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Frases de JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

25 frases

POESIA-PLACEBO Tórrida noite, Tépido dia:
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POESIA-PLACEBO Tórrida noite, Tépido dia: Certo mesmo é ser fria A minha poesia. Longa noite, Mínimo dia: A verdade É ser cega a lâmina da minha poesia. Gótica noite, Plácido dia: A poesia minha não fecunda as tormentas, Tampouco afaga a brisa. Cancerígena noite, Ofídico dia: Minha poesia não é amplidão e matéria florida, Muito menos cubículo ou o estadão das partículas. Dia-noite, Noite-dia: É água insossa a minha poesia.. Nem salgada, nem docílima!

A COR DO VÁCUO Como se contemplasse uma paisagem impalpável, Testemunho recorrentemente
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A COR DO VÁCUO Como se contemplasse uma paisagem impalpável, Testemunho recorrentemente O ocaso e o desassossego dos sóis humanos: Ainda hospedados na nave d’aurora; A meio caminho do limite da estrada Sombria, pérfida e sinuosa; Dando passos cautelosos, breves Sobre a obliqua corda bamba Da falcifórmica alegria, Cuja sina é ser o corpo Que sempre tomba Muito antes de chegar Á fonte da água cristalina. A mais pura verdade É que a flor da inocência Mal eclode, desabrocha, prospera; Já sofre voz de prisão E passa sua vida ---- Que, na gestação, Emitia uma luz Tão impávida, ígnea --- Numa empedernida cela: Solitária, sádica, Faca a esventrar Inclementemente As vísceras da mental aquarela. Ah, a onipotência da crueza É uma força inexorável: Ela desfila pelas passarelas da guerra; Ela se alimenta de almas errantes, erráticas, crédulas; Ela se transforma continuamente Nos habitacionais carcinomas da selva de pedra. Ah, a miséria humana Ah, a sede por vidas etéreas Sôfrega e celeremente Apodera-se da nossa chama e medra soberana. E depois, A paisagem do vácuo É o que unicamente sobra: Não há mente Não há verve Não há lembranças nem versos de protesto E de paixão. O que vive é um corpo: Um corpo Que não ama, não pensa. Um corpo Que não sente dor, desejo, Brisa, luto ou tampouco saboreia a vida. O que vive, Finalmente, É uma matéria Que apenas anda E ocupar lugar Sob a imensidão Da atmosfera da Terra. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

DESCONSTRUÇÃO Imerso no magnetismo do colchão, Perco-me numa neblina de sonhos, miragens e vãs divagações.
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DESCONSTRUÇÃO Imerso no magnetismo do colchão, Perco-me numa neblina de sonhos, miragens e vãs divagações. Quando acordo, Possuo apenas um poema De índole vácua: E sua teia é navalha Que o corcel da mente escalavra, Lancina e mata. Seu legado é o soçobrar do fluído verbo. Seu legado é a afasia do produtivo fazer poético. Seu legado é a elisão do penetrante, sábio e facundo verso! Assim, o que resta é um poetar sem eco, povo nem reflexo. O que resta é um poetar sem alvenaria, alicerce, paredes e teto. O que resta é um poetar com malária, chagásico, asceta, Acético! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

AQUARELAS DE MIM Erijo monólitos de mim quando escrevo Erijo exílios em mim quando escrevo
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AQUARELAS DE MIM Erijo monólitos de mim quando escrevo Erijo exílios em mim quando escrevo Erijo céticas catedrais de paz em mim quando escrevo Erijo no chão de cimento da minha verve Girassóis do mágico vento quando escrevo. Faço do silêncio interno A mais fragorosa música quando eu escrevo Faço da crédula e velhaca ressonância dos Corais de zagais modernos Estro para revelar o sabor malsão de seu mel malévolo Quando escrevo. Pincelo alcovas para o vácuo dormir comigo Quando escrevo. Pincelo AKs-47 para soçobrar os majestosos castelos da demagoga e harpíaca Eloquência quando escrevo. Pincelo uma miríade de pernas sôfregas por cosmopolismo Quando eu escrevo. Pincelo heterônimos bidimensionais Quando escrevo. Degusto o sol da catarse Ao pincelar a mim mesmo quando escrevo. Sou disco bicromático quando escrevo. Sou relva, revoada e guepardo quando escrevo. Sou faca cega, lâmina de dois gumes e pedra lascada quando escrevo. Sou água-viva, letargia e águia quando escrevo. Sou aquarela sem pais, aquarela sem limiar e aquarela sem medo. Afinal, quando eu escrevo, Sou aquarela inerme, aquarela do caos, aquarela indigente: Sem nome, sem baile, sem lápide, sem brumas ou testamento! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

