Amor sentinela
O meu amor não se mede
Não tem tamanho.
O meu amor faz
Todas cheias minhas luas.
O meu amor não tem físico.
Mora em mim.
Dorme em mim.
Belo, intenso, ausente.
O meu amor sentinela.
As vinte e quatro horas é dela.
Você sabe como deste amor esquecer?
Guarde pra você
Eu não quero apreender.
PAPA FRANCISCO
Um novo comandante da minha fé
Agora começa a reinar.
Só de saber quem ele é
Já serviu pra me emocionar.
Um religioso latino-americano
Com o desfio das renovações.
Sinto-me representado no Vaticano
Dirijo a ele minhas orações.
Justifico a alegria que de mim não sai
Além do catolicismo que acredito,
Francisco era também o nome do meu pai.
Chico pai e papa também,
Deus te guie e ilumine
Hoje e sempre. Amém.
TRAVESSEIROS
Num devaneio alvissareiro
Na cama coloquei dois travesseiros.
Quiçá amanhã um terá teu cheiro
Ou repousará ainda inteiro.
Sinfonia, bem baixinha, de Chopin.
Foco de luz no quadro de veleiros.
Pra lembra-te amanhã
Ou esquecer-te por inteiro.
Perfume pra deixar em você o meu cheiro,
Roupa de grife parecendo natural.
Peças pensadas no tabuleiro
E uma ansiedade sem igual.
Poderá ser um fato magistral
Ou afundar em ilusão.
Vejo-te deusa colossal
Imagino-te em extrema excitação.
Encanto-me ao vê-la se aproximar
Meu desejo haverá de se realizar.
Champanhe e taças pra brindar.
Um deslumbre! Ela acaba de entrar.
AMIGOS PARA AMAR
Procuro amigos.
Amores não mais.
Em toda vida busquei. Desisti.
Procuro só amigos que não tenham que partir.
Amigos podem ter defeitos.
Gordos. Feios. Mal acabados.
Amores não.
Amor tem que ser perfeito.
Amigos podem ser desengonçados,
Basta que sejam leais e esforçados.
Ao contrário da amizade
O amor te faz enciumado.
Amigos que me recebam sorrindo.
Que me incluam em seus programas.
Que não permitam que eu dirija embriagado.
Mas que nas minhas recaídas estejam ao meu lado.
Que deem abraços.
Que entrem sem pedir licença.
Que peçam meu terno emprestado.
Que transmitam a certeza de muitas presenças.
Amigos de qualquer idade.
Que respeitem minhas vaidades.
Que zombem sem ter maldade.
Mas que admitam sentir saudade.
LETAL
A fidelidade jurada foi carnal,
Trair-te não me põe pecador.
Devaneios não causam mal.
Traio mais nego amor.
Pois se desejo, sou desejado.
Excetuando as trapalhadas
Não amo, nem sou amado,
És letal nos sussurros das gargalhadas.
Seguimos indiferentes na condição
Não é amor, apenas é bom.
É carne. Nunca será pão.
Outro deleite bem casual
Fitamos o universo a procurar.
Mero acaso, nada proposital.
Compensação
Não sei amar como Jesus amou,
Mas sei amá-lo.
Não tenho a fé de São Francisco de Assis,
Mas tenho uma vida Franciscana.
Não sei escrever como Quintana,
Mas sei ler Quintana.
Não tenho a Julieta do Romeu,
Mas tenho um amor que é meu.
Se não consigo viver em Pasárgada,
Vivo feliz em Passo Fundo.
Se não posso ser William Shakespeare,
Posso ser um homem de poucas palavras.
Ou não.
Se não tenho respostas,
Pesquiso.
Sem beleza,
Esbanjo simpatia.
Sem dinheiro,
Capricho na economia.
Evito lentes,
Por não ter fotogenia.
Tendo tristezas,
Combato com a alegria.
E se tem câmeras,
Ria. Só ria. Sorria.
Classificada entre os 250 a serem editadas no concurso poesia livre 2013
Por escrito
Um anjo vem me ver, por escrito.
