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Frases de Naeno Rocha

424 frases

MORENAS MAGRINHAS feito pra minha mãe Fui morena magrinha, jeitosa,
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MORENAS MAGRINHAS feito pra minha mãe Fui morena magrinha, jeitosa, Toda roupa me vestia bem. Todo brilho de luzes, de ouro, Combinavam com os olhos qeu tenho. Toda flor era bem no cabelo, Todo homem a me arrodear, Os olhares, os mais sedutores, O jeito mais tolo de me conquistar, Nem parece, sou eu bem de frente Do espelho que mora em meu quarto, Me achando apressada no tempo E me vendo mal acostumada. Como as rosas tão murchas no vaso Recurvadas, dizendo que a vida É uma herança constantes de odoeres, De belezas, Morenas Magrinhas.

BOCA A boca presume mentiras Dos dentes que falam verdades.
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BOCA A boca presume mentiras Dos dentes que falam verdades. Há um céu de bom descanso Estrelas que ardem de brilho. A boca se espanta com o beijo, E beija as bordas do mundo É ela que se faz distante e fecha-se Numa soberba contração, dormindo. Fico com a boca por uns dias, calada, E fecho-me em meu coração Clausura aberta, Esperando que tua boca incerta, Finque no fundo da minha. O que regurgitas. Amor, amor, amor, Não queiras quem já andou perto, De uma boca, do seu ventre quente, Dizer não, porque coça o desejo De um mergulho lá das estrelas, E dividir bem no meio a terra, Matar suas feras, Pelos seus dentes. Queda, boca ao meu destino Aprofundo-te no silêncio, Apenas, passando perto.

LUZ Que mulher é essa Que chega trazendo o dia,
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LUZ Que mulher é essa Que chega trazendo o dia, Acomodado em seu regaço, Todos os sonhos malogrados, E sem mostrar nenhum apego, no solo enfia Como a pouco tivera um parto sangrento, Desses indesejáveis, pesadelos, Que não lhe deu tempo De tomar nos braços o alijado rebento, Trouxe-o para fora, e límpida, O expôs à aurora. Que mulher é essa Que cuida de todos os sonhos, Que se predestinou dar o melhor de si a nós, Poucos merecedores, do tanto que somos rasos, E por mais vezes agimos como um ser ignóbil, Assim, por bondade não vê, que somos pele Do mesmo tanto que somos carne Desprovidos de coração. O tempo que Ela presenciou, tempo que era, De indumentárias de santos e sem ação, Que justificasse o transtorno ao amor dela. Que mulher é essa Que traz nos braços o alvor E semeia no tempo, a que as almas se vejam A que os homens não errem os caminhos agora, E não tropocem, a cair, sobre seus erros próprios.

TODOS SOBREVIVEM Este momento, todo um nada, Um arquétipo no escuro.
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TODOS SOBREVIVEM Este momento, todo um nada, Um arquétipo no escuro. Mas minha alma De semente boa, Qualquer hora poderá ser tudo. E na minha volta Virão mais comigo Os que adestrei, Que dei abrigo. Pensar bom nesses momentos é bom É bom construir amigos Erguer abrigos. Subir à proa das barcas já imergidas, Que alguém toca Em conduzi-la no desafogo. E botar força, ajudá-los na vencida, Pra depois vencer, ganhar o troféu erguido. E já levantadas almas, Cantam hinos da procissão sumindo, A canção da vida, a superfície calma. E já de novo cortam-nos desafios, Em leves embarcações de arrimos, Agora, com a cara suja do lodo, Cabe escolhermos: Ou o desfrute Da serenidade do andar erguido, Ou do que sabemos ser perigoso, Mas contornável, e removível. Naeno