PRECISAMOS É SEMEAR E COLHER O PERPÉTUO JARDIM DA LIBERDADE Que assome e refulja,
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PRECISAMOS É SEMEAR E COLHER O PERPÉTUO JARDIM DA LIBERDADE Que assome e refulja, De novo e para sempre, Sobre o nosso lúgubre Firmamento deverasmente flagelado e doente, O sol que nos recobre A ametística lucidez perene: Esta, confinada no calabouço Da também presidiária mente, Fica sofrendo inócua e impotente. Ah, mas sequiosamente espero Que ele consiga suplantar e aniquilar As onipotentes, as gigantescas Muralhas soníferas que o hibernam na caverna Da moleza, do dissabor, da misantropia Para poder trazer consigo A preciosa chave da salvadora e onisciente epifania: A consciência de que somos a metamorfose contínua, A fluência e a ígnea força coletiva, A fonte e o magno centro Da gravitacional energia pensativa! Retesemos a idoneidade De dizermos não á sujeição: Tornemo-la incoercível! Façamos a Revolução Contra a capital sedução: Sejamos do anel da vontade Dignos! Deponhamos as Metrópoles Do sólio da tirania, Depois, arruinemos a própria tirania E os destruamos com o Cetro Da Augusta, Indômita e Lídima Ventania! Ostentemos o valor e o imensurável estadão Da sofrida maioria: Sejamos o Popular Poder Indestrutível! Erijamos infinitas cordilheiras da inexorável honestidade E de vácuo do ego insuflado Que funcionem como a Andrômeda dos Exílios: Remetamos para lá A Asquerosa Banda Podre dos Políticos! Não feneçamos mais no mental pelourinho eterno dos cativos: Tomemos, Componhamos, Orquestremos, Rejamos A Música que, Imperiosa, controla As rédeas do nosso Pégaso-Destino. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A EXPEDIÇÃO DA PALAVRA O engendro engendra a pedra A pedra pedra a escolha
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A EXPEDIÇÃO DA PALAVRA O engendro engendra a pedra A pedra pedra a escolha A escolha escolhe a relva A relva relva a aventura A aventura aventura-se na caverna A caverna caverna o quadraçal O quadraçal quadraça o granito O granito granita o alimento da História, o desconhecido O desconhecido desconhece o ódio contra o desejo O desejo deseja o idílio O idílio idilia o clarão O clarão clareia a vitória da irmanação A irmanação irmana-se á celebração A celebração celebra a desgraça A desgraça desgraça a solitária A solitária solitaria a miséria A miséria miseria o esquife O esquife esquifia a opressão A opressão oprime a tranca A tranca tranca a paixão A paixão apaixona-se pelo tecer do cérebro O cérebro cerebra o criatório da mente O criatório cria a chama A chama chama a mão A mão manipula a caneta A caneta caneta a mágica A mágica chamada PALAVRA. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

O RELICÁRIO DE VIVÊNCIAS Ao pé da colina das Esmeraldas desvanecidas, Contemplo o fluxo oceânico
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O RELICÁRIO DE VIVÊNCIAS Ao pé da colina das Esmeraldas desvanecidas, Contemplo o fluxo oceânico De Sáfaras, Opalas, Ametistas, Safiras, Jades, Pérolas e Turmalinas Fluir infrenemente em direção A uma enigmática neblina. Como que insólita E miraculosamente Minha humilde perspectiva Abissalmente se amplifica: Enxergo, de forma nítida, No âmago da densa e calma Massa gasosa de naftalina, A sorumbática chegada, A horrenda masmorra, O aterrador cadafalso, A lancinante calmaria, A iminente, ineludível e fatal partida. Então sôfrego Para que as aquarelas, Auroras, auréolas E noites da etérea primavera Refluam-me novamente Ao córtex de um niilista sem cura, Vou ao encontro da cordilheira Das minhas chagas abertas e devolutas Pois suplantam toda ou qualquer agrimensura. Ah, na verdade, Como eu gostaria de que estas lembranças Rapidamente se dissolvessem igual a gelo Sob o efeito do inclemente sol do Saara. No entanto é uma leda vã ilusão sádica: elas agem conforme fossem Antártida intacta!

