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Frases de Louise Glück

9 frases

⁠Nós olhamos para o mundo uma vez, quando crianças. O resto é memória.
⁠Matinas Pai inalcançável, quando nós fomos originalmente expulsos do paraíso, você criou
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⁠Matinas Pai inalcançável, quando nós fomos originalmente expulsos do paraíso, você criou uma réplica, um lugar de alguma maneira diferente do paraíso, sendo planejado para ensinar uma lição: por outro lado a mesma – beleza em cada lado, beleza sem alternativas – Exceto que por não sabermos qual era a lição. Deixados sós, nós exaurimos uns aos outros. Seguiram-se anos de trevas; nos revezamos trabalhando no jardim, as primeiras lágrimas encheram nossos olhos conforme a Terra ficou turva com pétalas, algumas vermelho-escuras, outras cor de carne – Nós nunca pensamos em você a quem aprendíamos a venerar. Nós apenas sabíamos que não é da natureza humana amar somente aquilo que retribui o amor.

⁠Antes da tempestade Chuva amanhã, mas hoje à noite o céu está claro, as estrelas brilham. Ainda assim, a chuva está chegando,
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⁠Antes da tempestade Chuva amanhã, mas hoje à noite o céu está claro, as estrelas brilham. Ainda assim, a chuva está chegando, talvez o bastante para submergir as sementes. Tem um vento do mar empurrando as nuvens; antes que você as veja, você sente o vento. Melhor dar uma olhada nos campos, ver como eles são antes que alaguem. Uma lua cheia. Ontem, uma ovelha fugiu para a floresta, e não uma ovelha qualquer – o reprodutor, todo o futuro. Se nós voltarmos a vê-lo, veremos seus ossos. O capim se agita de leve; talvez o vento tenha passado por ele. E as novas folhas das oliveiras se agitam da mesma maneira. Camundongos nos campos. Onde as raposas caçam, amanhã haverá sangue no capim. Mas a tempestade – a tempestade lavará tudo. Em uma das janelas está um menino, sentado. Mandaram-no para a cama – cedo demais, em sua opinião. Então ele se senta na janela – Está tudo em ordem agora. Onde você está agora é onde você irá dormir, onde acordará de manhã. As montanhas firmes como um farol, para lembrar a noite de que a Terra existe, que ela não deve ser esquecida. Sobre o mar, as nuvens se formam conforme o vento aperta, dispersando-as, dando a elas um propósito. Amanhã a aurora não virá. O céu não voltará a ser o céu de hoje; ele prosseguirá como a noite, exceto pelas estrelas que vão se dissolver e sumir quando a tempestade chegar, durando quem sabe umas dez horas. Mas o mundo como ele era não vai voltar. Uma a uma, as luzes das casas da cidade se apagam e as montanhas brilham na escuridão refletindo luz. Nenhum som. Apenas gatos se enroscando na entrada. Nenhum som. Apenas gatos se enroscando na entrada. Eles farejam o vento: tempo de fazer mais gatos. Mais tarde, eles vagarão pelas ruas, mas o cheiro do vento os espreita. É o mesmo nos campos, atrapalhados pelo cheiro de sangue, ainda que por ora apenas o vento desperte; estrelas deixam o campo prateado. Estamos longe do mar e mesmo assim reconhecemos os sinais. A noite é um livro aberto. Mas o mundo para além da noite permanece um mistério.

⁠Confissão Dizer eu não tenho medo – Não seria certo.
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⁠Confissão Dizer eu não tenho medo – Não seria certo. Tenho medo da enfermidade, da humilhação. Como todos, tenho meus sonhos, Mas aprendi as escondê-los Para proteger-me De toda a consumação: toda felicidade Atrai a ira das Parcas. São irmãs, selvagens – No final, não tem Outra emoção apenas inveja.

⁠Gratidão Não pense que não sou grata por tuas pequenas gentilezas.
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⁠Gratidão Não pense que não sou grata por tuas pequenas gentilezas. Gosto de pequenas gentilezas. De fato as prefiro à gentileza mais substancial, que está sempre a te cravar os olhos, feito um grande animal sobre o tapete até que tua vida inteira se reduza a nada além de levantar manhã após manhã embotada, e o sol luminoso rebrilhando em seus caninos.

A Íris Selvagem No fim do meu sofrimento havia uma saída.
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A Íris Selvagem No fim do meu sofrimento havia uma saída. Ouça-me: do que você chama de morte, eu me lembro. Acima, ruídos, ramos de pinheiros se movendo. Depois, nada. O sol fraco cintilou sobre a superfície seca. É terrível sobreviver como consciência sepultada sob a terra escura. E então acabou: aquilo que você mais teme, sendo uma alma e impossibilitada de falar, terminando abruptamente, a terra dura cedendo um pouco. E o que me pareceu serem pássaros se movendo por entre os arbustos rasteiros. Você que não se lembra da passagem do outro mundo eu lhe digo o que poderia falar vezes sem conta: o que quer que retorne do esquecimento retorna para encontrar uma voz: do centro da minha vida surgiu uma grande fonte, profundas sombras azuis na água azul do mar.

⁠Ítaca O ser amado não precisa viver. O ser amado
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⁠Ítaca O ser amado não precisa viver. O ser amado vive na cabeça. O tear é para os pretendentes, suspenso como uma harpa de brancos filamentos. Ele era duas pessoas. Era corpo e voz, o fácil magnetismo de um homem vivo, e então o sonho revelado ou a imagem formada pela mulher manejando o tear, ali sentada num salão cheio de homens de mentes literais. Se te causa pena o mar enganado que tentou levá-lo para sempre e devolveu apenas o primeiro, o verdadeiro marido, deverias sentir pena desses homens: eles não sabem para o que estão olhando; eles não sabem que quando alguém ama dessa maneira o manto se torna um vestido de casamento.

⁠Lamium É assim que se vive com um coração frio. Como eu vivo: nas sombras, rastejando sobre pedras frias,
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⁠Lamium É assim que se vive com um coração frio. Como eu vivo: nas sombras, rastejando sobre pedras frias, sob as grandes árvores de bordo. O sol mal me toca. Às vezes o avisto no início da primavera, nascendo bem ao longe. Folhas nascem a recobri-lo, ocultando-o por completo. Posso senti-lo reluzir por entre as folhas, errático, como quem que bate na lateral de um copo com uma colher metálica. Nem tudo o que é vivo requer o mesmo nível de iluminação. Alguns de nós produzimos nossa própria luz: uma folha dourada como um caminho que ninguém pode trilhar, um raso lago de prata na escuridão sob os grandes bordos. Mas disso você já sabe. Você e os outros que pensam que vivem pela verdade, e por isso, amam tudo o que é frio.

⁠O Espelho Olhando-te no espelho eu pergunto como é sentir-se tão belo
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⁠O Espelho Olhando-te no espelho eu pergunto como é sentir-se tão belo e porque em vez de amar-te a ti mesmo te cortas, barbeando-te como um cego. Creio que me deixas observar de modo que possas voltar-te contra ti mesmo com maior violência, precisando mostrar-me como arranhar a carne desdenhosamente e sem hesitação, até que te vejo corretamente, como um homem sangrando, não o reflexo que eu desejo.