Com o tempo se aprende que se chegou onde chegou
E não importa mesmo onde se esteja
Mas uma coisa se aprende
Só seguir o âmago, e qualquer lugar não serve mesmo
Onde vou não sei e nem quero saber...
O mundo é imenso, a praia é extensa...
E existe o azul do mar para se olhar...
Não sei se controlo meus atos ou se minhas emoções os controlam...
E também nem quero saber... apenas viver
E apenas amar a natureza que Deus me oferece...
A vida que se apresenta... indo... vindo... como mar
O que posso esperar, se a vida me toma em fôlego
Se o que se leva da vida é a vida que se leva...
Cada qual como pode, quer ou sente...
Busco razões como complemento aos meus pensamentos
O resto vem por acréscimo...
Importa ou não a direção
Quando se segue o âmago
E se aprende a ceder à vida
Importa ou não a situação
Quando se segue o coração
Frágil mesmo é a incógnita
Importa ou não a curiosidade
De se saber do outro lado
Quando nada se sabe
Importa ou não... não sei
Como posso desacreditar
do que me impulsiona
Como posso suportar esse apelo
que me toma
Me tira o fôlego em emoção
por querer te ter
O que tens...
para me arrastar assim...
Estou aqui...
e fique sabendo que sou sua...
pelo simples fato
de que isso só pode ser
o amor...
Te quero
Te desejo
Só desacredito dessa ausência...
Da falta do entrelace
de nossas mãos...
De sua boca morna
Num beijo molhado
Vem...
Ainda que pareça absurdo,
o contentamento de tudo é
saber que se é só...
Vivendo na compreensão da realidade.
Ao menos temos a lucidez de
saber que se é só...
Embora, acreditando na dádiva da vida,
lançando-me na coragem de
saber que se é só...
Preenchendo esta sensação de vazio,
com meu eu...
Que trato com muito carinho, afagos, beijinhos...
E faço versos lindinhos,
simplesmente pro meu eu...
E por saber que o mundo tá cheinho de gente como você.
Com carinho, afagos, beijinhos...
simplesmente por saber que você é como eu...
A saudades é maior, durante a noite.
Porque temos no dia a procura...
Na noite, temos a espera de mais outro dia.
Para recomeçar a procura.
Ah! se você soubesse, o quanto te quero...
Terminaria minha angústia...
ou seria ilusão minha...
Em acreditar que possas me amar...
Ah! que tortura...
Minha saudade aumenta,
e continuo nessa busca...
A noite fica tão longa...
Para saber de você...
que medo de me livrar desta angústia...
Ah! se você soubesse...
Porque fujo de ti...
será que fugirias para mim...
Se escrever poesia é falar de sentimentos,
então, falo de quê...
se nem sei dos meus...
se nem os procuro mais...
Apenas escrevo o que já foi ou será...
Um transbordamento do que já se exauriu,
Em paixões...
E agora na tentativa de se exaurir,
Em versos...
Ando tão só...
ouvindo meus desejos.
Que não sei se me leva ou me traz...
Fica tudo sem graça, quando desacredito.
E quando acredito... não sei mais...
E assim vou escrevendo...
na companhia das palavras.
Devagando sentimentos,
extravasando pensamentos.
E enganando a solidão...
Preciso fazer uma sugestão a este coração,
não sofra em vão...
Seu romântico desvairado,
sempre buscando sua outra metade;
em caras desesperados,
um eterno namorado...
Suas paixões tão efêmeras,
mas para você, são como uma vida inteira.
Você sempre tão maltratado.
Seu exagerado...
Não deixarei que ninguém mais entre aí,
a te fazer sofrer...
Mas você não se cansa,
Recorrente em extrapolar sentimentos,
Seu alucinado...
E sempre em desatino...
Não sei como impedir, que ninguém mais entre aí...
Só você não compreende,
que sou sua eterna namorada.
É o que tento dizer,
ao meu coração...
A idade da felicidade
é a idade da liberdade,
se é que liberdade tem idade...
Há o modo dos índios
que não contam as horas,
não contam o tempo...
Que apenas flutuam como folhas,
em comunhão com o vento...
Pode haver limitações na vida,
mas não na alma...
ou em pessoas que encontramos...
Se para se voar com as asas do coração,
o preço for uma prisão...
haverá sempre um escape... mesmo num feixe de luz...
que revigora a imaginação...
para quem sabe encontrar a felicidade...
Para quem tem alma de pássaro...
Simplesmente porque aprendeu a voar... com a felicidade...
A mulher da prateleira,
como mostruário... tão comum, em espécime...
Como aquários de gatos em pet shop,
tão farto no mercado...
Tentando um valor alto, como a um leilão...
O preço do prego que consegue,
é cair da prateleira...
Como latas em tiro ao alvo, em parque de diversão...
E o brinde é uma garrafa de vinho...
O vento sussurrando sua voz
no meu ouvido,
sinta... sinta...
O movimento da grama às carícias do vento,
como uma grande mão a acariciar o gramado...
Num fervilhante louvor a vida,
como num frenético festival de música...
Sementes lançadas
ao apetite dos pássaros...
e o inconfundível cheiro de mato...
O violeta em ressalte,
transcendendo os sentidos...
A sua presença ali num mesmo plano
em tempo e espaço...
ao alcance dos nossos braços...
Como se ainda lhe restasse algo
no fundo da memória,
que lhe acendesse alguma chama
de ilusão...
Amargura que destroça,
causando ressentimentos
Como destroços a ermo
num vazio de imensidão
Em profano oceano
profundo sufocamento...
