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Frases de Lucas Carneiro de Oliveira

71 frases

"Na minha cabeça um monte de idéias confusas, emaranhadas com rancor, dúvidas e até medo." Medo de descobrir o porque de alguns por ques? "Eu não sei." Foi aí que ele me segurou pelos ombros, respirou fundo e me olhou nos olhos, não com ares de raiva, ou de superioridade, se quer…
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"Na minha cabeça um monte de idéias confusas, emaranhadas com rancor, dúvidas e até medo." Medo de descobrir o porque de alguns por ques? "Eu não sei." Foi aí que ele me segurou pelos ombros, respirou fundo e me olhou nos olhos, não com ares de raiva, ou de superioridade, se quer de indignação ou imposição. Mas sim com olhos de quem sabia bem o que ia dizer ... e disse. "Meu rapaz, imagine que você está de pé agora, nesse exato momento. Agora imagine que a alguns metros de distância, poucos metros, há um homem empunhando uma arma, municiada. Ele a está mirando com um olho ligeiramente fechado. Neste exato momento, ele já segura a respiração, ele não quer errar o tiro, é um atirador experiente, quase um profissional. Agora imagine que ele não está mirando em você, ou em qualquer parte do seu corpo, mas sim, ao seu lado, no vazio. Ele não vai te acertar... você daria um passo ao lado?" Eu olhei aquele velho e pensei que estava desperdiçando meu tempo ouvindo aquilo. "Claro que não! Eu tenho meus problemas, tudo bem. Mas eu penso que esse não é o jeito de resolver as coisas. Seria uma atitude totalmente imbecil!" "Tudo bem. Eu esperava que dissesse isso. Realmente pareceria uma burrice, não é? Mas vamos mudar um pouco essa história ... Imagine que você não está mais sozinho, ao seu lado agora está a pessoa que você mais ama no mundo, em outras palavras: ela. O atirador faz tudo igual, minucioso. Faz a visada , alça, massa, alvo. Fixa o olhar, segura a respiração. Ele não deve errar... Você daria um passo ao lado? Cometeria essa atitude imbecil?" Nada foi dito por alguns instantes... sem resposta. Não que ele não quisesse, ou que não tivesse o que falar. É que naquele momento ele precisou ouvir um pouco o silêncio. Quanto tempo? Não sei. O silêncio tem um estranho jeito de encarar o que chamamos de tempo. É como se ele tivesse seu próprio relógio. "Me diga, garoto! Ela não é o amor da sua vida?" "Sim. Claro! Eu tomaria um milhão de tiros por ela!" " Pois é... pareceria burrice agora? Pareceria uma atitude tão imbecil? Nada de diferente, nem pra mais nem pra menos. Somente um passo como na história anterior. "Não..." Foi um não que quase não saiu. Não porque não fosse convicto. Mas porque talvez nem precisasse ser dito. "Pois eu te digo que Sim. Porque realmente seria. Uma atitude Imbecil. Impensada. Uma burrice! Mas você jamais se arrependeria dela. Porque você fez o que precisava ser feito. E o que te direcionou, o que te guiou, foi seu amor. E muitas vezes nos questionamos muito com os porques, e com atitudes que não conseguimos entender e esquecemos que o amor tem suas próprias razões. É o que eu quero que entenda, garoto. Não se preocupe tanto em entender as atitudes. Preocupe-se mais em entender as razões. Afinal, o amor têm razões que a própria razão desconfia. Morô?" Eu não sei ... Ele cheirava mal, tinha a calça suja, principalmente nos joelhos. No lugar do cinto um barbante amarrado que também segurava suas chaves. A blusa era folgada, a ponto de caberem dois dele dentro. A barba branca por fazer e a toca cobria mais um lado da cabeça do que o outro. Provavelmente ele não tinha onde cair morto. Mas naquele momento, me pareceu o homem mais rico do mundo.

