Frase de Naeno Rocha
PENSO Acordo de madrugada como de espanto, Olho para o teu lado e não vejo o teu lado, Tampouco vejo o teu corpo ali. Corro à porta, abro o visor e não vejo, As marcas escuras das árvores Que sempre estiveram ali. E não te vejo, chamo e não te escuto, Saio... e recuso ver o que vejo, A ausência de tudo, Cadê o mundo, em mim dentro, perguntam, Cadê teu sono... tudo foi como retirado, Por máquinas silenciosas enquanto eu dormia. Mas meu amor, o que queriam como o meu amor, Já que me deixaram, e eu só não sou semente Para repovoar o mundo. Porque o meu amor Foi confundido com uma porta, um armário, O que queriam com isso, já conseguiram, Já formiga o meu corpo inteiro por esta façanha, De extremo mau gosto, um pressuposto jeito De me deixarem louco. Só que o que não sabem é que já levantei louco, Eu não tenho amor, eu grito e morro por um inexistente, Eu não tenho casa e a porta que eu abrira Foi a mesma que abro quando estou insone Rolando no leito desta calçada, abri o meu coração. E quando abro o meu coração tudo se escapa, A natureza, que não reconheço ser, As sombras múltiplas que considero ser eu, Amor, eu nunca tive, mal sei chamar a palavra, Por achar bonita e simbólica aprendi, Ouvindo de outros que tinham, E passavam de dedos laçados por sobre esta calçada. naenorocha
No pensador.ai desde