ANABIOSE DA PAIXÃO Enquanto ergue-se em mim Um monólito de bem-querência á solidão,
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ANABIOSE DA PAIXÃO Enquanto ergue-se em mim Um monólito de bem-querência á solidão, Lá fora a rua é quase calmaria Pois o rádio ---- ainda que Ligado --- Ajuda a compor o quadro Do augusto mutismo altruísta, sereno, Sábia atmosfera de reflexão recrudescendo. Após tantas e tantas esperas Pela ignescente e fulgurosa Aurora boreal, sem Que houvesse uma sequer Negativa ou positiva resposta, Apaguei a chama da esperança: Cerrei-lhe a porta! Preferi o porto seguro do vácuo A prosseguir contumaz Em minhas andanças De exitoso náufrago. Porém a voz da minha consciência Diz que é cedo demais Para eu relaxar, Me deixar entregar ao embalo Dos hartos e meigos braços Do réquiem do apaziguamento No mar da expansão engolfado. A bem da verdade, Ela me alerta: Diz a mim que o náufrago Não se dirigiu ás estâncias Do reino do Morfeu perpétuo. Não, Ela me diz que ele escapou Das garras do limbo da letargia eterna No momento em que minha visão-caminho Singrou o caminho da jóia Divagativamente Ametista-Névoa Que no meu jardim aflorou áquela hora. Sim, um copo-de-leite roxo Libertou-me, de novo, Do cárcere da benfazeja embriaguez voluntária. Sim, um copo-de-leite roxo foi o suficiente Para revelar que o crepúsculo Definitivo da chama, na verdade, Era o ouropel da morte: O coma, o coma! Ah, mais que dolente engodo: Agora é que descubro Que meu monólito de bem-querência á solidão É um dantesco absurdo! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A ASSASSINADA ALAMEDA DA PAZ Uma estreita faixa de terra É a senha para uma insana
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A ASSASSINADA ALAMEDA DA PAZ Uma estreita faixa de terra É a senha para uma insana E sangrenta guerra. Uma estreita faixa de terra Apreende, fustiga, coagula Dois infinitos Rios opulentos de cultura Que o ódio segrega, fere, lancina, macula! Uma estreita faixa de terra Transmuda antigas presas De dantescas, hediondas E gasosas sepulturas Em magos da fotossíntese da era medúsica. Uma estreita faixa de terra Operou uma metamorfose: Comutou a telúrica pátria, Vestida da indumentária da vangloria, Em destinos errantes Ou velada, curda, insone cercania, Povo sem nenhuma alvenaria! Uma estreita faixa de terra, Ao criar diretrizes, dínamos, vetores para o caos, Fez de desesperados e raivosos apátridas Guerrilhas que veem, na religião Ou na provocada morte, A mais poderosa e oportuna locomotiva Para o lucrativo bélico lob. Uma estreita faixa de terra Um lugar onde a flora do respeito não prospera Uma seara em que há pretéritas eras morrera o trigo da razão Uma plaga adorada, filha do Meso-Oriente Tapete-Sultão, Onde o dogma do ódio soberanamente impera, é eterno furacão!

CANTO DO SER SEM AURORA E ALVORADA Um rio agônico que deságua O ocaso emanando dos moribundos olhos que derramam lágrimas
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CANTO DO SER SEM AURORA E ALVORADA Um rio agônico que deságua O ocaso emanando dos moribundos olhos que derramam lágrimas A cordilheira que se metamorfoseia em cinzas de montanha A espera impressa e circunscrita na hirta parede da lembrança O estro que tomba ante o eclipse total da esperança A criança que dorme, morre e não sonha O bardo que é maninho pasto, desrepasto, marasmo, secura, insônia Insânia! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

O CERÂMICO GUARDADOR DE PAISAGENS NORDESTINAS (EM MEMÓRIA DE MESTRE VITALINO) Um grande homem do povo,
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O CERÂMICO GUARDADOR DE PAISAGENS NORDESTINAS (EM MEMÓRIA DE MESTRE VITALINO) Um grande homem do povo, Semente nascida da acre terra bucólica, Floresce, novamente, ao ser preso Pelas malhas do sortilégio da cerâmica: Opulento universo da prolífica verve prodigiosa, epifânica! Da carne desta mágica argila, Pulula um cosmo Que dá loquacidade, eloquência, garbo e encanto Á estóica vida no nordestino campo: Os carros de bois em caravana; A contenda dos amantes conjugais No exíguo aconchego da sua adôbica cabana; Os cangaceiros paramentados Como a realeza do fogo sepulcral; A Igreja, o santuário da fé imortal; A gente sofrida, templo da incansável esperança! Afinal a humilde nação do semi-arido: Reino dos sábios gigantes, Forjados pelo metal do contínuo drama insuplantável; A serena gana de ter direito á vida. Esta gana os agiganta, Torna-os a indelével chama magnífica! E então, o artífice Á rude paisagem sublima: O olor do cotidiano da faina campestre Se eterniza, eiva a mente e a visão Dos presunçosos ignaros Que desdenham a grandeza Da laboriosa estirpe do Nordestino Sertão: Incessante florescência da animosa Flora tenaz, incarcomível, insoçobrável! Ah, maestria, ah vitalidade! Vitalina é a centelha Que lhe alimenta A frondosa árvore da criatividade. Ah, etéreo mago fantástico! Ah, genial alquimista do barro! Sua mente, na verdade, É um cinético vulcão de avatar Que, ao entrar em erupção, Transforma o deserto da nossa visão Em verdejantes bosques de sensibilidade e lirismo. Enfim, tocados por sua mágica, Começamos a contemplar a beleza Cujo perfume, que aprisiona O organismo, o corpo, a retina e a órbita Do palato, da audição e do olfato dos olhos, Molda, norteia e afaga Os passos da prole do éden da sáfara. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