Um lugar qualquer onde eu possa me sentir criança denovo brincar o dia todo como se não houvesse amanhã... Um lugar qualquer onde agente possa ser feliz, numa cabana no mato, ou em paris... Um lugar qualquer onde eu esqueça os meus problemas, onde só se lêiam poemas, e cartas d…
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Um lugar qualquer onde eu possa me sentir criança denovo brincar o dia todo como se não houvesse amanhã... Um lugar qualquer onde agente possa ser feliz, numa cabana no mato, ou em paris... Um lugar qualquer onde eu esqueça os meus problemas, onde só se lêiam poemas, e cartas de amor... E nesse lugar não vai existir saudade, onde houver amor, vai existir verdade... E se eu encontrar esse lugar qualquer, quero passagem só de ida, não quero saída, não quero voltar...! Quem nunca teve vontade de fugir para um lugar qualquer?!

Quando você sentir que suas pernas pesam toneladas, que os seus braços já não te dão mais forças, e sim lutam contra você, que seu suor não é mais salgado, não que ele tenha mudado de gosto, mas porque o único gosto que você sente na boca é de sangue, que o ar que entra em seus p…
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Quando você sentir que suas pernas pesam toneladas, que os seus braços já não te dão mais forças, e sim lutam contra você, que seu suor não é mais salgado, não que ele tenha mudado de gosto, mas porque o único gosto que você sente na boca é de sangue, que o ar que entra em seus pulmões parece ser mais pobre de oxigênio do que sua mente de pensamentos positivos e que a unica coisa que você consegue ouvir é sua própria voz dizendo que não aguenta mais e que talvez não seja tão ruim desistir porque você "se esforçou"...quando você começar a acreditar nisso e achar que chegou ao seu limite,relaxa... você acaba de chegar no meio do caminho!O seu corpo jamais te levaria aonde não conseguisse voltar e sua garra jamais o deixaria desistir... não antes de voltar pra casa.

Diálogos Alice estava tentando fazer regime, na verdade, não era bem um regime, mas estava tentando não comer tantas guloseimas, não ceder aos alfajores, bombons, brigadeiros. Mas hoje acordou meio "sem sal", sentindo-se com a moral baixa, triste com "sabe-se lá o que". Decidiu…
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Diálogos Alice estava tentando fazer regime, na verdade, não era bem um regime, mas estava tentando não comer tantas guloseimas, não ceder aos alfajores, bombons, brigadeiros. Mas hoje acordou meio "sem sal", sentindo-se com a moral baixa, triste com "sabe-se lá o que". Decidiu comer um brigadeiro só, daqueles que a Maria passa vendendo na firma. - Maria vê um brigadeiro desse pra mim? - Tá aqui. Ao seu lado estava Beto. E Alice na verdade estava se sentindo extremamente culpada por devorar sozinha um gigantesco e monumental brigadeiro, decidiu oferecer. - Quer uma mordida Beto? Aceite Beto, aceite. - Não quero não, obrigado. - Come comigo, só um pedacinho? - Não quero mesmo, brigadão. Beto , o cara mais cruel do mundo

Grandes homens não estão preocupados com coisas grandiosas. Talvez esse seja o problema do mundo. E também a salvação pessoal de cada um desses homens. Talvez um deles esteja neste exato momento sentado em algum banco de praça, e não há nada mais poético do que um banco de praça,…
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Grandes homens não estão preocupados com coisas grandiosas. Talvez esse seja o problema do mundo. E também a salvação pessoal de cada um desses homens. Talvez um deles esteja neste exato momento sentado em algum banco de praça, e não há nada mais poético do que um banco de praça, apenas observando o universo, questionando os intangíveis porquês, gargalhando com o que lhe aquece a alma e se deliciando com os nuances do sorriso de uma mulher. Enquanto o resto degladia-se lutando por coisas que, de fato, nunca serão suas, ele continua boiando de mente e braços abertos em um momento que existe somente em nossas cabeças: O momento. Já parou pra pensar como é triste a vida de um momento? Pois pense agora, quando ele se dá conta que existe, já não existe mais, passou. Seria isso triste ou o fato de viver uma vida sem futuro, acorrentada ao momento presente nada mais é que a chave pra felicidade? Livre de expectativas e perspectivas, só o seu melhor neste exato momento. Bom ou ruim? Eu adoro essa imagem, alguém pode imaginar alegria maior do que não ter um centavo no bolso, ainda nao ter garantido o almoço, mas estar sentado em algum canto fazendo carinho num cachorro vira lata enquanto compartilha com ele toda essa vida de cão, sentindo que, no fundo, já tem tudo que precisa? Às vezes sinto estar enlouquecendo mas, pense, quantas vezes a loucura já te pareceu a parte mais sensata de tudo isso?

