Pular para o conteúdo

Frases de Naeno Rocha

424 frases

CORAGEM Chega o tempo em que nossa coragem se perde De nós e vira um espectro a nos afligir.
Continuar lendo

CORAGEM Chega o tempo em que nossa coragem se perde De nós e vira um espectro a nos afligir. Também, que para nós corremos o medo De nossas próprias sombras E trememos em sentirmos a ausência De um braço largado sobre o nosso colo Nas noites de sono e de insônia. Atingiremos, com sorte, o tempo em que absortos Passamos a retocar o cosmos Sonhando com estrelas e lua E o vácuo infinito que nos cabe estrelas e lua E passamos a contar aos outros Que não temos certeza do que somos De onde viemos e aonde andamos. Da noite fica o sentido de que tudo abandonou-nos E não podemos ter a noção do tamanho que somos E que já fomos maiores nos desejos Nos sentimentos, e no espaço que continha-nos. Chega o tempo, para quem tem sorte, Que parecemos trocar um abraço com a solidão.

SEQUENCIAL Por haver já passado o ontem E já o veio com um presente
Continuar lendo

SEQUENCIAL Por haver já passado o ontem E já o veio com um presente Nada de nada quero trazer ou lembrar Porque o inexpressível que se chama Da onda de vento que varreu, bem apagou Os pontos que formavam outra vida De uma seqüência de dias e do próprio ainda Quando andávamos brincando com o começo. Está lá na extremidade acima O desatino de nossa sorte Que não fizemos ou construímos De forma errada, nos era cobrado A que fizéssemos certo. E está lá no fim de baixo O emaranhado de estopa E a marca de muitas mãos Circundadas por outros gestos A forma de consultar o mundo. Tudo apenas começou e já somos errantes No caminho do centro Longe do que poderíamos Aprender com as formigas Atrevendo-nos qualquer direção Com os alinhavos nas mãos E um nó de ponto cozendo nossos pés também.

CAROCHINHA Quando eu era bem menino Gostava de ouvir estórias da carochinha
Continuar lendo

CAROCHINHA Quando eu era bem menino Gostava de ouvir estórias da carochinha De não bater pestanas, Engraçado, como a vida se protege Como o tempo passa Por tantos temerosos À vezes chegam a marcar a alma. O medo é companhia dos animais Quem não tem medo Fica sem comer E sem dizer palavra alguma. Apenas os meninos Por um período muito curto Enfrentam o medo. E renegam sua companhia, Por que morrem de medo E se protegem no adulto Fitando os seus olhos e catando gestos Preparado para correr Se o adulto se movimenta. Quando somos meninos mesmo Temos medo das estórias E não tememos a carochinha Hoje pretendo contar Os pousos dos animais Ver suas peles e penas multicores A deduzir que tenho o mesmo medo Das estórias da carochinha!

DIA E NOITE Passei a ter medo da noite Não de noite
Continuar lendo

DIA E NOITE Passei a ter medo da noite Não de noite Quando não vemos os ameaçadores do dia Quando a gente ver o que é daquele dia Com mais acepção e precisão. E se previne a noite E pensamos com a luz do sol, no dia Que não tem nada a ver com a noite De noite temos as sombras dos sustos E por ser igual às noite, das sombras Nada podemos ver, na noite. No dia o que não queremos ver Somos forçados também a conviver E as orações que cantamos de dia Parece não terem o mesmo sentido Quando o fazemos no lusco-fusco. Resguardo-me com o meu coração de adivinho Que a noite é um destino E é cabido limpar os seus caminhos Que se escondem destras das árvores Que gritam ao mesmo tempo Que a onça grita De dor, parindo De amor, que é ameaçador,

CURTA AUSÊNCIA Ainda não passou o curto tempo E eu já te busco pelos lugares
Continuar lendo

CURTA AUSÊNCIA Ainda não passou o curto tempo E eu já te busco pelos lugares Com o que há de nós O que guardamos Nossos mantimentos Do bem sonhar da alegria. E não é do amor Que semprfe sintom, agora Quando não miro os teus olhos Quando me vejo também nesta estória O amor é só por ti, São por ti todos os gestos que voltam agora Mais demorados e cheios de agonia. Sei da temperatura dos teus olhos Do custo alto desta prematura lembrança. O tempo ainda não é presente E eu já mordo o meu lábio Querendo tornar-me tu Ou que sinto por ti, para ser grande O amor, que, é, e tu me amas. A confusão que o meu coração tenta desemaranhar Quem saiu fostes tu Ou terá sido eu? Isto gera uma situação de desordem Criada por nossas ausências, Quando não é tempo para Nada julgarmos Neste andamento que ainda te vejo e mal saístes Tenho todas as visões no tumulto de ir e vir. A temperatura do teu lábio Reticencioso ainda por me provocar Antes de me abraçar com intensidade Abocanhado pelo teu corpo Só isto, só isto, nada mais Nada, além disto, sou capaz.