DESAFORTUNADO Eu conheci a casa de um desafortunado Nela vivi quase toda minha vida,
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DESAFORTUNADO Eu conheci a casa de um desafortunado Nela vivi quase toda minha vida, Apanhei gravetos para os invernados, Puxei gavetas e guardei retratos, Um arquivo morto de mim retirado. Eu andei por dentro da casa cumeada Tropecei pelos atalhos, cadafalsos Troquei uma vida, que me dera, inventada Por uma que eu vi de perto, andando enfalço. Fui o primeiro desordeiro do motim. Não tive nunca uma gota de raiva, E foi assim, andando dentro e fora dos pântanos Que hoje dou graças à sorte fora de mim. A imaculada virgem, mãe da Conceição O meu amparo, de quem mais eu vi nos olhos, A minha amada, o tempo todo cortando a rota Dos desamados, sempre me trouxe por sua mão. Fiz pisoteio até o cultivo dos desgarrados, E vi a festa da colheita das formigas, E disso eu disse, com o coração e alma aflitos, Não me descanso, mesmo quando estou sentado. E da lavoura que os cupinzeiros demarcavam, Umas espigas de milho bem debulhadas, Pus o sabugo como mastro da bravata, E lutei só, com Conceição, nela amparado. Olha-me Deus, no que escrevi, Eu relatei a minha vida e Vos traí, Era um segredo até à outra por vir, Até cansar, e cansado, aqui cair.

LEMBRA Por todas as ruas, Onde ando sozinho
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LEMBRA Por todas as ruas, Onde ando sozinho Eu ando sozinho, com você. E você que nem se lembra mais, Se lembra? Do jeito que eu fui, tão dedicado, meu amor, Vejo com saudade, A rua, a cerca,o espinho, a flor. Tantos gestos fizprá lhe falar, lhe ver sorrir, Você selembra? Ainda ando sozinho, Eu já nem sei se ando, Eu ando sonhando como você. E você que nem se lembra mais. Se lembra? Do jeito que eu sou,tão complicado, meu amor, Fico encabulado, quando vou pegar uma flor, E há tantos gestos mais, Pra lhe falar, e essa canção Prá você lembrar.

O AMOR QUE SOBE O céu se lança sobre mim como o teu vestido. Um arrepiar de amor, correndo em nós.
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O AMOR QUE SOBE O céu se lança sobre mim como o teu vestido. Um arrepiar de amor, correndo em nós. Chega o sol e segue para a lua. Grito o teu nome por todo o espaço Para te acordar quando dormes. És quem traz o meu ar És tu quem floreira a terra És tu quem desvia do fogo És tu quem murmura nas águas. És tu quem respira e vive por mim. No teu corpo revive a estrela extinta A água dos rios, dos mares é a tua saliva O fogo se abranda nos teus cabelos. Quando te abraço, estou envolto da única mulher. Lua e Sol, Origem berço, espaço. No teu corpo ando da terra ao céu Ele é um estandarte da desejada vitória. Teu nome reconcilia todos os mundos. Naeno

CURTO O que me faz contar em versos Ser este prospecto que ninguém ler todo,
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CURTO O que me faz contar em versos Ser este prospecto que ninguém ler todo, É uma pressa que conta a minha alma, em desassossego É medo de perder-me enquanto me alongo, Fazendo um simples ponto curvar-se em circunferência. É um temor cruel de que ninguém me entenda, Mesmo que não estenda ao que quero dizer, E disso mais, sendo uma sinopse Escrita, me utilizando do que de bom aflora. Agora mesmo não saberia contar, Que estes versos são escorridos dos dedos, Que a maravilha perdeu-se com ele, Pro fundo foi, na areia se escondeu. Eu escrevo coisas curtas, mas que não são breves, E elas se alteram conforme anda o mundo, Nesta marcha lenta, que a todos engana, E mais faz motivos, e mais guarda lembranças. Quando escrevo torno na margem da direita, Não é temendo um louco desgovernado, vesgo Que do outro lado rasga-se e buzina É que ser preciso nos dois sentidos impossibilita, As palavras cruzarem o tempo e a vida.

