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Frases de Naeno Rocha

424 frases

SONHO Não, nem dormindo, quando abro as pernas Sinto a liberdade que cubram meus dias
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SONHO Não, nem dormindo, quando abro as pernas Sinto a liberdade que cubram meus dias De amar a quem colherá os meus prantos ... A dedicada que prefere a mim à vida. Nem sonhando tenho as carícias do sol. E o sonho é tempo calculado como vida Porque neles nos aventuramos e somos Débeis, cobardes, ardilosos e clarividentes. Não, nem dormindo eu sonho mais Tudo fica tal e qual o real como um pesadelo. A ausência fortifica o sonho E o sonho debilita-se, e não há remédios Que diretamente, toque no sistema nervoso central A atacar a dor nociva canibalesca. Sonhando estamos dormindo sem cuidados E nos tornamos fáceis como a presa solta. E quando sonhamos, somos nós A presa, o predador, e nós por piedade. Nem num sonho extenso a vida é compassiva E avisa: Já que veio, tome arreio E se constrange além de nós o sono de liberdade. E se completa de medo. E abrimos os olhos.

EM TUDO ÉS É necessário que a saudade sobreviva por muito tempo Porque assim eu te projeto em qualquer branco
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EM TUDO ÉS É necessário que a saudade sobreviva por muito tempo Porque assim eu te projeto em qualquer branco Que a me inventar redobro os cuidados do meu amor. Qualifica-me a ausência a te pensar pelo tempo Dá-me honra e alegria o teu amor sucumbido em mim E não me resta outro pensamento que não seja saudade. Já falei de saudade, com esta, três vezes E em todas ponho-te dentro Te imagino na figura que na lonjura dos meus olhos Construo as tuas diferenças e valorizo E por elas me arrebatei primeiro Visões que tenho pensado como os dias de manhãs No tanto que amo as tuas partes comuns Como os teus olhos, que são os mais bonitos Teus cabelos, que são mais macios e cheirosos Tuas pernas, mais lisas de uma única cor Tua boca, mais generosa e mais gostosa.

CIRCUNFLEXO Quando me chegas colada a mim Eu te afianço os cuidados das minhas mãos
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CIRCUNFLEXO Quando me chegas colada a mim Eu te afianço os cuidados das minhas mãos Como se fora uma ode para ti E me esguicho frente aos teus olhos Tornando-me rio de águas de cristais. Para o meu infortúnio Tu pouco me abraças E neste desejo calado É que eu te amo amordaçado. Me ponho a olhar para o meu jeito Nma postura bem comum e torturada. Entregues a ti, os meus braços me castigam Refreio em minha boca algum gesto E me perguntas: como vais comer Como vais beber do que tu gostas Como, depois, desta besteira Vais acariciar novos amores? Recostado em mim na posição de escora Um anjo dorme seu sono do céu E quando acordas da premonição acertada Falas o meu nome e me dá-me Tudo o que tinha apagado de mim E tudo o que me fazia falta.

VIDA A vida é pra ser consumida Cada dia como se o porvir
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VIDA A vida é pra ser consumida Cada dia como se o porvir Não nos interesse E o passado não houvesse. Como um vinho agradável Que se bebe gole a gole Sem enxertarmos nela As sombras de outros dias Tentando o seu sabor De cada gole de cada dia. Quando a alcançarmos Já estaremos trôpegos Vendo o tempo decadente Por nossas lutas e sabor Contando, e lembrando A sua intensidade E quão diferentes vamos ficando Nos dias e nos goles deglutidos. Cada gole de cada dia Como se nada houvera acontecido Sem sabermos que estamos Bêbados, porque estaremos Sob o efeito do vinho bebido Dos dias passados um a um Da forma como contamos A sequência dos milímetros.