O AMOR TEM DESSAS COISAS Ai, o amor tem dessas coisas Ora ele se mostra outras nem se vê
Continuar lendo

O AMOR TEM DESSAS COISAS Ai, o amor tem dessas coisas Ora ele se mostra outras nem se vê E é assim meu bem que eu sei lembrar de você. Me adianta toda vida Este amor que tanto amo E assim vivo dos seus beijos Nas medidas que há no mundo Eu também me sinto assim Me acalma amor Os seus beijos repetidos Tira amor de mim de onde mais tiver Que é preciso ser, Quem muito fala amor de ti. A precisão de não querer seu teu amigo Por que eu amo e assim só fico A desejar e me maldigo Na inconfiança .

DE VERA Será o teu amor mesmo de vera Que os meus sonhos nãos são quimeras
Continuar lendo

DE VERA Será o teu amor mesmo de vera Que os meus sonhos nãos são quimeras És tu que estás a me beijar. É o nosso amor de uma nascente Que vem antes de eternamente Em nossas vidas desaguar. Terá, este sentido, o do meu canto Que toca em mim como um acalanto Amando a ti, quero sonhar. Certo, eu vejo em tudo primavera Tira meus dias esta espera Quanto mais dou, mais quero mais. Gera do sol nascendo a longa espera O teu beijo que de amor me intera De boca a boca me salvar Tenho amor por ti, a devoção Que falo em ti na oração Do amor que eu sinto saberás? Espera, o teu caminho leva o meu E eu te calculo neste breu Do meu olhar te cobiçar A terra é mesmo o nosso paraíso E pra te ver eu não é preciso Ser um arcanjo, nem voar.

MINHA ALDEIA Aldeia conquistada, da minha saudade! Pedaço, quase nada de terra, e nenhum herói.
Continuar lendo

MINHA ALDEIA Aldeia conquistada, da minha saudade! Pedaço, quase nada de terra, e nenhum herói. Não foi necessária a força, o cerco embaçador Para se tornar terras de ouros. Porque num abalançamento que fiz Nada é tão belo e não Como este lugar suspenso Por dentro dos meus braços. Aldeia que por meus olhos seletivos em séries Identificadores dos reais caminhos Que hoje não se sabe E daqueles que são convites a que eu não vá Que darão em outros fundos que não conheço Mas que me têm recomendado Numa escultura de bronze, Já na entrada da aventura Que também é saída dos que não visitam Suas instalações seus primórdios E saem em retirada pisando o contrário Que não era previsto quando Eu demarquei a tua face estrema Tuas vias tornas que dão a ver quase todas as casas Província, porque os teus conquistadores Em nada te recuperaram Não tiraram nem colocaram sequer um adobe. Há uma razão para eu ter sempre saudade de ti Que alguém arrebatou por acharem que ela Era mesmo o lugar que conscientemente de Seus elevados se tinha a vista do restante do céu.

ZELO Tenho tanto zelo pelo amor Que não o recomendo a qualquer um.
Continuar lendo

ZELO Tenho tanto zelo pelo amor Que não o recomendo a qualquer um. Só aos íntimos puros, aqueles Cujos corações não só cabem mais amor. Tenho a vida toda para negar-te A superfície de salvamento, Tu que impassível Valorizas não o amor a ninguém Porque gritas por um nome Que não é dos teus referidos? O amor adoça a boca antes de tocá-la Porque negar esta cobiça que possuis Á boca de todos o rigoroso gosto Suas lembranças detendo a contar-te. Porque esse riso de incredulidade Se todos somos algo achado desse amor Desprezando por ti, por saber amá-lo. Nada é tão diferente e bom, Do que provarmos os beijos do amor Quando este nos quer. Eu tenho amor pelo meu amor Eu não o separo assim Fora ou distante em mim.

A SAUDADE A saudade chega surpresa E nos incomoda, preguiçosa
Continuar lendo

A SAUDADE A saudade chega surpresa E nos incomoda, preguiçosa E se reparte em dias Pelos ponteiros do sol e da lua E se observa em nossos lados de ferimentos Também por onde a água nasce E se entretém com o andamento dos rios E se finca-se afluente. A saudade é uma pertencente Do veio de dentro Da terra profunda e do coração. A saudade não é traiçoeira E nós podemos acompanhá-la Do seu prenuncio de fazer-se Até não contermos mais lugares cavos Onde se ponha um castigo. Somos só a superfície riscada E nem retos somos, remotos Gritos de despedidas Em cada ponto que passe A saudade líquida.