Um lugar qualquer Um dia eu ainda encontro Um lugar qualquer
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Um lugar qualquer Um dia eu ainda encontro Um lugar qualquer onde a liberdade não seja comprada nem dada Somente exista, e coexista em cada sorriso livre que você me der Um lugar onde possa te ver Com aquela saia rodada, iluminada Me desejando, se desmanchando em mim Sem se importar se é só o início, meio ou fim. Não há cronologia para nós, somos nós e ponto. Onde lamberia a melanina de todo o seu corpo bronzeado Ouvindo você me dizendo no ouvido apertado: Safado! Enquanto a gente se consome, se gasta Percebendo que o mundo, só, já não nos basta Eu te olharia desfilando até a janela, num fim de tarde, Praquela vista que tanto gosta E diria, mesmo às costas, Fica sem roupa? De pele exposta, com os pelos eretos De polos e poros abertos, Qual o mal? Se é tão mais gostosa assim, Ao natural É só um lugar, Chame-o como quiser Ou talvez nem chame, Nem tudo precisa de nome É só um lugar que você pode vir Quando quiser me amar, tiver sede ou fome Eu ainda não o encontrei, mas não desisto Se você me disser, meu bem, Que, caso o encontre, Comigo você vem. Você vem?

Maria clara gostava de nadar. Todo fim de semana, pelo menos nos que havia sol, colocava um top, uma saia rodada, sandália rasteira e ía ao clube. Por baixo seu biquíni florido. Gostava de deitar nas cadeiras de sol e ler seu livro, ouvindo seu disc-man enquanto simultaneamente o…
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Maria clara gostava de nadar. Todo fim de semana, pelo menos nos que havia sol, colocava um top, uma saia rodada, sandália rasteira e ía ao clube. Por baixo seu biquíni florido. Gostava de deitar nas cadeiras de sol e ler seu livro, ouvindo seu disc-man enquanto simultaneamente observava as pessoas. Pra ser mais específico, as outras mulheres e o modo como agiam. Maria Clara sempre teve isso de dividir seu cérebro em vários pedacinhos. Prestava atenção em como se bronzeavam no sol durante horas lambuzando-se com protetores e, em alguns casos, até usavam com coca-cola com urucum, lembrou. Evitavam na maioria das vezes mergulhar pra nadar, e quando o faziam, era sempre aquele ritual: Primeiro as pontinhas dos pés, depois as canelas, um pouquinho de água no pescoço, um pouquinho mais nos braços e depois iam entrando bem devagarinho, sempre na parte rasa. E não passava disso, algumas caminhadas na ponta dos pés com pavor de molhar a espinha já eram o suficiente. Era um "quase-mergulho" cheio de postura. Se é que isso pode ser dito. Maria Clara não gostava assim, Não gostava dessa coisa de quase, ou mais ou menos. Mas as observava atentamente. E tinha seu ritual próprio: Tomava seu sol, ouvia seus cd's e quando a piscina estava próxima de fechar ia dar seu mergulho. Transbordava de vontade de tomar distância e dar um daqueles mergulhos bomba onde jogasse água pra tudo que é lado, exatamente como fazia antes. Mas lembrava-se sempre da vez em que, ao estatelar-se na água, todas as pessoas do clube a torceram o nariz. Diziam: O que essa menina tem? Além do mais havia também as vezes em que batia com a barriga ou as costas na água, deixando aquelas marcas vermelhas e doloridas. O clube também estava cheio e não poderia fazer isso de forma alguma. E então, mais uma vez cumpriu o ritual, começou com a pontinha dos pés, experimentou a água, pescoço, braços, entrou até a cintura, caminhadinha na ponta dos pés. Tão sem graça, no fundo sentia vontade de poder mergulhar como quisesse. Antigamente, era bonito de ver Maria Clara mergulhando. Corria e se jogava na piscina como uma bigorna. Estatelava-se na água, que respingava pra todo lado. Às vezes se machucava, e isso no fundo acabava sendo motivo de risada, porque o que realmente gostava era da sensação de se jogar, daqueles poucos milésimos no vazio. Nem se importava se os braços daquela piscina seriam os melhores para a segurar ou não, e fazia todas aquelas mulheres "quase-interessante" parecerem tão superficiais quanto seus bronzeados no fim do dia. Era lindo ver como se divertia em ser simplesmente ela. Era tão lindo, e pensei: Porque não mais? Resolvi aproveitar a oportunidade, já que estava lá deitada com seu disc-man e seu livro, e a perguntei: - Já percebeu como essas mulheres fazem? Tudo na pontinha dos pés... - Sim, já reparei - Sem graça né? - Um pouco - E porque faz igual? - Porque eu quero, pode parar de me incomodar? - É porque eu gosto de te ver mergulhar - Você gosta de me ver cair de barriga não é? - Gosto. E você não gosta? - Sim... Talvez - E porque tem que se culpa por gostar? - Porque às vezes dói. Sem contar que o clube está cheio e eu não estou afim de que fiquem falando idiotices sobre mim. - E não sente falta daqueles poucos instantes em que está no vazio e que nada mais importa? Não me respondeu. Recolheu suas coisas e foi embora. Fiquei algumas semanas sem ver Maria Clara, mas um ou dois meses depois ela reapareceu. Mais bonita. Não estava mais magra, nem mais gorda. O cabelo era exatamente o mesmo, a pele da mesma cor e até o disc-man era o mesmo. Mas tinha um sorriso no rosto que começava pela testa, dando-a um leve franzido, e descia inquietando as sobrancelhas e dando brilho aos olhos, contagiando as maçãs do rosto, esticando covinhas, escancarando o sorriso e terminava na pontinha do queixo, onde aparentemente não mudava nada, mas sei lá, com certeza havia um pouco do seu sorriso no queixo. Deitou-se tranquilamente na cadeira de sol, tirou seu livro, seu disc-man e leu durante toda a tarde. Já perto de fechar a piscina, levantou-se recolheu suas coisas e ao invés de fazer o que sempre fazia, somente foi embora. Passou por mim, e me desejou uma : Boa Tarde. Me deu mais uma amostra do seu lindo sorriso e se foi. Embora eu esperasse poder ver, mais uma vez, Maria Clara se jogando nos braços do nada, fiquei feliz por ela entender que, naquele dia, não falávamos propriamente sobre água, mergulhos ou piscinas. No fundo eu sei que ela entendeu, seu sorriso não poderia mentir

