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Frase de Moacir LuÌs Araldi

Não salvar Aquela clicada em não salvar pôs todo o trabalho da manhã por água abaixo. Pior que não foi a primeira vez - Shit. Que cagada! Não iria refazer – não mesmo. Sorte que o tapa pegou no meio da tela. O computador permaneceu inteiro. Mas o resto do dia foi de branquear o cabelo de raiva. Justo este que tinha ficado perfeito: - ô se tinha. Até tentou buscar na memória o básico do que tinha escrito. Pouco lembrou além da parte onde ela, já na ala feminina do Madre Pelletier tinha assumido o romance com a Lorenona, sua colega de cela. Faltava-lhe a certeza de como ela tinha acabado na penitenciária. Se estivesse certo, ela tinha matado o Alemão com um golpe de taco de snooker na noite da natal de 2008. Apavorada escondeu-se nos fundos da casa, mas os policiais na primeira investida já a avistaram. Além de prendê-la acabaram com o pé de chuchu que cobria a cerca. No dia seguinte Dona Inácia vasculhou o terreno, mas não encontrou nada que pudesse ajuda-la na defesa. Na primeira audiência alegou legítima defesa, mas a acusação trouxe uma testemunha chave que derrubou esta hipótese. O advogado, naturalmente, recorreu. Mesmo que livrá-la seria impossível, tentava a pena mínima prevista por lei. No presídio Tonha não se encontrava consigo mesma. Sentia-se frágil. Sofria ameaças de toda ordem. Por ser uma mulher atraente despertava inveja e desejos nas próprias colegas. Em busca de carinho e segurança aceitou a aproximação de Lorenona. Aliás, não demorou muito para todas ficarem sabendo disso. Um programa de TV propôs entrevistar o casal – Lorenona concordou – e assim fez. Tonha ficou chateada. Sabia que já tinha dado um final para as duas, mas já que perdeu tudo o que escreveu podia mudar. Estava convencido por si só que deveria retomar o texto, refazer com o pouco que lembrava e criar as outras partes. Poderia uma delas, matar Odete Roitman, assim finalmente o mistério seria desfeito. A cabeça a mil já bolou o final para as duas. Riu feliz da vida. Ligou o PC, reabriu a página e decidiu escrever primeiro o final pra não esquecer. Elas iriam... Caramba, pensou, preciso saber como faz para salvar automaticamente. Foi pro Google tentar descobrir.

Moacir LuÌs Araldi

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠Seja via só de passagem. Não plante futuros entre as pedras, nem abane adeuses em cais, em momentos sombrios. Melhor ouvirmos o vento declamar redemoinho-de-poesias que enchem de alegrias, mesmo que fúteis e vazias. Sem medo de decepções, mantendo o sonho bem vivo e a felicidade em nossas mãos.

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Embaçado O dia estava me esperando. Lindo. Primaveris adornos a enfeitá-lo. O talentoso sol desenhava sombras dos meus pedaços. No outside marítimo pranchas a deslizar com surfistas equilibrados. E eu que acabei de chegar de um sonho “desperfumado” questionei Por que havia me acordado? Meus olhos buscaram também o céu. Límpido, mas estranhamente o vi embaçado.