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Frase de JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A PROSPECÇÃO DA PAISAGEM Quando deixamos de ser etérea manhã, Ainda no átrio da estrada, Tornamo-nos presa Da fome precoce do inexorável ocaso: A latitude do céu, Que pensávamos infinita, Revela-se cria de um universo volátil. Ah, e o nosso mar nos mostra A sua lídima índole: A ferocidade do vórtice do ódio Aflora-lhe do bojo, Domando progressiva E plenamente Todo o seu aqualino corpo. A terra, Que compõe a nossa pele, Liquefaz-se em córregos do pus Incarcomível: A chaga se transforma Em um novo tegumento, Agora, irremovível! Então o que reina É uma paisagem de água: Empedernida, rocha insoçobrável, Mármore entalhado no oceano da passional sáfara. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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Pensador.com

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POESIA-PLACEBO Tórrida noite, Tépido dia:
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POESIA-PLACEBO Tórrida noite, Tépido dia: Certo mesmo é ser fria A minha poesia. Longa noite, Mínimo dia: A verdade É ser cega a lâmina da minha poesia. Gótica noite, Plácido dia: A poesia minha não fecunda as tormentas, Tampouco afaga a brisa. Cancerígena noite, Ofídico dia: Minha poesia não é amplidão e matéria florida, Muito menos cubículo ou o estadão das partículas. Dia-noite, Noite-dia: É água insossa a minha poesia.. Nem salgada, nem docílima!

DESCONSTRUÇÃO Imerso no magnetismo do colchão, Perco-me numa neblina de sonhos, miragens e vãs divagações.
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DESCONSTRUÇÃO Imerso no magnetismo do colchão, Perco-me numa neblina de sonhos, miragens e vãs divagações. Quando acordo, Possuo apenas um poema De índole vácua: E sua teia é navalha Que o corcel da mente escalavra, Lancina e mata. Seu legado é o soçobrar do fluído verbo. Seu legado é a afasia do produtivo fazer poético. Seu legado é a elisão do penetrante, sábio e facundo verso! Assim, o que resta é um poetar sem eco, povo nem reflexo. O que resta é um poetar sem alvenaria, alicerce, paredes e teto. O que resta é um poetar com malária, chagásico, asceta, Acético! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A COR DO VÁCUO Como se contemplasse uma paisagem impalpável, Testemunho recorrentemente
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A COR DO VÁCUO Como se contemplasse uma paisagem impalpável, Testemunho recorrentemente O ocaso e o desassossego dos sóis humanos: Ainda hospedados na nave d’aurora; A meio caminho do limite da estrada Sombria, pérfida e sinuosa; Dando passos cautelosos, breves Sobre a obliqua corda bamba Da falcifórmica alegria, Cuja sina é ser o corpo Que sempre tomba Muito antes de chegar Á fonte da água cristalina. A mais pura verdade É que a flor da inocência Mal eclode, desabrocha, prospera; Já sofre voz de prisão E passa sua vida ---- Que, na gestação, Emitia uma luz Tão impávida, ígnea --- Numa empedernida cela: Solitária, sádica, Faca a esventrar Inclementemente As vísceras da mental aquarela. Ah, a onipotência da crueza É uma força inexorável: Ela desfila pelas passarelas da guerra; Ela se alimenta de almas errantes, erráticas, crédulas; Ela se transforma continuamente Nos habitacionais carcinomas da selva de pedra. Ah, a miséria humana Ah, a sede por vidas etéreas Sôfrega e celeremente Apodera-se da nossa chama e medra soberana. E depois, A paisagem do vácuo É o que unicamente sobra: Não há mente Não há verve Não há lembranças nem versos de protesto E de paixão. O que vive é um corpo: Um corpo Que não ama, não pensa. Um corpo Que não sente dor, desejo, Brisa, luto ou tampouco saboreia a vida. O que vive, Finalmente, É uma matéria Que apenas anda E ocupar lugar Sob a imensidão Da atmosfera da Terra. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

O CERÂMICO GUARDADOR DE PAISAGENS NORDESTINAS (EM MEMÓRIA DE MESTRE VITALINO) Um grande homem do povo,
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O CERÂMICO GUARDADOR DE PAISAGENS NORDESTINAS (EM MEMÓRIA DE MESTRE VITALINO) Um grande homem do povo, Semente nascida da acre terra bucólica, Floresce, novamente, ao ser preso Pelas malhas do sortilégio da cerâmica: Opulento universo da prolífica verve prodigiosa, epifânica! Da carne desta mágica argila, Pulula um cosmo Que dá loquacidade, eloquência, garbo e encanto Á estóica vida no nordestino campo: Os carros de bois em caravana; A contenda dos amantes conjugais No exíguo aconchego da sua adôbica cabana; Os cangaceiros paramentados Como a realeza do fogo sepulcral; A Igreja, o santuário da fé imortal; A gente sofrida, templo da incansável esperança! Afinal a humilde nação do semi-arido: Reino dos sábios gigantes, Forjados pelo metal do contínuo drama insuplantável; A serena gana de ter direito á vida. Esta gana os agiganta, Torna-os a indelével chama magnífica! E então, o artífice Á rude paisagem sublima: O olor do cotidiano da faina campestre Se eterniza, eiva a mente e a visão Dos presunçosos ignaros Que desdenham a grandeza Da laboriosa estirpe do Nordestino Sertão: Incessante florescência da animosa Flora tenaz, incarcomível, insoçobrável! Ah, maestria, ah vitalidade! Vitalina é a centelha Que lhe alimenta A frondosa árvore da criatividade. Ah, etéreo mago fantástico! Ah, genial alquimista do barro! Sua mente, na verdade, É um cinético vulcão de avatar Que, ao entrar em erupção, Transforma o deserto da nossa visão Em verdejantes bosques de sensibilidade e lirismo. Enfim, tocados por sua mágica, Começamos a contemplar a beleza Cujo perfume, que aprisiona O organismo, o corpo, a retina e a órbita Do palato, da audição e do olfato dos olhos, Molda, norteia e afaga Os passos da prole do éden da sáfara. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA