No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz.
Frases de Jorge Luis Borges
110 frases
A velha mão segue traçando versos para o esquecimento.
A única coisa sem mistério é a felicidade, porque ela se justifica por si só
Só se devem ler livros escritos há mais de cem anos.
Somos o tempo. Somos a famosa parábola de Heráclito, o obscuro. Somos a água, não o diamante duro,
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Somos o tempo. Somos a famosa parábola de Heráclito, o obscuro. Somos a água, não o diamante duro, a que se perde, não a que repousa. Somos o rio e somos aquele grego que se olha no rio. Seu semblante incerto se espelha na água mutante, no cristal que espelha o fogo tropego. Somos o vão rio predestinado, rumo ao mar. Pelas sombras cercado. Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa. A memória nos imprime sua moeda. E no entanto há algo que se queda e no entanto há algo que se queixa.
O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de en…
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O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria.
Que teia é esta, a do será, do é ou do foi?
A dúvida é um dos nomes da inteligência.
Somos nossa memória, somos esse quimérico museu de formas inconstantes, esse montão de espelhos rompidos.
Há derrotas que têm mais dignidade do que a própria vitória.
A velhice pode ser o nosso tempo de ventura. O animal está morto, ou quase morto. Restam o homem e a alma.
O que é o céu se não um suborno, e o que é o inferno se não uma ameaça?
De todas las funciones, la del político era sin duda la más pública. Un embajador o un ministro era una suerte de lisiado que era preciso trasladar en largos y ruidosos vehículos, cercado de ciclistas y granaderos y aguardado por ansiosos fotógrafos. Parece que les hubieran corta…
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De todas las funciones, la del político era sin duda la más pública. Un embajador o un ministro era una suerte de lisiado que era preciso trasladar en largos y ruidosos vehículos, cercado de ciclistas y granaderos y aguardado por ansiosos fotógrafos. Parece que les hubieran cortado los pies, solía decir mi madre. Las imágenes y la letra impresa eran más reales que las cosas. Sólo lo publicado era verdadero. Esse est percipi (ser es ser retratado) era el principio, el medio y el fin de nuestro singular concepto del mundo. En el ayer que me tocó, la gente era ingenua; creía que una mercadería era buena porque así lo afirmaba y lo repetía su propio fabricante. También eran frecuentes los robos, aunque nadie ignoraba que la posesión de dinero no da mayor felicidad ni mayor quietud.
Pero no hablemos de hechos. Ya a nadie le importan los hechos. Son meros puntos de partida para la invención y el razonamiento. En las escuelas nos enseñan la duda y el arte del olvido. Ante todo el olvido de lo personal y local. Vivimos en el tiempo, que es sucesivo, pero trata…
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Pero no hablemos de hechos. Ya a nadie le importan los hechos. Son meros puntos de partida para la invención y el razonamiento. En las escuelas nos enseñan la duda y el arte del olvido. Ante todo el olvido de lo personal y local. Vivimos en el tiempo, que es sucesivo, pero tratamos de vivir sub specie aeternitatis. Del pasado nos quedan algunos nombres, que el lenguaje tiende a olvidar.
La diversidad de las lenguas favorecía la diversidad de los pueblos y aún de las guerras
Sempre imaginei que o paraíso seria algum tipo de biblioteca.
A bela máscara mudou, mas como sempre é a única. De que me servirão meus talismãs:
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A bela máscara mudou, mas como sempre é a única. De que me servirão meus talismãs: o exercício das letras, a vaga erudição, o aprendizado das palavras que usou o vago norte para cantar seus mares e suas espadas, a serena amizade, as galerias da biblioteca, as coisas comuns, os hábitos, o jovem amor de minha mãe, a sombra militar de meus mortos, a noite intemporal, o gosto do sonho? Estar ou não é a medida do meu tempo. O cântaro já se quebra sobre a fonte, já se levanta o homem à voz da ave, já escureceram os que olham pelas janelas, mas a sombra não trouxe a paz. É, eu sei, é o amor: a ansiedade e o alívio de ouvir tua voz, espera e a memória, o horror de viver o sucessivo.
“Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.”
“A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão) pode ser o tempo de nossa felicidade. O animal morreu ou quase morreu.
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“A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão) pode ser o tempo de nossa felicidade. O animal morreu ou quase morreu. Restam o homem e sua alma.” (trecho extraído do livro "Elogio da Sombra", Editora Globo - Porto Alegre, 2001, pág. 81 projeto releituras)
Felizes os valentes, os que aceitam com mesmo ânimo a derrota ou os aplausos.”
“Quando nossas ideias se chocam com a realidade, o que tem de ser revisado são as ideias.
"Mas não falemos de fatos. Já a ninguém importam os fatos. São meros pontos de partida para a invenção e o raciocínio”. (em 'O livro de Areia' (1975).. [tradução de Morrone Averbuck]. São Paulo: Editora Globo, 1999.)
Eu sou o único homem sobre a Terra e talvez não haja nem Terra nem homens. Pode ser um deus me engane.
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Eu sou o único homem sobre a Terra e talvez não haja nem Terra nem homens. Pode ser um deus me engane. Pode ser que um deus tenha me condenado ao tempo, essa longa ilusão. Eu sonho a lua e sonho meus olhos que a percebem. Sonhei a noite e a manhã do primeiro dia. Sonhei Catargo e as legiões que devastaram Catargo. Sonhei Lucano. Sonhei a colina do Gólgota e as cruzes de Roma. Sonhei a geometria, Sonhei o ponto, a linha, o plano e o volume. Sonhei o amarelo, o vermelho e o azul. Sonhei os mapas-mundi e os reinos e o luto à aurora. Sonhei a dor inconcebível. Sonhei a duvida e a certeza. Sonhei o dia de ontem. Mas talvez não tenha tido ontem, talvez eu não tenha nascido. Sonho, talvez, que sonhei.
"Há um verso de Verlaine que não voltarei a lembrar. Há uma rua aqui perto que está vedada a meus passos, há um espelho que me viu pela última vez,
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"Há um verso de Verlaine que não voltarei a lembrar. Há uma rua aqui perto que está vedada a meus passos, há um espelho que me viu pela última vez, há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (eu os estou vendo) há algum que nunca mais abrirei. Este verão farei cinquenta anos; a morte me desgasta, incessante."