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Frase de Márcia Bueno

Cansei do enrolado, do complicado, do erudito Chega de sofrimento, de desejar o que está perdido Nada de paixões avassaladoras, que me resvalam, sem sentido Quero a simplicidade da certeza, nada de extraordinário, só o bonito Pois o singelo sim é eterno E o sofisticado, só um caldo ralo dispensável, que me entontece inebriando meus sentidos.

Márcia Bueno

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Pensador.com

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É ruim que fique assim, longe de mim Seu rosto perdido em brumas Meu coração ferido por dardos
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É ruim que fique assim, longe de mim Seu rosto perdido em brumas Meu coração ferido por dardos Desfaço-me em lava ardente e veloz À procura lhe acho Sou refém da sua presença Prisioneira de bom grado Transformo-me em nuvem, poeira Estrela à noite, vôo como um pássaro Pra seguir incansavelmente Perseguindo seu abraço

OCASO São os fados Fatos natos
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OCASO São os fados Fatos natos De quem grita Clama, chora Pois por descaso Algum relapso Mero lapso de memória Soltou cobras e lagartos Presos em caixas de Pandora E o que antes era estanque Ficou volúvel, virou pó O que foi doce e aprazível Feito mel de ambrosia Virou amargo, vasto, asco Sorvível cálice de jiló E passa o vento Leva o tempo Num descuido mui profundo Chega o fim do ciclo, o ocaso De uma vida inteira só

Diário de um Defunto Meu coração parou de bater, o cérebro não recebeu mais sangue. Após 10 segundos cessou toda minha atividade cerebral. Clinicamente já era considerada morta. A pele ficou acinzentada e rígida, os músculos relaxaram, por causa disso eu não tinha mais controle…
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Diário de um Defunto Meu coração parou de bater, o cérebro não recebeu mais sangue. Após 10 segundos cessou toda minha atividade cerebral. Clinicamente já era considerada morta. A pele ficou acinzentada e rígida, os músculos relaxaram, por causa disso eu não tinha mais controle sobre o esfíncter, a bexiga e os intestinos se esvaziaram. Minha temperatura caiu drasticamente, e continuaria a cair 0,83°C a cada hora. O fígado, por ser o órgão que se mantém quente por mais tempo, seria usado para determinar a hora do óbito. Após 30 minutos minha pele começou a ficar púrpura e com aspecto de cera. Como a circulação sanguínea cessara, meus lábios e minhas unhas empalideceram pela falta de sangue. Pelo mesmo motivo, nas partes baixas do corpo o sangue ficou parado, formando manchas de cor púrpura escura: a lividez. Minhas mãos e pés ficaram azulados. Meus olhos começaram a afundar para o dentro do crânio. Faz 4 horas que morri. Ainda não fui encontrada. Com a minha morte ocorreram modificações na constituição química do meu tecido muscular. Então meus membros endureceram. Agora é impossível que alguém consiga me movimentar. O rigor mortis começou a esticar meus músculos, isso durará pelo menos 24 horas, depois o corpo voltará a seu estado relaxado. Após 24 horas do meu falecimento meu corpo adquiriu a temperatura do ambiente que o rodeia. Uma cor verde-azulada tomou conta da minha cabeça e do meu pescoço e a mesma cor começa a estender-se por todo meu corpo. Tem início, neste momento um cheiro forte de carne podre. Minhas feições estão totalmente transformadas, nem mesmo eu me reconheço. Não é algo agradável de se ver. Queria tanto que alguém me achasse… Três dias se passaram. Os gases dos tecidos corporais, oxigênio e carbônico, formam bolhas debaixo da pele e meu corpo começa a inchar e crescer de forma ridícula, disforme. E eu que pensava que isso só acontecia com os mortos por afogamento. Estou me sentindo um teto cheio de goteira, por todos os orifícios pingam fluídos corporais. Começo a me conformar com a idéia de que meu corpo irá se decompor aqui mesmo, a céu aberto, comigo assistindo. E depois, para onde irei? Agora que já se passaram três semanas, já me acostumei com o aspecto grotesco do meu corpo, nem o sinto mais como meu. A aparência de cadáver não serve como espelho. A pele, os cabelos e as unhas estão tão soltas que saem facilmente. Por causa da pressão dos gases internos, a pele está se rachando. Estou me decompondo e assim continuarei, até que restem somente os ossos. Como o esmalte dental é a substância mais dura do corpo humano, logo só ficarão os dentes. Estou esperando “a passagem”, mas nada de anormal me aconteceu, tirando o fato de estar morta e velando meu próprio corpo. Acho que me tornei uma alma penada. Será que têm outras? Vou ter que procurar por aí. E eu que achava que depois que morresse ia ser tudo mais fácil…