DIVAGAÇÕES Ah, esta vida sestrosa, Em que tocaia me espera,
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DIVAGAÇÕES Ah, esta vida sestrosa, Em que tocaia me espera, No tanto que ela é medrosa, Não dá um passo sem a escora. Que sou eu, sua confiança e o esteio. Veja o disparate: a agonia, Em vez de uma aliada, Ela se perde no dia, De noite eu deixo ela de fora E morro mas nada dela eu imploro. Nem que arrede o pé, Nem que inútil deite, Num pano que eu largo armado, Longe da porta do quarto, Até que o dia amanheça. Vida tão maliciosa! Fala pra todos de fora, Que é ingratidão o que lhe faço, E nem me pega na mão. Só que elas tem seus dias, E eu tenho só, minhas noites, Isso na vida é tão bom, Não viver só de açoites. O dia pra ela é dado, E a noite pra mim é ludo. Eu chamo a ela de ausência, E ela me chama de escuro.

FALA Sei pouco do que pensam que sei Se falo a evitar o silêncio
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FALA Sei pouco do que pensam que sei Se falo a evitar o silêncio Que se veste das vestes da morte É que temo estar morto, e sem saber Falando sei que estou vivo, Estando calado, quieto, forjo um sorriso Só para verem que ainda estou vivo. E por desatino assim determinei pra mim, Que a vida é a fala. Tanto que o morto cala, E o seu silêncio definitivo é escabroso, Afigura-se uma vontade de não mais falar Estampada no seu rosto. Também não e dado a quem já foi, Deixar sua voz, outras palavras Que tinha por dizer. A morte é uma surpresa E se percebe quando a boca se fecha, E o coração se cala, como se tanto fez, O que fez e sentiu, e tanto faz O que não resta mais. Qualquer estória, em qualquer pé É um bom motivo pra parar, A sua história fica pra quem bem quiser, Falar, contar. Calou-lhe a voz, foi-se a foz Que espargia palavras, vida, Que vida é falar.

VISIONÁRIOS O teu coração ateu Dissertava com as mesmas coisas
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VISIONÁRIOS O teu coração ateu Dissertava com as mesmas coisas E a mesma disposição geográfica, o céu. A dura paixão de Deus, Resistência de sua eternidade Já neste plano, o mundo igual: Ódio Americano marcado Nas teimosias, do teu coração Latino-americano, África-sem-valor. Restrito, ao plano incompreensivo, Relutou sem negar o abismo Que por ele todo tu andarias Até ao mínimo que te coube Enquanto os aludidos sábios Diziam saber do homem Saber de seus destinos, mais que tu. Nada, de nascimento Fé, trabalho e sonho Do teu quinhão difícil Contrário à morte, lutador. Da visão tida, de Deus Dissestes a todos, uma vez Será sempre, sempre sem fim A obra inacabável, A visão turva, ali, do futuro. Não, nunca será verdade A forma como nos permitem De saber do infindável. Contrastante dessa possessão Eu te daria o bom descanso A ti que comes teus próprios sonhos Na altura desse outro mundo Que realiza o homem novo Em partes mais fundas, agora Com a desocupação do fosso.

DISTANTE De longe sei vou te amar Na contada distância
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DISTANTE De longe sei vou te amar Na contada distância Onde o amor é ficar E a vontade uma instância. Deste lugar cativo Onde a vida se encurta Tudo é de eternos vivos E os meus olhos me assustam. Quem precisará saber O meu tempo e sofrimento A flor que eu quero ter Outra tortura, outro tempo. E nas colinas deixadas, A lua passa e se esconde E eu lembro, distanciado. Estais com todos meus sonhos. .

DETALHE Era o brilho do teu olhar entre as pessoas a buscar-me sorridente em cada canto
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DETALHE Era o brilho do teu olhar entre as pessoas a buscar-me sorridente em cada canto e a festa esverdeada do encontro. Detalhe: Era a piscada alegre no outro canto da sala cheia convidando... insinuando aproximar... Detalhe: Era teu rosto preocupado por uma dor ou na tristeza que eu tivesse era teu sorriso orgulhoso pela nota dez que fiz no teste. Detalhe A tua mão pousada em minha perna na estrada E a tua voz "boa viagem pra nós", Acompanhada do beijo que trazia. Detalhe: O teu prazer vazado e descarado Somente por estar na minha companhia. Detalhe: O teu abraço no meu erro E a frase de cumplicidade: “Tudo bem! Na próxima a gente acerta!”. Detalhe: Para mim, não são detalhes São pequenos feixes de luz Compondo e enfeitando a nossa história Pirilampos brilhando na paisagem Mostrando a vida que deixaste... Detalhe de eternidade na passagem.