PLEONASMO DO POEMA-POESIA O Poema é uma centelha Concomitantemente
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PLEONASMO DO POEMA-POESIA O Poema é uma centelha Concomitantemente Conclamada e errática. O Poema é a equação Que habita o cérebro Da nossa dualidade: Pavimenta a alameda da emoção e da racionalidade. O Poema é uma enigmática areia movediça: Rebenta prenhe ou órfão de um intento E trilha vias do alcácer das viroses dos abstratos, concretos tormentos (sejam os frívolos dissabores, seja a dantesca luminescência da bruma do quase aniquilamento), Antes de se transmudar em monumento Á Lógica, ao tornado dos vulcânicos sentimentos Ou ao maremoto dos libertários devaneios. O Poema é a aquarela De um premeditado Ou inesperado Estalo: Nasce no córtex, Navegando pelo Oceano de teias e correntes da mente Para, em seguida, desaguar sobre O espaço vazio como palavra: Quer Verso insalubre, amarelo, hospitalar, alegria flagelada; Quer jucunda ventania, Poesia em estado de Graça! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

PAISAGEM SEM PLUMAS Sinto o olor de uma matilha no encalço do Girassol: A sequidão por soçobrá-lo é tamanha
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PAISAGEM SEM PLUMAS Sinto o olor de uma matilha no encalço do Girassol: A sequidão por soçobrá-lo é tamanha Que a canina imagem faminta e ferina Qual se forma na fonte da minha espiritual retina, Apesar de intangível por a saber ainda bem longínqua, Penetra-me na verve como dantesco voraz raio-trovão E me lancina atrozmente a razão. No entanto, O Girassol está completamente despido do medo: Ele espera os seus algozes belicosos, morteiros Tal como se estivesse dormindo calmamente Sob o aconchego da transparente armadura lúcida, Reino da fleuma, da sabedoria, do candor e da bravura. Então começo a crer Que a hoste dos sóis Da Resistência Desarmada Estava envolta pelo manto Desta balsâmica e benfazeja aura Ao encarar a fronte vociferante Dos promotores malévolos da dama Caetana Sorte. Ás vezes, Sou acometido de uma forte impressão: A impressão de que os entes Que trazem sobre o semblante Estes predicados do solar sereno horizonte Não morrem quando recebem o derradeiro golpe; Antes, sofrem uma poderosa metamorfose: De outros corpos mentais tomam posse, Fazendo pulular jardins do iluminado Girassol Por toda parte. Afinal, eu reflito: Mesmo que a matilha de cães famintos Alcance e trucide o Girassol, Sua prole --- tão lauta e prolífica --- Há de nos alimentar o corpo, A derme, o córtex, o coração: Sempre resplandecente e nada inerte, o crepúsculo do olhar vão! Portanto o Girassol concebe o mundo Conforme os olhos de quem contempla A paisagem mais límpida, cristalina: Sem as plumas da obtuosidade, da dúvida E da bruma da obliqua indulgência soturna. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

ESCRIBIR EN CIELO DE AMARGURA Sou aquele que bivaga sobre gases de desejo e lágrimas de Concreto Sou aquele que jaz na cama da ultra-abstrata fome absoluta
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ESCRIBIR EN CIELO DE AMARGURA Sou aquele que bivaga sobre gases de desejo e lágrimas de Concreto Sou aquele que jaz na cama da ultra-abstrata fome absoluta Sou aquele que sempre fica á margem do pleiástico santuário Sou aquele que carrega sobre o dorso do cérebro inúmeras Chagas de inépcia Sou aquele que a monótona verbena perpétua encarcera Sou aquele cuja estrada é pavimentada pelo vórtice da miragem Finalmente eu sou aquele que sempre está fadado a interromper Sua viagem. JESSE BARBOSA DE OLIVEIRA