Pobre do homem que pensa que as mulheres escolhem a calcinha que usarão numa noite especial do mesmo modo que nós homens escolhemos nossa cueca: A que não estiver furada. A calcinha de uma mulher esconde uma das maiores místicas desse ser venusiano de pele macia e fala (nem sempr…
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Pobre do homem que pensa que as mulheres escolhem a calcinha que usarão numa noite especial do mesmo modo que nós homens escolhemos nossa cueca: A que não estiver furada. A calcinha de uma mulher esconde uma das maiores místicas desse ser venusiano de pele macia e fala (nem sempre) mansa. Nada faz uma mulher se sentir mais desejada do que um homem que ama vê-la de lingerie, que presta atenção na cor, na textura, no tamanho ou que a peça para vestir uma calcinha especial. Apesar de muitos homens acharem que elas só servem para ser tiradas, um cara que sabe dar vida e alimentar essa fantasia real de que, ela não escolheu aquela calcinha na gaveta ao acaso, e consegue fazer com que ela sinta intensamente toda essa sensação de sentir-se linda e de, não só fazer sentir desejo, mas de sentir-se realmente desejada, está um passo mais próximo de ter uma mulher verdadeiramente confiante, inteira, entregue e consequentemente, desejosa. Um furacão. Uma calcinha, escolhida minuciosamente na gaveta para aquela ocasião especial, não esconde somente aquilo que a maioria dos homens pensa, esconde um universo feminino de entrega e sensações que são vividas de uma forma tão intensa, seja por uma vida inteira ou por uma noite, que nós homens, reles mortais, jamais poderemos sentir.

