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Frases de Lucas Carneiro de Oliveira

71 frases

"Louco é quem se contenta com o a alegria da chegada e esquece do prazer da partida. Louco é quem se contenta em ver somente até onde a vista alcança. É quem acredita que amores tem que ser eternos, quando eles só tem que existir. É quem se aquieta com seu lugar na fila da linha…
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"Louco é quem se contenta com o a alegria da chegada e esquece do prazer da partida. Louco é quem se contenta em ver somente até onde a vista alcança. É quem acredita que amores tem que ser eternos, quando eles só tem que existir. É quem se aquieta com seu lugar na fila da linha de produção, com o pão da padaria ou com o pastel da feira de domingo. Louco é quem se contenta comigo, com você. É quem se contenta com qualquer outra coisa que não seja consigo mesmo. Louco é quem se contenta com pouco."

Ele vinha andando pelo meio-fio. De cabecinha baixa, camisa degolada e os chinelos presos nas mãos, sem algum motivo aparente. O tempo era nublado e garoava. Nuvens cinzas, ventos cinzas e chuva cinza. Ele sequer demonstrava frio, mas deveria. O seu olhar perdido no vazio, os bra…
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Ele vinha andando pelo meio-fio. De cabecinha baixa, camisa degolada e os chinelos presos nas mãos, sem algum motivo aparente. O tempo era nublado e garoava. Nuvens cinzas, ventos cinzas e chuva cinza. Ele sequer demonstrava frio, mas deveria. O seu olhar perdido no vazio, os braços abertos buscando equilíbrio e o rostinho magro com olhos fundos e piscantes. Só uma criança, aparentemente. Uma criança que mora com a mãe. E mais sete irmãos. Mas isso não o incomoda. Dividir o mingau de fubá nunca foi problema pra ele. Muito menos o revezamento de quem calçaria o sapato. O problema está justamente no outro morador da casa. Seu padastro. Não, não é uma criança, é um gigante. Um herói. É muito fácil encarar o mundo quando já se tem alguma noção desse cenário de dementes em que fomos enviados sem nosso consentimento. Quando já lhe foi ensinado que tudo vai passar, que há luz no fundo túnel. Mas e quando a luz do fim do túnel é a de um trem? E quando quem devia te proteger te abusa? Te confunde, te desmorona. Uma pequena montanha, mas uma grande queda. Só uma criança. Mas ele continua ali, firme. Andando no meio-fio, sem desiquilibrar. Nem pra um lado nem pro outro. É o orgulho da mãe. As vezes condizente com o que não devia, mas será que ela pode ser culpada? Será que ela pode ser errada? Mas ele, ele É só uma criança. Não um morador de rua, não um animal, não um rato. Uma criança frágil e indefesa. Em algum lugar dentro de si com certeza ela ainda é. O farol ainda está fechado, meu carro ainda está parado e ela se aproxima com alguns papéis na mão. Eu já podia prever o texto. Mas jamais acertaria. Sua mãozinha pequena me entregou o papel com uma timidez quase que forçada. Quando li o papel entendi o motivo : "Vende-se sorriso. O meu está na promoção 50 centavos". ... Entendi não só o motivo da timidez forçada como o porque da promoção. Fazia parte do plano, da estratégia, me surpreender com sua mais poderosa arma. O sorriso. Era o mais banguela, brilhante e estridente sorriso que já havia visto. E me contaminou. sorri sem perceber. Que criatividade. Passei a mão próximo do câmbio pra buscar umas moedas e então tive um estalo, e me questionei. O que estou fazendo? É o que eu tenho a oferecer? Umas porcarias de moedas? Não. Com certeza não são dessas porcarias que ele precisa. Talvez eu devesse descer, comprar algum brinquedo e brincar com ele o resto dia. Talvez ensiná-lo a soltar pipa. A ler, escrever. Eu poderia o levar na sorveteria, que criança não adora tomar sorvete no frio? Quem sabe ensiná-lo a jogar bola, lhe dar o mínimo de atenção. Fazê-lo sentir-se uma pessoa não uma bicho, uma atração circense. Talvez ele só precise de um cafuné, um abraço. Se sentir amado, confiante. Mas ao invés disso eu lhe dei minhas moedas nojentas. Todas elas. Fechei o vidro e saí. Como quem nada fez e ainda sentiu-se útil por isso. Ele me olhou indo embora. Guardou os papéis em um bolso. As moedas no outro. E continuou seu caminho. Ele, só uma criança, andando no meio-fio...