APRENDIZ DE DIVAGAÇÕES O teto, acima de mim, Jaz sólido:
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APRENDIZ DE DIVAGAÇÕES O teto, acima de mim, Jaz sólido: Ainda sim, Transidamente, Eu o olho. Escalavrado pela impotência, Pelo vácuo, pelo tédio De afluirmos, Deliberadamente, Ao estuário da vida, Deixo-me domar Pelo sobrepujante cavalgar Do heliocentrismo da elegia. Pesarosas lágrimas silentes E invisíveis rolam-me Por sobre a epiderme: Crianças ao bel-prazer Do ódio como agasalho Da devoluta alma, Devoluta pele e osso, Devoluta mente, Devoluto corpo Sorvem a seiva da ira Contra o Éden misericordioso. A eloquente voz de um homem Esculpe, esmerila e grita A oração: --- Sim, nós podemos, irmãos! No entanto, Será que esta sentença Ganhará eco de materialização No reino, hein, das vis-metais mentes e preconceituosos corações? Não, Tal convicção não acalenta Meu escaldado ente-razão, Mesmo quando agora O contemplo segurando, Firmemente, o poderoso cetro Que norteia o rebanho Das extáticas cabeças Que, pelo oblíquo caminho, vão. Na verdade, O que, cotidianamente, Vejo é a construção --- cada vez mais célere --- De megalópoles quatro palmos Abaixo do chão. Na verdade, O que, cotidianamente, Vejo são vales de incauto sangue derramado Regozijarem os galhardos iconoclastas Da sábia vida prolífica: O escárnio á longevidade da sua celebração, sua mádida magia! Testemunho Querelas que libam, Avidamente, O vinho da ganância por poder Abrir sulcos e crateras Na mansão do nosso altruísmo. Testemunho O gradiente do egoísmo e da maldade Açambarcar-se, avolumar-se, Caminhar de mãos dadas com a ubiquidade, Tornar-se loquacidade, astuto E voraz canibalismo onipotente: O arrebate do arrebol da crueldade iminente e a corrosão selvagem, Chama alimentando a sequidão leviana, alarve Qual ansiosamente se encontra Ás portas do sol que liberta A aura da universal supernova hecatômbica, fúnebre, funesta! Enfim, O teto, acima de mim, Jaz sólido: Contudo o liquefaço Com o lume dos pensamentos Que emana da íris dos meus olhos opacos. Sim, Contemplo, como se estivesse Confinado numa câmara Hermeticamente fechada, A insensibilidade degustar-nos Incomensuravelmente deleitada.

MARISQUEIRAS Quase no limiar da manhã, Sofredores semblantes de mulheres denodadas
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MARISQUEIRAS Quase no limiar da manhã, Sofredores semblantes de mulheres denodadas Partem de suas calorosas vivendas infaustas Rumo ao encontro de mais um árido dia de lavra. E que lavra dura, pesada, prolífico jardim de sáfaras: Colher no Atlântico mar da Goiânia pernambucana Pérolas culinárias que hão de extasiar o paladar Daqueles providos de algibeiras Parcamente ou demasiadamente Magnânimas, exuberantes cataratas do Iguaçu e do Niágara, Imponentes cordilheiras dos Andes e do Himalaia! Ah, o quinhão que recebem É torpe, infame, aluvião de vexames nada breves: Uma ignóbil monção de atrozes intempéries ultrajantes Que as afoga no sádico oceano de dores Oclusas no reino do pranto exangue, Salpicadas de alamedas da piedade serelepe e incessante. No entanto suplantam a humilhação Com o fulgor da aura da dignidade, Que aflora da imagem de suas nordestinas cabeças, Levantadas ao girassol-firmamento em amplidão na verdade. Sim, e lá vão elas, as catadoras de mariscos, Com seus filhos lhes fazendo companhia, Depois de um dia pejado de faina cansativa E humilde dinheiro na palma das mãos, Voltar, finalmente, para o aconchego De seu exíguo e íntimo torrão. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A NÉVOA DE PANDORA Assentadas na colina pênsil sobre a selva de pedra, Pessoas lançam seu olhar ao firmamento
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A NÉVOA DE PANDORA Assentadas na colina pênsil sobre a selva de pedra, Pessoas lançam seu olhar ao firmamento E veem numa marcha frenética Se aproximar delas a sádica névoa do tormento. Os olhos transidos, Como a injetar um ânimo febril no cérebro, Esquadrinham particularíssimas congostas Onde sabem que afloram escaninhos seguramente sombrios. Alheia a tal ardil, A névoa desprende de si Diminutos cilindros de chumbo que descerram Escarlates cataratas sem calma ou fecundam Sementes, flores, florestas, floras do crepúsculo. Quão, quantos Cristais, Pérolas, Seivas potencialmente producentes Que não serão Carmelas, fulgurantes Auroras, Auréolas, Diamantes de lume pungente, A Ébana Florescência mais Bela...! No entanto, em vez disso, Ela evoca tétricas noites diurnas Que transformam airosas rosas betúmicas E açucênicas aquarelas européia-iorubânicas Em cálidas sepulturas. Finalmente, É assim a jacarandânica câmara de gás contemporânea... É assim a aura da vil-metálica chama... É assim que caminha a extrordinária e magnânima civilização humana! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

