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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

Um dia Um dia eu estive lá. Vi você correndo alegremente
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Um dia Um dia eu estive lá. Vi você correndo alegremente Com os cabelos soltos cheirosos Radiante feliz e sorridente. Um dia eu vi você. Pular em meus braços. Apertar-me tão forte A mais não poder. Um dia eu estive lá. Incontido em tudo. Desejoso de me afundar Na meiguice do teu olhar. Um dia eu vivi lá. Passeamos abraçados Vontades e desejos entrelaçados E ao fundo... O mar. Um dia contemplamos juntos O mais lindo entardecer. Te fizeste tão minha. Fiz-me tão você. Um dia eu tive que voltar, A tristeza foi tanta que me corroeu. Enquanto meu eu doloria ao retornar Imagino que você também sofreu.

Singular. Quanta das nossas perguntas à vida deixa sem respostas. Quanto amor tentando convergir na mesma direção.
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Singular. Quanta das nossas perguntas à vida deixa sem respostas. Quanto amor tentando convergir na mesma direção. Quanto perfume do corpo entorpecendo fantasias expostas. Ilhado no banho de espumas vê-se o amor em formação. Placas do caminho meus olhos negam. O roteiro que leva é o mesmo que traz a flor-formosa. Que seja a pureza do amor que regam. Sensível como o ar para os liquens cor de rosa. E no mais improvável querer A sombra da árvore não nega abrigo. Desperta o coração para ver. O amor que suspira a beira do trigo. A vontade de te conduzir pela mão Abrindo caminhos para o sorriso passar. Longe da rota da solidão. Palpite de sonhos desejosos de amar. Abrace-me, oh minha paixão. Não tema seus pés pisando rochosas. Penetre com a força de um turbilhão. As pedras deste caminho são todas preciosas. O poeta silencia diante da romântica e viva poesia. Tira dos versos a musa sonhada Confunde o real com sua alegria. De amor preservado a imaginação é formada.

Ao mar. Joga-te ao mar, As ondas vão te beijar.
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Ao mar. Joga-te ao mar, As ondas vão te beijar. Joga-te ao mar, Na areia do mar. Escreve teu nome e o meu. Joga-te ao mar, No leito lindo do mar. Nos dias de maresia, Teu cheiro em minha fantasia Fico louco pra te encontrar. Joga-te ao mar, Mergulha este corpo escultural. Sou pescador vou te pescar. Joga-te ao mar, Molhe seus cabelos e Balance-os ao levantar. Joga-te ao mar, Quero mais ainda te desejar. Joga-te ao mar, E quando eu chegar, Ainda molhada, Corra na areia. Corra pra me abraçar.

Patas do mundo Gigantes patas movem o mundo. Pesadas fazem tremer.
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Patas do mundo Gigantes patas movem o mundo. Pesadas fazem tremer. Um passo a cada segundo. Sobe uma pra outra descer. Pisadas que esmagam se dó. Afundam a argila da felicidade. Marcam de uma vez só. Ignoram as dificuldades. Fincando estacas lascadas Mesmo tenazes se desmancham. Rosto que respiram em mordaças Vida dos vermes que avançam. Enterra com tuas pegadas Toda esperança contida. Ficam todas sepultadas Sem sonho. Sem vida.

FINJA Se não é real. Finja. Se há muitos iguais. Minta.
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FINJA Se não é real. Finja. Se há muitos iguais. Minta. Diga que sou demais, Você sabe como se faz. Diga que nunca foi tão intenso. Que ninguém faz como eu faço. Diga que o prazer é imenso. Que te mato no cansaço. Inventa que beijo bem. Que tenho bela pegada. Que te satisfaço como ninguém. Que nunca se sentiu mais desejada. Que estava morta de saudade. Que sentia um calorão. Que sou tua felicidade. Que por mim morre de excitação. Eu finjo que acredito. Vendo teu olho brilhar, Que esse amor é infinito, Até o instante em que acabar.

