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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

O que a poesia uniu poeta nenhum separa.
Viver é uma experiência incomparável. Vamos deixando um tanto de nós nos sorrisos que distribuímos vida a fora, um pouco de amor mesmo nos mais breves romances, um tanto de confiança em cada melhor amigo que as fases da vida acabam escolhendo. Um tantinho de agradecimento aos in…
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Viver é uma experiência incomparável. Vamos deixando um tanto de nós nos sorrisos que distribuímos vida a fora, um pouco de amor mesmo nos mais breves romances, um tanto de confiança em cada melhor amigo que as fases da vida acabam escolhendo. Um tantinho de agradecimento aos ingratos que tornam possíveis certas comparações e que criam certos medos bons até nas manobras mais seguras que vamos tendo que fazer. Adquirimos uma porção de experiência em cada passo que temos que dar e isso possibilita entender que caminhado nos tornamos maduros, mas não velhos. Ficamos, também, com um pouco do abatimento, é preciso dizer, em cada rosto triste que fitamos no dia a dia, mas isso é para vermos que sorrir pode ser mais benéfico. Quanto a mim, deixo um pingo de essência em cada poema que escrevo e que talvez só eu sinta, contudo, isso me permite entender de quantas sílabas métricas se faz uma existência de versos livres. Mesmo que eu tenha sepultado um mínimo que seja da minha própria alma junto a cada amigo que partiu, e nas minhas próprias partidas, continuo vivo e o melhor: vivendo. Deixo (me permitam) um naco de amor a cada um que entra em minha trajetória, pois não se vive de acasos e no amor - em todas suas variantes - o que se diz é muito menor do que o que se sente. No fundo, me atrevo a dizer que somos todos diversos e, ao mesmo tempo, parecidos em humanidade, pois dentro da sensibilidade de cada um vamos moldando-nos no íntimo e quem mais sensível for mais intensamente vive. Não devemos nunca buscar a bandeira da felicidade em nenhum lugar fora de nós pelo simples motivo dela não existir. Seria uma grave ilusão de ótica, se quiser vê-la, senti-la e vive-la olhe para dentro, ela sempre esteve ali – Acredite: chegou a sua hora de visualiza-la e ser feliz.

Folhas secas Insisto na tecla desbotada, Deslizo a deriva - Nem perdido nem destinado.
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Folhas secas Insisto na tecla desbotada, Deslizo a deriva - Nem perdido nem destinado. Não importa onde estão as divisas O que ficou pra trás já percorri, Nem a luz da ilusão permitirá repetir. Ao meu grito segue-se o insano silêncio, Saliento, me sento, me ausento. Mesmo de alma limpa falta a paz, Enterro-me já em ossos e pelos. Minha carne não é pra vermes Se não tenho nobreza, tenho orgulho, Sou superficial, mas também mergulho. A eles ofereço minha indiferença Que degustem - fartem-se iludidos – De vocês eu ganharei - nada mais sei – Cutucam-me as folhas secas Envoltas à raiz que tropecei.

Não salvar Aquela clicada em não salvar pôs todo o trabalho da manhã por água abaixo. Pior que não foi a primeira vez - Shit. Que cagada!
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Não salvar Aquela clicada em não salvar pôs todo o trabalho da manhã por água abaixo. Pior que não foi a primeira vez - Shit. Que cagada! Não iria refazer – não mesmo. Sorte que o tapa pegou no meio da tela. O computador permaneceu inteiro. Mas o resto do dia foi de branquear o cabelo de raiva. Justo este que tinha ficado perfeito: - ô se tinha. Até tentou buscar na memória o básico do que tinha escrito. Pouco lembrou além da parte onde ela, já na ala feminina do Madre Pelletier tinha assumido o romance com a Lorenona, sua colega de cela. Faltava-lhe a certeza de como ela tinha acabado na penitenciária. Se estivesse certo, ela tinha matado o Alemão com um golpe de taco de snooker na noite da natal de 2008. Apavorada escondeu-se nos fundos da casa, mas os policiais na primeira investida já a avistaram. Além de prendê-la acabaram com o pé de chuchu que cobria a cerca. No dia seguinte Dona Inácia vasculhou o terreno, mas não encontrou nada que pudesse ajuda-la na defesa. Na primeira audiência alegou legítima defesa, mas a acusação trouxe uma testemunha chave que derrubou esta hipótese. O advogado, naturalmente, recorreu. Mesmo que livrá-la seria impossível, tentava a pena mínima prevista por lei. No presídio Tonha não se encontrava consigo mesma. Sentia-se frágil. Sofria ameaças de toda ordem. Por ser uma mulher atraente despertava inveja e desejos nas próprias colegas. Em busca de carinho e segurança aceitou a aproximação de Lorenona. Aliás, não demorou muito para todas ficarem sabendo disso. Um programa de TV propôs entrevistar o casal – Lorenona concordou – e assim fez. Tonha ficou chateada. Sabia que já tinha dado um final para as duas, mas já que perdeu tudo o que escreveu podia mudar. Estava convencido por si só que deveria retomar o texto, refazer com o pouco que lembrava e criar as outras partes. Poderia uma delas, matar Odete Roitman, assim finalmente o mistério seria desfeito. A cabeça a mil já bolou o final para as duas. Riu feliz da vida. Ligou o PC, reabriu a página e decidiu escrever primeiro o final pra não esquecer. Elas iriam... Caramba, pensou, preciso saber como faz para salvar automaticamente. Foi pro Google tentar descobrir.