E ONTEM EU QUIS UM POEMA QUE NÃO PUDE CONCEBER (ODE TOSCA A IBERÊ CAMARGO) Ontem a paisagem
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E ONTEM EU QUIS UM POEMA QUE NÃO PUDE CONCEBER (ODE TOSCA A IBERÊ CAMARGO) Ontem a paisagem Do aroma da noite Fecundou em mim Um tênue fluxo dum poema. Este fluxo carregava nas casamatas do ventre A estrada para uma humilde hossana A Iberê Camargo: O mestre máximo do pincel Que reinterpreta visceralmente A visual realidade Que, á primeira análise, Se mostra vivente, a inconteste claridade incólume do sempre! Ah, ontem á noite, O meu ser de remendo Quis enaltecê-lo, Reverenciar-lhe o apurado e peculiar olhar De transcendente acuidade, Lançado sobre o aparente cenário em equilíbrio: Para o geral ver, Cegado pela síndrome de Narciso, Completamente equacionado Pela Matemática do humano tempo conciso. Ah, como idolatro este olhar Congênere da Ametista Pois dirime a embriaguez: Embriaguez que a insidiosa superfície Do mundo externo impõe á vista De um modo que bloqueia Tão sutil e plenamente O livre perceber que brota das mentes hominídeas, Porque estas ancoram, Embora inconscientemente, Seu alado veleiro No indestrutível porto da sageza Do ecumênico solar desejo! Então ele fita claramente O incessante novelo de conflitos Progredindo-se por debaixo da derme Do onipresente embuste eloqüente, corrosivo! E depois que se alimenta deste drama, Um universo em contínuo colapso, Vivenda em chamas, Devolve-o íntegro, desprovido de sofismas: Rebento do incorruptível imaginário antropofágico! Sim, a AMETISTA EXPRESSIONISTA Faz com que o rosto da verdadeira humana estética Seja revelado: Sem o adorno da airosa flor do eufemismo E sem a indulgência que emana Da mão estendida pela cênica sensatez residida No alegre tremular da bandeira da trégua Entusiasticamente anunciada, bramida! Ah, entretanto, O poder de captação de Iberê É muito mais ancho: É capaz de nos expor Toda a densidade da latitude Contida na pungência da tristeza, Escondida na álacre corpulência Do rosto de uma pessoa-oceano. Não, eu não pude compor o tão sonhado poema: Melancolicamente, Naufraguei-me no mar da cara empresa. Ah, tenho raiva, tenho pena de não ter podido seguir a sua feérica estrela: Não erigi versos brancos Nem versos que sorvessem Da fonte onde deitam A rima pobre e a opulenta. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A ESPORÁDICA MAJESTADE DO INCOMUM Há dias que a retina não controla A projeção de imagens.
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A ESPORÁDICA MAJESTADE DO INCOMUM Há dias que a retina não controla A projeção de imagens. Há dias que a urina infunde Á leve menção do simples laivo da vontade. Há dias que a doce e inócua brisa Escalavra cruelmente a face. Há dias que a noite É contínua manhã incólume: a aderente Paisagem! Há dias que a Escuridão é a alameda Onde reside a foz de toda a universal verdade. Há dias que o dia Aparenta ser fluxos e refluxos de miragem. Há dias que o Poema É o mais etéreo plenilúnio da Vacuidade Há dias que a latitude e a lembrança São o mais edaz epicentro da saudade. Há dias que o ser concreto São os sortilégios de Mérlin, Iemanjá, Baco, Amon-Rá e o Hades. Há dias que o Poeta É corpo sem Verve, a terra sem Verbo: A Vácua Viagem! Há dias que a guerra Sucumbe ao sopro do vento da Amizade. Há dias que a Porta Não é uma mera passagem. Há dias que o sofrido povo Não é miríade e sim, O Principal Personagem. Há dias que a Poesia sonha O sonho de ser o Graal da IGUALDADE! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