Ele vinha andando pelo meio-fio. De cabecinha baixa, camisa degolada e os chinelos presos nas mãos, sem algum motivo aparente. O tempo era nublado e garoava. Nuvens cinzas, ventos cinzas e chuva cinza. Ele sequer demonstrava frio, mas deveria. O seu olhar perdido no vazio, os bra…
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Ele vinha andando pelo meio-fio. De cabecinha baixa, camisa degolada e os chinelos presos nas mãos, sem algum motivo aparente. O tempo era nublado e garoava. Nuvens cinzas, ventos cinzas e chuva cinza. Ele sequer demonstrava frio, mas deveria. O seu olhar perdido no vazio, os braços abertos buscando equilíbrio e o rostinho magro com olhos fundos e piscantes. Só uma criança, aparentemente. Uma criança que mora com a mãe. E mais sete irmãos. Mas isso não o incomoda. Dividir o mingau de fubá nunca foi problema pra ele. Muito menos o revezamento de quem calçaria o sapato. O problema está justamente no outro morador da casa. Seu padastro. Não, não é uma criança, é um gigante. Um herói. É muito fácil encarar o mundo quando já se tem uma noção desse cenário de dementes em que fomos enviados sem nosso consentimento. Quando já lhe foi ensinado que tudo vai passar, que há luz no fundo túnel. Mas e quando a luz do fim do túnel é a de um trem? E quando quem devia te proteger te abusa? Te confunde, te desmorona. Uma pequena montanha, mas uma grande queda. Só uma criança. Mas ele continua ali, firme. Andando no meio-fio, sem se desiquilibrar. Nem pra um lado nem pro outro. É o orgulho da mãe. As vezes condizente com o que não devia, mas será que ela pode ser culpada? Será que ela pode ser errada? Mas ele, ele É só uma criança. Não um morador de rua, não um animal, não um rato. Uma criança frágil e indefesa. Em algum lugar dentro de si com certeza ela ainda é. O farol ainda está fechado, meu carro ainda está parado e ela se aproxima com alguns papéis na mão. Eu já podia prever o texto. Mas jamais acertaria. Sua mãozinha pequena me entregou o papel com uma timidez quase que forçada. Quando li o papel entendi o motivo : "Vende-se sorriso. O meu está na promoção 50 centavos". ... Entendi não só o motivo da timidez forçada como o porque da promoção. Fazia parte do plano, da estratégia, me surpreender com sua mais poderosa arma. O sorriso. Era o mais banguela, brilhante e estridente sorriso que já havia visto. E me contaminou. sorri sem perceber. Que criatividade. Passei a mão próximo do câmbio pra buscar umas moedas, e então eu tive um estalo, e então me perguntei, o que estou fazendo? É o que eu tenho a oferecer? Umas merdas de moedas? Não. Com certeza não são dessas porcarias que ela precisa. Talvez eu devesse descer comprar algum brinquedo e brincar com ele o resto do dia. Talvez ensiná-lo a soltar pipa. A ler , escrever. Eu poderia o levar na sorveteria. Que criança não adora tomar sorvete no frio? Quem sabe o ensinar a jogar bola. Lhe dar o mínimo de atenção, faze-lo sentir-se uma pessoa, não um bicho, uma atração circense. Talvez ele só precise de um cafuné, um abraço, se sentir amado. Confiante. Mas invés disso eu lhe dei as minhas moedas nojentas. Todas elas. Fechei o vidro e saí. Como quem nada fez e ainda se sentiu útil por isso. Ele me olhou indo embora, guardou os papéis em um bolso. As moedas no outro. E continuou seu caminho. Ele, só uma criança, andando no meio-fio...

