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Frase de Lucas Carneiro de Oliveira

Maria clara gostava de nadar. Todo fim de semana, pelo menos nos que havia sol, colocava um top, uma saia rodada, sandália rasteira e ía ao clube. Por baixo seu biquíni florido. Gostava de deitar nas cadeiras de sol e ler seu livro, ouvindo seu disc-man enquanto simultaneamente observava as pessoas. Pra ser mais específico, as outras mulheres e o modo como agiam. Maria Clara sempre teve isso de dividir seu cérebro em vários pedacinhos. Prestava atenção em como se bronzeavam no sol durante horas lambuzando-se com protetores e, em alguns casos, até usavam com coca-cola com urucum, lembrou. Evitavam na maioria das vezes mergulhar pra nadar, e quando o faziam, era sempre aquele ritual: Primeiro as pontinhas dos pés, depois as canelas, um pouquinho de água no pescoço, um pouquinho mais nos braços e depois iam entrando bem devagarinho, sempre na parte rasa. E não passava disso, algumas caminhadas na ponta dos pés com pavor de molhar a espinha já eram o suficiente. Era um "quase-mergulho" cheio de postura. Se é que isso pode ser dito. Maria Clara não gostava assim, Não gostava dessa coisa de quase, ou mais ou menos. Mas as observava atentamente. E tinha seu ritual próprio: Tomava seu sol, ouvia seus cd's e quando a piscina estava próxima de fechar ia dar seu mergulho. Transbordava de vontade de tomar distância e dar um daqueles mergulhos bomba onde jogasse água pra tudo que é lado, exatamente como fazia antes. Mas lembrava-se sempre da vez em que, ao estatelar-se na água, todas as pessoas do clube a torceram o nariz. Diziam: O que essa menina tem? Além do mais havia também as vezes em que batia com a barriga ou as costas na água, deixando aquelas marcas vermelhas e doloridas. O clube também estava cheio e não poderia fazer isso de forma alguma. E então, mais uma vez cumpriu o ritual, começou com a pontinha dos pés, experimentou a água, pescoço, braços, entrou até a cintura, caminhadinha na ponta dos pés. Tão sem graça, no fundo sentia vontade de poder mergulhar como quisesse. Antigamente, era bonito de ver Maria Clara mergulhando. Corria e se jogava na piscina como uma bigorna. Estatelava-se na água, que respingava pra todo lado. Às vezes se machucava, e isso no fundo acabava sendo motivo de risada, porque o que realmente gostava era da sensação de se jogar, daqueles poucos milésimos no vazio. Nem se importava se os braços daquela piscina seriam os melhores para a segurar ou não, e fazia todas aquelas mulheres "quase-interessante" parecerem tão superficiais quanto seus bronzeados no fim do dia. Era lindo ver como se divertia em ser simplesmente ela. Era tão lindo, e pensei: Porque não mais? Resolvi aproveitar a oportunidade, já que estava lá deitada com seu disc-man e seu livro, e a perguntei: - Já percebeu como essas mulheres fazem? Tudo na pontinha dos pés... - Sim, já reparei - Sem graça né? - Um pouco - E porque faz igual? - Porque eu quero, pode parar de me incomodar? - É porque eu gosto de te ver mergulhar - Você gosta de me ver cair de barriga não é? - Gosto. E você não gosta? - Sim... Talvez - E porque tem que se culpa por gostar? - Porque às vezes dói. Sem contar que o clube está cheio e eu não estou afim de que fiquem falando idiotices sobre mim. - E não sente falta daqueles poucos instantes em que está no vazio e que nada mais importa? Não me respondeu. Recolheu suas coisas e foi embora. Fiquei algumas semanas sem ver Maria Clara, mas um ou dois meses depois ela reapareceu. Mais bonita. Não estava mais magra, nem mais gorda. O cabelo era exatamente o mesmo, a pele da mesma cor e até o disc-man era o mesmo. Mas tinha um sorriso no rosto que começava pela testa, dando-a um leve franzido, e descia inquietando as sobrancelhas e dando brilho aos olhos, contagiando as maçãs do rosto, esticando covinhas, escancarando o sorriso e terminava na pontinha do queixo, onde aparentemente não mudava nada, mas sei lá, com certeza havia um pouco do seu sorriso no queixo. Deitou-se tranquilamente na cadeira de sol, tirou seu livro, seu disc-man e leu durante toda a tarde. Já perto de fechar a piscina, levantou-se recolheu suas coisas e ao invés de fazer o que sempre fazia, somente foi embora. Passou por mim, e me desejou uma : Boa Tarde. Me deu mais uma amostra do seu lindo sorriso e se foi. Embora eu esperasse poder ver, mais uma vez, Maria Clara se jogando nos braços do nada, fiquei feliz por ela entender que, naquele dia, não falávamos propriamente sobre água, mergulhos ou piscinas. No fundo eu sei que ela entendeu, seu sorriso não poderia mentir