Sem gritos.
Grifo-te em negrito.
Adiciono-te aos favoritos.
Sem faniquitos.
Subscrito, vão meus versos.
Acolher-te sem atritos.
Alcançar-te sem conflitos.
Pensamento soprado
Como quem sopra um balão
Soprei meu pensamento ao vento.
Fiquei vibrante aqui no chão
Ao subir deu-me um alento.
Vai pensamento
Corta os ares da cidade
Siga firme em silêncio
Vá, como eu, sem maldade.
Vá dizer aos sofredores
De todos os cantos do mundo,
Que ainda existem amores
Buscando-te a cada segundo.
Vá levar a esperança,
Onde impera a tristeza
Leve alívio às crianças
Torne farta sua mesa.
Leve uma mensagem de fé
Aos descrentes e abandonados.
Lembre que na baixa da maré
Também podem ser abençoados.
Leve cura aos enfermos,
Conforto a todos os seus.
Lembre a eles que nenhum termo
Supera a vontade expressa de Deus.
Leve água aos nordestes do mundo
Pra colheita incrementar
Umidade bem no fundo
Pra vertentes brotar.
Como última missão te peço,
Leve motivo a todos os povos
Pra superar os tropeços
E acreditar em tudo de novo.
A noite despertará monstros adormecidos
O implacável ruído das carpideiras velará sonhos
Acordará morcegos para o banquete de sangue.
O escuro azul do véu que cobrirá a urna
Esconderá as marcas da dor.
O dia ameaçará adentrar as janelas
Cálido em amarelos claros
Com a força que desbota as aquarelas
Fazendo sombras e refletindo nelas
O tormento do sino sem badalos.
Abrira-se morada do sepulcrário
Furdunçará desautorizado o silvestre
Da forma que fizeram os plantonistas de janela
Na vigência ilibada de vida tida como equestre,
Licença concedida pelos céus ao dito salafrário.
Não. Sem bajulações de arautos
Nem piedade de falastrões
Bastará que conste nos autos
Que pela vida abominou as falações.
Insucessos
Se eu pudesse dar um conselho
para esta imagem do espelho,
diria que na vida é preciso sofrer para aprender
que cada ato requer um remédio diferente,
que pressa não é sinônimo de urgente.
Que da felicidade tens que ser teu próprio agente,
que só se descobre o amor amando-se.
Que tem sempre um sol que brilha.
Que isolado não se vive.
Que a liberdade tem seu preço.
Que pouco importa o endereço
só com coragem se é livre.
Mas o corte quando sangra
como partindo o tomate
desintegra o sossego
evidencia anseios temores e medos
bagunça no íntimo os segredos.
O desafio é viver contente
entender e fortalecer tanta gente
também nisso a vida é poesia,
pois só pode sorrir em partes
quem entender que mesmo no reflexo
transformar os insucessos
é pra quem vive com arte.
QUERO
Quero a nudez da verdade, mesmo dura.
Quero a dor da notícia inteira.
Quero olhar nos olhos para sentir o ódio ou a ternura.
Se for preciso, quero os olhos marejados mesmo sem poeira.
Não quero a delicadeza doce da fantasia,
Mesmo que pesada, quero a realidade de uma vida verdadeira.
Ser poesia
Ser poesia é ir além do gostar ou não gostar. É preciso ser arte, é preciso ser forma e preciso ser sensibilidade.
É salutar desvincular-se de conceitos acadêmicos por alguns momentos e apenas apreciá-la como quem vive o primeiro amor.
Ser poesia tem que ser como nascer livre de preconceitos e abrir-se com total desejo de viajar.
Ser poesia, talvez seja um ato de fé.
Sorria
Se buscares lembranças minhas,
Faça com carinho.
Ando meio sem rumo nestes caminhos.
Se uma lágrima surgir
Quando olhares a imensidão não ligue
Uma lágrima não vai salgar o mar.
Sorria da mesma forma que sorrimos juntos.
Desatraque os navios, olhe as baleias.
Elas seguem em busca do frio.