"Eu não quero te cobrar nada, nem posso te prometer nada, não agora. Mas tem uma coisa que eu quero que faça todo dia antes de dormir. Eu prometo que também vou fazer. Eu quero que pergunte pra si mesma: "Eu vou querer estar com ele amanhã?" Pense só no amanhã. Pisoteie o ontem.…
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"Eu não quero te cobrar nada, nem posso te prometer nada, não agora. Mas tem uma coisa que eu quero que faça todo dia antes de dormir. Eu prometo que também vou fazer. Eu quero que pergunte pra si mesma: "Eu vou querer estar com ele amanhã?" Pense só no amanhã. Pisoteie o ontem. Jogue fora a semana que vem, o ano que vem, o próximo século. Preocupe-se só com o amanhã. Esse vai ser nosso termômetro. Nossa meta, nosso objetivo. O dia seguinte. E quando digo "estar" não é só fisicamente. Que seja uma ligação inesperada, uma mensagem, um bilhete. Sabe aquele lance de se importar? Até mesmo um simples pensamento, se ele for em mim e te fizer sorrir já vai levar as embora as dúvidas e trazer as certezas. Certas coisas não são explicáveis, mas se sente. E eu sei que no final de mais um dia quando deitar a cabeça no travesseiro a resposta pode não estar na ponta da sua língua, mas vai estar no seu coração. Hoje quando eu me deitar não vai restar dúvida que o que eu mais quero é que o amanhã chegue logo. E que você esteja comigo. Do meu lado, por telefone, fax, e-mail ou em pensamento que seja, não importa. Você vai estar comigo. E o nosso futuro vai ser construído de amanhãs. Dia a dia. Por isso eu não te prometo amor pra vida toda, te prometo ele só pra amanhã. Ele todo. Inteiro, apaixonado e careta, se for o caso. Intenso e caloroso. Bem-humorado e bobo, mas nunca sem graça. Amor pra vida inteira é dívida quase nunca paga, e eu aceitaria ficar te devendo qualquer coisa, menos amor."

Eu aprendi que a felicidade plena, eterna, realmente não existe. Aprendi que estamos errados quando achamos que sabemos do que precisamos e mais ainda quando achamos que precisamos do que queremos. Aprendi que um dia tem 24 horas, mas só preciso de um segundo, um momento, pra sor…
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Eu aprendi que a felicidade plena, eterna, realmente não existe. Aprendi que estamos errados quando achamos que sabemos do que precisamos e mais ainda quando achamos que precisamos do que queremos. Aprendi que um dia tem 24 horas, mas só preciso de um segundo, um momento, pra sorrir nele o dia inteiro. Que posso viajar durante 30 dias, e dois ou três momentos inesquecíveis serão suficientes pra tornar a minha viagem inteira inesquecível. Aprendi que se conhecer 2 ou 3 pessoas realmente importantes, realmente únicas e especiais a minha vida toda terá válido a pena. Eu aprendi que a felicidade plena, eterna, realmente não existe. O que existe são momentos felizes que no fim, acabam compensando todo o resto.

"Talvez o seu maior sonho fosse poder abrir os braços e voar. Sair correndo, abrir os braços e simplismente voar. Sem direção, sem objetivos planejados, sem destino. Somente se deixar ir pra onde o vento levar... Mas já parou pra pensar como o ser humano é? Muitos têm pássaros de…
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"Talvez o seu maior sonho fosse poder abrir os braços e voar. Sair correndo, abrir os braços e simplismente voar. Sem direção, sem objetivos planejados, sem destino. Somente se deixar ir pra onde o vento levar... Mas já parou pra pensar como o ser humano é? Muitos têm pássaros de "estimação" e sentem-se no direito de o deixar trancado em uma gaiola, pulando de um lado a outro... só isso, pulando. E lhe tirando o direito de fazer aquilo que nasceu pra fazer: Voar! Unicamente para poder ouvir seu bonito canto... É o nosso velho hábito de extrair das pessoas e das coisas, o que nos convém, extrair o melhor dos outros, o mais bonito, o que nos é útil, o que nos faz bem, SEMPRE em benefício próprio. Não pense que vida é só isso, o mundo é seu . E todo amor que tem nele também. A escolha é sua: Essa gaiola ou a Vida! Talvez você deva fazer igual as aves que são livres fazem. No inverno elas migram em busca do verão, do calor e do tempo bom. Alguns podem entender como covardia. Outros como sobrevivência. Ou talvez seja só uma busca pela felicidade. Seguida pelo encontro dela. Você deveria experimentar."

"Me deixa sentir tua falta, me faz lembrar do teu cheiro e de quanto eu gosto dele. E depois vens. Sem demora e sem amarras. Sem receios e sem perguntas, só você. Você mesma. Se derrama em mim e me leva a crer que você nunca partiu, nem por um instante. Você havia se escondido de…
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"Me deixa sentir tua falta, me faz lembrar do teu cheiro e de quanto eu gosto dele. E depois vens. Sem demora e sem amarras. Sem receios e sem perguntas, só você. Você mesma. Se derrama em mim e me leva a crer que você nunca partiu, nem por um instante. Você havia se escondido dentro de mim... E quem é que consegue enxergar dentro de si mesmo?"

Já faz uns quatro anos, mas eu lembro como se fosse ontem, de um dia que eu chegando em casa depois de quase três semanas fora trabalhando, com as costas pesadas, em parte pela mala gigante e em outra também pela responsabilidade que, até então, era novidade. Cheio de pensamentos…
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Já faz uns quatro anos, mas eu lembro como se fosse ontem, de um dia que eu chegando em casa depois de quase três semanas fora trabalhando, com as costas pesadas, em parte pela mala gigante e em outra também pela responsabilidade que, até então, era novidade. Cheio de pensamentos no futuro: o que fazer, onde investir o que poderia ganhar, o que estudar, a que me dedicar, como seria minha vida dali pra frente, enfim preocupações cotidianas que todo mundo tem. E quando desci no ponto eu olhei um morador de rua na frente do mercado deitado em um papelão, mas não era qualquer papelão. Era daqueles bem grandes provavelmente de uma máquina de lavar ou algo parecido, idêntica as que eu adorava brincar quando era pequeno, olhando pro céu com os braços cruzados atrás da cabeça e o sorriso largo. Do seu lado um papel amassado de pastel de feira que tinha acabado de devorar. Conseguiu provavelmente jogando uma lábia em alguém, ou fingindo que tomou conta de algum carro. O tempo, um sol de fim de tarde com um céu completamente azul. O vento, uma leve brisa. Pode, e com certeza vai, parecer muito lúdico e uma visão romântica demais da vida, mas a expressão no rosto daquele cara, pelo menos naquele instante, naquele momento, era de absoluta e pura felicidade. Talvez mais um pastel não cairia mal, mas era Como se não precisasse de mais nada. A simplicidade tem esse jeito sutil de dar um tapa na nossa cara. Olhei e Fui embora. Esse ano comprei uma máquina de lavar e sequer deitei na minha caixa de papelão king size... Nem reciclei nem nada, só joguei fora... Que desperdício rs

Toda academia tem: - O gordinho empolgado: Faz spinning, muay thay, zumba, musculação, treino aeróbio, kinect sports e cross fit de domingo a domingo. De quebra ainda faz suplementação, tem os "treino macetoso" e sobe os 6 andares da "firma" pelas escadas. Tudo isso há quase 5 d…
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Toda academia tem: - O gordinho empolgado: Faz spinning, muay thay, zumba, musculação, treino aeróbio, kinect sports e cross fit de domingo a domingo. De quebra ainda faz suplementação, tem os "treino macetoso" e sobe os 6 andares da "firma" pelas escadas. Tudo isso há quase 5 dias e meio. Tem tatuado no antebraço esquerdo: Foco, força e fé. Ele vai conseguir. - O cara do "Tô magro porque fiquei doente semana passada e perdi 6 kilos": Ele sempre perdeu 6 kilos semana passada. SEMPRE. Ontem, hoje, amanhã, daqui há 10 anos. Estima-se que tenha nascido com 3.422 kg. - O cara que cumprimenta: Ninguém sabe o nome dele. Mas não adianta estar na esteira correndo a 15 km/h, ele vai meter a mão no botão vermelho, vai pará-la e vai te cumprimentar. Mesmo que se esconda no banheiro, vá treinar às 5h45 da manhã ou se matricule numa academia em Diadema, ele vai te achar. Ele nasceu com o dom de cumprimentar e vai fazê-lo. 3x/treino. Sugestão: Se o cara do "Tô magro porque fiquei doente semana passada e perdi 6 kilos" fizer amizade com o gordinho empolgado, mantenha distância. De preferência abandone a musculação e matricule no yoga, pilates, natação, qualquer coisa. Para o bem de sua saúde mental.