UM DIA, DOIS DIAS Um dia sonhamos ser Outro dia queremos nascer
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UM DIA, DOIS DIAS Um dia sonhamos ser Outro dia queremos nascer Romper a cortina que dá para o mundo Um dia queremos ter Um leito e um amor que vigie Um dia queremos cifrar A música de nosso afeto No pentagrama que não sabemos ler. Outro dia queremos ser astronautas E voar muito além da lua E nos precipitar na descida leve Um dia sonharemos ricos Carregados sob os ombros de outros No comboio de desconhecidos. Um dia aspiramos ouro em pó Em outros dias espirramos cristais líquidos. E nos entregamos à fraude da manipulação das horas. Um dia sonhamos num país abastecido Outros dias reconhecemos que nada disso Nos interessa, que só tem valor o sonho. Um dia queremos a passividade E nos dispomos a não tocar em nada Porque nada é nosso E não podemos guardar. Um dia, um dia, dois dias. Dia de chuva, dia de sol Dia de não se ver o arrebol. E entendemos a nossa voz bemol.

O RIO O rio corre calmamente Sobre o seu leito quente e macio
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O RIO O rio corre calmamente Sobre o seu leito quente e macio Cada conversão é um dia contado Outros dias serão de folhas mortas E escoras de cercas antigas. Que o rio toma como alimento. Teme o seu mergulho no mar Mas pondera que ele não há. E vai levando horas no seu leito Dias boiando rumo à distância. Compartilhadas com o sol Que dele se nutre e o acompanha A qualquer recanto, sob qualquer tempestade A noite, o rio corre sozinho E se esparge em leques na tolerância do mar Que definitivo será sua ida, sem fim Ora doce, ora salgado. Ora fumante, ora tragado. O rio conta a nossa existência Pelos marcos nas encosta Que se somem quando se enche E aparece, se vai secando. E o rio não tem fim Caminha empurrado por ele Pelas ribeiras tocada a remo Assim é que o mundo vai passado Assim se faz o extremo da minha saudade.

PÁSSARO Existe dentro de mim um pássaro De caráter improvisado
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PÁSSARO Existe dentro de mim um pássaro De caráter improvisado Um pássaro de uma só cor Esverdeado quando é notado E de uma cor alheia Quando emudece a precaver minhas fronteiras Neste tempo de voz calada Não tem canto, nem tem encanto. Eu já gosto do caráter repentino Porque ao seu tempo Quando quer me agradar Ele canta as minhas infâncias e o meu mundo Que já tive, como donatário, de papel passado. Quando eu era criança o mundo Era do tamanho do meu quintal E tinha quatro fronteiras Dos limites, astuto que nos impunha. O pássaro cantava e me agradava Eu tinha no meu mundo pessoas sensatas e alegres Alegres e diplomatas. Agora quando avisto um pássaro Num oitão de uma casa velha cantando na minha espera Eu fico a vislumbrar o seu canto e me inebriar Se ele tem as penas esverdeadas. O pássaro porém, não lembra Que já morou no meu coração De que já foi meu um dia Que por ser o meu, por meu desatino Ele pegava vôo muito acima. Mais alto que tudo, adiante mais que as nuvens Aquele pássaro já foi meu Hoje adulto é das alturas.

PLANO DE VOO No plano alucinado Já no degrau maior
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PLANO DE VOO No plano alucinado Já no degrau maior Estrelas se enroscam em mim E eu tomo conta delas. São jorge é uma ilusão. Não acreditem que São Jorge É um guardião da lua Quem poderia fazer mal a lua Uma mulher solitária que só vê seus filhos Não acreditem em São Jorge. O homem por sua conta Criou os dogmas, as ilusões, os mistérios E por todas as naus Que singram o luar disperso Não nos trazem informações sobre O que se preferimos ver com nossos próprios olhos Porque o encanto se demudaria um quebranto E as infinitas entradas trancadas Por rendas de sedas e ornados Se concretizariam tais as madeiras Das portas de nossas casas. No plano dos sonhos tudo acontece Da forma que ninguém fale Aqui os mistérios são tratados como mistérios E não nos entrançamos com estrelas Nem damos de comer à lua E a chamamos bonitas Porque não vive entre nós E a distância de nós a ela É motivo de pesquisa da NASA.

