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Frases de Nanevs

144 frases

Some de mim Me deixa assim Visando meu fim
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Some de mim Me deixa assim Visando meu fim Manchete de pasquim...

Manchete de pasquim Esse seu silêncio Grita em mim
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Manchete de pasquim Esse seu silêncio Grita em mim Feito badalos de sinos que tonteiam Desnorteiam... Saber de você Ainda que pouco Traz meu norte Piso no chão... E o pensamento Que viaja sem rumo Quando te perde Vaga no escuro... Imagina coisas Fantasmas telúricos Tocando seu corpo Chicoteando o meu... Some de mim Me deixa assim Visando meu fim Manchete de pasquim...

A tristeza do poeta Por onde anda a poesia Que fala de flores
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A tristeza do poeta Por onde anda a poesia Que fala de flores E rima com a alegria Vidas e amores... O que foi feito com o poeta Mergulhado na penumbra De toscas inspirações Sem nenhum valor... Secou sua fonte Perdeu seu lirismo Deixou-se afundar No mar de lama De palavras profanas... Espantou a poesia Com seu semblante tristonho Restou-lhe uma tumba De versos mal feitos Lamentos inteiros De pura ladainha Dignos de serem Enterrados com ele Na sepultura de seu quarto Onde jaz seu fracasso De poeta covarde Que se deixa morrer E mata a poesia Com a sua agonia...

Tempo de acordar De novo meu sonho Esbarra na realidade
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Tempo de acordar De novo meu sonho Esbarra na realidade O vil metal Destroça tudo Não posso nada Sonhar é lírico Despertar é duro... No concreto da vida A argamassa temperada Calcifica tudo Endurecendo a alma Que em vão tenta sorrir Mas está condenada À sobreviver Concretamente... Desistir jamais Bato em retirada Não é hora de sonhar O relógio me avisa É hora de acordar... Recolho meus sonhos Refaço meus planos Espero pelo tempo De tornar a sonhar

De novo O que faço agora Sem você comigo
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De novo O que faço agora Sem você comigo É tanto vazio Estou perdida Sem saber de mim Amanhã talvez Eu consiga me achar Me levantar Traçar novos planos Quem sabe Sonhar Vou levar você comigo Por onde quer que eu vá A vida tem que continuar Não se pode parar É preciso caminhar Mas a hora é de lamentar A solidão que ficou A dor no coração Chorar de saudades E fazer samba canção Amanhã talvez Eu consiga recomeçar Dar a volta por cima E quem sabe De novo... Amar

Aprendendo a me amar Não quero mais dizer "Eu te amo"
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Aprendendo a me amar Não quero mais dizer "Eu te amo" Para tentar me convencer Que deixei de te amar Ou pelo menos Para que eu possa prosseguir Sem ter que tanto chorar Não quero mais dizer "Eu te amo" Preciso abrir o coração Para que outro alguém Tome o espaço Agora vazio Que ficou Não quero mais dizer "Eu te amo" No afã de sobreviver Com a ausência tão invasiva Preenchendo todo o espaço Me deixando em pedaços Não quero mais dizer "Eu te amo" Não por ter deixado de te amar Mas para que eu possa Quem sabe Aprender a me amar

Além do nosso horizonte E quando Nas noites de verão
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Além do nosso horizonte E quando Nas noites de verão A gente andava Descalços na praia Molhando nossos corpos No quebra-mar Sonhando com um horizonte Onde iríamos nos amar... Eram tantas as fantasias Que a gente se permitia Sonhar... Onde foram parar Os desejos loucos Os planos traçados De ficarmos bem Os sorrisos soltos Transformados em gargalhadas Pelas bobagens que falávamos Ah meu amor... O vento se encarregou de soprar Para além do horizonte Que ousamos tentar alcançar Todos os nossos planos Todos os nossos sonhos Que friamente se acabaram Numa noite fria de inverno Quando já não mais andávamos Descalços na beira do mar

Um grande amor vivido Você se foi Mas ficou em mim
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Um grande amor vivido Você se foi Mas ficou em mim A vida se encarregou De separar você de mim Deixando o seu melhor Motivos não há para lamentar Tristeza...essa vai passar E o dia virá Em que te farei poesia Sem melancolia Agradecendo a felicidade Por ter te encontrado Posto que é privilégio De bem poucos Ter vivido um amor Que valesse uma vida Virá o dia Em que a minha poesia Relembrará com ternura Nos versos que farei Dos momentos eternizados De um grande amor Que se passado Jamais acabado

Palavras no olhar Falo No meu silêncio
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Palavras no olhar Falo No meu silêncio No meu olhar Falo... E digo Tudo o que há Por dizer Sem ter que falar... E se não ouves É simplesmente Por não olhar No meu olhar... E o seu silêncio Mais do que o meu Diz tudo O que eu não queria Escutar...