Lucas Carneiro de Oliveira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Lucas Carneiro de Oliveira

Quando você sentir que suas pernas pesam toneladas, que os seus braços já não te dão mais forças, e sim lutam contra você, que seu suor não é mais salgado, não que ele tenha mudado de gosto, mas porque o único gosto que você sente na boca é de sangue, que o ar que entra em seus p…
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Quando você sentir que suas pernas pesam toneladas, que os seus braços já não te dão mais forças, e sim lutam contra você, que seu suor não é mais salgado, não que ele tenha mudado de gosto, mas porque o único gosto que você sente na boca é de sangue, que o ar que entra em seus pulmões parece ser mais pobre de oxigênio do que sua mente de pensamentos positivos e que a unica coisa que você consegue ouvir é sua própria voz dizendo que não aguenta mais e que talvez não seja tão ruim desistir porque você "se esforçou"...quando você começar a acreditar nisso e achar que chegou ao seu limite,relaxa... você acaba de chegar no meio do caminho!O seu corpo jamais te levaria aonde não conseguisse voltar e sua garra jamais o deixaria desistir... não antes de voltar pra casa.

Um lugar qualquer onde eu possa me sentir criança denovo brincar o dia todo como se não houvesse amanhã... Um lugar qualquer onde agente possa ser feliz, numa cabana no mato, ou em paris... Um lugar qualquer onde eu esqueça os meus problemas, onde só se lêiam poemas, e cartas d…
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Um lugar qualquer onde eu possa me sentir criança denovo brincar o dia todo como se não houvesse amanhã... Um lugar qualquer onde agente possa ser feliz, numa cabana no mato, ou em paris... Um lugar qualquer onde eu esqueça os meus problemas, onde só se lêiam poemas, e cartas de amor... E nesse lugar não vai existir saudade, onde houver amor, vai existir verdade... E se eu encontrar esse lugar qualquer, quero passagem só de ida, não quero saída, não quero voltar...! Quem nunca teve vontade de fugir para um lugar qualquer?!