É preciso tocar as palavras Como quem experimenta sonhos A que se exercite o seu sabor
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É preciso tocar as palavras Como quem experimenta sonhos A que se exercite o seu sabor Que a escrita inteira tem. É imperativo esta harmonia Na poesia nada se estanca. Ou exageradamente continua Se não temos o tamanho da palavra E o seu sentido Na remoção de sua fragrância. De forçoso impacto da letra no papel Assim se justifica o peso que nós somos A disritmia do compasso que queremos ter E damos a poesia a afeição da gente E terminamos a andar ao lado dela Que por elas já nos impulsiona amar. É necessário amar a escrita Para nos tornarmos íntimos do amor Que o amor é típico das letras rimadas Esperançosas as graças omitidas E o que fizermos será por nossa conta A palavra, o seu sentido As batidas do coração E isto povoará a nossa necessidade De darmos nome à palavra Amar e ao amor.

SAIR DE VENETA Sair, só por sair Não é da noção de nenhum mundo
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SAIR DE VENETA Sair, só por sair Não é da noção de nenhum mundo O que farejo aqui tem o cheiro de lá Por em prova a minha cabeça Temo perde-la e não mais encontrar. Sair com a convicção da ponta da estrada Me fortalece, a minha vida ter a noção Do que distribuem por lá Se não estão em litígios os outros de lá E venham a me confundir com seus desafetos E eu não levo nenhuma arma Nem empunho a armadura Que me preservem dos dias. Sair só por querer Não releva o meu nascimento distante E ninguém me conhece por aqui Sugar do tempo esta revelação Me foi doída e de nada serviu Porque eu sou a própria imagem De todos os dias que levo Do que tentei e não consegui Não para mim, nem para os outros Comboios o que me levas Deixas o meu nome, no livro dos sumidos Não leva a minha razão nem os meus olhos Não cabe nos teus surrões Ima parte dos meus sonhos Sair só por sair, Sem sentir, melhor ficar por aqui.

PÁSSARO Existe dentro de mim um pássaro De caráter improvisado
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PÁSSARO Existe dentro de mim um pássaro De caráter improvisado De cor esverdeado, e outra tonalidade alheia Quando emudece a precaver minhas fronteiras Neste tempo de voz calada Não tem canto, nem tem encanto. Eu já gosto do caráter repentino Porque quando quer me agradar Ele canta as minhas infâncias E me leva a ver outro mundo que já tive. Do qual eu era donatário, de papel passado. Quando eu era criança o mundo Era do tamanho do meu quintal E tinha quatro fronteiras Dos limites ardilosos que me espremiam. O pássaro cantava e me agradava Já fui protegido por pessoas sensatas e alegres Risonhos e de conversa boa. Hoje se avisto um pássaro Num oitão de uma casa velha Cantando na minha espera Eu fico a vislumbrar o seu canto Observando se ele tem as penas esverdeadas. O pássaro porém, não lembra Que já morou no meu coração De que já foi meu um dia Que por ser o meu, por meu desatino Ele pegava vôo mais alto Que tudo, adiante, mais que as nuvens Aquele pássaro já foi meu Hoje adulto é das alturas.

O ÚLTIMO ENDEREÇO Outros beberão os nossos sonhos E farão isso ainda quando sonhamos
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O ÚLTIMO ENDEREÇO Outros beberão os nossos sonhos E farão isso ainda quando sonhamos Os devaneadores do mundo Deixarão papéis com algoritmos De mapas de tesouros fincados aonde? Os outros de depois E escavarão o mundo todo Colhendo o que não amanham Distante se chamarão do nosso nome Legados para parentes, principalmente E isto não nos perpetua Porque o mundo e o tempo Coligados desde o começo Tratarão de derrubar O entusiasmo dos outros E lembrarão do esquecimento de nós E não terá mais sentido Nem pela noite nem pelo dia Lembrar-nos pelo que deixamos Nem como eram nosso nome Não erguerão, os outros, os olhos Pra nos lembrarem mesmo Se deixamos nossa assinatura No vão da parede que sustentam a casa E a casa, pelas pequenas intervenções de agora Já será deles, como invadiram Os filhos dos meus filhos Nos terão esquecido Mesmo que utilizem nossos nomes Repetidas vezes, a cada geração. Nem os nossos retratos amarelos Farão com que alguém nos lembre. Mas haverá, menos de um dia Em que lembrarão de nós encobertos Por várias cortinas, totalmente esquecidos E este pedaço de dia será Do dia que em que precisem urgentemente Da casa que fizeram para nós. O único, o último endereço E nós os acolheremos por ser mistério Estas fazes de Deus.