Como sentir algo tão avassalador...
Se abandonando em sentimentos,
que não consegue compreender
Que se transformaram em frustrações...
Algodão doce a preencher
o céu de cor de rosa
numa nuvem passageira...
e os olhos de criança...
A firmar o palito tão desajeitadamente,
e um novelo do tamanho da carinha
a grudar nos cabelos...
Para desespero...
A nuvem resolveu chover cor de rosa,
desta satisfação despreocupada...
lambuzada...
Educar seria mostrar sua ainda inabilidade
ou deixar sujar-se para que sinta a sua vontade.
E deixar que um passeio... seja um passeio...
uma singela descoberta de criança e pais...
Segredos de debaixo dos lençóis
entre sussurros e risinhos...
linguagem de amantes,
onde confesso pra quem escrevo...
Não durmo sem você,
bem juntinho de mim...
não me sinto sozinha...
porque sei que tenho você...
Não há como não admira-lo...
seu andar macio, seguro e consistente.
A firmeza de suas coxas...
A força do seu dorso...
seu olhar amarelo
sereno e calmo
ora brando... ora feroz...
Seu coração...
Sua juba...
Tão senhor de si...
Onipotente...
meu leãozinho de pelúcia...
Porque desprezo...
se o tenho em meus pensamentos...
Te quero... e não te tenho
Te sinto... e não te toco
Te encontro em sonhos...
em nuvens e formas que eu mesma invento...
Que se transformam em fumaça que se dissipam no vento...
Não sei se tenho seu desprezo ou minha inexistência
Só sei...
que de concreto sua ausência
Entras me persuadindo de forma surpreendente
ainda mais pra mim que vivo andando no vento...
Te quero...
Te desejo...
Sua existência preenchendo meus devaneios ingênuos...
que mais parecem brincadeiras...
que eu crio
em formas e formatos de tato e nuvens...
Se acontecer realmente, sou capaz de nem perceber
devido a tantos sonhos...
Pensei que pudesse
te esquecer...
mas sinto teu cheiro,
olho pro lado e
não te vejo...
Não posso devassar...
não é como sinto...
Preciso de sua reciprocidade
se evasiva... fico sem
saber...
me chame...
vem mansinho... e me diga
com um toque
sutil de mãos...
de carinho...
sobre você e eu...
Aí então... devassarei
cada cantinho do seu coração...
apenas com o que me
permitir...
bem de mansinho...
sem atroçar
seu carinho...
pois assim,
quebraria um encanto...
Nas minhas andanças
cabisbaixas;
lantejoulas cintilando
no asfalto
E eu a contar como
estrelas de uma constelação
Neste universo suspenso
da minha imaginação
Devagando minhas horas,
anseios e corpo...
esbaldando da natureza
nos passos de cada instante...
Um veloz colibri a me
passar no marinho da noite,
flutuando meu sono
que se recusa...
Me deixe dormir esvoaçante,
volte amanhã
para beijocar os hibiscos
já que a mim não
queres beijar...
Quando os bebedouros
estiverem dourados
Venha volatear o nécta da flor
já que o meu, estás
a recusar...
e agora quero dormir,
mesmo sem os beijos teus...
Deixe estar...
amanhã me transformarei
em papoulas e te
embriagarei de amor...
A chuva dissolvendo
minha incerteza
a tristeza também
dissolvendo...
na esperança do sol que
me revela o calor do coração...
Se o céu é azul... o amor também
cinza é a chuva... é o medo
que se dissolvem...
uma montanha de nuvem
formando formas
se derramando
a cada pingo...
a cada gota...
nesta incerteza...
Sentindo prazer
em me molhar...
por ser aberta pra vida...
e pra certeza de amar...
sem medo...
portanto se agora me atordoas
logo cessa e rega em abundância
a vida... meu coração...
volúvel... efêmero...
e sempre leal as paixões... emoções...
que não se nega a sentir...
faça chuva...faça sol...
só essa dúvida que me atordoa...
mas sinto esvair como chuva...
porque sinto prazer em sentir a chuva
e acredito no meu sol...
Palavras pingadas em gotas
como torneira quebrada
pingando... pingando...
na minha impaciência
uma a uma...
minutos... segundos...
pingando... ping... ping...
E eu ainda a olhar as bolhas
a se formarem...
buscando alguma beleza...
buscando algum sentido...
alguma razão de ser...
pingando no meu juízo...
Palavras tão contidas e contadas
como um conta-gotas
tão medidas...
para não se expor
E eu com minhas emoções já tão
exasperadas e não mais a suportar
mais anos...
Eu só te perdôo e te libero,
se souber que todas...
mas todas elas...
te querem...
Pois seria covardia...
teres que aturar mais uma louca...
Mas se souber que somente eu...
só eu te quero...
Aí então meu querido...
você não me escapa...
você é meu...
Fragatas ao vento...
e eu deitada aqui
na areia a olhar o céu...
nuvens cinzas
encobrindo o azul
Fragatas planando
voltando do mar,
escapando do prenúncio
de chuva,
sem bater de asas
planando...
as vezes em rodopiados
caracóis...
se certificando das correntezas,
constatando seu conhecimento
do ar, em mergulhos...
algumas a furtar peixes,
nas demarcações da rede de pesca
e outras a fisgar em ocasionais
mergulhos no mar...
Cada qual com sua característica,
de instinto... ou inteligência...
Embora as da rede pareçam espertas...
As selvagens em decorrência
natural dos instintos,
maiores e mais belas...