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Frases de Luis Mateus

57 frases

⁠Rum caseiro! Entrego-te nas mãos o meu jejum, enquanto despojo o teu. E sem pudor algum, unos, viramos lobo e fingido cordeiro!
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⁠Rum caseiro! Entrego-te nas mãos o meu jejum, enquanto despojo o teu. E sem pudor algum, unos, viramos lobo e fingido cordeiro! Bebo um vaso por inteiro e de seguida mais um! O terceiro como o primeiro, soube a secura e bom rum! Por entre runs arfados, acendo mais um cigarro P’ra dar folga ao que não sei Ser banal ou bizarro! Trocamos de nomes, uns nobres, outros reles; Fundem-se prosas, taras e peles; Oh minha Deusa, dói-me tudo de te beber; Tenho a boca seca de te saber de cor; Os braços gritam queixosos, de te abrir o ventre a rombos de machado! Bendito o néctar que dá calor e nevoeiro! Beija bem, é doce mel beijoqueiro! Não tenho em mim, poro que não chore, nem cigarro que chegue ao fim! Acendes-me uma fogueira que me quer cortejar, Aquecer ou talvez amar... Mas a chama vai fraca, assim como a força do nosso enredo Que joguei ao lume… Fico tonto, de tanto olhar o céu, revoado de anjos e demónios! Uns, querem-me enviuvar, outros casar! Pergunto aos primeiros: De que vale amar Se quase ninguém o sabe fazer? Talvez a minha sina não seja essa, Talvez seja só procurar! Era o que havia: Amor bastardo, um cinzeiro, lume e rum caseiro! Bebemos tudo... O que havia p’ra amar!

⁠Batalhas da nossa cama Vem quente, linda, com o cio, Traz teus olhos de serpente,
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⁠Batalhas da nossa cama Vem quente, linda, com o cio, Traz teus olhos de serpente, Vem inocente, com desbocado feitio, Assim te espero impaciente, Serei teu lobo faminto vadio, Até meu malho leiteiro ficar impotente E que expluda a cama em euforia, De tanto clímax, tanta pornografia! Quero tua língua indecente, Em gritos e gemidos alucinados, Senti-la invadir meu corpo ardente, Por entre algemas e cadeados, Ficar com carnes firmes e potente, Pra te possuir de todos os lados. Vem em labaredas, nu integral, Saciar-me por entre tuas fendas, Vem-te desmedida, como habitual, Quero-te meiga, bruta, olhos com vendas, Pra desvendares meu longo punhal, E luxúrias e tesões serão tuas prendas. Bebe deste meu vinho imoral, Em minhas uvas penduradas, Em nome do prazer carnal E almas no amor viciadas, Celebremos por anos este ritual, Dos entardeceres às madrugadas E que sempre na tua companhia, Adormeça assim a minha poesia. Batalhas estas da nossa cama, que são segredos de quem ama.

⁠Ó tempo que tudo mudas... Amores em desamores, Luxúrias em paixões,
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⁠Ó tempo que tudo mudas... Amores em desamores, Luxúrias em paixões, Alegrias em dores, Conflitos em perdões Ou aflitos em salvadores de fraca salvação... Ternuras em obsessões, Que viraram feijões Porque algo cresceu e a coisa não se deu... Casinhas em mansões, Caminhadas em uniões, Porque o amor uniu o que ainda ninguém viu... E telas em pintores, Mudos em tenores, Pedras em corações Ou gigantes em anões que perceberam... Que o tempo não muda O que é verdadeiro...

⁠Amor é antítese Amo-te porque não sei bem porquê! Talvez este não sei das quantas amor
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⁠Amor é antítese Amo-te porque não sei bem porquê! Talvez este não sei das quantas amor Nos veja como quem não sei como vê Em nós, um vaso a casar c’uma flor! Amo-te sei lá de que maneira e como, Se as noites em que te quero amante São dias em que não sei se nos tomo Por coisa sólida ou por alarmante! Amo-te assim e não sei por que raio Te quero desta invulgar maneira, Em que não sei se do amor ensaio O hastear d'alguma bandeira! Amor é antítese. O amor é assim: Ora diz que não! Ora diz que sim!

⁠Amor, desalento e solidão Queria, quem já não me quer seu, Que por sua vez não quer ninguém
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⁠Amor, desalento e solidão Queria, quem já não me quer seu, Que por sua vez não quer ninguém E quem me quer eu rejeitei também Por não ser de quem não é meu! Quantas portas ao amor eu não dei! De o querer, quantas se fecharam? Quantas solas e aparas se gastaram? Quantas poemas e ruas atravessei? Mas que desalento chato e redondo, Que se o tento cantar a um canto, Ele não os tem, e eu lá vou pondo Nós engasgados num calado pranto! Não podendo ao amor cantar então, Vou indo e dando, espaço à solidão.

⁠Tenebrosos segredos São noites cálidas, escolhidas a dedo Em que a lua curiosa, depois floresce,
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⁠Tenebrosos segredos São noites cálidas, escolhidas a dedo Em que a lua curiosa, depois floresce, Porque enxerga o tenebroso segredo Nosso, e que o mundo desconhece! Somos tal avidez e vontade cobiçada, Como culpados que imploram perdões, Enquanto carne fraca é entrelaçada, Comungando sigilo e firmes ereções! Ó tempo, reduz à noite a velocidade, Pra que entre o pôr e nascer do sol, Todas as ganas e sedes da saudade, Sejam acolhidas por baixo do lençol. Ó tempo, sê nosso amigo e amante Até c'o dia brote e luz se levante!

⁠“Casas comigo?” És um oceano salgado e proibido; Um cabo bojador de contradições;
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⁠“Casas comigo?” És um oceano salgado e proibido; Um cabo bojador de contradições; Um grito vão, um choro reprimido, Que me leva a um mar de emoções! Se bravura fosse condição minha E dela não ficasse sempre aquém, Dar-te-ia o mundo numa caixinha, O céu, o sol, a lua e mais além. “Casas comigo?” era o que eu então Diria, pra que percebesses que tu És a fonte da minha inspiração! E deste modo encabulado e cru, Eis-me aqui entre caneta e papel A oferecer-te um improvável anel.

⁠Borboleta iludida Os teus olhos escondem diamantes Nas retinas com olhares mortais
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⁠Borboleta iludida Os teus olhos escondem diamantes Nas retinas com olhares mortais Que arremessam flechas ofuscantes Como se fossem notas musicais! A lua cheia, num mar de euforia E eufórica rotação constante Faz uma escura noite ser dia E o amoriscado, coisa ofegante. O coração, de cego, então insiste No timbre perfeito, que não existe, Como se o amor lhe desse a mão. Mas tal como a borboleta iludida, Que tão curto é seu ciclo de vida Como o fado duma breve paixão!

⁠O poeta é que sabe! Ele é dono do que num poema cabe: Belicosas metáforas ou não, ou então
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⁠O poeta é que sabe! Ele é dono do que num poema cabe: Belicosas metáforas ou não, ou então Atalhos, fina ortografia ou alto calão! O poeta é dono! O poeta é que sabe! Enquanto um poeta tem de a sentir, Um tolo tem de a perceber e explicar! Poesia é como o rio, a chuva e o mar, Há que molhar pés para depois sorrir! Tanta tola criatura que uma razão dá À poesia que lê, e diz que ela requer Um preceito, que por vezes não há! Enquanto versos o poeta compuser, Ilustre e tola gente nunca entenderá Que poesia, é o que o poeta quiser!