MUNDOS Porque me perguntastes Que beleza eu abraço como minha
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MUNDOS Porque me perguntastes Que beleza eu abraço como minha E por igual que se sugere São da generosidade de dois mundos Que valem o mesmo peso E a mesma medida. Um onde eu passo triste Como uma árvore Que derrama todas as suas folhas Na estação diferente ou pelo tempo É o mundo em que acolho E passo dias me desviando Das correntes de ar Que batem em minha pele fina. Passo para outro mundo O mundo que em tudo muda E me acoberto de flores amarelas Este tempo eu fico na alegria dos ventos Que encarecem os meus dias E eu cultivo outros brotos Como um pai natural Alguém que se atém a espera da beleza Como um tempo sorridente e próprio.

INACABADO Tudo o que pretendo feito Fica sempre inacabado
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INACABADO Tudo o que pretendo feito Fica sempre inacabado As respostas que me dou Algo na continuidade oco E não será permitido Partido de mim o maior sentimento que conheço Ou o único dessa coleção. Sonho e não prevejo nada Durmo desassossegado Olhando sem piscar Os acontecimentos no mundo Sonho por desatino dos pensamentos Que alimento na conversão dos valores. Quero ser um santo E não provar nada do que não seja abençoado E que eu não veja a cruz no centro. E nesta convenção do céu com a terra. Por força me esperam lá encima E os meus devaneios são escadas invisíveis Caminhos já percorridas Não espero a alternância dos dias Nem a permutação do batalhão em prontidão E sempre assim como me refaço Não lembro nas minhas visões. Sempre é alheio o meu alimento Todos os dias me são sacrifícios Que, certamente iniciarei Só começo, não terminará.

FUGIDIA Não ultrapassei do teu nome No caminho sem desvios
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FUGIDIA Não ultrapassei do teu nome No caminho sem desvios Nem pisei em tuas margens Quando me chamavas Pelos teus olhos Guardarei a lembrança De uma negrura que retive Na minha cabeça para sempre O teu riso, ainda me lembro Guardei-o em os meus ouvidos Agora te escuto quando te avisto Do teu nome porem arrependo-me. Antes de ver-te Aurora Eras o nome da primeira luz Agora és farpas nas minhas mãos. Carências, és meu desejo Um brilho que se ostenta na solidão Rente ao mais alto cume De onde grito teu nome. És uma torre além das nuvens Construída para os teus olhos. Não quero agonizar o castigo Que o teu nome me impõe Como uma crença medieval. E tu completas Com os teus olhos e o teu nome. Desabrigas a minha alma E sais com o meu coração.

CARTAS À MIM A tarde da tarde se põe num céu quieto E a noite já está chegando, eu não sei desse segredo.
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CARTAS À MIM A tarde da tarde se põe num céu quieto E a noite já está chegando, eu não sei desse segredo. Quero que me reconheçam por meu deserto Distante e longe do lugar do meu degredo. Marco o meu passado em um extenso mapa Lugares onde fui e ultrapassei O tempo com sua contagem, um desagrado As balizas nos caminhos de mim herdei. Não busco estrelas para saltar o pedágio Os meu desígnio é de saber quem sou E de num instante remoto, tempo ágil Vejo os alaridos no tempo que vou. Como tantos que se perdem na viagem Jurei outros caminhos mais verdadeiros E me retive na bifurcação que fazem Alma perdida, coração aflito, de mim mensageiro. Carrego o intrépido volume de cartas E escritos ilegíveis mandados à mim Num desaforo que vou desarmar Meu espírito santo e louco assim.

A MINHA HERANÇA Acabado aqui o protocolo de saber a vida Já serei outro
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A MINHA HERANÇA Acabado aqui o protocolo de saber a vida Já serei outro Mais astuto, mais bem humorado E guardando sonhos para o presente. Despachado a última assinatura Vou ter o consentimento De chamar o mundo “meu”. E me porei de pé e proclamarei A minha posse sobre os alqueires Que me tocaram das heranças minhas. Não tendo nada de urgente pra fazer Indagarei algo que eu possa destruir Com a minha artilharia Num compulsivo choro de júbilo. Terei o que fazer e não me farei de obsecrado. Erguerei a enxada como uma espada Acompanhada para a rumo aos artilheiros E aí cercarei, e ararei o meu rancho. E depois plantarei sementes prenhes Que repousam deste o ano passado. Se ocupadas todas as cadeiras da vista boa Eu ocuparei o lugar atrás da coluna E se acaso o relato da sentença for anunciado, Já estarei preparado para trabalhar em silêncio.

GOLFINHOS Não é uma por nos festejar Que os golfinhos de Fernando de Noronha
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GOLFINHOS Não é uma por nos festejar Que os golfinhos de Fernando de Noronha Nos assediam, como brincam Neles tem o medo de que nós Desejamos num relato de bordo Seguir como conquistaram e se impuseram Nossa nobreza falida Eles temem por eles por que já sabem de nós E de nossa visão direcionada do arpão E assim, um batalhão nos segue Como quem quer que os desocupemos E nos aportemos fora de suas famílias Enquanto o mar não se findar Já noutras terras. Aqui é o encanto deles A lua sorri pra eles e já são cativos Também das estrelas Que continuam pelas águas descobertas. E quem protege o coração contra o feitiço Da liberdade de bater bem como quer Esses peixinhos são por Deus também pessoas E por isso lutam A ver o mar entregue. Ali eles nasceram se amaram Como gente comprometido Com o amor de fazer tantos alaridos. Chega a noite e com a mesma visão líquida Eles se aportam na calma do mesmo mar.

EXTRATO DE AMOR O meu amor tem encantos que outros não tem Tem as coxas grossas
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EXTRATO DE AMOR O meu amor tem encantos que outros não tem Tem as coxas grossas O andar suave como o de uma bailarina Voando sobre o linóleo O meu amor tem os olhos lapidados na água Com sua candura imprevisível. Meu amor tem a fala Que se entende pelo olhar. Meu amor segue um caminho Que é o mesmo meu Antes de mim Como um anjo cuidadoso. Meu amor pinta as unhas da cor carmim A cor da promessa que os outros não entendem. Meu amor não é muito alta Nem baixa que alguém perceba É do tamanho da ribalta De onde se ouve o concerto inteiro. E do perdão que se aconselha. Meu amor tem meus cuidados Da forma que cuida de mim O meu amor não é pesado É do tanto que carrega o meu coração Leve... E corre por todo os rios E se abre dentro de mim Como uma fecundação sem riscos E da extrema felicidade.

AO OCASO À AURORA Num abstrato sol que eu estranho Reside a luz que emana de ti
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AO OCASO À AURORA Num abstrato sol que eu estranho Reside a luz que emana de ti E que me absorto por jatos de cores Na temperatura dos teus olhos Que se deslumbram. Os homens preferem as noites densas Por sobre a lua E elas não são deles Nem queima Nem se origina de uma força eletromotriz A luz avermelhada do sol Destaca o fogo das caatingas O maldizer de quem se amedronta e conta as horas Face da lua toda branca e reticente Em fases se distrai e passa Do horizonte dividido em pedaços de estrada. O sol tem uma estação na mesma posição E como a velha locomotiva Não se cansa e precisa de mais gravetos E quem lhe alimente em sua fome voraz. A lua renasce em partes por vezes se arremete À terra por discos voadores. E nós voamos também além horizontes No dia pela amarelidão da luz À noite pelo foco brando do luar.

