Gosto da minha quietude
Numa ausência de pensamentos
Tendo a consciência apenas o silêncio
Unicamente para apanhar doçuras
Recolher-se...
...é receber respostas!
Sou quase feliz
No abandono da existência...
Que me habita!
Que me cerca!
E me encurrala.
Ao fundo de sua solidão
Eu estive lá
Preguei o amor, a felicidade...
Espalhei estrelas em suas noites escuras
Mas você deixou-me de fora
Sem fazer ruído
Roubou-me o céu!
Toda desilusão
Eu ali fiquei...
A reinventar-me em cores.
Foi tentando me encontrar
Que aprendi a viver.
Subitamente, ultrapassei meus limites...
Amadureci, com a chegada do outono.
Encantei-me com a energia das cores
Enquanto contemplava o amadurecimento das folhas.
Pois, a vida deslumbra quem carrega as cores na alma.
Há pessoas que não entendem a profundidade da lucidez do meu silêncio.
Não reconhecem a intensidade da liberdade
No momento em que sou ave calada no ninho.
São instantes em que navego na imensidão
Do oceano que me habita
E nestas águas dormiram-se as palavras.
Para muitos, esta seria apenas uma difícil jornada.
Porém, para mim é o encontro com o melhor e o pior de mim.
É neste silêncio denso que a boca cala-me e alma fala-me.
Quando lado a lado sou corpo e alma
E não estou só...
Sou eu e tantas outras de mim.
Companheiras de silêncio
Juntas, somos o poema por mim nunca escrito.
Para muitos o poema insondável.
E de tempos em tempos o silêncio me visita
Para lembrar-me quem eu sou.
(É dentro do mais profundo em que a memória grava a história).
Tenho uma primavera a fazer-me cativa,
Agrilhoando-me nos olhos-mão do amor;
Que teima em me fazer feliz.
Felicidade esta,
Desenhada em flores-de-mil-cores.
Se o silêncio silencia-me?
... Nunca
Do lado de dentro
Há retalhos e retalhos de memórias
Vozes de corpo inteiro
Ao leme
Antigas e atrevidas
Agrilhoam-me os pensamentos.
Aprendi que a magnitude das estrelas
Só pode ser admirada
Devido a negritude da noite
E que aqui dentro
O negro também me tinge...
É o espaço que se faz necessário
Para o regresso de minhas manhãs.
Assim me resumo...
Sou tudo o que sou
E não sou
Aquela que eu sei
Que não existe
entretanto
É parte de mim
Insiste em ser presença
Que respira cá dentro
Num reflexo que não vejo
Onde me perco e me acho
imprecisa
Entre o que é ou não real
Um indistinto labirinto
No universo que me muda
Num constante emaranhado
De cores e de vida
Entre os meandros que me habita
O que floresce
É a emoção que permanece
E distingue o caminho
Não sei de onde.
Nós mulheres...
Nem sempre temos a receita certa para isso ou aquilo,
mas geralmente colocamos o amor como o princípio e a base de tudo.
Podemos até não corresponder às expectativas
dispensadas as nossas pessoas...
porém nos reinventamos sempre em colo que aconchega
em mãos que seguram, em pés e olhos que acompanham.
Somos corpo, alma, abrigo, lágrima, riso, sonhos, aromas, sabores, desejos, defeitos...
sim, somos feitas de bem querer, de coração que acolhe e não escolhe, somos família.
Ser mulher é ser essa imensidão sem perder a sensação das próprias asas e a liberdade do voo...
Nem sempre temos a receita certa para isso ou aquilo,
mas geralmente colocamos o amor como o princípio
e a base de tudo.
Podemos até não corresponder as expectativas
dispensadas as nossas pessoas...
porém nos reinventamos sempre em colo que aconchega
em mãos que seguram,
em pés e olhos que acompanham.
Somos corpo, alma, abrigo, lágrima, riso,
sonhos, aromas, sabores, desejos, defeitos...
sim, somos feitas de bem querer,
de coração que acolhe e não escolhe,
somos família.
Ser mulher é ser essa imensidão
sem perder a sensação das próprias asas
e a liberdade do voo.
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As flores na janela
Estão viçosas
Deveras
São regadas por lágrimas
Pelo choro da saudade
Debruçada sobre elas
É onde permaneço
Açoitada pelo vento
Perdida dentro do tempo
Absorta
À espera
Quiçá que tu voltes
Como uma brisa mansa
Despertando-me a aurora
No entanto
O tempo é implacável
Passa os dias
De mãos dadas
Com as noites
Embalando os meus sonhos
Fugidios e furtivos
Que levam-me a esperança
Enquanto o jardim
Segue florindo.
Prefiro o fulgor
O incêndio que se alastra
Indomável, intransigente
Veemente...
Tal o ardor fervoroso
Caloroso, doloroso
Da madeira
Na fogueira
Que desaba e acaba
Ao desatino de nunca ter sido chama.
Gosto de coisas simples
Que me tocam a alma...
Lavam-me as amarguras.
Gosto de olhar para o céu
E ver o sorriso escancarado do sol
De ver o arco-íris cruzando as nuvens
Numa mistura de cores que me rasga aos olhos
São-nos presentes de Deus.
Gosto de beijo na testa
Aliviada respiro o ar
Do profundo carinho revelador
Imprescindível...
Gosto de um abraço apertado
demoroso
Sincero... Caloroso
É-me aconchego.
Gosto de andar de mãos dadas
Com os dedos entrelaçados
De sentir o coração na palma
Sinto-me segura
É-me necessário
É abrigo.
Gosto de palavras soltas
Um papo legal
Alto astral
Sem preconceito
Que desce doce ao paladar
E permanece na boca
Faz-me sentir renovada
Ante as durezas da vida
Gosto de ouvir música com a alma...
Esquecendo os tons
Apreciando os sons
Apenas deixando-me embalar
No meu próprio ritmo
Minha harmonia
Gosto de despreocupada andar
Sem me importar com a hora de voltar
Sem pressa de chegar
Somente ir caminhando
Apreciando a liberdade
Olhando à volta
À frente
Apenas sentindo...
Gosto de estar com a família
Superando as diferenças
Rindo juntos
E se choro for
Chorando mais juntos ainda
Pois isso é amor
é ninho
Gosto de coisas simples
A essência
Que me deixam com saudade...
E quase sempre desejosa
Para que novamente aconteça
Quero alguém que caminhe ao meu lado
E que me traga a paz
No auge do meu desassossego.
Quero alguém que me entenda
Não quero que me complete
Posto, que não sou metade!
Porém,
Que sejamos unificados pelo amor.
Quero alguém que me acompanhe na tristeza
Compreende e respeite
Minha angústia e solidão
Para que só então,
Na alegria possa me fazer companhia.
Quero alguém que me faça sonhar
Sonhos estes,
Em que eu não esteja sozinha
Entrementes,
Que seja parte dos meus sonhos.
Quero alguém que seja meu farol
Para quando,
As trevas ameaçarem meu sossego
Seja a luz a iluminar-me a escuridão.
Quero alguém que me dê amor
Que precise do meu amor
E dessa união construir a nossa história.
Quero alguém que seja...
Assim.
Para mim!