NADA Eu, que por traz de tudo Ando com nada nas minhas mãos.
Continuar lendo

NADA Eu, que por traz de tudo Ando com nada nas minhas mãos. Eu que por ser mensageiro de coisas boas Hoje entregarei nada das minhas mãos. O tempo todo estive contendo tudo nas cercanias Acenando a ninguém para compartilhar o meu nada Tantos gritos de aflição Lancei no sentido errado Quando o destino seria mesmo eu. Eu, que por dentro de tudo Não caibo nem o meu nada comporta Sacudo os braços e a esfinge tatuada Insiste em ser a minha companhia Quando eu volvo para o presente Com o desejo ardente de que seja As minhas partes tiradas Disseminada todas aos olhos especiosos Que não se fincam no luar O que serviria como um alento Muitos momentos de graça. Eu que mesmo remoto me movo Para a direção onde estão os sonhos de todos Querendo o meu para um remédio Para uma dor Para sarar A chaga aberta que cabe nada.

AMOR Difícil falar do amor Ele fugidio, abstraído, confuso,
Continuar lendo

AMOR Difícil falar do amor Ele fugidio, abstraído, confuso, Um nome dado a um sentimento, Sintomático da Silva, Dos sobrenomes todos da vida. E quem é ele, um vulto Na multidão dos mitos Na reunião dos rebelados, Rompidos a sangue e fogo, Com suas práticas sentenciadas. Difícil dirigir-se a ele, Pairar sobre as montanhas, Às vezes ir muito além, E gritar por qualquer nome, Até que se manifeste, a virtude A boa obra, peça finalizada. E como se anunciará a sua boca O seu semblante como se verá, Algo admirpavel, sensível à dor. Confiante, certo que assim se mostre. Deve vir como um bruma leve, Pairando perto e longe, compassivo Fazendo caras e bocas, brincando à toa, De tudo entendendo, tudo calando, O amor vem dando visões de barcos, Em pleno mar, que ora aparecem, Logo se escondem por trás das ondas, Em descompasso, com os olhos turvos Que sobem e descem desesperados.

VISÃO Não passa um dia a cantilena dos versos. E todas as flores do mundo passam de mãos
Continuar lendo

VISÃO Não passa um dia a cantilena dos versos. E todas as flores do mundo passam de mãos O valor do amor e do seu verso Acompanham-nos até o declive da finura clara. Embriagados de amor lá do futuro, o medo Que aplaca as estruturas Dos coliseus, acaso de outrora. Como é suscetível o amor Se há a timidez por anseio de agora As estações da escada até o nevoento Vão mudando de tamanho e cores. Quando se faz do coração um lindo invento Com a demonstração de sentimentos bons. A matinal procura, escurece e finda. E o prazer pelo amor retoma o seu brilho Conluiado com o que não se tinha falado Mas que aparece como uma paz E tudo fixo no movimento das retinas.

A MOÇA E A RELVA A moça canta e sua tristeza enfeia Preenche o momento e os arrabaldes
Continuar lendo

A MOÇA E A RELVA A moça canta e sua tristeza enfeia Preenche o momento e os arrabaldes De sua candura inebriada E ausenta-se da forma como estava Apanhando uma cesta de rosas E o tempo de sua alegria É o mesmo tempo das rosas. Um andamento que não se prepara E anda sequentemente por todas as estações. Sabe a linda moça que do seu retorno Das nuvens onde se alojou. Lá reconheceram a sua voz E as músicas que cantava. Por ser repetitivo o tempo Contado à maneira como se quer A moça linda dá-lhe o andamento De quando volta para a casa Atestada de flores, no movimento Diferente quando emergiu a altura de cima O céu e cada estrela que lhe saudaram. Névoa rara, rogação de paz Concórdia no seu amor andarilho Que todos os dias vai às campinas Nos tarjes quase sempre iguais Que não é porque é pobre, não tem É que lhe caem muito bem Lhe embelezando mais Os seus vestidos dos varais.