TEMPO DE PAZ É necessário lembrar-se de tudo A todo tempo tudo seja lembrado,
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TEMPO DE PAZ É necessário lembrar-se de tudo A todo tempo tudo seja lembrado, O levante das mãos, o último abraço, O primeiro sorriso aberto no mundo. É preciso de nada se esquecer, Da casa fechada quando é pra sair, Das portas abertas quando é para entrar, Da rosa pesada que entortou o galho, Olhar se o esteio não a deixou cair. É imperioso a todo o momento estar atento Não só aos perigos que vazam dos jornais, Não às reticências que alguém tem À tua pessoa e a outras, Não aos espinhos que protegem flores, È estar atento ao amor deserto, O que necessitas, a lágrima certa, Aos necessitados também do teu amor, Do amor que ferve, e do que se aquieta, No fundo acomodado. Os necessitados, Os fugitivos de seus amores, Perseguidos ainda, e ainda sentem dores, Dos malefícios de outrem O infortúnio da diferença, Que há olhos que vêem. É preciso estar atendo aos teus, Que ele não se tornem olhos de cachorros, Que vêem preto e branco apenas, Não previram uma aquarela, Se sim, assim, eram mais singelos. È necessário estar atento ao tempo, Que pra tudo há tempo, amor e lugar, Pra se fazer o bem, descomprometido e franco, É preciso andar a uma distância dos barrancos, Reparar nos flancos, se já é tempo já, De repor o mundo, a dor, de procriar, De estreitar-se a cama com um só cobertor, Esses cuidados todos que Deus nos delegou. Se fores estéril, que não seja de amor, Pois não fará falta um filho, do que muito restou, Poderão ser teus outros estéreis de pais, É preciso estar atento, no tempo de paz

LINDEZA A vida é bonita E é luminosa a rosa no seu cheiro e sua cor.
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LINDEZA A vida é bonita E é luminosa a rosa no seu cheiro e sua cor. A borboleta é estrema É de uma boniteza a mata No dia entardecedor. É lindo o amor demonstrado, puro Como são belos os olhos que o constata perto. É pulcro o nascer de cada estrela E é esplendoroso quando chove serenoso. É bonita a naturalidade de uma mulher O que se põe num pedestal sob sua medida E é linda a ave cantando na copa da árvore. Como são lindos os africanos na sua cor noturna Envolta de vestes vestes estampadas da mesma beleza ver-se o ocidental sobre seus saltos altos. É de encher os olhos uma criança nascendo É de merejar os olhos o rosto da mãe, preparada para amar. É notável o verde de quem os olhos se enchem da mesma cor A relva naturalmente exalada verde E é abissal a beleza dos animais quietos pastando. É bonita a consistência da força de Deus, Como são lindos os seus anjos benfazejos. É bonito se olhar a fundo, que em tudo tem beleza E a lindeza está em se olhar e ver tudo bonito. E bonito tudo Como é lindo o nada em seu momento Porque dele tudo é originado. É bonito o cheio E o vazio explícito, depósito de algo bom É bonita a pureza com que falam os homens, dizendo a verdade,. E é linda a verdae esclarecedora do homem íntegro. É bonito o terço É linda a ladainha E é lindo o sermão do padre versando Deus.

FLORES Uma flor na sua cor possível Abre a mão e colhe o sol
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FLORES Uma flor na sua cor possível Abre a mão e colhe o sol E aí se vê nascida E sua cor. É amarela. E suas pétalas são longas E seu galho é marrom, E o seu perfume desejável. Uma flor de cor impossível Combina matizes Lançando umas sobre as outras E fica o sol a insistir Amarelo. E suas pétalas são longas E seu galho verde jurema E o seu perfume é perceptível. Uma flor que se arranca Para limpar o lugar das outras Abre-se e o sol a acolhe E dá-lhe um amor voluntário E a leva num relicário Para enfeitar seu plantio E muitas delas planta.

