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Frase de Louise Glück

A Íris Selvagem No fim do meu sofrimento havia uma saída. Ouça-me: do que você chama de morte, eu me lembro. Acima, ruídos, ramos de pinheiros se movendo. Depois, nada. O sol fraco cintilou sobre a superfície seca. É terrível sobreviver como consciência sepultada sob a terra escura. E então acabou: aquilo que você mais teme, sendo uma alma e impossibilitada de falar, terminando abruptamente, a terra dura cedendo um pouco. E o que me pareceu serem pássaros se movendo por entre os arbustos rasteiros. Você que não se lembra da passagem do outro mundo eu lhe digo o que poderia falar vezes sem conta: o que quer que retorne do esquecimento retorna para encontrar uma voz: do centro da minha vida surgiu uma grande fonte, profundas sombras azuis na água azul do mar.

Louise Glück

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Nota de autoria: Nota: Tradução de Nelson Santander.

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Outras frases de Louise Glück

⁠Nós olhamos para o mundo uma vez, quando crianças. O resto é memória.
⁠Antes da tempestade Chuva amanhã, mas hoje à noite o céu está claro, as estrelas brilham. Ainda assim, a chuva está chegando,
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⁠Antes da tempestade Chuva amanhã, mas hoje à noite o céu está claro, as estrelas brilham. Ainda assim, a chuva está chegando, talvez o bastante para submergir as sementes. Tem um vento do mar empurrando as nuvens; antes que você as veja, você sente o vento. Melhor dar uma olhada nos campos, ver como eles são antes que alaguem. Uma lua cheia. Ontem, uma ovelha fugiu para a floresta, e não uma ovelha qualquer – o reprodutor, todo o futuro. Se nós voltarmos a vê-lo, veremos seus ossos. O capim se agita de leve; talvez o vento tenha passado por ele. E as novas folhas das oliveiras se agitam da mesma maneira. Camundongos nos campos. Onde as raposas caçam, amanhã haverá sangue no capim. Mas a tempestade – a tempestade lavará tudo. Em uma das janelas está um menino, sentado. Mandaram-no para a cama – cedo demais, em sua opinião. Então ele se senta na janela – Está tudo em ordem agora. Onde você está agora é onde você irá dormir, onde acordará de manhã. As montanhas firmes como um farol, para lembrar a noite de que a Terra existe, que ela não deve ser esquecida. Sobre o mar, as nuvens se formam conforme o vento aperta, dispersando-as, dando a elas um propósito. Amanhã a aurora não virá. O céu não voltará a ser o céu de hoje; ele prosseguirá como a noite, exceto pelas estrelas que vão se dissolver e sumir quando a tempestade chegar, durando quem sabe umas dez horas. Mas o mundo como ele era não vai voltar. Uma a uma, as luzes das casas da cidade se apagam e as montanhas brilham na escuridão refletindo luz. Nenhum som. Apenas gatos se enroscando na entrada. Nenhum som. Apenas gatos se enroscando na entrada. Eles farejam o vento: tempo de fazer mais gatos. Mais tarde, eles vagarão pelas ruas, mas o cheiro do vento os espreita. É o mesmo nos campos, atrapalhados pelo cheiro de sangue, ainda que por ora apenas o vento desperte; estrelas deixam o campo prateado. Estamos longe do mar e mesmo assim reconhecemos os sinais. A noite é um livro aberto. Mas o mundo para além da noite permanece um mistério.

⁠Matinas Pai inalcançável, quando nós fomos originalmente expulsos do paraíso, você criou
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⁠Matinas Pai inalcançável, quando nós fomos originalmente expulsos do paraíso, você criou uma réplica, um lugar de alguma maneira diferente do paraíso, sendo planejado para ensinar uma lição: por outro lado a mesma – beleza em cada lado, beleza sem alternativas – Exceto que por não sabermos qual era a lição. Deixados sós, nós exaurimos uns aos outros. Seguiram-se anos de trevas; nos revezamos trabalhando no jardim, as primeiras lágrimas encheram nossos olhos conforme a Terra ficou turva com pétalas, algumas vermelho-escuras, outras cor de carne – Nós nunca pensamos em você a quem aprendíamos a venerar. Nós apenas sabíamos que não é da natureza humana amar somente aquilo que retribui o amor.

⁠O Espelho Olhando-te no espelho eu pergunto como é sentir-se tão belo
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⁠O Espelho Olhando-te no espelho eu pergunto como é sentir-se tão belo e porque em vez de amar-te a ti mesmo te cortas, barbeando-te como um cego. Creio que me deixas observar de modo que possas voltar-te contra ti mesmo com maior violência, precisando mostrar-me como arranhar a carne desdenhosamente e sem hesitação, até que te vejo corretamente, como um homem sangrando, não o reflexo que eu desejo.