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Frases de Nanevs

144 frases

SINA DE MÃE Rasga teu ventre ensanguentado Cuspindo a semente germinada
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SINA DE MÃE Rasga teu ventre ensanguentado Cuspindo a semente germinada Entre amnióticos líquidos Jorrados de tuas entranhas Beija a cabeça coroada Pelos dejetos abençoados No instante supremo Do teu grito lacerante Aconchega em teus braços Fazendo silenciar O choro de estranheza Do despejado de teu ventre Sirva-lhe ainda quente O néctar da vida Da glândula em flor Desabrochada em teus seios Cortaram-lhe o cordão E já não mais está em ti Paristes teu filho Mas não o teu destino Proteja-o sob as tuas asas Até quando puder Mas quando aprender a voar Entregue-o ao Criador E reze... (Nane-25/03/2015)

DANÇA CONTURBADA Toca Pearl Jam Enquanto eu olho o céu
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DANÇA CONTURBADA Toca Pearl Jam Enquanto eu olho o céu Danço Conforme a música Envolta no branco Da folha vazia A alma tatuada Traz lavas cuspidas E cinzas espalhadas Tapando o sol E o céu em mim Enegrecido O furacão no vulcão Faz em mim insensatez No amálgama entupido Disposto a explodir E mandar tudo às favas Num surto desequilibrado Toca Pearl Jam Enquanto eu escuto E danço A dança destilada Que evapora de mim Enquanto eu me acalmo O céu ainda está negro O amor não é brinquedo Tem estrelas lá em cima Não no meu céu Mas estão lá E eu me recolho (Nane- 26/03/2015)

ÁRVORE Mascaro a brandura Na casca dura que me reveste
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ÁRVORE Mascaro a brandura Na casca dura que me reveste Por não saber me entregar Por não querer me estragar Cada escolha é minha E a consequência também O sorriso represa a lágrima Que afoga sonhos natimortos Quando ousei sonhar Vi o pesadelo tomar forma Recolhi meus sonhos E me vesti de casca Feito árvore cascuda Que pinga seiva na ferida Fincada por sobre raízes Assumo escolhas O fruto nem sempre é bom E a semente nem sempre frutifica Árvore exposta aos raios Que a tempestade trás Mascaro a madeira de lei No coração forjado à canivete Na casca grosa de um tronco Carapaça dos meus anseios (Nane-23/03/2015)

ALUCINAÇÃO Cheira a morte o recinto Num odor agridoce agradável
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ALUCINAÇÃO Cheira a morte o recinto Num odor agridoce agradável Seduz meu olfato já pouco apurado Pelo vício da fumaça inalada Embriaga meus sentidos já embriagados Pela cevada gélida na garganta Rompendo sinapses no corpo inteiro Relegado ao estado entorpecido As paredes borradas de cores Confundem e atraem os meus olhos Num redemoinho em espiral Num mergulho perene...caindo Paulatinamente figuras Se formam na minha mente Vou mais fundo na embriaguez Quase num êxtase lacônico Nada me é conhecido Além do cheiro inebriante Dançam espectros sombrios Como num ritual fúnebre A escuridão se confunde com a luz Que cega do mesmo jeito O estrondo ensurdecedor se faz E o suor frio escorre molhando a cama Por hoje acabou o mergulho Os olhos esbugalhados revelam Que o pesadelo não tem fim Foi só mais um capítulo... (Nane-28/03/2015)

ACENO DO ADEUS Caminho só Sem o toque da sua mão
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ACENO DO ADEUS Caminho só Sem o toque da sua mão Segurando a minha Trêmula Mas não parei É preciso seguir Ainda que sem o esteio Da sua mão O caminho é turbulento Cheio de pedras e espinhos Mas caminho Sem a sua mão Não por querer Mas por ser preciso Caminhar até chegar A hora de parar A estrada é longa Sem parada para o descanso Mas agora estou calçada E sigo andando só Ainda sinto no tato O calor da sua mão Que se soltou da minha Sem me avisar Meus passos ainda trôpegos Vão se firmando aos poucos Nesse caminhar solitário Mas preciso Chegará o dia Em que o meu caminhar Não mais precisará Da sua mão Mas levarei comigo A eterna gratidão Do aprender a andar Que começou com a sua mão E passado todas as dores Olharei o caminho percorrido E acenarei com a minha mão À sua mão deixada lá atrás... (Nane-23/03/2015)