CONFESSO Tornar-me-ei em outra pessoa Em tudo igual a quem já sou
Continuar lendo

CONFESSO Tornar-me-ei em outra pessoa Em tudo igual a quem já sou Mas é por apego a isto que não tive, E aversão que sei é de mim que sou, vou Experimentar os mesmos frios De todas as madrugadas passadas E os meus sóis me solidificarão nas estradas Por onde já passei disperso No mesmo passo sem um amor. E se acaso algo eu queira mudar Só acertarei fazer-me, ser como agora A epiderme indolente, e pelos meus olhos Destilarei espirros e chamas de nuvens Mirando o mais distante horizonte. São vermelhos os meus indutores E a minha saudade vinculada a ti Foi chapiscada de um verde, engano Uma cor que não olhei e não sei o nome. Quando Deus dá, dá o começo Como uma aranha que ata o ponto Inicial de sua teia tenebrosa Da forma dita, existe esse ponto Pelo qual nos adolescemos, nós. E seus começos, no nosso choro inicial E aí já paramos a ver o lenço E contar amarguras e dores, como foi. Este não é o amor que penso Talvez me agradem os audaciosos, sinceros Coisas novas começadas comigo, em mim.

CANTIGA DE GALO Ê, vida, eu ainda gosto muito de ti. Tanto e mais que de mim, que sou
Continuar lendo

CANTIGA DE GALO Ê, vida, eu ainda gosto muito de ti. Tanto e mais que de mim, que sou Remendos sem necessidades Porque com a mesma roupa Que me destes eu vou. Não minto a ti quando digo: amo Mas não quero repetir eternizado E passar o tempo pensando em ti. Estes pensamentos em, só, em mim Por que a qualquer direção Eu me ocupo de ti, roçando As tuas mãos, esclarecidas Esquecido de ti nos afazeres. Eu sou eu porque és vida. Por ti caminho e corto desvios Nas estradas de ainda Das quais nada conheço Que penso carregado Como estará a vinda Se algum passo parti Ou se outros deixei plainados. Vida, vida, me prendestes um dia Por um cordão de em mim Atado, tive dias assim Conduzido, puxado por ti E nos meus movimentos Nos que penso verdadeiro E nos que bobeei quando podia te alcançar. Fostes tu vida, com tua didática E ainda não queres ser Uma chispa maravilhosa.

VIDA Vida, é um risco contempla-la Quando se mostra boa e harmoniosa
Continuar lendo

VIDA Vida, é um risco contempla-la Quando se mostra boa e harmoniosa Não é bom achegar-se dela e tocá-la Nos seus trages de furta cor e curiosa E eu falo assim por um desmando Não me permitiram citá-la Mas apenas por eu ter uma já distando Nem por isso é bom beijá-la E ela em tudo me atrai como sinais Tão próprios dela chegando na dispersão Ausência ruim e nos abala muito mais Saber que somos nós que temos coração. Ah, como me inebria e me cativa E é, por sua graça muito mais caprichada Quando ela passa bonita, altiva E já não temos mais como chegá-la. Ela é minha parece tão desordeira Indiferente, incomunicável, nata Que é desgosto afirma-la passageira Por ser um grande mistério camuflada. Guarda-te porque num dia Em que passes no caminho lentamente Já estais velha e a tua beleza que ardia Sejas no fim de passos tão lentamente.

UM BEIJO Amor, quanto de todas as estradas Eu terei de estender-me
Continuar lendo

UM BEIJO Amor, quanto de todas as estradas Eu terei de estender-me Por meu amor, pelo teu beijo? Sou capaz dos sofrimentos Pela quentura dos teus lábios Talvez já não contarei como um beijo E sinda podes dizer, não terás o meu E não dividirás o lugar comigo Quanto eu teria de mostrar Que inocentemente não te dei E o que acertamos Era que percorria um caminho Dentro do quintal As se pareciam todas com todo galho Mas mesmo ouvindo a minha presença Chamar por teu nome Na umidade do matagal de rosas. Amor, descobre-te de mim Esconde-me de ti. Alguma coisa, qualquer sinal É talvez, o aceitável para eu te achar Seja o tanto que tenho Para sorver um beijo teu.

SUBIDA Acumulado o bem da terra Onde fics o depósito
Continuar lendo

SUBIDA Acumulado o bem da terra Onde fics o depósito Que me arranjáo Os admirados por ti. Separado o bom do triste Quais as posições que que devo orientar A frente do sol Um bom lugar para os primeiros Ou para os derradeiros? Ouvi de minha mãs E do sofrimento do Próprio Cristo que os últimos seriam Um dia os primeiros. Mas qual a frente que dá para a frente. E qual os enfileirados Que devem esparar o suspenso caminho Acalmar-se no chão E as plantas furarem seus lugares Como se o mundo todo naascesse de novo São esses os que estão guardando Os limites do meio. Os mistérios dos homens Quando nos se põe a realidade de fazer? Que subida sinuosa e longe Havemos de subir nos ombros, nos galhos Que só pelos pés, porque não temos As azas dos anjos Com nosso adereço pesado demais. Não trago mágoas e não levarei restos de nada.