OS PÍNCAROS DO ABISMO Ao sucumbir ao sono, Perco-me na viagem
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OS PÍNCAROS DO ABISMO Ao sucumbir ao sono, Perco-me na viagem Á espiral de dimensões intoleradas, insones: Lá, Digladio-me com antigos demônios Que, até então, Pensava pairar sobre o céu Do crepúsculo dos íntimos infortúnios hediondos. No entanto, Pungentemente, Descubro que, Em mim, Eles jazem, Latentes, silente E continuamente diurnos: Esperando pachorrentamente O átimo conciso Para que me induzam A ir á sua arena do sodômico Feitiço. Porém, Para meu próprio espanto, Suplanto-os a todos os meus endógenos inimigos indômitos: Contemplo-lhes impávida e destrutivamente O fundo dos olhos que destilam O veneno pérfido da naja --- Mortífera! Mortífera! --- E com o êxito, Uma sucessão De vagalhões de êxtase Acomete-me e me transmuda Em altaneiro arvoredo, Tsunami de néons, orvalhos E perpétuas neves do nirvana Fazendo aflorar-me Na soturna face A quietude, a fleuma, O saber caminhar e atravessar a difícil embocadura Que não me deixa cair no abismo do ermo E me leva direto ao lendário reino Onde mora a benfazeja sabedoria de Buda. Ah, não mais que subitamente, Acordo deitado no chão da varanda E debruço meu olhar sobre o sol Além das nuvens guarnecendo o céu, Além da cadente chuva: Aí, deslindo o segredo Para me manter imune Ao inexorável poder Da sua chama voraz A arder frações opulentas da vida Em molde de onipotentes rochedos Á natureza da indissoluta sílica. Posso drapejar sem comedimento, Mas sinto ânsias de remorso Por estar sobre o senhor dos píncaros Da infinita felicidade insubmissa, arredia; Enquanto a maciça maioria Fica ao jugo do malsão sabor Do interminável oceano de esquizofrenia, Tornando pensantes vidas Em miserandos chapados, cativos da larica Da mortuária alegria. Embora tente contumazmente Alertá-los, fazê-los, De todas as maneiras filhas da poção da dinâmica Da dialética lógica, sempre perfeita, Enxergar a emancipadora centelha, Eles, enleados nas malhas Do engenhoso sortilégio maléfico, Confinam a sua visão em lentes Herméticas do desdém. Afinal, Sob o efeito desta tétrica epifania, Decido voltar á arena Do malévolo feitiço A fim de me entregar, Espontaneamente, A meus dianhos, Eternamente famintos: Loucos para devorar-me A suculenta ruína do idealismo. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

POETA MINERAL (ODE A JOÃO CABRAL DE MELO NETO) Vicejara da sáfara, da pedra
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POETA MINERAL (ODE A JOÃO CABRAL DE MELO NETO) Vicejara da sáfara, da pedra Um girassol que se esconde No túmulo do empedernido. Odeia o transbordamento da cálida água: Acha-a frívola; Prefere a rasteira tapeçaria, o afagar Da mão do cimento e a metálica alvenaria do parco gesto do engendro. Pinta a grandeza da secura: Exaltando a plasticidade que a molda; O aquoso, mádido, translúcido e gélido fogo Que flui na corrente sanguínea Das estóicas coisas ou pessoas hialinas. A poética da observação obsessiva, Para ele, É plena da mais sábia epifania: Ela fica postada No píncaro maior Da visão cristalina, acuidosa, concisa, plástica, vítrea! Não, Ele não é exangue oceania. Não, Ele não é apenas a pétrea açucena que rebenta altiva. Não, Ele não é tão-só o penedo, o ferino espelho, o Cerrado, A Caatinga, o Sertão sem lua nem estrelas, a acrimoniosa SINFONIA. Não mesmo, meus queridos amigos. Na verdade, Embora ele, quando vivo, veementemente refutasse, O líquido poeta degusta sim o lirismo: O lirismo presente na contemplação sóbria, Onde os indistintos matizes do invisível se realçam; O lirismo contido na profundidade que aflora Da imagem da viril leveza do andaluzo toureiro Ou da acre imponência da pernambucana e betúmica cabra; O lirismo que se denota na narrativa da fluência de um rio Ou que se ressuma na fluidez da serena revolta Ora dum povo severino, ora duma gente maganês, Que ama, apesar da dureza da navalha, Deverasmente a sua lavra. Ah, mais do que nunca eu acredito Que o árido bardo, compositor da ode ao sol albino, É, de fato, Um radioso e magnífico Poeta lírico! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