Todos falavam demais, gritavam demais, bebiam demais. Procuravam demonstrar seus estereótipos de um modo forçado, quase que empurrado goela abaixo. Enquanto nós, sentados um de frente pro outro, apenas nos sentíamos. Reparávamos no modo como o outro respirava, no piscar frenético…
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Todos falavam demais, gritavam demais, bebiam demais. Procuravam demonstrar seus estereótipos de um modo forçado, quase que empurrado goela abaixo. Enquanto nós, sentados um de frente pro outro, apenas nos sentíamos. Reparávamos no modo como o outro respirava, no piscar frenético dos olhos e até mesmo, no volume escondido pelas roupas. Você percebia que aquela taça que eu erguia a boca não era propriamente uma taça, e sim você. Pelo jeito como eu a tocava, como a degustava em minha boca ao mesmo tempo em que olhava no fundo dos seus olhos, ou quando balançava em frente à face para aspirar todo aquele perfume já decantado, como quem cheirasse até o canto mais obscuro do teu corpo. Na minha mão, naquele momento, era você e não uma taça. E você sabia bem. Sabia porque, enquanto sentia o teu cheiro de forma indireta, tombava sutilmente o pescoço, o deixando à mostra, e fechava os olhos. Podia me sentir no seu corpo, enquanto a sua mão percorria a haste da sua taça subindo e descendo, com calma e confiança, com leveza e intensidade. A sua perna, mais precisamente a parte interna das suas coxas recostavam-se quase que instintivamente, como uma bateria movida a fricção, que fazia percorrer pelo seu corpo todo uma leve descarga de algo tão sufocante e revigorante, que ainda não tem nome. Mas te fazia querer estar exatamente ali, concentrada. Talvez para outras pessoas, em meio àquela multidão, fosse difícil não deixar o foco se dispersar. Mas pra nós isso nunca foi problema. Pra quem passava, achava que a gente nem se notava, e nós adorávamos isso. Tínhamos o nosso próprio universo, onde falávamos sem dizer, sabíamos sem precisar demonstrar e nos amávamos através do sentir.

A viajem Ela era tão linda. Seu rosto era atraente, sua voz era macia e eu por algum motivo era incrivelmente apaixonado até por seus pulsos. Tão finos, tão delicados, tão necessitados de mim os segurando firmemente. Poderia mapear cada canto do seu corpo, poderia reconhecer cad…
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A viajem Ela era tão linda. Seu rosto era atraente, sua voz era macia e eu por algum motivo era incrivelmente apaixonado até por seus pulsos. Tão finos, tão delicados, tão necessitados de mim os segurando firmemente. Poderia mapear cada canto do seu corpo, poderia reconhecer cada cheiro dele e, caso me perdesse, não haveria problema algum. Moraria nele como um náufrago perdido o resto de minha vida. Gostava do modo como sabia se encaixar em mim independente do meu humor. Às vezes era mansa, às vezes louca. Era incorrigivelmente perfeita. Mas naquele fatídico dia, o que eu mais temia aconteceu. De manhã ao acordar, notei que ela havia me mandado uma mensagem SMS: “Amor, o que acha da gente fazer uma viajem juntos esse final de semana?” Entrei em choque. Admito que fui covarde, talvez fraco, mas ainda não estava preparado para encarar essa situação, para digerir isso com normalidade. Estaria eu fazendo tempestade em um copo d’água? Seria na verdade uma situação normal, banal entre qualquer casal? Poderia eu me acostumar com essa nova realidade? Confesso... Não consegui. Terminamos. Eu estava cego. Suportaria surtos de ciúme, tpm’s assassinas e até mesmo, quem sabe, uma traição. Mas uma viajem, com “j”, foi mais do que meu coração apaixonado poderia suportar. Nunca mais nos vimos. Fiquei sabendo, por uns amigos em comum, que agora está na faculdade, acredite : Letras. Ainda sinto saudades dela... Quem sabe um dia.

