Preciso tanto mudar...
Quem sabe... uma plástica no nariz
Uma lipo na barriga
Luzes nos cabelos
Com reflexos dourados
A combinar com meus olhos verdes
Porque para mudarmos a vida
Precisamos mudar a nos mesmos
Foi o que ouvi...
E como sou mulher
Não vejo nada a mudar a não ser em mim mesma...
Olho a minha volta
encontro uma mulher azul
e uma pessoa vermelha
sei que não sou doida
não aguento mais tanta mascaração
não encontro mais ninguém
só tem fantasmas a volta
não suporto mais tanta solidão
pra onde foi todo mundo
só eu fiquei aqui
se me sinto tão só
porque não fui embora junto
não sei nem onde estava
ou que procurava
perdida em mim mesma
e agora pra onde vou
só encontro eu aqui
e não tenho mais ninguém
Preciso te reconhecer
nesse antro de malucos
pra nunca mais te perder
e não ficar aqui
sozinha... sem você.
Venha...
Seja o sol no meu dia,
para eu me sentir lua na noite
e refletir sua energia.
Seja orvalho no desabrochar da flor
nas gotas do seu suor.
Seja chuva para nutrir a terra,
e não torna-la árida da tua falta.
Seja o coração da minha mente,
o motivo do meu romance;
a fonte primaria de inspiração
dos meus versos.
Seja a essência desbravadora,
me proporcionando sentimentos
de segurança como complemento
da minha serenidade.
Seja a cumplicidade da minha
natureza... seja meu par.
A dama da gafieira
com pinta de rampeira,
cheia de patchouli;
saltos desgrenhados
tortos e engraçados,
vestido rosa choque
não pink, bem abrasileirado
em tecido acetinado,
farto decote em seios
também fartos e generosos,
de causar comoção
em imaginar-mos
a máquina e a
costureira...
Uma maquiagem com
resquícios infantis
de cores desorientadas,
ou quem sabe com
algumas cervejas e luz fraca...
Com seu par engravatado
embuídos da responsabilidade
do espetáculo...
a valsar com tamanha honradez
como se fosse a
primeira ou a última vez...
Caracteres da noite que
emitem escamoteadas
intenções artística
de um povo...
de um tempo...
da Lapa...
Luar a trilhar à estrela de destino
No poente farol em rodopios
Como minha alma emotiva
Ponto de referência de descanso
De abrigo
Refúgio para navegantes
Fundear as amarras
Em terra...
Por tempo necessário
Logo parto em busca
Entre luz e escuridão
Na orientação de um novo destino
Lá se vai minha nau,
Seguindo...
Estrelas, lua e farol
Luz que me acende a emoção
Em estímulo na tamanha
Imensidão da vida...
em noites de ébano
Conduzindo-me na
certeza de um porto seguro...
Borboleta azul sobre meu jardim
a levar recados entre as rosas
ora fala com as amarelas...
ora fala com as vermelhas...
sempre com beijinhos de despedidas
após recado dado...
esvoaçante colorido dando vida e sentido
a planar sobre o canteiro
tão festiva como algazarra de criança
Ah!... que dia lindo...
colorido com tantas nuances de azul...
E a chegar mais borboletas...
listradas com amarelo e preto...
deve ser time de futebol!!...
Que festa no meu jardim...
com tantos cumprimentos, beijos e apertos de mãos...
E um silêncio tranqüilo...
apenas o ruído das folhas a rolar pelo chão,
passáros e o vento...
E a borboleta azul voando silenciosamente...
preenchendo tanto espaço e
colorindo a vida...
Aquela casa é minha
É minha aquela casa
Ela tem olhos, nariz e boca
E me diz
Você é dona
dos escombros
janelas despencadas
muito entulho pelo chão
Esta casa é minha
Porque me diz
Que é como eu
Abandonada
Todos enchem os olhos
E querem a casa
Mas a casa diz
Sou tua
Você é como eu
Se outro aqui entrar
Eu expulso
Só se for você
Só se for como eu
Sem teto,
abandonada
Mas que tem alma...
De repente me pego
repentista de seus versos...
sei que estas em meus
delírios...
sinto a textura de seu rosto
sua barba de fazer,
em meus sonhos...
E no alvorecer
sei que em algum
lugar estas...
e sei que estou...
em seu pensamento
nessa refutação desvairada
de mensagens deliciosas;
como ondas que
vem e vão...
dessa nossa imaginação...
meu rebatedor de emoções...
nem sei se me inspira versos ou
ainda mais amor...
As vezes fico como a lua...
que não vira a face...
pois é sempre a mesma...
mas muda de fases...
e as vezes fico oculta...
meu amor...
"amor com choro é posse
sem choro é compaixão
sem amor, então nem se fala
é duro a solidão...
vamos vivendo e levando
esses corações impetuosos
que nos tiram a razão..."
"Sem fantasia o que seria da realidade,
não faria sentido existir,
nem sei se existiriamos ou se suportariamos a existência. É um toque mágico em nossa imaginação que nos conduz a criar,
na tentaviva de nos igualarmos a magia da existência,
uma aspiração em retribuição à vida....
à realidade.
