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Frase de Lucas Carneiro de Oliveira

Ele vinha andando pelo meio-fio. De cabecinha baixa, camisa degolada e os chinelos presos nas mãos, sem algum motivo aparente. O tempo era nublado e garoava. Nuvens cinzas, ventos cinzas e chuva cinza. Ele sequer demonstrava frio, mas deveria. O seu olhar perdido no vazio, os braços abertos buscando equilíbrio e o rostinho magro com olhos fundos e piscantes. Só uma criança, aparentemente. Uma criança que mora com a mãe. E mais sete irmãos. Mas isso não o incomoda. Dividir o mingau de fubá nunca foi problema pra ele. Muito menos o revezamento de quem calçaria o sapato. O problema está justamente no outro morador da casa. Seu padastro. Não, não é uma criança, é um gigante. Um herói. É muito fácil encarar o mundo quando já se tem alguma noção desse cenário de dementes em que fomos enviados sem nosso consentimento. Quando já lhe foi ensinado que tudo vai passar, que há luz no fundo túnel. Mas e quando a luz do fim do túnel é a de um trem? E quando quem devia te proteger te abusa? Te confunde, te desmorona. Uma pequena montanha, mas uma grande queda. Só uma criança. Mas ele continua ali, firme. Andando no meio-fio, sem desiquilibrar. Nem pra um lado nem pro outro. É o orgulho da mãe. As vezes condizente com o que não devia, mas será que ela pode ser culpada? Será que ela pode ser errada? Mas ele, ele É só uma criança. Não um morador de rua, não um animal, não um rato. Uma criança frágil e indefesa. Em algum lugar dentro de si com certeza ela ainda é. O farol ainda está fechado, meu carro ainda está parado e ela se aproxima com alguns papéis na mão. Eu já podia prever o texto. Mas jamais acertaria. Sua mãozinha pequena me entregou o papel com uma timidez quase que forçada. Quando li o papel entendi o motivo : "Vende-se sorriso. O meu está na promoção 50 centavos". ... Entendi não só o motivo da timidez forçada como o porque da promoção. Fazia parte do plano, da estratégia, me surpreender com sua mais poderosa arma. O sorriso. Era o mais banguela, brilhante e estridente sorriso que já havia visto. E me contaminou. sorri sem perceber. Que criatividade. Passei a mão próximo do câmbio pra buscar umas moedas e então tive um estalo, e me questionei. O que estou fazendo? É o que eu tenho a oferecer? Umas porcarias de moedas? Não. Com certeza não são dessas porcarias que ele precisa. Talvez eu devesse descer, comprar algum brinquedo e brincar com ele o resto dia. Talvez ensiná-lo a soltar pipa. A ler, escrever. Eu poderia o levar na sorveteria, que criança não adora tomar sorvete no frio? Quem sabe ensiná-lo a jogar bola, lhe dar o mínimo de atenção. Fazê-lo sentir-se uma pessoa não uma bicho, uma atração circense. Talvez ele só precise de um cafuné, um abraço. Se sentir amado, confiante. Mas ao invés disso eu lhe dei minhas moedas nojentas. Todas elas. Fechei o vidro e saí. Como quem nada fez e ainda sentiu-se útil por isso. Ele me olhou indo embora. Guardou os papéis em um bolso. As moedas no outro. E continuou seu caminho. Ele, só uma criança, andando no meio-fio...

Lucas Carneiro de Oliveira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Lucas Carneiro de Oliveira

Quando você sentir que suas pernas pesam toneladas, que os seus braços já não te dão mais forças, e sim lutam contra você, que seu suor não é mais salgado, não que ele tenha mudado de gosto, mas porque o único gosto que você sente na boca é de sangue, que o ar que entra em seus p…
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Quando você sentir que suas pernas pesam toneladas, que os seus braços já não te dão mais forças, e sim lutam contra você, que seu suor não é mais salgado, não que ele tenha mudado de gosto, mas porque o único gosto que você sente na boca é de sangue, que o ar que entra em seus pulmões parece ser mais pobre de oxigênio do que sua mente de pensamentos positivos e que a unica coisa que você consegue ouvir é sua própria voz dizendo que não aguenta mais e que talvez não seja tão ruim desistir porque você "se esforçou"...quando você começar a acreditar nisso e achar que chegou ao seu limite,relaxa... você acaba de chegar no meio do caminho!O seu corpo jamais te levaria aonde não conseguisse voltar e sua garra jamais o deixaria desistir... não antes de voltar pra casa.

Um lugar qualquer onde eu possa me sentir criança denovo brincar o dia todo como se não houvesse amanhã... Um lugar qualquer onde agente possa ser feliz, numa cabana no mato, ou em paris... Um lugar qualquer onde eu esqueça os meus problemas, onde só se lêiam poemas, e cartas d…
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Um lugar qualquer onde eu possa me sentir criança denovo brincar o dia todo como se não houvesse amanhã... Um lugar qualquer onde agente possa ser feliz, numa cabana no mato, ou em paris... Um lugar qualquer onde eu esqueça os meus problemas, onde só se lêiam poemas, e cartas de amor... E nesse lugar não vai existir saudade, onde houver amor, vai existir verdade... E se eu encontrar esse lugar qualquer, quero passagem só de ida, não quero saída, não quero voltar...! Quem nunca teve vontade de fugir para um lugar qualquer?!

