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Frase de Márcia Bueno

“Pobres olhos” Primeiro os olhos ardem Depois ficam inundados Aí desaguam Vazante das mazelas da vida Rio caudaloso de águas salgadas Aspergindo uma existência árida Solo arenoso, impróprio pra vida Drenado de suas substâncias vivificantes Alma encarcerada em um corpo amortalhado Sequiosa de libertar-se dessa servidão letárgica Que a obriga a uma jornada patética Num mundo habitado por hipócritas Gentis e sorridentes Que só enxergam o próprio umbigo Pobres olhos! Sentenciados a testemunhar Atuações dantescas de atores corruptíveis Nesse mundo mendicante de sinceridade Um verdadeiro teatro de marionetes Manipuladas por narcisistas presunçosos Esquecidos de sua pequenez Perante a grandeza do universo Olhos encharcados Com as águas amargas da indiferença Quem secará seu pranto?

Márcia Bueno

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Pensador.com

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É ruim que fique assim, longe de mim Seu rosto perdido em brumas Meu coração ferido por dardos Desfaço-me em lava ardente e veloz À procura lhe acho Sou refém da sua presença Prisioneira de bom grado Transformo-me em nuvem, poeira Estrela à noite, vôo como um pássaro Pra seguir incansavelmente Perseguindo seu abraço

OCASO São os fados Fatos natos
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OCASO São os fados Fatos natos De quem grita Clama, chora Pois por descaso Algum relapso Mero lapso de memória Soltou cobras e lagartos Presos em caixas de Pandora E o que antes era estanque Ficou volúvel, virou pó O que foi doce e aprazível Feito mel de ambrosia Virou amargo, vasto, asco Sorvível cálice de jiló E passa o vento Leva o tempo Num descuido mui profundo Chega o fim do ciclo, o ocaso De uma vida inteira só

Cansei do enrolado, do complicado, do erudito Chega de sofrimento,
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Cansei do enrolado, do complicado, do erudito Chega de sofrimento, de desejar o que está perdido Nada de paixões avassaladoras, que me resvalam, sem sentido Quero a simplicidade da certeza, nada de extraordinário, só o bonito Pois o singelo sim é eterno E o sofisticado, só um caldo ralo dispensável, que me entontece inebriando meus sentidos.