Magnetismo A estrada estreita por onde eu caminhava Já não existe mais
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Magnetismo A estrada estreita por onde eu caminhava Já não existe mais Na verdade, não há mais estradas O que existe é um magnetismo Que me atrai simultaneamente Para ambos os lados, Com uma soberba que me faz esquecer Estar no centro da situação. Eu sinto todo essa força Atraindo meus dois polos Norte e sul, A ponto de não saber Qual desses lados é mais forte E me encontro entre eles, perdido E ignorado. Sem saber pra qual ceder. Se ao que sente demasiado, que sofre e que se entrega, Que faz do momento a sua morada Ou ao indiferente, seguro e petulante Que parece sempre saber cada passo que dá Sinto-me ainda mais confuso Ao perceber que as minhas Duas metades Avançam em sua direção Porém por caminhos diversos, cada uma à sua maneira, E com isso, me partindo ao meio Fazendo-me, aparentemente, ter que escolher, entre: Amar ou ser amado

Eu não sei exatamente em que época essa frase foi criada, quem é o seu autor ou onde morava. Mas acredito que deve ter vivido muito próximo ou até mesmo na própria Roma, ou que pelo menos viveu numa época muito diferente da nossa atual. Hoje em dia, tenho diversos motivos pra acr…
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Eu não sei exatamente em que época essa frase foi criada, quem é o seu autor ou onde morava. Mas acredito que deve ter vivido muito próximo ou até mesmo na própria Roma, ou que pelo menos viveu numa época muito diferente da nossa atual. Hoje em dia, tenho diversos motivos pra acreditar que uma boca que não para de falar não leva a lugar nenhum, é insuportável e altamente previsível. Um par de ouvidos atentos e interessados, com certeza, são muito mais valiosos, porque vivemos em uma época em que as pessoas não são ouvidas. Qual foi a última vez que você perguntou a alguém “Como você está?” de uma forma menos automática, menos mecânica, mais humana? Como quem realmente estava interessado em ouvir o que o outro tinha a dizer? E não como quem faz só esperando a sua hora de falar sem parar? Que tal se propor um desafio, um dia pra se tirar do centro do universo, um dia em que seus problemas não são os maiores, seus medos não são os mais terríveis e nem mesmo as suas paixões as mais intensas. Um dia pra se propor a simplesmente ouvir. Você verá um milagre acontecendo. Possivelmente não dirá uma palavra, mas quando sair dirão: “Nossa como esse rapaz(moça) é bom(boa) de conversa!” Freud diz em seu livro “ O futuro de uma ilusão”, escrito há mais de cem anos, algo parecido com : “A humanidade não para de evoluir em sua dominação da ciência e da natureza, porém, no que diz respeito ao convívio social e no trato com o próprio ser humano, estagnou-se, e alguns casos piora cada vez mais”. E infelizmente, isso parece cair feito uma luva no mundo que vivemos, apesar de ter sido escrito há um século. Talvez porque o problema sempre parece algo distante, algo que deveria ser mudado pelos outros e não por nós. É engraçado perceber que para algumas coisas é necessário acreditar que a solução vem justamente do caminho inverso. De baixo pra cima, do um pro todo , do vizinho ao país inteiro. Eu não sei ao certo se quem tem boca vai a Roma, mas se sim, quem tem um belo par de ouvidos vai á Júpiter. Isso porque saber escutar sempre vai ser uma dádiva, e não um sinal de fraqueza, falta de atitude ou submissão. Afinal, quem é cheio de si, transborda e exala a sua essência sem precisar sequer abrir a boca.

" Uma poesia é como uma colcha imaginária costurada com retalhos de emoção e paixão. Por isso continuem costurando, continuem se emocionando, continuem se apaixonando, pois eu devo minha à vocês. À cada torpedo enviado em um botequim, à cada bilhete colado na geladeira, à cada ca…
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" Uma poesia é como uma colcha imaginária costurada com retalhos de emoção e paixão. Por isso continuem costurando, continuem se emocionando, continuem se apaixonando, pois eu devo minha à vocês. À cada torpedo enviado em um botequim, à cada bilhete colado na geladeira, à cada carta de amor escrita com as mãos trêmulas, um de nós nasce, e com certeza, mesmo que à passos calmos e despretensiosos, ainda dominaremos o mundo!" A poesia, por ela mesma

