Frase de Louise Glück
Nós olhamos para o mundo uma vez, quando crianças. O resto é memória.
No pensador.ai desde
Nós olhamos para o mundo uma vez, quando crianças. O resto é memória.
No pensador.ai desde
Antes da tempestade Chuva amanhã, mas hoje à noite o céu está claro, as estrelas brilham. Ainda assim, a chuva está chegando,
Antes da tempestade Chuva amanhã, mas hoje à noite o céu está claro, as estrelas brilham. Ainda assim, a chuva está chegando, talvez o bastante para submergir as sementes. Tem um vento do mar empurrando as nuvens; antes que você as veja, você sente o vento. Melhor dar uma olhada nos campos, ver como eles são antes que alaguem. Uma lua cheia. Ontem, uma ovelha fugiu para a floresta, e não uma ovelha qualquer – o reprodutor, todo o futuro. Se nós voltarmos a vê-lo, veremos seus ossos. O capim se agita de leve; talvez o vento tenha passado por ele. E as novas folhas das oliveiras se agitam da mesma maneira. Camundongos nos campos. Onde as raposas caçam, amanhã haverá sangue no capim. Mas a tempestade – a tempestade lavará tudo. Em uma das janelas está um menino, sentado. Mandaram-no para a cama – cedo demais, em sua opinião. Então ele se senta na janela – Está tudo em ordem agora. Onde você está agora é onde você irá dormir, onde acordará de manhã. As montanhas firmes como um farol, para lembrar a noite de que a Terra existe, que ela não deve ser esquecida. Sobre o mar, as nuvens se formam conforme o vento aperta, dispersando-as, dando a elas um propósito. Amanhã a aurora não virá. O céu não voltará a ser o céu de hoje; ele prosseguirá como a noite, exceto pelas estrelas que vão se dissolver e sumir quando a tempestade chegar, durando quem sabe umas dez horas. Mas o mundo como ele era não vai voltar. Uma a uma, as luzes das casas da cidade se apagam e as montanhas brilham na escuridão refletindo luz. Nenhum som. Apenas gatos se enroscando na entrada. Nenhum som. Apenas gatos se enroscando na entrada. Eles farejam o vento: tempo de fazer mais gatos. Mais tarde, eles vagarão pelas ruas, mas o cheiro do vento os espreita. É o mesmo nos campos, atrapalhados pelo cheiro de sangue, ainda que por ora apenas o vento desperte; estrelas deixam o campo prateado. Estamos longe do mar e mesmo assim reconhecemos os sinais. A noite é um livro aberto. Mas o mundo para além da noite permanece um mistério.
Matinas Pai inalcançável, quando nós fomos originalmente expulsos do paraíso, você criou
Matinas Pai inalcançável, quando nós fomos originalmente expulsos do paraíso, você criou uma réplica, um lugar de alguma maneira diferente do paraíso, sendo planejado para ensinar uma lição: por outro lado a mesma – beleza em cada lado, beleza sem alternativas – Exceto que por não sabermos qual era a lição. Deixados sós, nós exaurimos uns aos outros. Seguiram-se anos de trevas; nos revezamos trabalhando no jardim, as primeiras lágrimas encheram nossos olhos conforme a Terra ficou turva com pétalas, algumas vermelho-escuras, outras cor de carne – Nós nunca pensamos em você a quem aprendíamos a venerar. Nós apenas sabíamos que não é da natureza humana amar somente aquilo que retribui o amor.
O Espelho Olhando-te no espelho eu pergunto como é sentir-se tão belo
O Espelho Olhando-te no espelho eu pergunto como é sentir-se tão belo e porque em vez de amar-te a ti mesmo te cortas, barbeando-te como um cego. Creio que me deixas observar de modo que possas voltar-te contra ti mesmo com maior violência, precisando mostrar-me como arranhar a carne desdenhosamente e sem hesitação, até que te vejo corretamente, como um homem sangrando, não o reflexo que eu desejo.
Lamium É assim que se vive com um coração frio. Como eu vivo: nas sombras, rastejando sobre pedras frias,
Lamium É assim que se vive com um coração frio. Como eu vivo: nas sombras, rastejando sobre pedras frias, sob as grandes árvores de bordo. O sol mal me toca. Às vezes o avisto no início da primavera, nascendo bem ao longe. Folhas nascem a recobri-lo, ocultando-o por completo. Posso senti-lo reluzir por entre as folhas, errático, como quem que bate na lateral de um copo com uma colher metálica. Nem tudo o que é vivo requer o mesmo nível de iluminação. Alguns de nós produzimos nossa própria luz: uma folha dourada como um caminho que ninguém pode trilhar, um raso lago de prata na escuridão sob os grandes bordos. Mas disso você já sabe. Você e os outros que pensam que vivem pela verdade, e por isso, amam tudo o que é frio.