UMA IDA UMA VOLTA Buscamos um começo Para tudo
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UMA IDA UMA VOLTA Buscamos um começo Para tudo E nos envolvemos mais Com esses retornos Que esquecemos o presente embrulhado Posto debaixo da cama Como um despertador de guizo Que se dispara a cada volta ou a cada retorno Tanto a volta como o retorno Podem ser na ida para o começo E o começo é perigoso tal como é o retorno O retorno pode ser a ida Como pode ser a volta. E neste vai e vem cumulativo Vemos as mesmas coisas que já vimos E sentimos tudo o que á choramos. Não é bom pretexto para rebuscar a si próprio Não, por que há engano em tudo E em tudo o tempo tem mexido. Eu não posso chegar no meu começo Usando as roupas que estou vestindo Pois já é uma ofensa à trança da vida O que aprendemos está incluso em nós Portanto quando vamos ou voltamos Não somos aceitos em mais nenhum lugar Do mundo, que deixamos de cabeça para cima É tal a confusão que fazemos E por nossa própria inteligência Saberemos mais cedo ou tarde Que negligenciamos ao não vivermos Cativos aos muitos presentes Nem nos perpetuamos seguindo-o Tanto que estamos soltos No livre fazer, na relação De tudo o que somos do que fomos.

JUNTAI Juntai-nos Senhor em um rebanho De forma que revistes e que não corras
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JUNTAI Juntai-nos Senhor em um rebanho De forma que revistes e que não corras As distâncias separadas como um vento que nunca pare Nós estamos todos perdidos Na distância e na palavra E aqui tomo a liberdade de Vos avisar Usai da mesma ração que todos gostam E espalhe ao chão do mesmo lugar A que nos vicie a que todos nós pousemos lá Porque quando não estivermos bicando a comida Vamos estar nas redondezas esperando o dia Juntai-nos Senhor em um mesmo pôr-do-sol Porque criaremos o vício também do olhar E porque como o artista criastes o sol poente Usando todos os pincéis e tintas Com a intenção de que nestas horas Todos os olhos do mundo Se ponham a contemplar a mesma beleza. Usai desta mesma luz Para nos encontrar ainda com raios do dia Para depois fechares as portas A só abrires no outro dia, que não quero prever. Abrigai-nos todos no mesmo aprisco A que todos nós contados e marcados Estejamos todas as cem ovelhas Do vosso rebanho multicor.

PRESENÇA È necessário que se complete a saudade. A ansiedade de perder e deixar
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PRESENÇA È necessário que se complete a saudade. A ansiedade de perder e deixar Ainda é uma esperança para o que esperamos Se somos aliados do amor e dele nos nutrimos Num frêmito negrume do teu olhar enciumado. E temos tudo que possa chamar a saudade sentimental E não arda tanto, não mexa nosso coração. A saudade é uma espera aberta Que nos ama e ama a outrem E dorme, e acorda, e vai, e vem, conosco. Se por acaso o amor que sentimos For da mesma verdade de que amamos A saudade fica como em desuso Sem sentido. E convém não deixarmos de lhe vigiar. Existe o amor volátil que a gravidade imática Que fixa no ponto do centro Que nem a lua em mesmo o sol podem precisar. O amor vaga além dos limites da terra e do vazio Acima das nuvens de claras de ovo E quando ele aporta, foi por esta desventura De permanecer fora Mais que o tempo disfarça.

MUDANÇA Se acaso, abstrato até do que tenho sonhado Ainda estou neste mundo só comigo
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MUDANÇA Se acaso, abstrato até do que tenho sonhado Ainda estou neste mundo só comigo E, sincero ao que já não serve nada Pelo mesmo caminho, quase à metado sigo. Domina em mim desfeito o que já contei Como meus sonhos aberto que falava E muito pouco daquilo que provei O amargo e o doce do acordo programado. Aí me solto, abro as mãos e tudo largo E conto o tempo, nutro a minha aparência E me confundo se fora tudo sonhado Ou de verdades que me dói a consciência. Se em outros lugares a vida teme aportar E de pequena, se fazendo, triste dormir Se por encanto a lua e o sol ficam a desenhar As mesmas dores, esperanças pressenti.