Paradigmas Escrevo meu eu Em linhas tortas
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Paradigmas Escrevo meu eu Em linhas tortas Que bem diferentes Das do Criador Não chegam retas Ao seu final Meu eu é enigma Não sabe de si E não entende quem lê O que escrevi Paradigmas de mim Perdido nas entrelinhas Das minhas poesias Espero que o outro Poeta maior Faça das linhas tortas Do meu enredo Entrelinhas melhores Que as minhas E escreva certo O meu eu poesia

De bandeja Rasgo minhas veias Em palavras natimortas
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De bandeja Rasgo minhas veias Em palavras natimortas Sujas do sangue Esvaído do coração Abruptamente parado Seco Mero músculo sem vida Servido na bandeja Da morte Parou no sinal vermelho Não pulsa mais De nada serve Talvez ainda seja possível Servir de alimento Aos cães vadios Que rondam esfomeados A bandeja vermelha Com o coração parado Servido

Adormecidas Adormeci Todos os meus quereres
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Adormecidas Adormeci Todos os meus quereres A anestesia entorpeceu Todos os meus desejos E à Cesar o que é de Cesar Foi dado com louvor Nada peço e nada quero Além do meu recolhimento Na terra Busco bem mais do que plantei Sujo(?) minhas mãos já calejadas Mergulhando-as no estrume Que ironicamente Dará vida ao alimento do meu corpo E da minha alma Poesia não enche barriga E a minha há muito não rima com nada É pobre tanto quanto sua autora E numa mesma cama Adormeceram A terra Que por ora me serve Se servirá de mim E serei adubo Se não de flores Dos vermes que me aguardam Pacientes e certeiros Do banquete à ser servido Adormeci somente Enquanto sobre a terra, ando Que me seja leve quando sob ela Me deitar de vez

A espera Era para ser apenas uma brincadeira, mas o destino, como quem quer brincar também, resolveu interferir e revirou tudo sem se preocupar com as consequências.
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A espera Era para ser apenas uma brincadeira, mas o destino, como quem quer brincar também, resolveu interferir e revirou tudo sem se preocupar com as consequências. Uma teia, um amaranhado...e ela lá, cada vez mais se embrenhando, sem sentir o perigo rondando. Não teve nunca a intenção de machucar, ou mesmo de iludir. Só queria mesmo se divertir. O mal estava feito, mas ela não percebeu. Embora como que por intuição, se aproximou mais e mais do precipício. Deixou-se envolver e ladeira abaixo mergulhou, crente estar segura... Nada mais importava, só o fato de alcançar o objetivo da sua loucura. A meta desejada e insanamente buscada. Não percebia que o lume era lodo e que cada vez mais a arrastava às profundezas sem deixar possibilidade de voltar. E ela mergulhava cada vez mais fundo... A teia ser formou, asfixiou. O ar já rarefeito, faltando cada vez mais...pediu a Santa que a aliviasse. Fez novena, rezou o terço, se ajoelhou, implorou, chorou. Mas a Santa não a ouvia...parecia surda, ou quem sabe ouvia apenas quem sabe rezar (não era o seu caso). A noite, que antes se fazia clara e com luar, agora se faz negra e fria. O ar, que faz falta aos pulmões, também negros e doloridos, é fétido e escasso. Ela clama pela morte. Chama-a a todo instante, não suporta as dores. As teias a prende com tanta força...enforcam, faz doer e doer e doer...se ao menos pudesse dar fim a tudo... Uma bala na cabeça, um veneno fulminante, um suicídio honroso...ainda não. O tempo não para, e a mãe espera dela, mesmo sabendo que já não pode dar o que precisa. O poço é profundo. A luz não existe, só a escuridão...as vozes que ouve são de seres nefastos induzindo-a à morte. Ela vai indo...mais e mais...se afundando na lama fétida. Não precisa mais de mão alguma. Sabe se matar sozinha...mas ainda não pode ser agora. Alguém, que também se vai (para o céu), tenta desesperadamente ficar, na mera e vã esperança de acender a luz nos olhos dela. Tenta em vão mostrar que o túnel pode acabar e o sol surgir.E nessas mãos entrelaçadas, da morte boa com a morte má, o destino vai brincando enquanto elas não chegam. A mãe, fragilizada e caquética, carrega com galhardia o peso nos ombros da filha mergulhada nas teias que teceu e que agora não sabe se desvencilhar. Esperam pela morte que teima em não chegar. Esperam unidas pelo fim amargo que hão de as separar num outro plano.