BARBA Hoje não quero emoções de barba feita. Antes as migalhas do pão amanhecido.
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BARBA Hoje não quero emoções de barba feita. Antes as migalhas do pão amanhecido. Servido na fétida e úmida sarjeta Gastronômica de um viver já morrido. Hoje no café não quero açúcar. Quero gotas de sangue nos versos da poesia. Com gosto de fel sem adoçar. Morre uma vida quando acaba a fantasia. Hoje amor não trago em mim. Prefiro a morte a ficar sem teu pão. De longe vejo a luz chegando ao fim. Como ondas foi-se o emocional da razão.

Prefiro o grito Prefiro o grito ao silêncio. O grito da dor ao bater da pedra.
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Prefiro o grito Prefiro o grito ao silêncio. O grito da dor ao bater da pedra. O grito do espinho furando a pele. O grito de resistência apoiado na inocência. O grito do muro de alma pichada. O grito do sapato furado no solado. O grito dos pés pisando brasas. O grito da ressaca mesmo sem ter bebido. Prefiro o grito da justiça, Que na noite extrapola a razão. Prefiro o grito, mas por covardia, Ou por bom senso, calo-me.

SUBLIME O mais elevado grau de beleza. O maior indicativo de perfeição.
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SUBLIME O mais elevado grau de beleza. O maior indicativo de perfeição. Excelência em natureza Uma sinfonia musical em execução. Tons musicais de requinte elevado Momentos considerados divinais. Ambiente lindamente decorado E uma plateia sem igual. Orquestra é sintonia ajustada, Arranjos e melodias arrojadas. Músicos perfeitamente entrosados. Suave para meus sentidos Agradáveis para os ouvidos Ao final, todos recompensados.

Mãos atadas. Ainda que do olho salte a ilusão. Que da boca verta a fragilidade.
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Mãos atadas. Ainda que do olho salte a ilusão. Que da boca verta a fragilidade. Mesmo que só voe a imaginação. A busca é constante pela saciedade. Ainda que a nuvem esconda o sol. Que na sombra não se veja vulto. Conserva-se a alma em formol. Mata-se o corpo em um minuto. Ainda que o galho balance o canto. Dos Uirapurus tão festejados. O mato permanece à beira do pranto. Ficam os terrestres voam os alados. Ainda que o fermento negue crescimento. A levedura esta depositada. Mesmo que a mente aceite o consentimento Não se guia só e de mãos atadas.

TEMPOS Foi um tempo de bravura Tentando naquela altura
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TEMPOS Foi um tempo de bravura Tentando naquela altura Não desistir de buscar. Tomava o ônibus de ida. Pra voltar era aventura. Sem paga não pode andar. A pé sempre retornava, Uma hora de caminhada Marcado passos na madrugada. O calcanhar machucado. O joelho inchado, O jeans velho já surrado. Batia a fome malvada Muito mais ele desejava A situação mudar. Á Deus pedia saúde. A mão Ele estendia Conformado, Dormia de barriga vazia. Riqueza não interessava. Tudo o que ele buscava, Pra mesa a própria comida. A vitória pouco importava. Mas diante das injustiças Não podia se calar. Hoje no céu batalha. Com certeza me ilumina. Não és de jogar a toalha. Acredite, aqui continuo a tua sina.

OUTDOOR Eu não tenho medo, De abrir a foto pra te olhar.
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OUTDOOR Eu não tenho medo, De abrir a foto pra te olhar. Eu não tenho medo, De escancarar a porta pra você entrar. Eu não tenho medo, De desenhar de risco de giz Um coração, pra te ver feliz. Eu não tenho medo, De te oferecer majestosos Buquês de rosas. Eu não tenho medo, De ao mundo revelar Todos os segredos. Eu não tenho medo, De dançar com você Um bolero sertanejo. Eu não tenho medo, Do teu sentimento de reciprocidade, Vou confessar este amor num Outdoor, na principal avenida da cidade.

DESEJO-TE. Quando digo que te amo. Talvez nem devesse dizer.
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DESEJO-TE. Quando digo que te amo. Talvez nem devesse dizer. Na verdade não te amo. Eu vivo em você. Quando digo que te quero. É só força de expressão. Na verdade não te quero. Já moras em meu coração. Quando digo que te desejo. É porque te desejo. Não tem nada de mentira. Quando digo que serás minha. É porque serás minha. Meu querer muito te admira.

Dieta Despeço-me desta lida. Tomo outros rumos.
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Dieta Despeço-me desta lida. Tomo outros rumos. Escrever já não me alegra. Meus versos se esvaziaram. Esqueço até de regras. Já estou no mata piolhos, Faltam-me dedos para alçar. Sendo assim não vejo, Razão para continuar. Antes era fácil. Eu espetava umas palavras, Temperava com pedacinhos de sonhos, Polvilhava com abundantes ilusões. Pronto. Só degustar. Agora não. Palavras não me apetecem. Temperos a vida já não contém, Ilusões não fabricam mais. Sonhos ficaram lá... Bem pra traz. Entro numa dieta rigorosa. Consumirei apenas aqueles olhos magros. Mergulhados sobre os meus. Sem os deliciosos beijos doces, Sem os apertos gordos ofegantes. Momentos pouco picantes, Sem as cenas do romance. Deixo a magreza poética me vencer, Não farei forças para reagir, Não vai fazer diferença. Pra mim chega. ...Não quero mais escrever. (Publicado na Antologia Poesias Encantadas V)

PÉTALAS Se brincarmos que seja com nossos corpos. Que jamais se maltrate os sentimentos.
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PÉTALAS Se brincarmos que seja com nossos corpos. Que jamais se maltrate os sentimentos. Que a doçura do amor venha de dentro. Que não esvoace com o sopro do vento. Que o amor seja eternamente livre e irracional. Sem prisão viverá feliz onde desejar. Que pouse lentamente como brisa matinal. Nas pétalas das rosas para se perfumar. Sai de você meu verso mais autêntico e lírico. Vem como ondas leves e suaves do mar. Entra em mim quando fundamente inspiro. Encontra um cantinho nobre pra se acomodar. Dos teus olhos vem meu intenso brilho. No teu sorriso encontro minha inabalável alegria. Tua beleza tem a exuberância e o perfume do lírio. Amor real coroando minha fantasia.

HOJE Hoje Deus, eu busco um abraço teu. Quero te falar.
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HOJE Hoje Deus, eu busco um abraço teu. Quero te falar. Bater no teu ombro e dizer: E ai amigo como vai você? Confessarei alguns segredos. Contarei alguns medos. Falarei de tristezas, De planos. De futuro. Das frustrações. De amores. De paixões. Mas acima de tudo, Eu quero pedir-te: Ensina-nos a sorrir.

PAPÉIS PICADOS. Hoje quero fazer uma poesia supostamente linda. Como caminhar descalço a beira mar.
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PAPÉIS PICADOS. Hoje quero fazer uma poesia supostamente linda. Como caminhar descalço a beira mar. Como canção que não se fez ainda. Como neve descendo ao luar. Quero vê-la nascer de forma natural. Como o calor dos corpos ao se amar. Como um beijo de desejo matinal. Como amantes ao se completar. Quero festejá-la com papéis picados. Com sorrisos estampado nos rostos. Ver todos os protocolos quebrados. Quero que todos tenham seus desejos expostos. Quero abraçá-la em plena praça. Gritar o amor para todos os lados. Fazer-te agrados e te deixar sem graça. Demonstrar amor muito exagerado.