Descuido Com uma asa quebrada o pássaro não voa, Ainda que a gaiola aberta esteja sobre o muro,
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Descuido Com uma asa quebrada o pássaro não voa, Ainda que a gaiola aberta esteja sobre o muro, Perde-se a melodia quando uma nota destoa Basta um erro pra comprometer-se o futuro. Seguir o movimento das águas, Não garante ser o melhor caminho O mais fácil nem sempre agrada, O descuido nos afoga em qualquer riozinho. Querer a conquistas sem traçar objetivos E como querer ver nítido no escuro O acaso por si só não pode ser atrativo Não é a sorte, é a busca que garante o futuro.

Ciclo Nasci com a alma distraída... Inocente.
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Ciclo Nasci com a alma distraída... Inocente. Cresci me concentrando um pouco a cada dia Mostrei-me já adulto Num espelho distraído. Hoje ele me mostra envelhecido Como a lembrar-me que eu já Vivi o que podia ter vivido. Relaxo novamente, É natural... Não se fica pra semente.

Solidão e medo Olhei a torre em meio à neve, Eu estava só na cena.
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Solidão e medo Olhei a torre em meio à neve, Eu estava só na cena. O mar silenciado pelo gelo. Europa fria a me doer, Meu mundo congelado... Amedrontado, Tudo em volta tão triste, Nada de banho de chuva, Nada de ciúmes da tua roupa, Nada de arrancar suspiros como na canção. Só... Solidão e medo. Lembranças... Dos beijos Do perfume, Dos teus chiliques, Das noites chiques. Fondue, vinho, passeios... Eu e você. Excitante barulho do chuveiro, Do show animado, deslizes gelados, Sorrisos fotografados, Carícias e olhos molhados. Tempos de amor, tempos de ser amado, Tempos pelo próprio tempo sepultado.

Amanhecer do sonho É como se o sonho estendesse seus braços Fazendo o pó d’alma refletir contra a luz
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Amanhecer do sonho É como se o sonho estendesse seus braços Fazendo o pó d’alma refletir contra a luz E inconscientemente soltasse os seus laços Aconchegando-se naquilo que seduz. O dia esperado insiste em não nascer, O desejo jejuado desmaia sem solidez, O galo não canta. O que o fez esquecer? Duvido que não tenha sido a sua timidez. Distante, no horizonte, surge escassa, Uma réstia breve de luz matinal, Trás bordado no colo do céu em lasca A ponta da lua, brilhante como aurora boreal. O sol distante levanta o sonho feliz E o dia devolve ao poema a serenidade E o verso, feito vertentes de águas em chafariz, Espalha-se como luz fugaz de felicidade.

Do meu pai tenho boas lembranças. Não só dele na cadeira de balanço, mas também olhando a estrada, torcendo pela visita de um dos filhos que já não morava mais na casa. Lembro-me, ainda, das horas em que tocava violão ou gaita (como dizemos aqui no sul). Homem de fé, determinado…
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Do meu pai tenho boas lembranças. Não só dele na cadeira de balanço, mas também olhando a estrada, torcendo pela visita de um dos filhos que já não morava mais na casa. Lembro-me, ainda, das horas em que tocava violão ou gaita (como dizemos aqui no sul). Homem de fé, determinado, mas de uma generosidade enorme com todos. Tinha um jeito contido de expressar carinho, mas no fundo era coração de pudim; os olhos entregavam. Já da minha mãe tenho poucas lembranças. Partiu muito jovem. Quanta falta faz uma mãe e até as lembranças de uma mãe. Ficou vivo na minha memória o último dia. Fora isso, apenas pequenos flashes dela em vida. Levá-los é uma ação divina, pois se fosse humano nunca deixaríamos os que amamos partirem. Confiar na vontade de Deus é fundamental para superarmos.

Definir felicidade Só em doses individuais, Não a deseje de forma permanente
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Definir felicidade Só em doses individuais, Não a deseje de forma permanente Aí é querer demais. Oscila em antagonismos inesperados: Vidros abertos ou ar condicionado, Grade ou liberdade, Café ou suco gelado, Cabelos longos ou raspados, Graduações ou não estudar, Fidelidade ou aventura, Humilhar ou afagar, Bronzear-se ao sol ou refrescar-se na chuva, Tênis novo ou surrado, Perder peso ou comer o que tem vontade, Pintar os cabelos ou mostrar a idade, Correr descalço ou uniformizado, Ser discreto ou se fazer notado, Cartão sem limites ou dinheiro contado, Dê o fora ou entre e fique a vontade, Presença ou a saudade. Se for o - bem vindo - fique, Se for o - boa viagem- vá Mais do que definir, Escolha ser feliz já.

Êxtase O relógio embala a hora que se aproxima, Cresce na fronte a pulsação,
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Êxtase O relógio embala a hora que se aproxima, Cresce na fronte a pulsação, A emoção entra no clima O ponteiro do sim sufoca o não. Busco para o momento o verso perfeito Que expresse bem o que sinto Que tire a ansiedade do peito E desmanche da alma o labirinto. Entre, como sempre, sorridente, Esbanje a sensualidade só tua, Meus braços em posição ascendentes Te entrelaçam no desejo de ouvir... Sou sua.