A realidade inspirada pelas emoções e o equilíbrio da inteligência,
nos proporciona o respaldo para criar fantasias."
"Suas palavras...
me penetraram tanto
que me tiraram o fôlego...
como uma oração
um suplicio
de paixão...
pura emoção...
linguagem poética
que fala a alma
com endereço certo
coração..."
Percebi seu sembrante...
venha
encostes teu rosto
quero acaricia-lo
e olhar para teus olhos
senti tantas saudades...
Num musical
nem ouvia a melodia
apenas a luz azul
que entranhava
entre as palmeiras
a me lembrar de ti...
Que bom saber
que você esta aí...
amor esotérico
que me encandeia...
apenas sentido...
apenas emoção...
sem explicação..."
Falar de poesia... em poesias...
é falar com quem gosta de se expressar
se copiada, recitada ou sentida...
uma busca de linguagem humana,
onde nos mostramos...
fugindo da mesmice insuportável...
que tanto nos cansa...
mas não encontramos tantos cansados...
ou que admitam...
mas ao menos, aos poucos desvairados que encontramos pela vida...
falar e ouvir de poesias...
e de emoções...
e realmente encontrar pessoas
é como compreender a vida...
Como resistir ...
um olhar a ti
cor de rosa
em botão
um botão de emoção
menina mulher
revelando em seus olhos
o fogo do amor
num despertar de pétalas
desabrochando
nas manhãs carameladas
de primeiros raios dourados
de pétalas ritmadas
em ligeiro carrossel
bordada em detalhes
e orvalhos da noite
a cada nova revelação
no sensível
aroma frágil
cristalino
no revelar das paixões...
Devaneios ao vento...
em ponteiro de setas que
me impedem de seguir,
então fico aqui...
Quando etésios me
anunciam o calor do verão
em alísios me alisando
as velas da imaginação
fugindo dos amores
em tormentas que
tornan-se nuvens negras
ciclone das paixões violentas
que nos rodopiam até cessar...
quando parece que nem existiu
se não pelo estrago e
virão brisas das ilusões.
Sigo de vento em popa
com minhas fantasias de
furacão deste meu amor
impetuoso por ti
que me vê como um
fenômeno típico do tempo.
O que faço...
para soprar pra ti
esta minha manifestação abstrata
e perceberes que estou aqui...
Pirilampo encantado
de luz verde fosforecente
afastando o medo
do escuro, dos
sonhos infantis
Uma fadinha com
varinha de condão
a soltar estrelinhas
e a iluminar a escuridão
Como um ratinho assustado,
olhinhos redondos a te acompanhar...
espantando com a negritude
sem fundo da noite.
Mas estes olhinhos não vão chorar...
Montado numa libélula...
com asas transparentes
em pontas de pavão e
longa cauda de cometa...
no colo de papai que acalenta
o sono em pleno vôo se misturando
aos sonhos de criança...
Um caracol...
De tanto encontrar
refúgio em mim acabei
aconchegando-me em concha
fechando-me em ostra
mariscando versos na maré
que vem como ondas
de ressaca cheia
em crescente quem sabe...
eu veja sereias
minguante das coisas
tristes e feias
mexilhando uma nova paixão
que como ondas
que vem e vão
sempre virá outra
talvez ainda maior
que arraste os caramujos
ou alise as algas
do fundo do mar.
Um contemplar dissimulado à
fogosa rosa rubi que incendeia
corações e deixa rubro de
paixão o tímido desconcertado
violino, a tocar partituras a mística violeta
ametista em floração de seus pequenos rizomas
roxos que encanta o rouxinol...
com um olhar enigmático ao brilhante
diamante de um escultural envidraçado
santuário para admirar em topázios...
em turmalinas...
a magnífica orquídia
que contempla dissimuladamente a rosa...
Em num canteiro a margarida
apaixonada pelo gira-sol...
que girando sempre em busca do sol
mas a noite, cabisbaixo...
ele olha a margarida que se sente como um sol...
e se despetala em amor-perfeito
bem-me-quer...
mal-me-quer...
bem-me-quer... até o sol despontar
A lua em espelho traça um caminho no mar
que me leva até você
neste horizonte noturno
onde o céu e o mar se encontram.
Entrelaçarmos em silenciosos suspiros
velas brancas ao vento e o rangido do barco
Onde, só existe eu e você...
neste momento... e o ruído do mar...
Um cenário de estrelas cintilantes
a iluminar seu semblante...
Sempre vens na lua cheia
raptar meu amor, desejos e suspiros...
Ah! lua...
quando somes na linha do horizonte
me deixas louca com vontade de te ver...
Se vem nuvens em trovoadas
onde não me invoca a você
fujo e escondo-me debaixo da coberta
e espero o amanhecer...
Polegar venusiano
pronunciando
alma lírica...
dentre turbilhão
de palavras
emergindo em vácuo
de pensamento
tão amontoado
de sentimentos
num passar tempo
a escrever...
mente a fervilhar
transbordando por
falta ou excesso
como sina
como necessidade
de cumprir o não cumprido
dizer o não dito
por assim conseguir
entornar em caldo
pensamentos
ainda se pudesse
falar tudo que se pensa
que não fosse pra
si mesmo...