FESTA DO TRABALHADOR Quando recebeu o convite pelo correio eletrônico interno, nem leu. Não iria. Nunca gostou das “festas da firma”.
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FESTA DO TRABALHADOR Quando recebeu o convite pelo correio eletrônico interno, nem leu. Não iria. Nunca gostou das “festas da firma”. Antes aproveitaria o feriado e faria um programa mais a seu estilo. Achava muito estranho que no “Day after”, destas festas, sempre aparecia alguém, cabisbaixo, vindo dos recursos humano demitido e com a informação que a cerveja era para todos consumirem. Só mudou de ideia quando os amigos mostraram a ele que aquela seria uma festa diferente. Haveria um duelo imperdível. Uma atração muito especial. Quando, voltou ao convite para, de fato ler, confirmou presença na hora. A chance de fazer uma grande descoberta se abriu ali, bem diante de seus olhos. Oportunidade imperdível pensou. Dali pra frente foi um dos grandes entusiastas na divulgação do evento e ajudou a torná-lo o maior de todos. Quando estacionou seu carro a duas quadras do local, por ter sido a única vaga que encontrou, sentiu que os objetivos de mobilização estavam amplamente atendidos. Ao abrir a porta ouviu aquele barulho típico das grandes junções, dos grandes shows, dos grandes eventos. A música com volume exageradamente alto só aumentava esta certeza. Adentrando o recinto acabou ficando mais ao fundo. Gostava de observar tudo. A música realmente era interessante e a iluminação apropriada tornava o ambiente festivo. Sem contar aquela algazarra típica. Ninguém entendia nada, contudo todos falavam ao mesmo tempo. Como de costume, chegou o horário marcado e nada de começar. É incrível como sempre atrasa. Finalmente ás vinte duas hora e dezoito minutos a luz do salão foi diminuindo até apagar por completo. Apenas um canhão iluminava o palco. Rigorosamente vestido entra o apresentador. Figura conhecida da mídia nacional contratado para o evento. Após os tradicionais senhoras e senhores e vocês são os melhores do mundo e outros puxa-saquismos, anuncia a atração esperada para noite. A minha direita, com toda a sua vivência e experiência Senhor Trabalho. Senhor work, brincou. O sujeito entra todo mascarado, em uma das mãos uma CLT na outra, processos trabalhistas, patrocínio abundante nos calções. A grande maioria de centrais sindicais. Músculos reluzentes. Aparentando agilidade, faz alguns movimentos no palco e recebe aplausos e gritos histéricos de algumas jovens mais saidinhas. A minha esquerda... A dengosa. A imprevisível. A indesejada, Senhora Preguiça. Ela entra lentamente sobre fortes vaias e assobios de desaprovação. Ele ali firme em seu propósito de fazer a grande descoberta. Ao final do embate, que mais pareceu um massacre se aproximou do Senhor trabalho para tentar seu objetivo. E conseguiu. Num descuido da segurança aproximou-se e perguntou: -Senhor trabalho, quem é teu pai, quem te inventou? Calma e educadamente ele respondeu. Uma pena que barulheira do ambiente não possibilitou entender a resposta. Uma pena. É muito azar.

CASUAL A fidelidade jurada foi carnal. Traio-te sem me por pecador.
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CASUAL A fidelidade jurada foi carnal. Traio-te sem me por pecador. Devaneios não causam mal. Aventuro mais nego amor. Pois se desejo, sou desejado. Excetuando as trapalhadas Não amo, nem sou amado. Letais vivências das madrugadas. Outro deleite bem casual. Mero acaso, nada proposital. Fitamos o perverso a procurar. Seguimos indiferentes na condição É carne, nunca será pão. Não é amor, é um simples amar.

CERTEZA Se um dia fiz amor, foi com você. Se por vezes senti calor, foi o seu.
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CERTEZA Se um dia fiz amor, foi com você. Se por vezes senti calor, foi o seu. O ombro que te apoiou, foi o meu. A magia do amor aconteceu. No jardim desta lírica vida. De primaveras imensamente coloridas. Fostes a rosa escolhida Perfumada e atrevida. A respiração pulsante, própria dos amantes, Sentimos bem abundante. Na noite que foste minha. Quando na areia você escreveu. O recado que me deu. Tirou a dúvida que eu não tinha.

LUZ ACESA Desta busca ao impossível É que sou sobrevivente.
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LUZ ACESA Desta busca ao impossível É que sou sobrevivente. Tantas faces insensíveis. No caminho estão presente. Desta busca a felicidade É que rondo de luz acesa. Busco todas as possibilidades Se não as encontro abasteço de tristezas. Desta busca ao verso inexistente Escrito com alma latente. É que perdi os melhores poemas. Buscando a rima rica Que pra mim pouco se aplica. Fui tropeçando em pobres fonemas.