CÓRREGOS DE EPIFANIA Sinto Frida Khalo Passear pela pradaria dos meus pensamentos:
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CÓRREGOS DE EPIFANIA Sinto Frida Khalo Passear pela pradaria dos meus pensamentos: Na tela de mim, Ela pinta uma mulher sem rosto Que faz verter sangue Das tetas cor de rubro. E do fluido vividamente vermelho Assoma e fulgura Um cavalo radiosamente negro A trotar airosamente ligeiro. Ele é um corcel Que viaja sob o signo Da velocidade da luz: O colossal e galhardo quadrúpede Traz impresso sobre o seu rutilante lombo A imagem de uma velhaca águia gigante voando. Ela, a águia, Expele vórtices de fogo E sorve o betúmico oceano caudaloso; Ela, a águia, Semeia espigas de ouro, Colhendo para si o alcoólico dínamo suntuoso E fomentando a fome para o infausto povo; Ela, a águia, E as outras magnas aves de rapina Subjugam o mundo vivaz, pleno, maravilhoso E deixam como legado O caos, o crepúsculo, a dantesca mansão do vácuo para todos. Ah, mas eu só pude sentir A supernova do nosso milenar planetário Quando a Frida Khalo Fez da minha viagem Á inefável esfera dos sonhos Seu mais belo, eloquente e audacioso quadro novo. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A PROSPECÇÃO DA PAISAGEM Quando deixamos de ser etérea manhã, Ainda no átrio da estrada,
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A PROSPECÇÃO DA PAISAGEM Quando deixamos de ser etérea manhã, Ainda no átrio da estrada, Tornamo-nos presa Da fome precoce do inexorável ocaso: A latitude do céu, Que pensávamos infinita, Revela-se cria de um universo volátil. Ah, e o nosso mar nos mostra A sua lídima índole: A ferocidade do vórtice do ódio Aflora-lhe do bojo, Domando progressiva E plenamente Todo o seu aqualino corpo. A terra, Que compõe a nossa pele, Liquefaz-se em córregos do pus Incarcomível: A chaga se transforma Em um novo tegumento, Agora, irremovível! Então o que reina É uma paisagem de água: Empedernida, rocha insoçobrável, Mármore entalhado no oceano da passional sáfara. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

OUTRAS GALÁXIAS FORA DE MIM Preciso prementemente Fazer uma viagem para fora de mim:
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OUTRAS GALÁXIAS FORA DE MIM Preciso prementemente Fazer uma viagem para fora de mim: Contemplar as paisagens exógenas sem fim, Que bradam loucamente, Ansiando acuidosamente Por gente qual as leia, as fotografe, as narre, As incorpore depois que as deguste Com os dentes e a língua da mente. Ah, a mente: o mágico lugar onde habita A fonte da libertária vivacidade ardente, ígnea! Não é que eu não saia; Eu saio: Tropego pelas execráveis alamedas Do rolo-compressor, da perfídia, Dos físicos e mentais desertos da reta irmanativa; Caminho ebriamente Pela estrada da vida bucólica Como se o fauno fosse privado De ser cultuado na Roma do Augusto Otávio; Afinal, passeio pela avenida Da estranha alegria estuprada e sofrida, Mas sempre animosa, aguerrida da jocosa nação mestiça. Ah, por que não proceder tal Sidarta Gautama Que se tresmalhara das garras Da inexpugnável fortaleza da patranha Para esquadrinhar, conhecer a legítima face do mundo Ao singrar as alamedas e ruelas da desesperança, Que molda, cimenta, reveste, concreta A antiga Índia sofisticadamente cibernética. É, talvez eu devesse, como ele, Abrenunciar á bem-querência Que nutro ao egoísmo da matéria: Pregar desprendimento, benevolência, humildade E ficar concentrado por meses ou anos Á sombra de uma árvore gigantesca, A fim de que eu possa captar, Me transformar na respiração Da água, do fogo, do ar, da Argila-Terra-Planeta; E, ao flutuar além das nuvens, da celeste abóboda da pureza, Poder lograr o glorioso Nirvana: A Extática Paz Imorredoura da Certeza! Não, não tenho esta pujança: Na verdade, Sou fado malogrado, Plenilúnio dos inválidos, Criatura pusilânime E o inexorável sol do vácuo Continuamente amanhecendo radioso, soberano, impávido! Finalmente, Depois de horas a fio sob a sádica e sodômica luz da ilusão, Sorumbático e desalentado, Regresso ao cancerante conforto da minha egocêntrica mansão. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA