias para vender Quando quase nada havia para comer Mas você, fazia aparecer Saudades eu sinto do seu cheiro Quando me aninhava no teu colo Num cafuné até o adormecer Coberta e protegida Saudades eu sinto do café Com aroma das manhãs Em que eu tinha que sair De encontro ao aprender Saudades eu sinto de tudo isso Que deixastes por legado E hoje, tento repetir Tudo o que me ensinastes De você Mãe Não sinto saudades Guardo comigo todas as lembranças E essas sim, fazem doer (Nane - 28/05/2020)