"Na minha cabeça um monte de idéias confusas, emaranhadas com rancor, dúvidas e até medo." Medo de descobrir o porque de alguns por ques? "Eu não sei." Foi aí que ele me segurou pelos ombros, respirou fundo e me olhou nos olhos, não com ares de raiva, ou de superioridade, se quer…
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"Na minha cabeça um monte de idéias confusas, emaranhadas com rancor, dúvidas e até medo." Medo de descobrir o porque de alguns por ques? "Eu não sei." Foi aí que ele me segurou pelos ombros, respirou fundo e me olhou nos olhos, não com ares de raiva, ou de superioridade, se quer de indignação ou imposição. Mas sim com olhos de quem sabia bem o que ia dizer ... e disse. "Meu rapaz, imagine que você está de pé agora, nesse exato momento. Agora imagine que a alguns metros de distância, poucos metros, há um homem empunhando uma arma, municiada. Ele a está mirando com um olho ligeiramente fechado. Neste exato momento, ele já segura a respiração, ele não quer errar o tiro, é um atirador experiente, quase um profissional. Agora imagine que ele não está mirando em você, ou em qualquer parte do seu corpo, mas sim, ao seu lado, no vazio. Ele não vai te acertar... você daria um passo ao lado?" Eu olhei aquele velho e pensei que estava desperdiçando meu tempo ouvindo aquilo. "Claro que não! Eu tenho meus problemas, tudo bem. Mas eu penso que esse não é o jeito de resolver as coisas. Seria uma atitude totalmente imbecil!" "Tudo bem. Eu esperava que dissesse isso. Realmente pareceria uma burrice, não é? Mas vamos mudar um pouco essa história ... Imagine que você não está mais sozinho, ao seu lado agora está a pessoa que você mais ama no mundo, em outras palavras: ela. O atirador faz tudo igual, minucioso. Faz a visada , alça, massa, alvo. Fixa o olhar, segura a respiração. Ele não deve errar... Você daria um passo ao lado? Cometeria essa atitude imbecil?" Nada foi dito por alguns instantes... sem resposta. Não que ele não quisesse, ou que não tivesse o que falar. É que naquele momento ele precisou ouvir um pouco o silêncio. Quanto tempo? Não sei. O silêncio tem um estranho jeito de encarar o que chamamos de tempo. É como se ele tivesse seu próprio relógio. "Me diga, garoto! Ela não é o amor da sua vida?" "Sim. Claro! Eu tomaria um milhão de tiros por ela!" " Pois é... pareceria burrice agora? Pareceria uma atitude tão imbecil? Nada de diferente, nem pra mais nem pra menos. Somente um passo como na história anterior. "Não..." Foi um não que quase não saiu. Não porque não fosse convicto. Mas porque talvez nem precisasse ser dito. "Pois eu te digo que Sim. Porque realmente seria. Uma atitude Imbecil. Impensada. Uma burrice! Mas você jamais se arrependeria dela. Porque você fez o que precisava ser feito. E o que te direcionou, o que te guiou, foi seu amor. E muitas vezes nos questionamos muito com os porques, e com atitudes que não conseguimos entender e esquecemos que o amor tem suas próprias razões. É o que eu quero que entenda, garoto. Não se preocupe tanto em entender as atitudes. Preocupe-se mais em entender as razões. Afinal, o amor têm razões que a própria razão desconfia. Morô?" Eu não sei ... Ele cheirava mal, tinha a calça suja, principalmente nos joelhos. No lugar do cinto um barbante amarrado que também segurava suas chaves. A blusa era folgada, a ponto de caberem dois dele dentro. A barba branca por fazer e a toca cobria mais um lado da cabeça do que o outro. Provavelmente ele não tinha onde cair morto. Mas naquele momento, me pareceu o homem mais rico do mundo.

Diálogos Alice estava tentando fazer regime, na verdade, não era bem um regime, mas estava tentando não comer tantas guloseimas, não ceder aos alfajores, bombons, brigadeiros. Mas hoje acordou meio "sem sal", sentindo-se com a moral baixa, triste com "sabe-se lá o que". Decidiu…
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Diálogos Alice estava tentando fazer regime, na verdade, não era bem um regime, mas estava tentando não comer tantas guloseimas, não ceder aos alfajores, bombons, brigadeiros. Mas hoje acordou meio "sem sal", sentindo-se com a moral baixa, triste com "sabe-se lá o que". Decidiu comer um brigadeiro só, daqueles que a Maria passa vendendo na firma. - Maria vê um brigadeiro desse pra mim? - Tá aqui. Ao seu lado estava Beto. E Alice na verdade estava se sentindo extremamente culpada por devorar sozinha um gigantesco e monumental brigadeiro, decidiu oferecer. - Quer uma mordida Beto? Aceite Beto, aceite. - Não quero não, obrigado. - Come comigo, só um pedacinho? - Não quero mesmo, brigadão. Beto , o cara mais cruel do mundo