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Frases de Márcia Bueno

26 frases

"Para quem (ainda) pensa que a saída é se matar" Quando houver um tempo, Algum tempo pra juntar todas as cinzas
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"Para quem (ainda) pensa que a saída é se matar" Quando houver um tempo, Algum tempo pra juntar todas as cinzas E pra reparar que aquelas folhas raras, Verde-claras, modificas, não são flores E para se perguntar que, se o amor é vida, Por que faz tantos suicidas? Quando eu tiver tempo Pra olhar pr’aquela árvore, Sempre serena e imponente Que mesmo com as mais terríveis tempestades Não se abala, fica até contente E eu vou perceber, então E que o melhor mesmo é rir à toa Dê gargalhadas, a vida ainda é boa Pra que esse olhar tão triste?

Ninguém notava, mas ela sabia, era outra. As mesmas feições, o mesmo físico, mas a alma transformada. Via tudo diferente, como se até aquele momento fosse míope e passasse a usar lentes corretivas. Sem dúvida a verdade lhe fora revelada, mas era muito tarde, como tudo em sua vida…
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Ninguém notava, mas ela sabia, era outra. As mesmas feições, o mesmo físico, mas a alma transformada. Via tudo diferente, como se até aquele momento fosse míope e passasse a usar lentes corretivas. Sem dúvida a verdade lhe fora revelada, mas era muito tarde, como tudo em sua vida. Olhou o céu. Felizes os pássaros que podem voar. De repente ficou muito triste, nunca andara de avião. A sua frente o cemitério, a última morada (teve alguma?). Não trazia flores - sempre esquecia dos detalhes. O cheiro de velas acesas inundava o ambiente. Chegou ao túmulo. Ali jaz o amor, para sempre enterrado. Como tudo em sua vida, era muito tarde.

As palavras quase nunca ditas! Até falei da saudade, mas pouco. Quase nunca contei da dor, da angústia, do quase (sempre) desespero. Nem tinha mesmo a quem falar... E se eu, porventura, falasse quem entenderia? Entenderiam que às vezes sorrio às gargalhadas, mas o sofrimento é me…
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As palavras quase nunca ditas! Até falei da saudade, mas pouco. Quase nunca contei da dor, da angústia, do quase (sempre) desespero. Nem tinha mesmo a quem falar... E se eu, porventura, falasse quem entenderia? Entenderiam que às vezes sorrio às gargalhadas, mas o sofrimento é meu estado natural? E não se sofre somente quando as expressões denotam tristeza ou as lágrimas escorrem, nessas ocasiões o que ocorre é o alívio. Sofro mais quando pareço até contente, e minha garganta parece estrangulada pelo ar asfixiante da angústia que me cerca. E dói, dói, dói, tanto que a morte parece certa. Estou errada. Não se morre dessa dor. É só uma tortura sem fim. Desfaleço e recomeço. Visto a máscara do “tá tudo bem” e a estrada da sobrevida se escancara a minha frente. A vida prossegue.

Não faz muito tempo, era claro pra mim, o certo e o errado. Eu concordava com as distinções do que é reconhecidamente moral e o que não é. Mas eu conhecia ainda menos do que conheço agora. Como conversamos com o Felício, uma das características que denunciam nossa maturidade é sa…
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Não faz muito tempo, era claro pra mim, o certo e o errado. Eu concordava com as distinções do que é reconhecidamente moral e o que não é. Mas eu conhecia ainda menos do que conheço agora. Como conversamos com o Felício, uma das características que denunciam nossa maturidade é saber que não sabemos. A verdade, além de ser cultural, como tenho aprendido com os sábios frenquentadores do café filosófico, é também relativa, subjetiva e, principalmente, para mim, ilusória. Estou órfã de crenças e carente de referenciais. Meu instinto de sobrevivência grita Cazuza: "IDEOLOGIA! EU QUERO UMA PRA VIVEEEERRRR...!!!"

“Pobres olhos” Primeiro os olhos ardem Depois ficam inundados
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“Pobres olhos” Primeiro os olhos ardem Depois ficam inundados Aí desaguam Vazante das mazelas da vida Rio caudaloso de águas salgadas Aspergindo uma existência árida Solo arenoso, impróprio pra vida Drenado de suas substâncias vivificantes Alma encarcerada em um corpo amortalhado Sequiosa de libertar-se dessa servidão letárgica Que a obriga a uma jornada patética Num mundo habitado por hipócritas Gentis e sorridentes Que só enxergam o próprio umbigo Pobres olhos! Sentenciados a testemunhar Atuações dantescas de atores corruptíveis Nesse mundo mendicante de sinceridade Um verdadeiro teatro de marionetes Manipuladas por narcisistas presunçosos Esquecidos de sua pequenez Perante a grandeza do universo Olhos encharcados Com as águas amargas da indiferença Quem secará seu pranto?

Seremos velhinhos alegres e simpáticos De cabelos ralos, ventre protuberante, rosto enrugado, Aparelho no ouvido, coluna torta, olhar cansado
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Seremos velhinhos alegres e simpáticos De cabelos ralos, ventre protuberante, rosto enrugado, Aparelho no ouvido, coluna torta, olhar cansado E sorriremos felizes e satisfeitos, orgulhosos do dever cumprido Pois deixamos filhos melhores para o nosso mundo Que deixarão um mundo melhor para seus filhos.