AURORA Mesmo antes de se projetarem os homens Já a aurora de olhos róseos
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AURORA Mesmo antes de se projetarem os homens Já a aurora de olhos róseos Surgia todas as manhãs Como experimento, por obrigação. Como fora antes dos tantos olhares. A minha aurora baixa num cordão suspenso, Um fio tênue, leve e só a ela se vê. E pelos ventos descidos, frios. Ela se posta, se assenta no chão. E num rompante se dissolve, Absorve-a inteira o sol, na sua vez, Como uma clareira, buraco claro Farol de carro dentro da noite. Desde o princípio o sol tem esse papel e acata a ordem. Não falha nunca e recebe o dia Das mãos da aurora E se entrega à tarde, se adiantando, Que não o recebe e aguarda a noite Um manto negro que tudo cobre, Vazando apenas pelos poros do corpo, as estrelas. Como se vê, são sempre claros Os cumes do mundo e tudo ao céu, Como tem luzes ante a cobertura, Que prima o céu. Logo vem a aurora, na sua hora.

QUANDO Qando, amor, de novo eu vou te ver.
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QUANDO Qando, amor, de novo eu vou te ver. Não suporto mais tanta saudade. Eu dei, prá contar o tempo, pra sonhar com o vento que o teu cheiro traz. Quando, amor, de novo, é que eu vou ter, teu corpo inteiro, enchendo o meu abraço? Aí eu, estarei no céu, tirarei teu véu, choro nunca mais. naeno

VINTE E QUATRO HORAS Ontem as vinte e duas horas e quarenta minutos Horário oficial de Brasília
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VINTE E QUATRO HORAS Ontem as vinte e duas horas e quarenta minutos Horário oficial de Brasília Eu estava ardendo em febre, suando. E na tiragem dos meus uis, contados Uns vinte e tantos mil, falei, quietei Aos teus ouvidos. E de febril, de puro amor, o meu remédio Tomei por tantas horas, em tantos goles Que me embriaguei. Caí sobre o teu corpo E amando-te voluptuoso, transpirei E a febre não passava, passavam as horas Já pela madrugada, ainda eu te amava. E pela manhã, à hora da voz do Brasil Eu te amava. Em meu delírio, uma poldra branca De crinas alvas e esvoaçantes Carregava-me sobre seu dorso. E eu galopei vinte e quatro horas Sobre um leito de areia fina. E nas esquinas por onde andei Espantava-me o medo, de cair Por tua cabeça, Quando te inclinavas a me beijar Fazendo. Aproximadamente Um tempo impreciso e gigantesco Sem que o espólio se passasse. Eu na tua crina seguro, E tu em meus flancos grudada. Amar faz a gente ganhar a medida do tempo, E se tem ciência dos espaços E não se perde o tempo, se acha, Mesmo que estando no silêncio mais escuro, Como eram as grutas por onde passamos, E vimos dentro animais atônitos, Encontrávamos-nos, Permitíamos-nos Como os ponteiros dos relógios, Ora encima, ora embaixo, Ora não se distingue o prazer do bom, Quão bom é o prazer das horas.

TEMPO TEMPO O tempo continua sua contagem e ninguém sabe, A que alturas já está, em seu dedilhar acertado,
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TEMPO TEMPO O tempo continua sua contagem e ninguém sabe, A que alturas já está, em seu dedilhar acertado, Se o que me resta ainda sonhar, me cabe O querer mudar em mim a sorte, que delicado. Eu ignoro desde quando fazes tuas contas Mas consciente de que a cada dia aponta, Essas mudanças que me fazem afrontas, Pois recontar nos dedos, sabe-se dele pronto. Ah tempo das discórdias resolvidas, mas Ah tempo das feridas inda hoje abertas, Ah tempo destemperado, frágil fugaz, Considera meus ais, nas tuas contas certas. Tempo em que posição estais agora, finda, Em mim o tormento de querer saber de ti, Mostra-me o teu rosto e verei ainda, No crepúsculo um vulto a se espargir. Conta-me de ti, que tudo de nós já sabes, Acertas tuas contas, o que levastes a mais, Ou o que deixastes menos, do que a ti cabes Deixa-me quieto, passa, são só meus ais.