PASSAPORTE PARA A ETERNIDADE Ah, se tivesses noção Do estrago causado
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PASSAPORTE PARA A ETERNIDADE Ah, se tivesses noção Do estrago causado Pela ausência tua Virias à mim Ah, se tivesses A noção da dor Que esmaga o peito E escorre nos olhos Ah, se sentisses Um mínimo que fosse Da saudade opressora Que sufoca o ar Ah, se pudesses Me ver agora Entenderias melhor O que fizestes Ah se entendesses Do amor verdadeiro Saberias que a morte Não me mete medo Ah, se tivesse sobrado Só um pouco de verdade Entenderias que a eternidade Sou eu e é você... (Nane-27/03/2015)

O PIADO DA CORUJA Cansada no meu cansaço Surto a cada anoitecer
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O PIADO DA CORUJA Cansada no meu cansaço Surto a cada anoitecer Quando pia a coruja Um piado de mau agouro O copo ainda cheio Espuma acima do dourado Subindo bolinhas borbulhantes Embora quentes, num canto Os dedos estalados a todo instante Dançando num teclado sem grafite Sabendo o lugar exato de tocar Sem ser preciso olhar Ouvindo o lamento no quarto ao lado Enquanto as palavras salpicam na tela Buscando um sentido qualquer Na cabeça aparvalhada de cerveja A brasa consome o dorso Enquanto os dedos seguem inquietos Aguardando o comando Pensante e desordenado Misturam-se as dores Cabeça e tronco Na frente e atrás Enquanto os dedos deslizam Ditam as palavras A cerveja e o cigarro Interrompe o pensamento O triste lamento Poesia inacabada Nascida na hora errada Abortada no peito inflado De tanta inquietude Nem a merda do futebol Dá vazão a pressão De como acabar as estrofes Engasgadas nos gargomilos E esses dedos inquietos Teclando a esmo Tentando poetizar O que a cabeça não consegue rimar Cansada no meu cansaço Sem conseguir descansar Ouvindo a coruja piar E tendo que ir deitar É hora de parar... (Nane-22/03/2015)

ENTRANHAS EM DESASSOSSEGO Quisera ser indiferente À tua indiferença
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ENTRANHAS EM DESASSOSSEGO Quisera ser indiferente À tua indiferença Mas esse desassossego na alma Incomoda... Quisera arrancar você de mim Como a um dente careado Que faz falta por instantes E depois é esquecido e substituído Quisera tanta coisa impossível Que já nem sei se quero mais Já que nada mais faz sentido Nos quereres que eu quisera Quisera não ter um passado E começar tudo do zero Apagar todas as letras E reescrever minha poesia Resta-me apenas o ato De amassar os meus papéis E jogar fora minhas rimas Nos versos que te fiz Resta matar a poesia Antes que ela me mate Num surto desesperado Das entranhas que quisera... (Nane - 23/03/2015)

LINDA ME GUIA Linda, lá vem você Me lembrar o que esqueci
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LINDA ME GUIA Linda, lá vem você Me lembrar o que esqueci Linda, no seus trejeitos Lindos de baiana No céu o seu sorriso Ilumina a noite escura Num eclipse iluminado De um sol da meia noite Linda mulher de inspiração Tão cedo recolhida De São Salvador Pelas mãos do criador Linda a presença que sinto A me cobrar entre lembranças Um rabisco nesta data Que me acostumei a rabiscar Linda sem nunca te ver E tanto te admirar Por ser mãe e amiga Sem nunca parir Linda no sonho de tanto brilho Enfeitada por teus quereres Miçangas e balangandãs Terços e guias Linda me guia Nas minhas poesias E onde quer que esteja Linda...sorria (Nane - 21/03/2015)

EFÊMERA EXISTÊNCIA E essa estranha sensação De que você é só uma lembrança
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EFÊMERA EXISTÊNCIA E essa estranha sensação De que você é só uma lembrança Uma miragem, imaginação E na realidade, nunca existiu É tão grande a saudade Que parece mais o oásis Em meio ao deserto escaldante Intocável, impossível O som da tua voz Ainda tão intacta em meus ouvidos Talvez nada mais seja Do que o vento sibilando E toda a nossa história Gravada no passado Já parece o conto de um livro Fechado e terminado O toque das tuas mãos Já não sentidas pelas minhas Restando só um calor perdido E tão pouco aproveitado A vida é tão sem sentido Que só o que conta é o próprio sentido Que a gente quase nunca percebe O tempo certo de sentir Então chega o grand finale E o concreto se desfaz Subjetivamente fazendo desabrochar O efêmero (in)existente (Nane-03/06/2015)

ONDE ESTÃO OS MEUS FANTASMAS Onde estão as vozes Que se calaram
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ONDE ESTÃO OS MEUS FANTASMAS Onde estão as vozes Que se calaram E já não me questionam Nos meus lapsos de memória Dos devaneios que me faziam Escrever poesias E as sombras que dançavam Alheias as minhas vontades Pelas madrugadas frias E que de alguma forma Me faziam companhia E os delírios nos desejos Que eu gostava de cultivar Para que me sentisse ainda viva Mesmo que fossem só quimeras Impossíveis de se realizarem E a capacidade de a tudo isso transformar Em palavras rimadas Dando a falsa impressão De que eu era poeta No vale da minha imaginação Por onde ando eu Que vago entre a ilusão E a dura realidade De um despertar sem expectativas De nada ver mudar E essas linhas que se embaraçam Formando teias que enclausuram E sufocam minha mente Num emaranhado latente Sem palavras vigentes Os meus fantasmas se foram Me deixando sozinha Na realidade fria e sem opção De sonhos ou medos Ou nenhuma outra sensação Calaram-se as vozes Sumiram as miragens Foram-se as vontades Restou um branco na escuridão Do meu caminhar (Nane - 01/06/2015)

O TEU ESPAÇO EM MIM O encanto se desfez A realidade foi ilusão
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O TEU ESPAÇO EM MIM O encanto se desfez A realidade foi ilusão Não foi de verdade Durou tão pouco E esse vazio que ficou Tão real em mim Sem saber que também é parte Daquela doce ilusão O fechar dos teus olhos Sorrindo para mim Enquanto teus lábios maliciosos Piscavam num canto qualquer (da boca) Valeu cada segundo Valeu toda a ilusão Que fez de mim imensidão Quando julgava já, finitude Esse vazio que ficou Tão cheio de lembranças Vai comigo por onde eu for Ocupando o teu espaço em mim (Nane-30/05/2015)

UMA PONTE PARA O HORIZONTE O azul absurdo do céu de maio Sem uma nuvem sequer
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UMA PONTE PARA O HORIZONTE O azul absurdo do céu de maio Sem uma nuvem sequer Numa efêmera abóbada ilusória Feito um abstrato sentimento Beleza sutil e admirável Que a gente não se cansa de olhar Em busca de uma (também ilusória) ponte Que nos leve ao (inalcançável) horizonte A claridade refletida no azul Límpida, sem sombra nenhuma Empresta ao dia uma plenitude Digna dos contos de fadas Corre o riacho mansamente Sem pressa de chegar Por saber que o mar Está a lhe esperar Gestam seus frutos que virão Na certa estação, as árvores Também sem pressa nenhuma Por saberem que o tempo virá Toda a efemeridade concreta Faz da vida, poesia Pronta a ser vivida E lida assim, num simples dia O azul absurdo do céu de maio Se despede majestoso Encantado e encantando Feito um abstrato e tão concreto sentimento (Nane - 29/05/2015)

A DANÇA DAS PALAVRAS Dançam na mente as palavras Que fogem e se recusam enfileirar
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A DANÇA DAS PALAVRAS Dançam na mente as palavras Que fogem e se recusam enfileirar Na poesia que eu queria escrever E ao mundo, mostrar Divertem-se comigo as palavras Que mostram-me a poesia Mas deixam claro que são delas (palavras) A supremacia da autoria Aí bate o cansaço E me irrito na impotência De não saber traduzir A beleza da poesia escondida Dançam a dança lírica Enquanto eu apenas vivo A poesia oculta Em mim segredada Isso faz do poeta Refém de si mesmo E das palavras, potentado Do meu mundo não revelado (Nane - 30/05/2015)

VINGANÇA ARTICULADA Que pretensão a minha Acreditar no amor
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VINGANÇA ARTICULADA Que pretensão a minha Acreditar no amor Fruto de uma mentira Semente de uma verdade Que ingenuidade a minha Não perceber que a vingança Se camuflou de sentimento E mais do que a mentira, enganou Que fragilidade a minha Ao me deixar envolver No visgo pernicioso Que sufoca e faz doer Que tristeza a minha Não conseguir me desvencilhar Não deixar de amar Quem de mim só quis zombar Que loucura a minha Desse jeito me entregar E ver passar a vida Sem conseguir nada mudar Que vingança a sua Pensada, pausada e articulada Com toda a maestria De um mestre vingador Que triunfo o seu Que no mais vil dos sentimentos Conseguiu matar em mim A vontade de viver (Nane-25/05/2015)

PLATÔNICA DEMÊNCIA Na loucura dos meus dias Insisto em te procurar
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PLATÔNICA DEMÊNCIA Na loucura dos meus dias Insisto em te procurar Nas molduras do infinito Linear do céu com o mar O horizonte me oferece Teu rosto no crepúsculo Enquanto a alvorada Traz tua voz no canto da passarada Demência ou paixão Loucura ou razão Pouco importa É só o meu jeito de ter você Na noite e no dia Em tempo integral O pensamento é meu E nele mando eu Você tão distante Ainda mora em mim Mesmo não querendo É teu meu coração Platonicamente eu digo Que poeta nunca fui Mas o amor, esse demente Me fez enlouquecer...e te escrever Que importa o toque Se teu cheiro está em mim Que importa se não me amas Se o meu amor esta em ti (Nane-22/05/2015)

AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA Santa Maria Mãe de Deus
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AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA Santa Maria Mãe de Deus Me disseram um dia Que de tanto eu pedir Me atenderias Me ensinaram a rezar O terço Mariano Na hora do Ângelus Insistindo no pedido Que eu tanto queria Pedi, pedi e pedi Numa ladainha incessante Que a Santa Maria não ouviu Por estar muito ocupada Com outros pedidos bem rezados Danou-se e me ferrei O terço está guardado Se bem que nunca o ganhei E o fiz de feijões estragados Sem força nas orações Ainda hoje eu peço Sem terço e sem fé Me perco nas ladainhas E esqueço da fala vindoura Ou da conta a seguir Ave Maria Cheia de graça Agora só o que peço Me deixa dormir sossegada (Nane-23/05/2015)

PORTAL DE LIMIARES O cansaço tomou conta de mim Nas trevas do meu desassossego
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PORTAL DE LIMIARES O cansaço tomou conta de mim Nas trevas do meu desassossego Procuro em vão pelo alívio Da morte que me rejeita Vocifero todas as heresias Batendo na porta do umbral Limiar do inferno e do céu Nas minhas entranhas decompostas As palavras abortam em minha boca Feito feto cuspido na latrina Ensanguentando meu karma Destituído de qualquer missão Pesa-me nas costas o preto velho Agarrado feito filhote indesejado Nos anos que se arrastam nas trevas Do que seria a minha vida Os remédios condutores do sono Postados inertes na prateleira Como um convite do abrir da porta Do umbral limiar do meu inferno ou do meu céu O cansaço tomou conta de mim Nas trevas do meu desassossego Procuro em vão pelo alívio Da morte que me rejeita (Nane-20/05/2015)

INTRÍNSECA A febre intermitente Não vai, não fica
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INTRÍNSECA A febre intermitente Não vai, não fica Frita meus neurônios Cozinha minhas ideias As vísceras, essas Sarapatéis baianos Prontas à serem devoradas Pelos corvos de Allan Poe Intrinsecamente revirada Sinto o enjoo da ressaca Jogada no mar revolto Da minha própria enseada Levada de encontro à pedra Deixada deitada na areia Vomitando disparidades Dos pensamentos fritados Lavas de fel abrandadas pelo mel Mareando o estômago cozido E queres que eu escreva o que Além dessas minhas mazelas Um fio tênue separando Realidade e devaneio Embriagados num mesmo espaço Do cérebro viciado Sirvo-me aos corvos de Allan Poe Expondo meu corpo à milanesa Extenuado e sem preconceito Para que me comam e devorem Antes que eu mesma me refaça E deles me sirva Comendo-os vivos e empenados Quando a febre for embora (de vez) (Nane-19/05/2015)

FELIZ DE QUEM DEU MILHO AOS POMBOS Afunde seu derrière no sofá macio Ajeite suas costas na fofa almofada
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FELIZ DE QUEM DEU MILHO AOS POMBOS Afunde seu derrière no sofá macio Ajeite suas costas na fofa almofada Conecte-se com o mundo lá fora Enquanto passa indolente a sua vida Feliz de quem deu milho aos pombos Posto que viram os pombos em bandos E ouviram seu revoar ao saciarem a fome E viram o poeta fazer disso, canção Agora, tudo isso acontecendo E você aí...afundado num sofá Teclando no seu celular Conectado ao mundo inteiro Protestando contra o sistema Dos coxinhas e dos truculentos Entre foices e martelos Sem sair do seu lugar Feliz de quem deu milho aos pombos E viu que eles são reais Hoje você voa tão alto quanto eles No seu mundo virtual Grita bem alto em seu perfil Esse seu jeito de herói varonil Enquanto do seu lado o silêncio Afasta todos os seus amigos Afunde seu derrière no sofá macio E deixa morrer de fome os pombos na praça Enquanto os tiros dos canhões disparados Atingem seu alvo real (Nane-19/05/2015)

RODA TUA BAIANA SALVADOR Salvador, Salvador O que é feito de ti
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RODA TUA BAIANA SALVADOR Salvador, Salvador O que é feito de ti És filha do grande Criador E teu nome te conduz Cidade de puro sincretismo Respira por teus becos e vielas Tuas ruas e avenidas Todas irmanadas religiões Salvador, Salvador Porque fostes castigada Com tanta severidade E tantas vidas perdidas Que fizestes Salvador Teu povo é só amor Foi aviso da mãe natureza Para cuidar da tua beleza Ah Salvador... Que teu povo seja confortado Por todos os Santos que em ti moram E que sejam (também) por eles ensinados Que teus dirigentes se orientem No respeito ao meio ambiente E te reestruturem com o mesmo fervor Dos fiéis filhos de São Salvador (Nane-20/05/2015)

LATENTE LOUCURA Ferem-me os sentidos Revividos num instante
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LATENTE LOUCURA Ferem-me os sentidos Revividos num instante De sanidade latente Acabrunhada... Doce loucura Que me priva do verossímil Conduzindo mi'alma Sem amarras ou grades Viajante espectro Livre de acepção Mergulhando em rios Correndo pros mares A culpa destoa Da santa loucura Quando emerge do nada A mais (ainda) louca sanidade Ferrolhos trancafiados Pesando na alma Aflita que vaga Encarcerada no corpo Sou meio e tudo De um inteiro partido Na luta perdida Do certo e o errado Vago na minha sanidade Contida em meus desejos Enquanto na minha loucura Vivo o meu bem querer (Nane-16/05/2015)

MENTIRA VERDADEIRA Por que te amo Nada me é permitido
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MENTIRA VERDADEIRA Por que te amo Nada me é permitido Além do desejo De te ter E por te amar Nada há de ser limitado Dentro do meu querer Mesmo sem poder E por nada ser verídico Insisto em te amar Mesmo que nunca te tenha Além do pensamento E por seres só uma mentira Te faço de verdade Em todos os meus desejos Não realizáveis E por não existires Tornas-te meu maior desejo E vives em meus devaneios Tornando-te real em mim E por seres meu maior amor Me entrego e morro Quando percebo que és mentira E eu a tua verdade Perdoa meus desatinos E entenda de uma vez por todas Que de uma tola mentira Fiz minha maior verdade (Nane-17/05/2015)

FANTASMAS DA MADRUGADA É sempre na calada da noite Que sobrevoam sobre mim
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FANTASMAS DA MADRUGADA É sempre na calada da noite Que sobrevoam sobre mim Os fantasmas insinuantes Bailando nas sombras De encontro à fosca luz Que transpassa na cortina Esvoaçante... Suas vozes melancólicas Incompreensíveis para mim Incomodam o meu sono Conturbado e confuso Já me acostumei a eles E o medo, em mim, não faz morada Perturbam minha mente delirante Moldando sempre uma só imagem Do rosto que zombou de mim Com gargalhadas escancaradas Aos gritos de "iludida" Por ter acreditado no amor Insone, viro e reviro Tentando não ver O rosto que quero esquecer E meus fantasmas não deixam Estuprando meu cérebro com imagens E vozes incompreensíveis As luzes da cidade logo se apagarão E a aurora anunciará um novo dia Descansarei enfim, na labuta diária Dos teus olhos frios que me olham Moldados pelos fantasmas que me rondam Todas as madrugadas... (Nane-18/05/2015)