O mau (com u) amante Hoje acordei como sempre meio desgostoso da vida
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O mau (com u) amante Hoje acordei como sempre meio desgostoso da vida com passarinhos cantando na janela uma melodia encardida E me lembrei que eu não gosto de música, nem de poesia, nem de rima... que se danem! Mas pra você, e só pra você, eu já fiz uma serenata Tão desafinada, engasgada, sem graça E no caminho pra sua casa apressado pela vontade de te ver passei por um mendigo, tinha um rosto tão cansado uma aparência tão suja e veio logo me pedindo : Ei, me dá um trocado? é pra comer... Tenho e não dou, vai caçar o que fazer! E no ônibus aconteceu de novo, eu já estava sentado naquelas cadeiras azuis com a cabeça encostada no vidro lembrando do seu sorriso e entrou uma velha, arrastando aquelas suas pernas preguiçosas já doida pra sentar me virei e ronquei, até babei Pouco antes de chegar à sua casa e te perguntar "Tá tudo bem?" e te ver respondendo, movendo seu lábios bem devagarinho, concluí... Que eu sou tão mau, indigno e inescrupuloso quanto um sapato velho daqueles jogados no fundo da sapateira, ou pior ainda, daqueles pendurados nos fios que já valiam menos do que uma pipa velha e rasgada Mas também, que eu te amo indiscutivelmente e que, no fim das contas, isso acaba sendo a minha única qualidade

Eu não sei exatamente o quanto de mim têm no meu caminhar, no modo como balanço as mãos enquanto falo
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Eu não sei exatamente o quanto de mim têm no meu caminhar, no modo como balanço as mãos enquanto falo ou no jeito como me espreguiço. Também não sei se aquela sua mania besta de estalar os dedos, ou de morder os lábios quando está impaciente, ou até mesmo de olhar pro céu quando não sabe o que dizer, foram roubadas inconscientemente de mim ou se é algo proposital. O fato é que, enquanto mergulhávamos em um suor que jamais saberemos dizer se era meu ou seu, você me arranhava as costas e nem notava que um pouco de mim se escondia embaixo da suas unhas E em cada beijo apaixonado, em que eu sugava o ar dos seus pulmões, acabava por trazer um pouco de você também pra dentro de mim. Me matar seria ao mesmo tempo cometer um suicídio. Porque um pouco de mim é você, e um pouco de você sou eu.

À beira de um abismo chamado "Pra sempre", nos encaravamos. A tensão fazia os cantos dos lábios tremerem, como que querendo sorrir timidamente, causava também aquela já conhecida falta de força nas pernas, a secura na garganta. Não sabiamos qual dos dois se estraçalharia no chão…
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À beira de um abismo chamado "Pra sempre", nos encaravamos. A tensão fazia os cantos dos lábios tremerem, como que querendo sorrir timidamente, causava também aquela já conhecida falta de força nas pernas, a secura na garganta. Não sabiamos qual dos dois se estraçalharia no chão primeiro. Nem se algum de nós aprenderia a voar. Mas algo fazia nossos dois corpos quererem estar juntos inconscientemente, talvez pelo universo que se criava entre nossos estômagos toda vez que eles se encostavam. E esse passo, um único passo, de um em direção ao outro, foi inevitável. Um mergulho no vazio. A queda era tão rápida que aquele doce e intenso vento batendo forte contra o nossos cabelos, contra nosso rosto, colocaria forçadamente um sorriso estampado nos lábios mais desolados. Mas no nosso caso não foi preciso. E enquanto nos olhavamos mutuamente, eu me perguntava qual dos nossos sorrisos deu vida ao outro. E durante a nossa queda, era impossível não se questionar quão louco é esse lugar chamado "pra sempre". Um lugar inabitável. Não é um horizonte alcançável que possa ser avistado quando se ergue a cabeça, ou um destino no fundo de um precipício. Muito menos um momento já vivido, guardado ou esquecido. Se me perguntassem agora, o que é o "pra sempre", se é um lugar, um percurso, ou uma utopia, eu não saberia. Mas acredito que está mais próximo de ser o modo como você sorri livre e gostosamente, não se importando onde esse abismo vai terminar. E sem qualquer ajuda daquele vento doce e intenso que colocaria um sorriso arreganhado no mais sisudo dos rostos.