Queria ter vindo de um lugar melhor. Ter pelo menos uma história bonita pra contar de como nasci, de onde eu vim. A verdade é que me contentaria com pouco, quem sabe até ter nascido de algum sapato esquecido em alguma porta de boate ou então de alguma briga antiga de famílias riv…
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Queria ter vindo de um lugar melhor. Ter pelo menos uma história bonita pra contar de como nasci, de onde eu vim. A verdade é que me contentaria com pouco, quem sabe até ter nascido de algum sapato esquecido em alguma porta de boate ou então de alguma briga antiga de famílias rivais. Apesar de clichê, não deixam de ser histórias. Mas esse luxo eu não tenho, nasci de uma simples ajeitada no cabelo. Mas como eu posso explicar? Pra ser sincero não foi tão simples assim. foi uma ajeitada cruzada (ajeitou o cabelo atrás da orelha direita com a mão esquerda) e depois acompanhou o contorno do rosto com a ponta dos dedos. Quando me dei conta já tinha nascido, já tinha vindo ao mundo. Cheio de ideais, alegria, coragem e completamente apaixonado (pode parecer estranho mas nem todos nós nascemos também apaixonados). Quer dizer, deve ser difícil entender isso, afinal pra vocês só existe um jeito de dar vida a algo. Somente os sentimentos nascidos de batalhas épicas ou de contos de fadas são dignos de respeito. Mas no nosso caso, dos amores, a regra é proibida e não há também um "how to do". Eu sei que você já tentou encontrar a minha fórmula no Google, mas não é assim que funciona. Mas meu objetivo não é apenas lamentar a minha suposta falta de origem digna, o que eu tenho a fazer na verdade é um pedido, pra ser mais específico um apelo. Eu, apesar de não ter pedigree nem linhagem, sou um amor tão bom quanto os outros, vindos de berço enfeitado. E se por acaso algum dia encontrar por aí um como eu, nascido assim dos lugares mais inesperados, por favor, não lhe pergunte da onde vem, somente o convide pra entrar.

Tens um olhar lindo enquanto dança, Não pude deixar de notar Teus olhos funcionavam como meu eixo
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Tens um olhar lindo enquanto dança, Não pude deixar de notar Teus olhos funcionavam como meu eixo Por mais que tudo girasse, se desencontrasse e se perdesse, meus olhos não queriam perder os teus. Não podiam. Não deviam. Sempre atenta, concentrada em mim. Totalmente tomada, Não para com os meus hábitos à mesa Na hora do almoço, pro carro que dirijo Ou pro modo como me visto. Somente pro meu corpo Pra onde a conduzo, Pro modo como te desejo Era como se o mundo virasse do avesso, e o palco não fosse mais perante a plateia, mas sim, atrás das cortinas. Num lugar só nosso onde não há uma só crítica, atenta aos nossos deslizes e gracejos, um lugar onde exista apenas dois corpos, suados, envoltos, encaixados Pulsando, juntos Sem nenhum repulsa Sem qualquer pudor A música termina, e como um sol se pondo, as cortinas se erguem e nos devolvem à realidade. Beijo seu rosto, me despeço e sigo para o outro canto do salão. Paro por um segundo para tentar lembrar seu nome, e tentar me lembrar do aroma tão adocicado do seu pescoço Dança, não é só passo. Talvez seja um universo que nos devolva tudo aquilo que, pela vida, nos foi tirado É caso de amor com o seu outro lado É aquele braço tão disposto, firme, Em que você tantas vezes quis se deixar levar É a possibilidade de se apaixonar cada vez que a música começa E, se ela dura tão pouco, É preciso que seja intenso É preciso que seja pra sempre, Até que a música acabe Mas não há tempo para considerações nem devaneios A música vai começar de novo E eu, preciso me apaixonar novamente.

Enquanto os homens, de forma desinteressada e quase que mecânica, questionam-se sobre o que querem as mulheres, seguido pela constatação de essa ser uma pergunta sem resposta, ao lado de outros já conhecidos questionamentos de semelhante fim (qual o sentido da vida?), elas, por s…
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Enquanto os homens, de forma desinteressada e quase que mecânica, questionam-se sobre o que querem as mulheres, seguido pela constatação de essa ser uma pergunta sem resposta, ao lado de outros já conhecidos questionamentos de semelhante fim (qual o sentido da vida?), elas, por sua vez, parecem já saber exatamente o que os homens querem, e se encontram entediadas pela falta de mistério e de olhares. Não o mistério de um conto infantil, mas o de um simples e confiante "não saber" que permeia a imaginação, porque lá o universo feminino acontece, um não saber que te arrasta pela mão e te coloca na garupa sem dizer pra onde vai. Não de um olhar limitado, previsível, aprisionante, mas de um olhar quase neutro, de caçador. Que não capture apenas imagens estáticas (ela é assim, ela é assado), mas que reinvente a cada novo foco. Fixo e vazio, Onde é possível sentir-se dentro. Onde seja possível, até mesmo, viver.