"Na minha cabeça um monte de idéias confusas, emaranhadas com rancor, dúvidas e até medo." Medo de descobrir o porque de alguns por ques? "Eu não sei." Foi aí que ele me segurou pelos ombros, respirou fundo e me olhou nos olhos, não com ares de raiva, ou de superioridade, se quer…
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"Na minha cabeça um monte de idéias confusas, emaranhadas com rancor, dúvidas e até medo." Medo de descobrir o porque de alguns por ques? "Eu não sei." Foi aí que ele me segurou pelos ombros, respirou fundo e me olhou nos olhos, não com ares de raiva, ou de superioridade, se quer de indignação ou imposição. Mas sim com olhos de quem sabia bem o que ia dizer ... e disse. "Meu rapaz, imagine que você está de pé agora, nesse exato momento. Agora imagine que a alguns metros de distância, poucos metros, há um homem empunhando uma arma, municiada. Ele a está mirando com um olho ligeiramente fechado. Neste exato momento, ele já segura a respiração, ele não quer errar o tiro, é um atirador experiente, quase um profissional. Agora imagine que ele não está mirando em você, ou em qualquer parte do seu corpo, mas sim, ao seu lado, no vazio. Ele não vai te acertar... você daria um passo ao lado?" Eu olhei aquele velho e pensei que estava desperdiçando meu tempo ouvindo aquilo. "Claro que não! Eu tenho meus problemas, tudo bem. Mas eu penso que esse não é o jeito de resolver as coisas. Seria uma atitude totalmente imbecil!" "Tudo bem. Eu esperava que dissesse isso. Realmente pareceria uma burrice, não é? Mas vamos mudar um pouco essa história ... Imagine que você não está mais sozinho, ao seu lado agora está a pessoa que você mais ama no mundo, em outras palavras: ela. O atirador faz tudo igual, minucioso. Faz a visada , alça, massa, alvo. Fixa o olhar, segura a respiração. Ele não deve errar... Você daria um passo ao lado? Cometeria essa atitude imbecil?" Nada foi dito por alguns instantes... sem resposta. Não que ele não quisesse, ou que não tivesse o que falar. É que naquele momento ele precisou ouvir um pouco o silêncio. Quanto tempo? Não sei. O silêncio tem um estranho jeito de encarar o que chamamos de tempo. É como se ele tivesse seu próprio relógio. "Me diga, garoto! Ela não é o amor da sua vida?" "Sim. Claro! Eu tomaria um milhão de tiros por ela!" " Pois é... pareceria burrice agora? Pareceria uma atitude tão imbecil? Nada de diferente, nem pra mais nem pra menos. Somente um passo como na história anterior. "Não..." Foi um não que quase não saiu. Não porque não fosse convicto. Mas porque talvez nem precisasse ser dito. "Pois eu te digo que Sim. Porque realmente seria. Uma atitude Imbecil. Impensada. Uma burrice! Mas você jamais se arrependeria dela. Porque você fez o que precisava ser feito. E o que te direcionou, o que te guiou, foi seu amor. E muitas vezes nos questionamos muito com os porques, e com atitudes que não conseguimos entender e esquecemos que o amor tem suas próprias razões. É o que eu quero que entenda, garoto. Não se preocupe tanto em entender as atitudes. Preocupe-se mais em entender as razões. Afinal, o amor têm razões que a própria razão desconfia. Morô?" Eu não sei ... Ele cheirava mal, tinha a calça suja, principalmente nos joelhos. No lugar do cinto um barbante amarrado que também segurava suas chaves. A blusa era folgada, a ponto de caberem dois dele dentro. A barba branca por fazer e a toca cobria mais um lado da cabeça do que o outro. Provavelmente ele não tinha onde cair morto. Mas naquele momento, me pareceu o homem mais rico do mundo.

Diálogos Alice estava tentando fazer regime, na verdade, não era bem um regime, mas estava tentando não comer tantas guloseimas, não ceder aos alfajores, bombons, brigadeiros. Mas hoje acordou meio "sem sal", sentindo-se com a moral baixa, triste com "sabe-se lá o que". Decidiu…
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Diálogos Alice estava tentando fazer regime, na verdade, não era bem um regime, mas estava tentando não comer tantas guloseimas, não ceder aos alfajores, bombons, brigadeiros. Mas hoje acordou meio "sem sal", sentindo-se com a moral baixa, triste com "sabe-se lá o que". Decidiu comer um brigadeiro só, daqueles que a Maria passa vendendo na firma. - Maria vê um brigadeiro desse pra mim? - Tá aqui. Ao seu lado estava Beto. E Alice na verdade estava se sentindo extremamente culpada por devorar sozinha um gigantesco e monumental brigadeiro, decidiu oferecer. - Quer uma mordida Beto? Aceite Beto, aceite. - Não quero não, obrigado. - Come comigo, só um pedacinho? - Não quero mesmo, brigadão. Beto , o cara mais cruel do mundo