TE AGUARDO NO LIMITE Quando tuas mãos cingirem as minhas Assim tão densamente
Continuar lendo

TE AGUARDO NO LIMITE Quando tuas mãos cingirem as minhas Assim tão densamente Há a penúria de um beijo entre nós Da alma de anjos por nossas frentes. Enquanto os meus jeitos Circundarem os teus dedos Fazemos o aceno de um arrebatado com o mundo Alguém que não vê distorções em tudo o que faz Alguém que se banha de suas próprias lágriamas E que refreia os seus soluços, e por começo Acaba por enxergar o perigo que provém do mundo. Tido o experimento de algo igualmente Do amor que se exila Da cominação do mundo E impõe-se ao infortúnio De nunca mais chorar, nunca culpar o mundo O mundo que dirão, foram eles que fizeram. Mas o momento não é de se discorrer isso Algo que seria pra nós uma contravenção Nos desobrigar-se e meus dedos permanecerem acesos Na falta de tua mão que me guia. Quando estou nesta timidez A vida ou o abraço, do, amor um traço Eu serei recaído e fingido, amor Que não me amas, com planos para outras ceifas boas Que o amor deve regressar Se revelar diante de nós Num repentino chamejar das centelha fogo Saindo de dentro de nós.

SONHOS Sonhos matinais sonhos de cristais Límpidas águas, sugerem contornar seus rios
Continuar lendo

SONHOS Sonhos matinais sonhos de cristais Límpidas águas, sugerem contornar seus rios E nesta inclusão até o azul se traz Projetado em nossos olhos fitos E metemos a cara em suas janelas,vistas Para o vento que lança essas visões do céu O amor do significado aberto, distas E não comoves as nuvens que vão ao léu. Sonhos de amores revestidos, flores Dizem pra si mesmo quando quieta E todo o jardim que semeia amores Deixando um caminho de pesar a regra Sonhos de amores, completa saudade Acolchoada bruma de manhãs agora Já o tempo traz nova, a claridade Só o inconsciente num surto, canora O mesmo efeito das tintas do céu A lavoura verde filha da luz da aurora Que o oculto lado não te dá brandura, os ramos de véu

DILIGÊNCIA Vou sair, não diga a hora gritantemente Que a hora já passa do tempo.
Continuar lendo

DILIGÊNCIA Vou sair, não diga a hora gritantemente Que a hora já passa do tempo. Que me preparo sem litígio e penses O que faço não é fuga nem tormento. Quero sonhar a trégua que minha alma urgente Sem que a mim se refugiem sentimentos de alegria Das estradas e sombras que me sentem No comboio ardil e minha alma diria Não andarei nem falso nem quem Que todo, sou um mártir de tuas escrituras Ante o fim do tempo da ida risonho Procurarei ainda o fim do futuro Para alguma coisa dizer-te imponho O tempo meu que manhosamente aturo. Vens amor querido nesta viagem impotente Onde poderás ser guia e em mim não se desfaça A obediência dos teus instantes E qualquer uma coisa, o meu olhar disfarça. Vamos amor contar nossos pés acima Do meu controle fugirei que passa Por tua diligência tudo o que sou e passo ainda.

VULTO Eu queria ser alguém da história Um vulto entre tantos outros destruídos
Continuar lendo

VULTO Eu queria ser alguém da história Um vulto entre tantos outros destruídos Com os meus sinais de glórias e onipresenças. Captar todo momento num tempo exíguo Queria minha vida escrita nos livros Queria ser falado, discutido e diminuido dos meus feitos Despertar em cada leitor a me imporem novos combates Tendo já conquistado praças, albergues, cidades, continentes. Disso tudo poderiam esquecerem-se os críticos de minha vida Queria ser da multidão que glorificou Jesus Cristo E ser cético, quanto a contar as verdades mais fincadas. Me disporia da vida vivida em tempo real Pra ser esse menestrel que carrega o seu piano Que de mim e de todos, a minha vida não duraria Um capítulo dedicado aos fanfarrões e lunáticos. Que tudo se leria a caminho do ônibus E que, por sua dureza apenas um traço me justificava E entederia o leitor algo que poderia ser, ou não. Um personagem menos importante E seria assim por minha vida toda. Destilada nos corredores das escolas Ante o olhar piedoso ou indignado Do faltoso aluno e do professor apressado E minha vida era vivida assim, rápida como um cometa Sem durar o tempo cruel de se viver cada dia Cada mês e cada ano Eu não me sentiria um malogrado Se me assentassem um ítem de um formulário A ser corrigido, vivido e passado a limpo.