Nos olhávamos secamente. O olhar de duas almas desgatadas por sentimentos brandos, suores sem sal e cafés expresso. Porém, pela primeira vez, foi como se não nos olhássemos com os olhos, mas com o que há no fundo obscuro deles. Seria isso uma janela da alma, esta já tão enjoada d…
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Nos olhávamos secamente. O olhar de duas almas desgatadas por sentimentos brandos, suores sem sal e cafés expresso. Porém, pela primeira vez, foi como se não nos olhássemos com os olhos, mas com o que há no fundo obscuro deles. Seria isso uma janela da alma, esta já tão enjoada de rótulos, de pretextos e mesmisses, ou apenas mais uma cavidade repleta de sangue, músculos e toda essa coisa qual a única finalidade é apodrecer? Ele trazia um certo peso, uma certa tristeza estreitamente doce no olhar, que ao primeiro choque, a intrigou. Nem conquista, nem asco, e com certeza muito longe de desinteresse. Ela carregava uma beleza não estereotipada, e essa primeira impressão desceu suavemente pela sua garganta deixando seu gosto por onde passava. Lábios, boca, bochechas, gengivas, língua, garganta. Como um bom vinho. E alí, mesmo que de relance, mesmo antes de se tocarem, ele sentia que já a devorava, já a consumia e a fodia. E pela janela do nosso quarto a água caía fina e desaritmada. E uma gota, intrusa, pequena e incessante pingava na nossa cama. Tarde demais pra perceber, tarde demais pra arrumar ou se importar. Não incomoda. Mas também não deixa em paz. Era a natureza cuspindo sua indiferença sobre nós. E nos fazendo lembrar quem existe pra quem. E sabe, não é de todo ruim ser insignificante. Talvez não viremos filmes de cinema, e talvez depois de nossa morte não sejamos lembrados pela humanidade. Mas você se importa? Pensei. Enquanto havia a colocado deitada, já sem roupa, e desenhava com minha barba em seu corpo como um andarilho qualquer que vai sem pressa nenhuma de chegar a lugar algum. Suspeitei que não se importasse, pelo modo como suas covinhas pareciam estar pintadas à mão em seu rosto, e nesta hora, pensei quão bom foi não estragar tudo dizendo algo ruim. Nem dizendo algo bom, ou dizendo qualquer coisa. Se o fizesse talvez não escutasse a sua respiração e perderia o ritmo do seu coração batendo prensado contra o meu. E enquanto estávamos ali, brindando a nossa insignificância, o resto do mundo continuava girando, ignorando por completo aquelas duas almas de olhares desgastados, vivendo em épocas de amores brandos, suores sem sal e cafés expresso. E as gotas, naquele quarto, naquela cama, por sua vez, continuaram pingando exatamente do mesmo jeito. Porém, não mais só de chuva.

Lembrou-se quando aquele velho esquecido Não esquecido por ser da escória, Era apenas mais um velho esquecido da memória,
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Lembrou-se quando aquele velho esquecido Não esquecido por ser da escória, Era apenas mais um velho esquecido da memória, Lhe deu uma idéia sem pé nem cabeça, Mas pensando bem, quem sabe, Por ser algo tão demente, aconteça. Disse: mocinha, percebe que tudo a sua volta, Quando você se solta, Parece não existir do lado de fora, Mas sim do lado de dentro? Tal pergunta a fez calar, e pensar por um momento. E se vivesse de tal forma, desvairada e intensa, Inconsequente e divertida, que não pudesse saber, Nem com reza braba ou macumba encardida, Se vive um sonho ou realidade? O que é mentira ou o que é verdade? E ela, que não fugia da raia, e nem perdia uma briga, Daquele dia em diante, tomou a loucura desse velho Como seu trilho. Içou as velas e se lançou. E respondia sempre, ah eu me arrumo, Quando alguém lhe perguntasse: Mas menina, qual o teu rumo? E todo dia era assim, As flores pareciam lhe dar bom dia, E o seu gato, por todos os deuses do céu e do inferno, lhe Sorria. Estava perdida. E era tão bom não se encontrar. Não se achar. E era como ser um daqueles dentes-de-leão Soprados pelo vento, só voando. Foda-se o depois. E se o depois estiver acompanhado do passado, Foda -se os dois. Agora ela é a garota do momento, Sendo conduzida pelo vento. Nao sabia mais ao certo o que era sonho. Nao sabia mais se o mundo real era quando da cama caia, E os olhos abria, ou se quando se deitava, E os olhos cerrava. Mas sorria. Só sorria.