REFLEXÕES. Do nada, chegou á conta. E a informação que vence agora.
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REFLEXÕES. Do nada, chegou á conta. E a informação que vence agora. Porque não foi paga? Pode até ser cedo. Contudo a hora é esta. No horizonte ficou a onda de expectativas chamada vida. E agora? É permitido abandonar a festa assim bruscamente? Não fiz tudo o pensava fazer. Não sonhei tudo o que pretendia sonhar, Não amei tudo o que queria amar. Não contei todas as histórias que sabia. Não transmiti toda a experiência acumulada. Não chorei todas as lágrimas. Não dei todos os abraços. Não disse todos os “eu te amo” Não escrevi as últimas poesias. Não pedi todos os perdões que precisava. Não surpreendi nem inovei o bastante. Sequer esqueci a fórmula de Báscara. Em quantas chuvas deixei de brincar. Tive a humildade suficiente para ser entendido? Fui sempre fiel aos meus conceitos e valores? Fiz sempre o meu melhor a ponto de não me envergonhar? Unifiquei discurso e prática? Apenas dei conselhos ou fui exemplo? E os amigos que não visitei? E as tarefas que não conclui? E os amores que não vivi? E a despedida que não houve? E meus perfumes? A comida que eu mais gostava? E a minha música preferida? A fé que não externei? O café que não tomei? E a pintura que deixei inacabada? Eu já sabia que você viria. Mas sem aviso. E isso são horas? Não vivi tudo ainda. Eu preciso desocupar a mesa. Eliminar pista. Destruir provas. Organizar meus trecos. Justo agora que pretendia mudar alguns conceitos. Queria encontrar o ponto de equilíbrio. Queria amolecer comigo mesmo. Queria dar mais “bolas fora” Arriscar e, se preciso fosse, errar. Errar muito, errar mais.

TRAVESSEIROS II O dia se fez as onze. Um travesseiro sem cheiro
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TRAVESSEIROS II O dia se fez as onze. Um travesseiro sem cheiro Feito medalha de bronze Ao lado da cama, ainda inteiro. A sinfonia vinha de dentro. A luz ganhou foco exuberante. Num único travesseiro, Duas marcas e o cheiro dos amantes. A noite foi de magia Como a muito não se via. Minha deusa da alegria. Dona das minhas fantasias. O cabelo desalinhado. Agora um velho jeans desbotado. Um perfume desodorizado, E um sonho de amor realizado. O champanhe abandonado Por água de coco trocado. Os desejos retomados. Ela feliz ao meu lado.

SE É AMOR Se é amor... É natural.
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SE É AMOR Se é amor... É natural. Nasceu sem semear. No inverno não vai murchar. Se é amor... Tem seu sabor. E ninguém conseguirá comparar. Se é amor... Basta um olhar. Palavras podem atrapalhar. Mantenha segredo, nem precisa contar. Se é amor... Diga baixinho. Ninguém mais precisa saber, Só eu. E talvez você.

SOU Sou sonho Que se escreve desejo.
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SOU Sou sonho Que se escreve desejo. Sou esperança Que se escreve pó. Sou angústia Que se escreve nó. Sou amor Que se escreve talvez. Sou infância Que se escreve distante. Sou passo Que se escreve muleta. Sou criança Que se escreve doçura. Sou conta nova Que se escreve dívida. Sou desejo Que se escreve vontade. Sou ânsia Que se escreve chocolate. Sou busca Que se escreve tentativa. Sou “homem não chora” Que se escreve falso. Sou medo Que se escreve insegurança. Sou natureza Que se escreve extinta. Sou verdade Que se escreve dureza. Sou solidão Que se escreve tristeza. Sou o eterno Que se escreve “até onde der”. Sou ternura Que se escreve mulher. Sou o “estou bem” Que se escreve mentira. Sou sólido Que se escreve derrama. Sou poesia Que se escreve... Em versos.