Diário de um Defunto Meu coração parou de bater, o cérebro não recebeu mais sangue. Após 10 segundos cessou toda minha atividade cerebral. Clinicamente já era considerada morta. A pele ficou acinzentada e rígida, os músculos relaxaram, por causa disso eu não tinha mais controle…
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Diário de um Defunto Meu coração parou de bater, o cérebro não recebeu mais sangue. Após 10 segundos cessou toda minha atividade cerebral. Clinicamente já era considerada morta. A pele ficou acinzentada e rígida, os músculos relaxaram, por causa disso eu não tinha mais controle sobre o esfíncter, a bexiga e os intestinos se esvaziaram. Minha temperatura caiu drasticamente, e continuaria a cair 0,83°C a cada hora. O fígado, por ser o órgão que se mantém quente por mais tempo, seria usado para determinar a hora do óbito. Após 30 minutos minha pele começou a ficar púrpura e com aspecto de cera. Como a circulação sanguínea cessara, meus lábios e minhas unhas empalideceram pela falta de sangue. Pelo mesmo motivo, nas partes baixas do corpo o sangue ficou parado, formando manchas de cor púrpura escura: a lividez. Minhas mãos e pés ficaram azulados. Meus olhos começaram a afundar para o dentro do crânio. Faz 4 horas que morri. Ainda não fui encontrada. Com a minha morte ocorreram modificações na constituição química do meu tecido muscular. Então meus membros endureceram. Agora é impossível que alguém consiga me movimentar. O rigor mortis começou a esticar meus músculos, isso durará pelo menos 24 horas, depois o corpo voltará a seu estado relaxado. Após 24 horas do meu falecimento meu corpo adquiriu a temperatura do ambiente que o rodeia. Uma cor verde-azulada tomou conta da minha cabeça e do meu pescoço e a mesma cor começa a estender-se por todo meu corpo. Tem início, neste momento um cheiro forte de carne podre. Minhas feições estão totalmente transformadas, nem mesmo eu me reconheço. Não é algo agradável de se ver. Queria tanto que alguém me achasse… Três dias se passaram. Os gases dos tecidos corporais, oxigênio e carbônico, formam bolhas debaixo da pele e meu corpo começa a inchar e crescer de forma ridícula, disforme. E eu que pensava que isso só acontecia com os mortos por afogamento. Estou me sentindo um teto cheio de goteira, por todos os orifícios pingam fluídos corporais. Começo a me conformar com a idéia de que meu corpo irá se decompor aqui mesmo, a céu aberto, comigo assistindo. E depois, para onde irei? Agora que já se passaram três semanas, já me acostumei com o aspecto grotesco do meu corpo, nem o sinto mais como meu. A aparência de cadáver não serve como espelho. A pele, os cabelos e as unhas estão tão soltas que saem facilmente. Por causa da pressão dos gases internos, a pele está se rachando. Estou me decompondo e assim continuarei, até que restem somente os ossos. Como o esmalte dental é a substância mais dura do corpo humano, logo só ficarão os dentes. Estou esperando “a passagem”, mas nada de anormal me aconteceu, tirando o fato de estar morta e velando meu próprio corpo. Acho que me tornei uma alma penada. Será que têm outras? Vou ter que procurar por aí. E eu que achava que depois que morresse ia ser tudo mais fácil…

Cansei do enrolado, do complicado, do erudito Chega de sofrimento,
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Cansei do enrolado, do complicado, do erudito Chega de sofrimento, de desejar o que está perdido Nada de paixões avassaladoras, que me resvalam, sem sentido Quero a simplicidade da certeza, nada de extraordinário, só o bonito Pois o singelo sim é eterno E o sofisticado, só um caldo ralo dispensável, que me entontece inebriando meus sentidos.

OCASO São os fados Fatos natos
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OCASO São os fados Fatos natos De quem grita Clama, chora Pois por descaso Algum relapso Mero lapso de memória Soltou cobras e lagartos Presos em caixas de Pandora E o que antes era estanque Ficou volúvel, virou pó O que foi doce e aprazível Feito mel de ambrosia Virou amargo, vasto, asco Sorvível cálice de jiló E passa o vento Leva o tempo Num descuido mui profundo Chega o fim do ciclo, o ocaso De uma vida inteira só

É ruim que fique assim, longe de mim Seu rosto perdido em brumas Meu coração ferido por dardos
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É ruim que fique assim, longe de mim Seu rosto perdido em brumas Meu coração ferido por dardos Desfaço-me em lava ardente e veloz À procura lhe acho Sou refém da sua presença Prisioneira de bom grado Transformo-me em nuvem, poeira Estrela à noite, vôo como um pássaro Pra seguir incansavelmente Perseguindo seu abraço

Bom seria ser feita de água Sem me importar de ser levada Me moldar onde couber
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Bom seria ser feita de água Sem me importar de ser levada Me moldar onde couber Ou, então, ser feita de estrada Ser caminhada, ir e voltar E se fosse eu feita de ar Soprar forte, furacão Ou vento fresco à beira-mar Melhor seria ser feita de nada Nenhum peso, nenhuma culpa, nenhum tostão ...epa! isso eu já não tenho mesmo! °°°

“FECHE OS OLHOS” Feche os olhos meu amor Não diga nada
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“FECHE OS OLHOS” Feche os olhos meu amor Não diga nada Deixe-me cuidar de você Embalá-lo com meu canto Sinta a pressão das minhas mãos Voluptuosamente passeando por seu corpo Santuário dos meus desejos Não se engane com minha aparente fragilidade Já provei de muitas dores De todas as quedas me levantei Não se preocupe Se depois tiver que ir embora Só quero seu corpo E quero-o agora!

Tapei meus ouvidos para os gritos Deixei de perceber mesmo os gemidos Cansei do barulho que é viver
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Tapei meus ouvidos para os gritos Deixei de perceber mesmo os gemidos Cansei do barulho que é viver Quero o silêncio dos sepulcros Onde os lábios frios são sempre mudos E falar nem tem pra quê Mas o som dos meus pensamentos É mais alto que o trovão Não há quietude onde há vida Só a ruidosa comiseração